Santos de Neymar despacha o Remo

Corretíssima a comparação feita pelo comentarista do Sportv: na véspera houve um jogo, na noite desta quinta-feira aconteceu um passeio. Dois gols no primeiro tempo, dois no segundo, com direito a show solo de Neymar, o menino prodígio do Santos, e boas performances dos coadjuvantes Paulo Henrique Ganso e André. Foi isso que a torcida remista viu no estádio Mangueirão nesta quinta-feira à noite. Confiante numa boa atuação do Remo, para se recuperar do revés no Re-Pa de domingo, o torcedor compareceu em grande número e amargou nova decepção.

Confuso no ataque, desorganizado na saída de bola e sem jogadas pelas laterais, o Remo foi facilmente dominado pelo Santos, que jogou em ritmo de treino, tocando a bola, fazendo o tempo passar e controlando a partida conforme sua vontade. No começo, Héliton ainda tentou algumas jogadas pelas extremas, sem maiores consequências.

Samir, grande esperança de agressividade no ataque, perdeu-se em lances dispersivos e foi facilmente anulado pela marcação do Santos. Os três volantes (Danilo, Ramon e Fabrício) usados por Sinomar para tentar parar Neymar & cia. não conseguiram acertar o tempo de combate e eram seguidamente envolvidos pelas triangulações de Ganso, Marquinhos e Arouca.

O primeiro gol veio aos 21 minutos, num rápido contra-ataque, puxado pelo lado direito do ataque santista. A bola chegou a Ganso, que encontrou Neymar na área, livre de marcação, para tocar no canto direito de Adriano.  Depois disso, o Remo tentou reagir, mas faltou técnica e fôlego. O time, cheio de veteranos, parecia cansado ainda no primeiro tempo. O Santos, ao contrário, seguia no mesmo ritmo, sem muita pressa. Adriano fez duas defesas difíceis em tentativas de André e Mancha.

Aos 42, o golaço da noite. Neymar apanhou a bola no bico da grande área e arrancou em direção ao gol. Ignorou a perseguição de Raul, driblou Adriano e tocou mansamente para André finalizar. Nos minutos seguintes, o Santos esteve perto de chegar ao terceiro gol diante de um Remo em frangalhos no setor defensivo.

Logo no retorno do intervalo, um cruzamento torto na direção da área passou pelos zagueiros do Remo e chegou a André, que bateu firme, sem defesa para Adriano. 3 a 0. O Remo já havia trocado Héliton por Otacílio e Fabrício por Gian. Aos poucos, diante do desinteresse do Santos pela partida, o Remo foi se aproximando da área. Com muita dificuldade, Samir tentava tabelar com Gian até que, num lance isolado, o meia foi derrubado por Edu Dracena. Marciano foi cobrar o pênalti e mandou a bola no travessão, esfriando o que seria um princípio de reação.

No final, o Santos ainda chegaria ao quarto gol em cobrança de pênalti por Neymar, o astro da noite. Fez dois gols, deu passe para os outros dois e distribuiu dribles à vontade. Um craque em seu melhor momento. E pensar que só tem 18 anos… (Fotos 1 e 2: MÁRIO QUADROS; foto 3: NEY MARCONDES; foto 4: TARSO SARRAF)

FICHA TÉCNICA

Remo – Adriano; Índio, Pedro Paulo, Raul e Paulinho; Danilo, Fabrício Carvalho (Otacílio), Ramon e Samir; Heliton (Gian) e Marciano. Técnico: Sinomar Naves

Santos – Felipe; Wesley, Edu Dracena, Durval e Pará; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso (Maicon); Neymar e André (Madson). Técnico: Dorival Junior

Local – Estádio Edgar Proença (Mangueirão)

Cartões amarelos – Fabrício Carvalho, Pedro Paulo (R); Marquinhos, Durval (S)

Público – 19.445 (pagantes) e 1.730 (credenciados)

Renda – R$ 549.945,00 – a cota que coube o Remo, já contabilizado o bloqueio da Justiça, foi de R$ 104 mil.

Arbitragem – Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)

A tribuna do torcedor

Por Breno Dias (bdezinho@hotmail.com)

