Trivial variado do maior vexame internacional da história republicana brasileira

“O Bozo usar colar indígena na ONU penso ser muito pior do que fingir que se importa. É coisa de psicopata, tipo o assassino que vai ao enterro da vítima e dá pêsames à viúva”. Ana Cristina

“Se o Trump sofrer impeachment, o Bolsonaro vai perder seu amigo imaginário”. Autor desconhecido

“Não sinto vergonha pela apresentação de Bolsonaro na ONU. É libertador exibi-lo sem retoques pela alma tirânica ao mundo”. Debora Diniz

“Bolsonaro não se comporta como presidente de uma nação, mas como um líder fanático que só fala para os seus. É um falso patriota. Mentiu no discurso da ONU, ofendeu o cacique Raoni e os indígenas, atacou a imprensa. Confirmou ao mundo que é inimigo da democracia”. Marcelo Freixo

“O discurso de Bolsonaro na ONU é vergonha internacional e nacional. O energúmeno foi capaz de inventar uma indígena fake e atacar duas vezes o maior símbolo da resistência indígena no Brasil:o cacique Raoni. Ele transforma o Brasil num pária mundial.Repúdio e indignação. Fora Boçal!”. Ivan Valente

“E cada vez mais pessoas compreendem as razões de eu ter cuspido na cara do apologista da tortura e difamador homofóbico naquela noite do golpe de 2016. Antes desse horror chegar ao resto do mundo, ele pesou sobre mim. Sobrevivi porque sou resistência! E seguirei resistindo”. Jean Wyllys

“Bolsonaro é tão esdrúxulo que criticou em seu discurso os médicos cubanos dizendo que os profissionais não eram exatamente médicos. Ele disse isso na ONU. Os médicos cubanos são reconhecidos pela OPAS. A OPAS faz parte da ONU“. Jandira Feghali

Câmara dos Representantes abre inquérito de impeachment contra Trump

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A presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) a abertura de um inquérito formal de impeachment contra o presidente Donald TrumpEsse pedido é o primeiro passo concreto entre as diversas tentativas dos democratas de iniciarem um processo de impedimento do presidente, republicano, desde o início de seu mandato.

A acusação é de que ele violou a lei ao tentar recrutar um poder estrangeiro para interferir a seu favor na eleição de 2020. “O Presidente deve ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei”, afirmou Pelosi em uma declaração na TV.

Após o anúncio, Trump usou o Twitter para se manifestar contra o que chamou de nova “caça às bruxas”, mesmo termo que usava na época da investigação sobre a Rússia do procurador especial Robert Mueller.

“Em um dia tão importante nas Nações Unidas, tanto trabalho e tanto sucesso, e os democratas propositalmente tinham de arruinar e degradar com mais notícias do lixo da caça às bruxas. Péssimo para nosso país!”, escreveu.

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Também após o anúncio, os índices de Wall Street terminaram os negócios em queda.

Em 25 de julho, Trump teria pedido ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que colaborasse com seu advogado pessoal, Rudolph Giuliani, em uma investigação sobre Hunter Biden (foto acima) – filho do ex-vice-presidente Joe Biden – que integrou o conselho de uma empresa de gás ucraniana.

Segundo um agente de segurança do governo americano que revelou o conteúdo da conversa, Trump disse oito vezes a Zelensky que ele deveria colaborar com essa investigação. Em entrevista à CNN, Giuliani admitiu que houve pressão à Ucrânia. “Claro que fiz isso”, afirmou. E, em seguida, comentou no Twitter que Trump agiu corretamente no telefonema.

A ligação ocorreu no momento em que a Ucrânia aguardava a aprovação de um pacote de ajuda militar dos EUA no valor de US$ 250 milhões. A verba foi ratificada no mês seguinte pelo Congresso, mas suspensa logo depois pela Casa Branca, conforme informa a colunista Sandra Cohen.

