
Por Pedro Chilingue
Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar algo claro: esse texto, em momento algum, tem a intenção de isentar Eduardo Barroca de culpa. O treinador precisa conseguir fazer o time jogar também fora de casa. No entanto, o papo hoje é especialmente sobre os jogadores.
Jogo uma pelada toda segunda-feira. E lá, ainda que não receba nada, dou o sangue em cada minuto em que estou jogando. Porque tenho brios. Porque sinto vontade de vencer, independente da circunstância. Porque sou competitivo. Porque derrotar os caras que estão do outro lado é tudo o que me importa quando estou dentro de campo.
O jogo de hoje é o retrato perfeito do que tem sido o Botafogo nos últimos anos: na hora do algo a mais, na hora de dar um passo à frente, na hora de alçar vôos mais altos, o time prega. Mudam os jogadores, os técnicos, os dirigentes e a situação não cansa de se repetir. O marasmo e a falta de interesse ancoraram o Botafogo em uma melancolia eterna.
É inadmissível ser amassado pelo Ceará – com todo respeito ao Vozão – como fomos hoje. Foram 26 finalizações deles contra apenas duas nossas. Um massacre que torna o empate um resultado bastante injusto. Mas a maior diferença, por incrível que pareça, não foi no número de arremates: enquanto de um lado um time se matava atrás da vitória, o outro apenas assistia o tempo passar. Foi digno de pena.
Mais uma temporada encaminha-se para o fim e temos outro elenco que não fez questão de fazer parte da nossa história. Os salários estão atrasados, mas a torcida não tem nada a ver com isso. Não temos um grupo capaz de buscar títulos de expressão, mas poderiam ficar marcados por uma honrosa classificação à Libertadores – o que, diante da postura patética de hoje, já pode ser prontamente descartado.
Não há mais tempo em nossa história para o vazio. Já passamos muito tempo apenas revivendo 1995 – a última vez em que o Botafogo foi Botafogo. O tempo é de mudança. Mas nem mesmo um aporte bilionário seria capaz de comprar o principal: garra, vontade e colhões. Se nada mudar, isso seguirá em falta.
NOTAS
Gatito Fernández: 8
Um dos únicos que, de fato, entrou em campo. Algumas boas defesas que evitaram um resultado ainda pior.
Fernando: 3,5
Totalmente perdido entre os profissionais. Não tem conseguido acompanhar o ritmo, deixando uma avenida na defesa e pouco aparecendo no ataque.
Marcelo: 8
Outro digno de aplausos. Cortou todas pelo alto, bloqueou diversas finalizações de dentro da área e, diante da inoperância do meio, arriscou até algumas arrancadas. Tem potencial para ir muito longe e já pode pleitear a titularidade definitiva.
Gabriel: 7
Alguns poucos vacilos e rebatidas perigosas, mas no geral foi bem na resistência à pressão adversária. O clube já deveria começar a tentar viabilizar sua permanência ao fim do empréstimo.
Lucas Barros: 4
Sentiu o peso do jogo e a má atuação da equipe como um todo e não aproveitou bem a chance. No entanto, seria bastante injusto taxá-lo de qualquer maneira em um jogo onde nada funcionou. Espero que receba novas oportunidades.
Cícero: 3,5
Totalmente nulo. Poderia ser trocado por um poste que ninguém perceberia. A diferença é que um poste não recebe o maior salário do elenco.
João Paulo: 5
Ao menos correu. No entanto, produziu muito pouco nos dois últimos terços do campo. Não tem lidado bem com a responsabilidade de ser o construtor de jogo no meio.
Alex Santana: 5
Não conseguiu ser efetivo como nos últimos jogos. Acompanhou o marasmo e pouco tentou das suas arrancadas. Também não finalizou com perigo.
Luiz Fernando: 4,5
Muito afobado, desperdiçou jogadas desnecessariamente. Precisa respirar e pensar a melhor jogada antes de executar.
Marcinho: 5
Alguns lances de habilidade, mas nada produtivo. Faltou alguém para dialogar pela direita.
Diego Souza: 4,5
Com o time encostando a bunda na própria baliza, foi um mero espectador. Pouco foi notado em campo.
Leo Valencia: 4
Entrou para melhorar a criatividade, mas errou praticamente tudo. Arriscou um chute de longe, mas poderia ter feito o giro e rolado para Lucas, que entrava livre pelo fundo. Irritante.
Rodrigo Pimpão: 5
Entrou para melhorar a marcação pelo lado esquerdo.
Gustavo Bochecha: 5,5
Pouco tempo em campo, mas melhorou ligeiramente a qualidade da saída de bola. Até porque qualquer migalha já seria melhor que Cícero. Precisa ser titular deste time.
Eduardo Barroca: 4
Não consegue fazer o time acompanhar a evolução em jogos fora de casa. Totalmente recuado, sem proposta de jogo clara e muito espaçado. É uma vergonha que o time seja pressionado dessa maneira e sequer esboce uma reação.







