A seleção do primeiro turno

Em cima do lance, o blog crava sua seleção desta primeira metade do Parazinho-2010. Apesar de ter feito somente três jogos, Tiago Potiguar entra nesse escrete pelo diferencial de qualidade que acrescentou ao meio-campo do Paissandu, fator decisivo para a conquista do turno. Danilo, apesar das vaciladas no primeiro Re-Pa, ganha a vaga por falta de opção melhor na posição de primeiro volante e pela média de atuações no turno.  

Alexandre Fávaro (PSC); Lima (Independente), Leandro Camilo (PSC), Filho (S. Raimundo) e Aldivan (Águia); Danilo (Remo), Sandro (PSC) e Tiago Potiguar (PSC); Marciano (Remo), Branco (S. Raimundo) e Moisés (PSC).

Técnico: Charles Guerreiro (PSC) 

Craque: Moisés (PSC)

 

Os piores do clássico

No Paissandu:

Tácio – Nervoso, errou vários passes no começo da partida, dificultando o trabalho da zaga e permitindo situações de perigo do ataque remista. Levou um cartão amarelo e acabou corretamente substituído por Charles.

Didi – Talvez em função da perda de ritmo – ficou sem treinar com bola durante toda a semana – pouco apareceu em campo e foi peça nula, até ser substituído pelo zagueiro Rogério.

No Remo:

Paulinho – Não marca, não apoia, não joga. No lance do pênalti, perdeu a corrida com Allax e apelou para a falta, puxando a camisa do lateral desde as proximidades da área. Além disso, foi envolvido em diversas outras manobras do ataque do Paissandu no segundo tempo.

Fabrício Carvalho – Marca mal, não faz a antecipação de jogadas e erra todos os passes no ataque. Entre ele e Gian, que organizava as jogadas, Sinomar deveria ter substituído o volante logo no intervalo da partida. 

Sinomar Naves – Cometeu erros de estratégia e escalação, insistindo com Paulinho e Índio, que cansa rápido e é deficiente nos avanços. Nas substituições, voltou a se mostrar confuso: Samir entrou no lugar de Vélber quando deveria ter substituído Héliton, que não conseguia ganhar nenhum lance contra os laterais do Paissandu. Na volta do intervalo, o Remo voltou mais recuado, como se o resultado (2 a 1) lhe fosse vantajoso. O técnico errou novamente ao tirar Gian para pôr Marlon, que deveria ter começado numa das laterais ou em lugar de Fabrício. E, por fim, repetiu a entrada de Otacílio, sem ritmo e pesado, quando o time mais precisava de velocidade e presença de ataque.

Os melhores da decisão

No Paissandu:

Fávaro – No primeiro tempo, agarrou as bolas (de Marciano e Vélber) que podiam ter determinado uma goleada parcial do Remo. No segundo tempo, defendeu falta bem cobrada por Marlon e não teve culpa no lance do gol olímpico remista.

Sandro – Elogiar o veterano volante virou lugar-comum. Comandou o time no período negro, quando houve a ameaça real de não ir à final. No jogo deste domingo, reinou absoluto como segundo volante, distribuindo passes de primeira, bem ao seu estilo. Fundamental para a conquista.

Leandro – O zagueiro, que tem pinta de estabanado, atuou bem no primeiro Re-Pa e contra o Palmeiras. Confirmou seu bom momento neste domingo, aparecendo com precisão em lances capitais. Desarmou Marciano e Héliton em jogadas que representavam perigo claro de gol.  

Moisés – Depois de ter sumido diante do Palmeiras, o atacante passou em branco no primeiro tempo do clássico, mas renasceu na etapa final. Marcou os dois gols que asseguraram o empate e infernizou a marcação remista.

Tiago – Pouco acionado nos primeiros 45 minutos, fez valer a habilidade e a velocidade para tumultuar a vida dos zagueiros do Remo no 2º período. O segundo gol do Paissandu nasceu de um escanteio originado por uma jogada sua. Logo depois, empreendeu uma sequência de dribles e quase marcou quando o jogo estava empatado em 2 a 2, disparando no travessão de Adriano.    

 

No Remo:

Márcio Nunes – Considerado o ponto mais frágil da zaga, saiu-se bem, principalmente nas jogadas aéreas. Formou uma dupla segura com Pedro Paulo, sem culpa nos três gols do Paissandu.

Marciano – Inquieto e habilidoso, esteve perto de se transformar no herói da tarde. Além dos dois gols, esteve bem nas articulações ofensivas, mas sentiu falta de um parceiro na grande área.

Danilo – Voltou a jogar com a segurança demonstrada ao longo do campeonato. Praticamente não errou passes e marcou com seriedade, contribuindo muito para a boa atuação do Remo no primeiro tempo.

Paissandu conquista o primeiro turno

O Paissandu é o campeão do primeiro turno do campeonato estadual e ganhou a Taça Cidade de Belém. No clássico desta tarde no Mangueirão, com a vantagem de dois gols estabelecida no primeiro Re-Pa decisivo, o time de Charles Guerreiro empatou em 3 a 3 com o Remo, depois de ter perdido por 2 a 1 no primeiro tempo. O jogo, emocionante nos instantes finais, foi muito equilibrado, embora com boas chances de gol de parte a parte.