Joe Biden é o principal pré-candidato democrata às eleições presidenciais de 2020 e lidera as pesquisas de opinião, sendo considerado a principal ameaça a uma reeleição de Donald Trump.

Segundo a rede CNN, o filho de Joe Biden, Hunter Biden, trabalhou na empresa ucraniana Burisma Holdings – que, de fato, esteve sob investigação. Não houve, entretanto, nenhuma revelação de que o filho do pré-candidato democrata tivesse participado do esquema de corrupção que levou à queda de um procurador da Ucrânia em 2016.

Inicialmente, Trump se recusou a comentar o conteúdo da conversa com o presidente ucraniano, afirmando apenas que teve uma “conversa apropriada, como sempre”. “Não interessa o que eu discuti”, disse, na sexta-feira.

Depois, ele admitiu que falaram sobre Biden. “A conversa que tive foi principalmente congratulatória, principalmente sobre corrupção, toda a corrupção acontecendo e principalmente sobre o fato de que não queremos nosso povo, como o vice-presidente Biden e seu filho, criando a corrupção que já existe na Ucrânia”, disse.

Nesta terça, porém, após dias de pressão para que divulgasse a transcrição do diálogo, ele cedeu. Pelo Twitter, Trump afirmou que o teor do telefonema poderá ser divulgado na quarta-feira de forma “completa, sem nenhuma classificação e sem edição”.

“Vocês vão ver que foi uma ligação muito amigável e completamente apropriada. Nenhuma pressão e, diferentemente de Joe Biden e seu filho, sem quiproquó!”, escreveu Trump. (Do G1)

“Bolsonaro perdeu a última chance de ser respeitado”

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Por Jamil Chade, de Genebra

Jair Bolsonaro não tinha chegado nem sequer à metade de seu discurso e meu WhatAapp, Signal e email já estavam sendo bombardeados por mensagens de diplomatas e representantes de entidades internacionais. Todos chocados com o que estavam ouvindo.

Mas uma das mensagens, particularmente dura, veio de um representante que faz parte da cúpula das Nações Unidas: “Ele (Bolsonaro) acabou de perder a última chance de ser respeitado”. Em outra mensagem, um mediador perguntava: “Há algo mais extremo que essa visão de mundo?”.

Depois do vexame do discurso de seis minutos em Davos, em janeiro, de uma participação apagada no G-20 e de ofensas a líderes internacionais, Bolsonaro tinha mais uma chance de mostrar ao mundo que poderia ser moderado e, assim, começar a recuperar seu respeito internacional. Fracassou rotundamente.

Dentro da ONU, não foram poucos os comentários diante de seu discurso. Era esperado do Brasil um sinal de que o país estava pronto a fazer parte do esforço internacional para lidar com desafios globais. Mas Bolsonaro chamou a atenção ao repetir em várias ocasiões as palavras soberania e pátria. O presidente, sem dúvida, fez questão de reposicionar o Brasil no mundo e na ONU. Mas não da forma que muitos na entidade esperavam.

A ONU, segundo ele, não representa interesses globais. Mas é, sim, um espaço de nações soberanas. “Não estamos aqui para apagar nacionalidades em nome de interesses globais”, disse. E emendou um alerta de que o Brasil não aceitará que haja uma mudança na ONU. Uma forma de dizer: não mexam comigo.

No fundo, o que se viu no palco foi um presidente com um discurso ainda mais radicalizado, intolerante e nacionalista que nas demais reuniões internacionais. Militarismo, Deus, elogios à polícia e ameaças substituíram palavras como sociedade civil, espaço democrático, diversidade, multilateralismo e o sistema internacional.

“Acho que nunca começamos nosso trabalho nesse tom”, lamentou uma fonte. No lugar de se comprometer com metas ambientais, Bolsonaro preferiu partir para o ataque e rejeitou a tese de que a Amazônia seja um patrimônio da humanidade. Sem citar nomes, fez alusão ao “espírito colonialista” da França e preferiu garantir que a Amazônia está “praticamente intocada”, gerando inúmeros comentários.

