F-1 mergulha no tédio

Aceeelera, Rubinhooo!! A frase é tão chata quanto recorrente nas transmissões globais. Não, na corrida de hoje, GP da Turquia, o locutor era Cléber Machado e é bem mais contido que o falastrão Galvão Bueno. Mas Barrichello até acelerou mesmo – antes da largada. Depois que as baratinhas (como se dizia no passado) largaram, Barrichello despencou para o fim da fila após tocar seu carro em alguém que passava por ali. Tenho a impressão que, lá na solidão do cockpit, o Ás da Mooca fica se distraindo, pensando em golfe, no livro que está planejando para detonar com o alemão etc. etc.

Corridinha rebe-rebe, monótona. A única novidade foi a roubada da primeira posição pelo Button, que aproveitou uma barbeiragem de Vettel, que andamos elogiando aqui no blog. Até o momento, já decorridas 13 voltas, nada mais aconteceu. Dá para ir beber água, conversar na janela, ver aquele DVD maneiro e, ainda assim, não se perderá nada. 

Sem essa de nostalgia, mas sempre que vejo a F-1 de hoje fico com a impressão de que logo terão que reinventar a categoria, pois a súbita melhoria de equipes pequenas, como Brawn e Red Bull, que parecia o grande pulo do gato para devolver a emoção perdida, só fez com que a prudência mudasse de lado. Os novos favoritos também jogam na retranca e a chatice segue dando as cartas.

Volto a postar assim que (se) acontecer alguma coisa na corrida.

A crônica alugada

RAÍZES DO METROSSEXUALISMO OU PRÉ-HISTÓRIA DA POUCA VERGONHA

Por Xico Sá


Ainda no madrugador ano de 1926, um circunspecto editorial do Chicago Tribune pôs na conta do galã Rodolfo Valentino (1995-1926) a culpa pela primeira onda de afemenizaçao do homem na América. Pura sacanagem dos jornalistas, óbvio, como nos relata o escriba H.L.Mencken n´O Livro dos Insultos, relançado agorinha pela Cia. das Letras.

Jornalismo marron à parte, quem teria sido, cá na terra do mulato de inzonas tantas, o responsável pelas primeiras influências na baitolização do macho brasileiro de raiz?

O Databotequim, instituto de pesquisas nocturnas deste cronista de costumes, despachou as suas mais gentis funcionárias para ouvir o distinto público nas boas casas do ramo.

O cantor Mário Reis (1907 -1981), rapaz de fino trato, teria sido o nosso primeiro homem célebre a influenciar a plebe rude nesse quesito, conforme o levantamento feito por nossas vestais e imparciais  pesquisadoras.

Não que fosse construído à imagem e semelhança do Valentino de “Os quatro cavaleiros do apocalipse” ou de “O Sheik”, por exemplo. Simplesmente por emprestar uma sensibilidade mínima ao então cenário de macheza absoluta. O intérprete de “Carinhos da vovó” e “Deus nos livre do castigo das mulheres” era um moço cuidadoso com o visual, um dândi, sempre na estica e nos bons modos.

O mais lembrado é Mário Reis, sim senhor. A fila de possíveis pioneiros, todavia, nela incluídos héteros e homos semi-declarados, dobra quarteirões.

Castro Alves, rival do abolicionista Joaquim Nabuco nessa peleja, tem destaque na galeria, como lembra a amiga Bia Abramo ao cronista. Beirava o janota, é o que diz o seu biógrafo Alberto da Costa e Silva.   

Ai vemos também na fila o João do Rio, o Cauby Peixoto, a Carmem Miranda –praticamente inventora do travestismo no país-, o boleiro Heleno de Freitas, que de tão preocupado com o visual chegava a jogar futebol com um pente no bolso e tantos outros gamenhos do meu Brasil varonil, como diz o Zé Bonitinho, este o mais radical e testosteronizado dos nossos ídolos televisivos do gênero.

