Com 4 campeões, mundial de F-1 promete

Por Mauro Cezar Pereira

Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Michael Schumacher (foto). Quatro campeões mundiais nas pistas. São 11 títulos! Poderiam ser cinco campeões e uma dúzia de conquistas se Kimi Räikkönen ficasse mais um pouco no “circo”. E o melhor é que, em tese, o quarteto lutará pelo campeonato da Fórmula 1 da temporada 2010.

Sebastian Vettel, Rubens Barrichello e Felipe Massa. São três vice-campeões, dois deles com possibilidades de duelar pelo título mais uma vez. Só Rubinho parece fora da briga. São muitos pilotos com currículo e (aparentes) bons carros disputando a pista ao mesmo tempo, o que torna a temporada 2010 a mais esperada dos últimos tempos.

Para se ter uma ideia, são mais campeões se enfrentando do que em 1990, quando Ayrton Senna, Alain Prost e Nelson Piquet brigavam pelo título já tendo triunfado. Em 1982 também eram três, Mario Andretti, Nelson Piquet e Niki Lauda começando a temporada com conquistas na F-1 em seus currículos, mas nenhum deles tinha carro para repetir a dose naquela temporada.

Igual situação viveram Andretti, Lauda e Emerson Fittipaldi, o trio de campeões que largou no começo do campeonato em 1979. O mesmo ocorreu no ano anterior, quando Lauda, Fittipaldi e James Hunt passaram longe do título. O trio também estava nas pistas em 1977, mas só Niki brigava lá na frente, e foi bicampeão.

Em 1972 havia Denny Hulme, Jackie Stewart e Graham Hill, campeões que formavam o grid, mas não sonhavam com o campeonato, conquistado com folga por Emerson. Só em 1970 houve algo parecido com 2010, pois eram cinco já campeões correndo: Hulme, Hill, Stewart, Jack Brabham e John Surtees. Mas nenhum deles teve chance no título ganho por Jochen Rindt.

Parecido com isso só em 1999, com Jaques Villeneuve, Damon Hill, Schumacher e Mika Hakkinen, único dos quatro campeões que brigou pelo título, e o conquistou. Sim, a temporada 2010 poderá ser a mais disputada dos últimos anos na Fórmula 1. Talvez em toda a história da maior categoria do automobilismo. Quem sabe a melhor, a mais disputada de todos os tempos? É possível. Você acredita?

A incrível generosidade do STJD

O STJD, fiel à tradição de mudar de ideia em relação a julgamentos, reduziu a punição imposta ao Coritiba pelo quebra-quebra no Couto Pereira. A perda de mando de 30 jogos caiu para 10, e a multa de R$ 610 mil ficou em módicos R$ 100 mil. Depois, quebrou o galho do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, que havia sido condenado a nove meses de suspensão por ofensas ao árbitro Carlos Eugênio Simon. O ganchou encurtou para 130 dias. Não satisfeito, o tribunal absolveu o Corinthians da perda de dois mandos por arruaças de suas torcidas organizadas.

Fico só imaginando se aquele porradal de Curitiba fosse no Mangueirão, Baenão ou Curuzu. Vou te contar.

Dunga vai inscrever 7 reservas de luxo

A CBF definiu a programação da Seleção para a Copa de 2010. A convocação definitiva para o Mundial será na primeira quinzena de maio. No dia 22 do mesmo mês, a equipe vai se apresentar em Curitiba, onde ficará no Centro de Treinamento do Atlético-PR até o dia 26. No próprio dia 26, a delegação embarcará para Joanesburgo, para sua sede no Hotel Fairway. O técnico Dunga vai convocar 23 jogadores – mas apresentará também uma lista suplementar com sete nomes (para casos de contusão). Entre o dia da chegada na África e a estreia na Copa, no dia 15 de junho, a seleção fará dois amistosos. Os adversários ainda estão indefinidos – mas provavelmente devem ser uma seleção europeia e uma seleção africana. Fica o suspense quanto aos sete jogadores, reservas de luxo, que o treinador vai inscrever na competição. Desconfio que o Dentuço está fora até dessa repescagem.