Fustigou Raoni, acusado de ser usado como “peça de manobra” em uma guerra pela floresta, e manobrou a própria Constituição. “Bolsonaro distorce argumentos sobre autonomia dos povos originários para negar direitos que a própria Constituição garante”, disse Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.

“Categoricamente, anuncia que não promoverá novas demarcações de terras indígenas. É extremamente grave que o presidente tenha usado a Assembleia Geral da ONU como palanque para atacar uma liderança indígena e ameaçar a segurança jurídica das terras ianomâmis e Raposa Serra do Sol, que já estão demarcadas”, afirmou.

Bolsonaro atacou ONGs e a imprensa internacional, proliferou teorias da conspiração e fez um discurso com a forte marca da demagogia de um populista que duvida do poder da democracia.

Bolsonaro também surpreendeu com sua nova apologia às ditaduras do Cone Sul, desta vez feita sem citar nomes. Experientes embaixadores brasileiros admitiram que o que ele fez no palco da ONU não tem precedentes na era democrática do país e poderia se igualar à apologia a um torturados que ele fez em pleno Congresso Nacional, ainda quando era deputado.

Ele justificou o Golpe de Estado de 1964 e as demais ditaduras na região, num tom radicalmente oposto ao que disse José Sarney quando falou no mesmo palco, nos anos 80. Naquele momento, ele lembrou que o Brasil “saiu de uma longa noite autoritária” e se apresentava ao mundo como uma democracia.

Ao citar socialistas cubanos, ele indicou que teriam “tentaram mudar o regime brasileiro” e de outros países. “Civis e militares foram mortos e outros tantos tiveram reputação destruídas. Mas vencemos aquela guerra e resguardamos nossa liberdade”, declarou. Ao dizer essa frase, ele simplesmente cuspiu sobre a entidade, que o havia criticado por sua apologia às ditaduras.

Um dos representantes da ONU exclamou: “não posso acreditar no que estou ouvindo”. Bolsonaro fez um discurso de guerra, repleto de termos e inimigos dos anos 60 e 70: a ameaça socialista e a necessidade de impedir que nossa soberania seja questionada.

Mas, acima de tudo, ofendeu a muitos naquela sala. Num trecho comentado por vários diplomatas, ele alfinetou os demais governos e entidades, alertando que eles tinham aplaudido os presidentes brasileiros que, por ali, tinham passado. Sua insistência em citar a Bíblia, os cristãos e Deus foram vistas com cautela, num sinal de que tentará redirecionar a agenda internacional com base nesses valores.

“Ele esqueceu que preside sobre um país diverso”, disse um diplomatas. Ele ainda chocou ao falar das vítimas entre os policiais e não citar os números de mortos pela polícia no Brasil.

Elogios? Apenas para seu mentor, Donald Trump.

Nos minutos que esteve no palco do mundo, não deu garantias, não construiu pontes, não reconheceu os problemas do país. Usando um tom de voz desafiador, como se o Brasil estivesse em guerra e como se o microfone não estivesse funcionando, Bolsonaro escolheu apenas os inimigos imaginários, enquanto os reais problemas foram ignorados.

Em Nova York, ele apenas confirmou a visão ideológica da política externa e do que será seu governo. E agora o mundo inteiro ouviu, em todas as línguas oficiais da ONU.

“Quando será a próxima eleição?”, me escreveu um experiente embaixador asiático. (Transcrito do UOL)

Zagueiro quer quebrar escrita ruim no Re-Pa

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Um dos líderes do elenco azulino, o zagueiro Marcão admitiu a frustração por não ter conseguido vencer o maior rival e afirmou ontem que está disposto a mudar essa história. “Clássico é decidido em detalhes. Joguei três vezes e não ganhei nenhuma. Estou com ambição, louco para ganhar o Re-Pa”, afirmou o defensor.