Acredito que ontem, no jogo Paissandu x Palmeiras, acertei em algumas de minhas previsões, e se tivéssemos um pouco mais de atenção e “talvez” a performance de Tiago Potyguar, o resultado seria outro. O Paissandu mostra definitivamente que será um time que virá forte para brigar pela conquista do Campeonato Paraense. Ontem, percebi que Bruno Rangel mudou completamente sua postura adotada na época Barbieri. Bruno foi um jogador que se movimentou, diferente da época do antigo treinador, onde a inércia era marcante sobre o seu perfil. Alexandre Fávaro confirmou sua bela fase e sua grande segurança e reflexo. Sandro, Fabrício e Tácio tiveram destaque maior que Marquinhos, que apesar de se movimentar bem, errava muitos passes, cedendo vários contra-ataques para o time do Palmeiras, que deste modo, levava maior perigo a meta do Paissandu. Alexandre Carioca precisa ser melhor avaliado, não tem entrosamento nenhum com o grupo e, desta forma, não devemos julgá-lo. Moisés “sumiu”. A propósito, Gersão, ele já apareceu? Moisés tentou aparecer no início do primeiro tempo, mas logo se escondeu de vez. Na volta para o segundo tempo, enquanto Dinho Menezes o entrevistava, sentia a preocupação em sua voz. Paulão me pareceu inseguro, enquanto Leandro Camilo transpirava vitalidade, força e determinação em engolir o adversário. Cláudio Allax tentou imprimir velocidade pela direita, mas quando se defrontava com um defensor palmeirense brecava, perdendo a bola em seguida. Zeziel jogou bem, cumpriu bem seu papel de coringa. Zé Augusto quando entrou, fez, através de sua garra e de seu carisma, a equipe do Paissandu se movimentar mais, buscando o gol de empate. Flávio Medina nem entrou em minha opnião, temos que desconsiderar pelo mesmo motivo do outro recém-contratado. Gerson, o Paissandu, perdeu, mas… GANHOU! Arrisco um palpite, e este não é numérico, mas será expressado através de uma palavra, chamada: crescimento. 

Ficha técnica: Remo x Santos

Remo x Santos

Local: estádio Edgar Proença (Mangueirão), 21h

Remo – Adriano; Índio, Pedro Paulo, Raul e Paulinho; Danilo (Marlon), Fabrício, Ramon e Gian (Samir); Marciano e Héliton. Técnico: Sinomar Naves.

Santos – Felipe; Wesley, Edu Dracena, Durval e Pará; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso; Neymar e André. Técnico: Dorival Junior.

Arbitragem – Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG); auxiliares – Márcio Eustáquio (Fifa-MG) e Francisco Lima Junior (PI).

Ingressos – R$ 30,00 (arquibancada), R$ 50,00 (cadeira).

Na Rádio Clube – Valmir Rodrigues narra, Rui Guimarães comenta. Reportagens: Paulo Caxiado.

Na TV – ESPN e Sportv transmitem.

Coluna: Quase de igual para igual

Quem receava, como eu, a superioridade técnica do Palmeiras acabou surpreendido pelo comportamento estrategicamente correto do Paissandu na partida de ontem. Não partiu desesperado para o ataque aberto, que poderia ter causado sua eliminação da Copa do Brasil. A derrota magra, por 2 a 1, não é para ser comemorada, mas retrata bem as dificuldades que os paulistas enfrentaram no Mangueirão.

Desde o começo, ficou claro que o Paissandu preferiu jogar com parcimônia, tocando a bola e fazendo girar o jogo, a fim de esperar eventuais brechas na marcação. Com isso, equiparou as ações e esteve sempre rondando a área adversária, corajosamente, como se espera de um mandante.

A tática não impediu que o visitante abrisse vantagem num lance rápido, aproveitando a distância e a hesitação entre zagueiros e volantes. Apesar de o gol ter saído nos primeiros minutos, o Paissandu teve força de reação. Foi ao ataque, sempre tentando os lançamentos para Bruno Rangel e Moisés. Insistiu tanto que acabou dando certo. Ainda no primeiro tempo, Fabrício descobriu Bruno no mano a mano com a zaga e fez o passe. O gol reacendeu as esperanças de um placar favorável.

Infelizmente, no reinício da partida, já sem Marquinhos (substituído por Alexandre), que se movimentava muito bem, o Paissandu vacilou por alguns minutos. Foi o suficiente para permitir a vitória ao Palmeiras. Em lance de área, rápido, Everton tocou para as redes e deixou a situação novamente desfavorável ao representante paraense.

Levou tempo até que o time engrenasse novamente, isso já aos 25 minutos, depois que Zé Augusto entrou no lugar de Fabrício. Com ele em campo, levando a bola no peito e na raça, as chances voltaram a aparecer. O Palmeiras errava passes à entrada da área e por pouco o empate não veio, pelos pés do próprio Zé Augusto. Nos minutos finais, aparentando cansaço e sem repetir a transição rápida do primeiro tempo, o Paissandu se deixou dominar na maior parte do tempo e quase cedeu o terceiro gol – Fávaro salvou duas bolas dificílimas. Os aplausos da torcida, reconhecendo o esforço do time, soaram como julgamento para a digna atuação.    

Com três volantes (Danilo, Fabrício e Ramon), o Remo cerca-se de cautelas para o duelo com o ofensivo Santos, hoje à noite. Com as amarras esboçadas na escalação, desenha-se um jogo de intenso sofrimento para o time de Sinomar. Significa que esperará os meninos da Vila em seu campo, o que é temerário. Ao mesmo tempo, ficará à espreita de contra-ataques para tentar vencer. É uma proposta conservadora e de difícil êxito.

Nada impede que o Remo surpreenda o Peixe, principalmente se investir em ataques agudos sobre a confusa defesa adversária. O problema é que Gian, Héliton e Marciano correm o sério risco de ficarem isolados à frente, prejudicados pelo recuo excessivo. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 18)