Cartunista Glauco e o filho assassinados em SP

O cartunista Glauco Villas Boas, 53, foi morto nesta madrugada em sua casa, em Osasco, após uma tentativa de assalto ou sequestro – a polícia ainda investiga. Raoni, 25, um dos filhos do cartunista, também morreu durante uma discussão com dois homens armados que invadiram a casa. De acordo com informações de Ricardo Handro, advogado de Glauco, os dois homens invadiram o local por volta da meia-noite. Glauco e sua mulher teriam sido agredidos várias vezes, mas o cartunista continuava negociando com os criminosos. Glauco teria convencido os bandidos a levá-lo, aparentemente para sacar dinheiro, deixando a mulher e filhos em casa.

Quando saía de casa, onde também fica a igreja Céu de Maria, da qual Glauco era padrinho fundador, o filho Raoni chegava. No portão, ao ver o pai sangrando e com uma arma apontada, houve discussão com os assaltantes, que atiraram e mataram pai e filho. Eles fugiram e estão sendo procurados.

Após identificar um suspeito de envolvimento no assassinato do cartunista Glauco Villas Boas, 53, e do filho dele, ocorrido na madrugada desta sexta-feira em Osasco (Grande São Paulo), a Polícia Civil busca informações sobre ao menos mais uma pessoa. De acordo com o delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, o suspeito dirigia o Gol usado por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, apontado como um dos autores dos tiros contra o cartunista e Raoni, 25. 

Nascido em Jandaia do Sul, interior do Paraná, Glauco começou a publicar suas tirinhas no “Diário da Manhã”, de Ribeirão Preto, no começo dos anos 70. Em 1976, foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, no ano seguinte, começou a publicar seus trabalhos na Folha de maneira esporádica.

A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal. Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.

Em 2006, ele lançou o livro “Política Zero”, reunião de 64 charges políticas sobre o governo Lula publicadas na página 2 da Folha. Glauco também era líder da igreja Céu de Maria, ligada ao Santo Daime e que usa a bebida feita de cipó para fins religiosos.

Gols de placa do bom jornalismo esportivo

Ano de Copa do Mundo é sempre garantia de bons lançamentos na área editorial. O primeiro tiro certeiro de 2010, indispensável para estudantes de jornalismo e interessados em jornalismo esportivo, é “11 Gols de Placa – Uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol”, organizado pelo jornalista Fernando Molica. O livro reúne onze trabalhos de fôlego sobre o “lado B” do futebol brasileiro, ou seja, sobre os graves e perpétuos gols contra que vem marcando ao longo do tempo. Como escreve Molica, explicando a sua seleção, é “uma escalação que mistura corrupção, pobreza, desemprego, falsificação de documentos, abuso e exploração de menores”. A primeira reportagem é o premiado texto de João Maximo, “Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama”, publicado no “Jornal do Brasil”, em 1967, no qual o jornalista descreve os sérios problemas de saúde – de subnutrição a sífilis – que enfrentavam então os jogadores dos principais clubes brasileiros. O livro traz ainda uma segunda série publicada no final da década de 60, “O Jogador é um escravo”, na qual Michel Laurence, José Maria de Aquino e Luciano Ornellas mostraram, em “O Estado de S.Paulo”, como os jogadores de futebol se submetiam ao desígnio de dirigentes esportivos, aceitando tratamentos médicos criminosos, assinando contratos em branco e não recebendo os seus direitos básicos. “11 Gols de Placa” dá, então, um salto até a década de 90, e apresenta reportagens sobre assuntos que o leitor deve se recordar. Para citar apenas algumas, há a série de “O Globo”, assinada por Marco Penido e equipe, sobre corrupção e negociação de resultados na Federação de Futebol do Rio de Janeiro, e a descoberta, por Sergio Rangel e Juca Kfouri, da “Folha de S.Paulo”, das contas furadas da CBF e do contrato da entidade com a Nike. Entrando no século XXI, a seleção de Molica mostra a persistência de velhos problemas. A série de Diogo Olivier Mello, publicada no “Zero Hora”, em 2001, revela as desigualdades sociais no mundo da bola, além dos graves problemas que jogadores enfrentam durante e ao final da carreira. O livro se encerra com a reportagem de Andre Rizek e Thais Oyama, publicada em “Veja”, em 2005, sobre a “máfia do apito” montada para fraudar resultados de partidas de futebol. Todas as reportagens são acompanhadas de textos introdutórios, preparados especialmente pelos autores para o livro, nos quais revelam o “making of” do trabalho que realizaram e contam bastidores não incluídos nos textos. “11 Gols de Placa” (378 págs., R$ 49,90) é o terceiro título de uma parceria entre a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a editora Record, que já rendeu também “10 Reportagens que Abalaram a Ditadura” e “50 Anos de Crime”. (Por Maurício Stycer)