A próxima chance será neste domingo (29), a partir das 16h, quando os principais times do Pará se encontram no Mangueirão pelas semifinais da Copa Verde 2019. No domingo seguinte, 6 de outubro, outro clássico fecha esta etapa da CV.

Remo e Paissandu se enfrentaram 4 vezes na temporada, com 2 empates e 2 vitórias bicolores, mas o zagueiro não participou de todos os confrontos. Marcão foi contratado em meio à disputa do Campeonato Paraense, justamente após a lesão que o zagueiro Mimica sofreu no primeiro Re-Pa do ano, vencido por 3 a 0 pelo PSC.

Falsa e desastrosa, fala de Bolsonaro na ONU só piora imagem do Brasil

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Por Kennedy Alencar

Numa primeira avaliação, o discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU foi falso e terá impacto danoso para a imagem internacional do Brasil. Foi falso porque negou a realidade que os dados mostram e que o mundo inteiro conhece: cresceram o desmatamento e as queimadas na Amazônia no primeiro ano da administração Bolsonaro. Além de falso, o discurso foi desastroso.

A verdade: está em curso no Brasil uma política de desmonte da proteção ambiental criada ao longo das últimas três décadas. Foram enfraquecidos órgãos de fiscalização, como o Ibama e o ICMBio. Ricardo Galvão, um cientista respeitado, foi derrubado da direção do Inpe por dizer a verdade: cresceu a devastação da floresta tropical brasileira, conforme alertas do sistema Deter.

Há sinais públicos e notórios de estímulo a fazendeiros e garimpeiros ilegais dados por Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Esse ministro adota políticas contra avanços ambientais. Bolsonaro faltou com a verdade ao dizer que a mídia mente sobre a devastação na Amazônia.

Bolsonaro destacou a soberania brasileira sobre a Amazônia. Ora, essa soberania não está em questão. É teoria conspiratória alimentada por setores das Forças Armadas.

É uma visão obtusa num mundo que sofre com o aquecimento global, algo negado por nosso ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A solução é global. São legítimas as preocupações internacionais sobre a Amazônia. A proteção da floresta tropical interessa a cidadãos do mundo, mas sobretudo aos brasileiros, que poderão sofrer consequências negativas na agricultura e no abastecimento de água se a Amazônia for devastada a um ponto que impeça ou torne muito difícil a sua sobrevivência.

O que está em questão, portanto, é a preservação da Amazônia. Também importa o fortalecimento da fiscalização que foi deliberadamente enfraquecida pelo atual governo. Mas Bolsonaro e Salles adotam caminho contrário ao meio ambiente. Os satélites da Nasa e a comunidade científica mundial têm como averiguar os dados da devastação no Brasil.

Esse negacionismo de Bolsonaro, num tom duro, com cores religiosas e claramente irrealista diante de 193 mandatários estrangeiros e seus representantes, só vai piorar a imagem brasileira no exterior. O mundo já percebeu que Bolsonaro, além de autoritário e demagogo de extrema-direita, é um inimigo da preservação ambiental e do combate ao aquecimento climático. Seu discurso aprofundou essa percepção perante líderes mundiais na abertura hoje da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

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Fala desastrosa

Bolsonaro disse que seu governo tem “compromisso solene com a preservação do meio ambiente”. Culpou o clima seco e falou em “queimadas espontâneas”. Falou em ataques sensacionalistas da imprensa internacional, que retratou a realidade do que acontece lá. Sugeriu que o presidente da França, Emmanuel Macron, comportou-se com espírito irrealista, num tom nada conciliador. Alfinetou França e Alemanha, fundamentais para o acordo União Europeia-Mercosul, sair do papel.

Sugeriu que continuará com medidas para implementar atividades econômicas em reservas indígenas e que não demarcará mais áreas desse tipo. Falou que cacique Raoni é usado por países estrangeiros. Atacou ONGs que desejariam manter os índios “como homens da caverna”. Afirmou que fará “nova política indigenista” no Brasil. Negou retrocessos sociais em direitos humanos e na política de segurança pública.