Quando as vitórias incomodam

Juninho Pernambucano, depois de oito anos de profícua passagem (sete títulos nacionais consecutivos) pelo Olympique Lyonnais, está deixando a França. Mas, ao contrário do que se imaginava, não sai coberto de glórias. Pior que isso: carrega no rosto as marcas de uma surpreendente amargura, como se houvesse fracassado. A história é incomum, mas de fato ocorreu.
Juninho está saindo porque o Lyon desta temporada renegou a vocação pelas vitórias. Deixou-se, segundo suas palavras, dominar pelo sentimento que prevalece entre os franceses: a de que um time não deve perseguir compulsivamente a conquista de títulos.
Segundo o meia, as equipes da terra de Napoleão Bonaparte não têm instinto vencedor e entram nas competições sem aquela convicção inquebrantável que distingue os campeões. Em resumo: não fazem jus ao histórico de conquistas de seu imperador.  
Juninho está convencido de que o Lyon, depois de levantar tantas taças, virou mais um na multidão, cansou de vencer. Do time confiante e agressivo das outras temporadas, tornou-se previsível e acomodado. Conformou-se em ganhar apenas cinco jogos em casa, média inexpressiva diante dos números grandiosos de anos anteriores.
Um detalhe demoliu de vez o entusiasmo do meia brasileiro: a má vontade crescente de todos – imprensa e torcida à frente – com a estranha mania que o Lyon tinha de ganhar títulos. Como se o heptacampeão padecesse de doença contagiosa, capaz de contaminar as regras não escritas do futebol na França. 
Ao ouvir críticas cada vez mais fortes sobre o prejuízo que a hegemonia do Lyon trazia ao campeonato, Juninho percebeu que havia chegado a hora de procurar outros ares. Contribuiu para sua decisão a nova filosofia de trabalho no clube, depois que o técnico Claude Puel substituiu a Alain Perrin e adotou postura quase tímida em relação a títulos. É como se, de repente, sentisse vergonha de suas próprias glórias. Como diria Dalton, muito estranho.
 
 
No Brasil, guardadas as devidas proporções, o São Paulo vive situação semelhante. Ganhou três campeonatos nacionais, num país que tem pelo menos dez times sempre cotados para conquistar o título máximo. Mas, ao contrário da França, a façanha tricolor não desperta antipatia ou inveja. Há, na verdade, admiração pelo feito.
São culturas e visões diferentes sobre o sentido da vitória. Acho que vencer a qualquer custo não é atitude positiva. Por outro lado, renegar triunfos contraria a lógica natural dos desportos.
 
 
A Fórmula 1 chega a uma encruzilhada hoje na Turquia. Uma nova vitória de Button ampliará sua distância em relação aos demais competidores e praticamente lhe dará o título por antecipação.
A matemática permite ainda imaginar uma virada, mas a realidade crua das pistas não deixa margem a dúvidas: a estreante Brawn está a um passo de realizar a façanha mais surpreendente da categoria.

(Coluna publicada na edição de Bola/DIÁRIO deste domingo, 07/06)

Suor, lágrimas e gasolina

Por Lemyr Martins:

Quando Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula 1, alinhou ao lado do inglês Graham Hill e ficou feliz em ultrapassar seu ídolo logo na segunda curva. O que ele jamais poderia supor naquele dia é que o destino elegeria o velho campeão para salvá-lo de uma tragédia. Foi o pior susto da carreira de Emerson na F-1, e aconteceu em Zandvoort, na entrada da curva Bocht, nos treinos de classificação para o GP da Holanda de 1973.

Uma das rodas dianteiras do seu Lotus quebrou e o carro foi direto ao guardrail. A pancada destruiu tudo: a frente sumiu do painel para baixo, a suspensão se desintegrou e virou sucata. Emerson nunca esqueceu aqueles momentos:

“Fiquei preso nas ferragens, com o pé esquerdo quebrado e a sola virada ao contrário, olhando para mim. Meu maior temor era estar sobre uma poça de gasolina com o cockpit inundado de combustível. Se escapasse uma faísca, eu ia virar torresmo.