Coluna: Um apelo ao bom senso

Escrevi há quatro dias sobre a necessidade de ser dada uma chance, um voto de confiança, aos treinadores nativos. Por uma feliz coincidência, a dupla Re-Pa está sob o comando de dois técnicos caseiros, Sinomar Naves e Charles Guerreiro. Ambos são profundos conhecedores da realidade local, conhecem Remo e Paissandu a fundo, sabem quais os caminhos que levam à sobrevivência dentro das duas casas e certamente não ignoram a eterna ameaça que paira sobre suas cabeças. 
Ao primeiro deslize, como se nenhum time no mundo pudesse tropeçar, estarão com as malas arrumadas e prontas para serem despachadas. Sinomar já está no Remo desde o ano passado e parece em situação mais estável. Charles assumiu o Paissandu há uma semana, depois que Luiz Carlos Barbieri entregou o cargo.
Revelado nas divisões de base da Curuzu, Charles construiu um currículo respeitável, que inclui a vivência como jogador de porte nacional e passagens vitoriosas (como técnico) pelo Remo, Ananindeua e o próprio Paissandu. Nada disso, porém, o livra da intolerância que ronda os profissionais domésticos. Fazia grande campanha pelo Remo, há dois anos, quando foi sumariamente substituído por um técnico importado.
No Paissandu atual, assolado por contratações ilimitadas e palpiteiros de todo tipo, Charles precisará apelar a todos os recursos de seu kit-sobrevivência para se segurar no cargo.
O Re-Pa de domingo é um tremendo teste, depois da auspiciosa estréia contra o Independente, em Tucuruí. Com mais tempo para treinar e montar a equipe, Charles deve extrair uma atuação ainda mais convincente de seus comandados. Como não tem compromissos com jogadores importados, vai dar oportunidade a quem estiver melhor. E o Paissandu lucra com isso.
Por outro lado, o clássico-rei é também conhecido por desempregar treinadores, até quando se trata de simples amistoso. O bom senso diz que, independentemente do resultado das finais, tanto Sinomar quanto Charles devem ser mantidos. O problema é que bom senso é artigo raríssimo entre a cartolagem paraense.      
 
 
Bruno Senna, o sobrinho de Ayrton, ainda nem estreou na Fórmula 1 e a Globo já prepara sua entronização como legítimo sucessor do tio, com toda pompa e circunstância. Como nunca fui fã de Senna e não pretendo ser de Bruno, torno-me desde já candidato natural a vítima da torturante musiquinha encomendada ao mesmo maestro (Eduardo Souto) que cometeu o infame “Tema da Vitória”, que depois da morte do ídolo tornou-se marcha fúnebre.
Rogo que os deuses das pistas se compadeçam e reduzam ao máximo a quantidade de vezes em que a tal composição será executada nas manhãs de domingo. Já basta a babação de ovo e verborragia de pé quebrado que o notório Galvão planeja produzir neste mundial de F-1. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)