Além de falso, o discurso é desastroso do ponto de vista da imagem internacional. Irrealista, agressivo em relação a países que enxergariam o Brasil “como colônia”.

Soou absurdo o presidente dizer que “meu país esteve muito próximo do socialismo” e sugerir que cubanos do programa Mais Médicos seriam agentes socialistas parecidos com espiões de Cuba nos anos 60. O Brasil nunca esteve próximo do socialismo. Isso é mentira. É totalmente insensata essa ideia de risco socialista no Brasil e na América Latina. Pega mal internacionalmente, parece paranoico e antiquado.

As medidas para frear órgãos de controle adotadas por Bolsonaro, como escolher um procurador-geral da República do bolso colete, tira autoridade do presidente para falar de corrupção. O presidente hoje é um inimigo da Lava Jato.

La Pulga, The Best

POR GERSON NOGUEIRA

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Vi há poucas semanas na TV um documentário sobre Cristiano Ronaldo. O filme é de 2016, com o craque português ainda vestindo a camiseta alva do Real Madri. É de impressionar a dedicação aos treinos, a fissura por condicionamento físico de alto nível, os cuidados com a saúde e a concentração máxima no jogo.

Mesmo quando aparece ao lado dos amigos, do filho, da mãe, do irmão e do empresário e mentor Jorge Mendes, CR7 parece não relaxar um instante sequer. Sua vida gira em torno da carreira. Disse, há alguns dias, que marcar um gol é até mais prazeroso do que sexo. No documentário, ele fica o tempo todo dividido entre treinos e situações relacionadas ao futebol.

A dedicação de CR7 ao ofício é impressionante. Fica, porém, a sensação de que ele precisa se doar ao máximo para atingir os resultados excepcionais que teve na carreira até hoje. Seu sucesso depende de esforço, entrega e disciplina. Nada vem de graça ou cai do céu para ele.

Vem daí, justamente, a diferença entre ele e Lionel Messi, premiado ontem pela sexta vez como The Best – o melhor do mundo na votação da Fifa.

O argentino de 32 anos é há pelo menos uma década o jogador que mais nos encanta. Pelos gols. Pelos dribles. Pela incrível habilidade de conduzir a bola caprichosamente colada aos pés

A admiração por Messi deriva da tradição brasileira, que elege a moldura artística como quesito maior na avaliação de um futebolista. Por esse prisma, CR7 é craque, pois tem controle absoluto sobre a técnica. Messi, porém, vai além: tem o controle do jogo pela força do talento.

La Pulga faz mil façanhas com a bola sem o esforço que as mesmas coisas exigem de CR7 e dos demais mortais. Para completar, expressa uma humildade rara em grandes astros.

A temporada de 2018-2019 garantiu o prêmio maior a Messi porque exibiu um jogador no apogeu da maturidade. Registrei aqui neste espaço meu espanto com os quatro gols que Messi havia feito no certame espanhol numa tarde de inspiração ímpar. Tudo com aquele ar blasée de quem é capaz de fazer coisas geniais de maneira terrivelmente simples.

Fez gols de todos os formatos. Em disparada, driblando marcadores, aparando a bola de sem-pulo e batendo falta na gaveta com incrível precisão. Deu a impressão de que estava fazendo ali uma pequena exibição de suas virtudes naturais. Azar de quem não viu.

Em 56 jogos, deu 19 assistências e fez 54 gols – 8 em cobranças de falta. Na comparação formulada pelo jornalista brasilguaio Martin Fernandez, o Brasileiro teve 190 partidas no turno com apenas 9 gols de falta.

A premiação nunca esteve em mãos melhores. Não foi nem a temporada mais genial dele, mas foi suficiente para ser muito maior que todos, até mesmo do excepcional beque Van Dijk, do Liverpool, e redime a Fifa de alguns absurdos na seleção dos melhores. (Marcelo e Sérgio Ramos, por exemplo, não mereciam estar lá).