Supliquei aos bandeirinhas de pista que estancassem a gasolina e me ajudassem a sair do carro. Mas os comissários, que na época eram amadores, ficaram paralisados, com medo de uma explosão.

Graças a Deus, o Graham Hill parou o seu Shadow-Embassy do meu lado e veio me socorrer. Estancou a gasolina e começou a dar ordens aos bandeirinhas. Ainda fiquei uns vinte minutos preso nas ferragens.

Foi o próprio Hill quem pegou uma serra e, lentamente, para não produzir faísca, cortou um pedal, parte da carenagem do chassi e pedaços da sucata, para me livrar das ferragens.”

Mesmo aterrorizado, naquele momento Emerson se lembrou da tarde de sua estréia na F-1, no cálido 19 de julho de 1970, no circuito inglês de Brands Hatch. Lá estava ele, feliz dentro do Lotus 49, na última das doze filas, à esquerda do bicampeão Graham Hill. Tinha atingido o sonho de alinhar num grid de F-1.

Em Zandvoort, ensopado de gasolina, suor e lágrimas, pela dor no pé esquerdo fraturado, preso entre as ferragens do Lotus 72, ele lembrou que na sua estréia chegara ao exagero de pensar que, se morresse naquele dia, morreria feliz.

Quando Graham Hill serrou a última travessa da carenagem e ajudou-o a sair dos destroços do carro, Emerson sentiu remorso ao recordar que, na sua primeira corrida, havia ultrapassado o velho Hill, seu herói de infância, na segunda curva.

(Do livro “A Saga dos Fittipaldi”, Panda Books)

Paraguai perde a liderança

Mesmo jogando fora de casa, o Chile derrotou o Paraguai por 2 a 0, na noite deste sábado, em Assunção, pela 13ª rodada das eliminatórias para a Copa-2010, na África do Sul. Com o resultado, o Paraguai entregou a liderança para o Brasil, que mais cedo goleou o Uruguai por 4 a 0. Os dois países têm 24 pontos, mas o Brasil leva vantagem no saldo de gols. O Chile aparece logo depois, com 23. O time chileno abriu o placar aos 13min do primeiro tempo com um gol do meia-atacante Matias Fernandez. Na etapa final, aos 6min, o atacante Suazo ampliou de cabeça.

Argentina passa sufoco

Às duras penas, a Argentina derrotou neste sábado a seleção da Colômbia por 1 a 0, em Buenos Aires, valendo pelas eliminatórias da Copa-2010. Os comandados do técnico Diego Maradona vinham de goleada de 6 a 1 frente à Bolívia, fora de casa. O time portenho sofreu bastante pressão da equipe visitante no primeiro tempo. Foi só no segundo tempo que o placar foi aberto, aos 10min, pela Argentina, após jogada do zagueiro Diaz, que chutou de direita e mandou para o fundo das redes.

Cai tabu de 33 anos

brasil

Um tabu derrubado depois de 33 anos. Com uma goleada de 4 a 0, dentro do estádio Centenário, em Montevidéu, a Seleção Brasileira praticamente assegurou classificação à Copa de 2010 e surpreendeu um tradicional adversário. Com gols de Daniel Alves, Juan, Luís Fabiano e Kaká, de pênalti, o Brasil atropelou a Celeste de maneira inapelável. Foi uma das melhores atuações do time sob o comando de Dunga.

Luís Fabiano, 3 a 0

Saída da defesa para o ataque, aos 7 minutos do segundo tempo, com a bola rolando de Robinho para Kaká na direita. Deste para Elano na entrada da área e daí para Luís Fabiano, que fuzila pelo alto, cruzado, sem chances para Vieira. 3 a 0.

O Uruguai tentava se organizar para uma reação. Se continuar no mesmo ritmo, o Brasil chega fácil aos 4 ou mais.

Em lance esticado rumo à área, Luís Fabiano pula sobre o goleiro para evitar o choque. O árbitro, mal colocado, interpreta como simulação e dá o segundo cartão (exclusão) ao brasileiro.