Em busca de desfazer a vantagem do rival, o Remo começou a partida de forma ofensiva e com marcação adiantada no meio-campo. Essa postura surpreendeu o Paissandu, que saía com lentidão para o ataque e errava muitos passes no meio-campo. Aos 12 minutos, Marciano invadiu a área e bateu rasteiro, mas Fávaro fez grande defesa. Ao contrário do primeiro jogo, Gian e Vélber se movimentavam bem e criavam boas jogadas para Marciano e Héliton. O primeiro gol surgiu aos 23 minutos: lançado por Gian, Marciano entrou na área e bateu cruzado, sem chances para o goleiro. O gol desarvorou a marcação do Paissandu e o Remo continuou a pressionar. Aos 26 minutos, após escanteio cobrado por Gian, Marciano apareceu na pequena área e bateu para o gol. Fávaro espalmou e no rebote o atacante fuzilou para as redes. Logo em seguida, em rápida saída, Didi perdeu chance de diminuir dentro da pequena área do Remo.

Logo depois, Héliton chegou em velocidade à área do Paissandu, fintou Paulão e tocou de lado para Vélber. De frente para o gol, o meia disparou, obrigando Fávaro a nova grande intervenção. Quando se viu perdendo por 2 a 0 as 26 minutos, o Paissandu mudou sua postura e foi à frente com mais insistência. Tiago e Fabrício passaram a cair novamente pelo lado direito do ataque, para jogadas com o lateral Cláudio Allax. Foi por ali que surgiu o gol que restabeleceu a vantagem para o Papão. Allax ganhou de Paulinho na corrida. O lateral remista tentou pará-lo puxando pela camisa. O jogador do Paissandu caiu dentro da área e o árbitro deu o pênalti, que Fabrício converteu aos 40 minutos, sob protestos dos azulinos.

Na etapa final, apesar de necessitar de mais um gol, o Remo entrou mais recuado. Gian já não acompanhava as manobras ofensivas e Vélber parecia cansado. Além disso, nas laterais, o time voltou a enfrentar o velho problema da ausência de apoio ofensivo. Índio e Paulinho raramente passavam do meio-campo e, quando faziam isso, deixavam um corredor atrás. Apesar disso, o ritmo mais lento dos azulinos não era explorado pelo Paissandu, que preferia tocar a bola deixando o tempo passar.

Os ataques remistas não tinham a mesma contundência do primeiro tempo, mas Marciano teve a chance de fazer o terceiro gol invadindo a área em velocidade, mas foi desarmado na hora H pelo zagueiro Leandro Camilo. Um cabeceio de Márcio Nunes, escorando cobrança de escanteio, também assustou a defensiva do Paissandu. Tiago Potiguar, que fizeram um primeiro tempo discreto, começou a se sobressair, puxando a marcação do Remo e apostando em jogadas individuais.

Aos 19 minutos, em cobrança de escanteio, o goleiro Adriano saiu mal para afastar o cruzamento e o ataque do Paissandu recuperou a bola. Moisés chutou rasteiro, empatando o jogo em 2 a 2. A partir daí, o Paissandu tomou conta das ações no meio-campo e esteve perto de fazer o terceiro gol, quando Tiago driblou um zagueiro e ficou diante do goleiro Adriano. Seu disparo explodiu no travessão, com Adriano completamente batido no lance.

Sinomar trocou então Vélber por Samir e Charles lançou Alexandre em lugar de Tácio. Curiosamente, o volante executou a tarefa de acompanhar Samir o jogo inteiro, não lhe permitindo qualquer oportunidade. Em seguida, Gian foi substituído por Marlon, que deu mais mobilidade ao meio-campo do Remo. Marciano deslocava-se no ataque tentando abrir espaços, mas era marcado em cima pela dupla Leandro-Paulão. Aos 42 minutos, uma sequencia de três escanteios terminou com o terceiro gol (olímpico) do Remo, assinalado por Marlon. 

O time foi todo à frente, buscando o gol que daria o título do turno. O Paissandu, que já havia trocado Didi pelo zagueiro Rogério, recuava para garantir a vantagem. Aos 46, depois de Marciano quase assinalar o quarto gol, Fabrício Carvalho deu passe errado na entrada da área e armou um contra-ataque fulminante, puxado por Moisés. Ele deixou para trás os zagueiros do Remo e tocou na saída de Adriano, fechando o placar em 3 a 3 e garantindo o título do turno para o Paissandu. Grande jogo. (Fotos 1, 3, 4 e 5: TARSO SARRAF; foto 2: MÁRIO QUADROS/Bola)

Os números do 704º Re-Pa

40.000 – Público previsto.

840.000,00 – Valor aproximado da renda em caso de lotação do estádio. 

200 – Efetivo do Corpo de Bombeiros presente.

1.680 – Quantidade de policiais militares mobilizados. 

50 – Agentes que a CTBel disponibilizou para a fiscalização do trânsito.

22 – Ônibus que circulam com a bandeira S. Brás/Mangueirão.

Ficha técnica de Remo x Paissandu

Remo x Paissandu

Local: estádio Edgar Proença, às 16h

Remo – Adriano; Levy, Márcio Nunes, Pedro Paulo e Paulinho; Danilo, Fabrício (Marlon), Gian e Samir; Marciano e Héliton. Técnico: Sinomar Naves.

Paissandu – Fávaro; Cláudio Allax, Leandro, Paulão e Álvaro; Tácio, Sandro, Fabrício e Tiago; Moisés e Didi. Técnico: Charles Guerreiro.

Arbitragem – Paulo César Oliveira (Fifa-SP); assistentes – Roberto Braatz (Fifa-PR) e Ednilson Corona (Fifa-SP).

Ingressos – arquibancada, R$ 20,00; cadeiras, R$ 40,00.

Na Rádio Clube – Valmir Rodrigues narra, Carlos Castilho comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Dinho Menezes, Hailton Silva, Carlos Estácio.