Aliás, pobre de quem viu Messi na recente Copa América e achou que ele é só aquilo ali. Além de estar em final de temporada, exaurido e pouco entusiasmado, ainda teve que enfrentar arbitragens pífias como a daquele jogo entre Argentina e Chile. Apesar disso, no jogo contra o Brasil ele teve bons momentos e mostrou parte do repertório enquanto teve fôlego.

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Um prêmio para o amor que vence todas as barreiras

Marco Aurélio Souza, repórter da TV Globo, cobria o jogo Palmeiras x Corinthians e, ao lançar um olhar para as cadeiras do estádio palmeirense, viu algo inusitado. Notou que uma mãe narrava o que via em campo para o filho deficiente visual e autista.

Curioso, foi até lá e indagou se era a primeira vez que ela fazia aquilo. Não era. Sílvia Grecco, a mãe, faz isso há tempos porque é lá no estádio de futebol que o menino Nicolas se sente realmente feliz.

Ela revelou também que Nicolas não curtia quando ela fazia o relato usando fones de ouvido. Descobriu que ele preferia ouvir o som da torcida no estádio, o ruído da alegria. Desde então, passou a contar baixinho para ele o que se desenrolava no gramado.

Mais lindo ainda é saber que Nicolas é filho adotivo. Sílvia o adotou quando 12 casais já haviam desistido da adoção.

Chorei ao ver a matéria do Marco Aurélio e não consegui segurar a emoção ontem, novamente, quando a mãe levou Nicolas à grande festa da Fifa para receber o Troféu do Torcedor.

Um grande momento da história do futebol propiciado pelo trabalho sensível e inspirado de um repórter de verdade.

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Neymar: fosso se amplia em relação ao prêmio

Enquanto os melhores eram premiados pela Fifa, muita gente ficou a se perguntar pelas chances de um brasileiro voltar a erguer o cobiçado troféu. Neymar parecia talhado para esse papel. Jogou em alto nível por três anos no Barcelona, cercado de alguns dos melhores jogadores do planeta.

Ao escolher o PSG como destino, decisão pautada no aspecto financeiro, o jogador se distanciou da premiação consagradora. Para voltar a ser cotado como candidato terá que fazer um ano perfeito, marcando gols, esbanjando a facilidade para o drible e conquistando títulos.

O PSG não parece capaz de ganhar a Champions e Neymar não parece a fim de trabalhar sério para tentar repetir o feito de Ronaldo, Romário, Ronaldinho, Rivaldo e Kaká.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 24)

Um encontro de amor abençoado pelo futebol

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Silvia Grecco, torcedora palmeirense, chamou atenção no mundo ao ser flagrada, no estádio, narrando uma partida para seu filho Nikollas, que é deficiente visual e autista. A atitude da brasileira foi recompensada, nesta segunda-feira, durante a premiação ‘The Best’, da Fifa, com o ‘Fan Award’, prêmio destinado aos torcedores. No palco, diante dos maiores jogadores de futebol da atualidade, Silvia pediu respeito às pessoas com deficiência.

“Nikollas, aqui na frente estão muitas pessoas, muitos jogadores, muitos ídolos, estamos aqui representando nosso time, Palmeiras, e todos os torcedores do Brasil e do mundo, todos aqueles que torcem pela pessoa com deficiência. A pessoa com deficiência existe. Ela precisa ser amada, respeitada e incluída. O futebol pode transformar a vida dessas pessoas”, disse a palmeirense.

DEDICATÓRIA

Silvia também dedicou o prêmio a Justo Sánchez, seu concorrente na premiação, que é uruguaio e torcedor do Cerro, mas que passou a torcer para o Rampla Juniors em homenagem ao filho falecido.
A partida em que Silvia foi flagrada narrando foi entre Palmeiras e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro em 2018. Nikollas foi adotado quando tinha apenas quatro meses de idade. O menino perdeu a visão por conta de complicações na hora do parto.