Copa Verde: árbitro do Mato Grosso do Sul apita Remo x Atlético-AC

O árbitro Paulo Henrique de Melo Salmazio (MS) vai comandar o jogo Remo x Atlético-AC, domingo, no estádio Evandro Almeida, pelas quartas de final da Copa Verde. Terá coo auxiliares Eduardo Gonçalves da Cruz (MS) e Daiane Caroline Muniz dos Santos (MS/Fifa).

A CBF realizou sorteio ontem definindo Cuiabá e o vencedor de Paissandu x Bragantino como mandantes da partida de volta das semifinais da Copa Verde.

Somos todos reféns do 11/09

1536577621_182478_1536578782_album_normal

Por Pepe Escobar (tradução de Regina Aquino)

Após anos de reportagens sobre a grande guerra ao terror, muitas questões permanecem pendentes.

O Afeganistão foi bombardeado e invadido por causa do 11/09. Eu estava lá desde o começo, bem antes do 11/09. Em 20 de Agosto de 2001, eu entrevistei o comandante Ahmad Shah Massoud, o “Leão do Panjshir *”, que me contou sobre a aliança profana entre o Talibã, a al-Qaeda e o ISI (Inter-Services Intelligence, o serviço de Inteligência paquistanesa).

De volta a Peshawar, eu fiquei sabendo que algo realmente grande estava para acontecer: meu artigo foi publicado pelo Asia Times em 30 de Agosto. O comandante Massoud foi morto em 9 de Setembro: eu recebi um e-mail sucinto de uma fonte em Panjshir, afirmando somente, “atiraram no comandante”. Dois dias depois, o 11/09 aconteceu.

E ainda, no dia anterior, ninguém mais que Osama bin Laden, em pessoa, esteve num hospital Paquistanês, em Rawalpindi, recebendo tratamento, como foi relatado pela CBS. Bin Laden foi proclamado o autor do atentado já às 11h da manhã no dia 11/09 – com absolutamente nenhuma investigação. Não deveria ser exatamente difícil localizá-lo no Paquistão e “trazê-lo para a Justiça”.

Em dezembro de 2001, eu estava em Tora Bora rastreando bin Laden – debaixo de bombas B-52 e lado a lado com combatentes Pashtun (**). Mais tarde, em 2011, eu revisitaria o dia em que bin Laden desapareceria para sempre.

Um ano após o 11/09 , eu estava de volta ao Afeganistão para uma investigação mais profunda sobre o assassinato de Massoud. Até aquele momento era possível estabelecer uma conexão Saudita: a carta de apresentação dos assassinos de Massoud, que se colocaram como jornalistas, foi fornecida pelo comandante Sayyaf, um ativo saudita.

Por 3 anos minha vida girou em torno da Guerra Global ao Terror; a maior parte do tempo eu vivia literalmente na estrada, no Afeganistão, Paquistão,Irã, Iraque, o Golfo Pérsico e Bruxelas. No começo do “Choque e Pavor” no Iraque, em Março de 2003, o Asia Times publicou minhas abrangentes investigações na qual os neo-cons arranjaram a guerra no Iraque.

Em 2004, errante pelos EUA, eu re-rastreei a viagem do Talibã para o Texas, e como uma prioridade máxima, desde os anos Clinton todo o caminho até os neocons, era sobre o que eu havia batizado como “Oleodutistão” – nesse caso como construir o gasoduto Turmequistão-Afeganistão-Paquistão (TAPI) contornando Irã e Rússia e estendendo o controle estadunidense na Ásia Central e Sul.

Mais para frente, eu passei a examinar as difíceis questões que a Comissão do 11/09 nunca respondeu, e como a campanha de re-eleição de Bush estava totalmente condicionada e dependente do 11/09.

Michael Ruppert, um informante da CIA, que pode – ou não – ter cometido suicídio em 2014, era um dos principais analistas do 11/09. Nós trocamos um monte de informação e sempre enfatizando o mesmo ponto: Afeganistão era tudo sobre a (existente) heroína e o ( não-existente) gasoduto.

Em 2011, o tardio, grande Bob Parry desmascararia mais mentiras sobre o Afeganistão. E em 2017, eu detalharia a principal razão do porque os EUA nunca deixarão o Afeganistão: a rota da heroína.

Agora, o presidente Trump pode ter encontrado um possível acordo afegão – o qual o Talibã, que controla dois terços do país, são obrigados a recusar, o que permitiria recolher somente 5 mil soldados estadunidenses dos 13 mil atuais. Mais ainda, o “Deep State” estadunidense é absolutamente contra qualquer acordo assim como a Índia e o raquítico governo de Kabul.

Porém Paquistão e China são a favor, especialmente porque Pequim planeja incorporar Kabul no Corredor Econômico China-Paquistão e já admitiu Afeganistão como membro da Organização de Cooperação de Xangai, portanto agregando as montanhas Hindu Kush e a Passagem de Khyber para o vindouro processo de integração da Eurásia.

Rezando por um Pearl

Dezoito anos depois do ato mudança-do-jogo, nós permanecemos reféns do 11/09. Os neocons estadunidenses, reunidos em torno do Projeto para o Novo Século Americano, vinham rezando por um “Pearl Habour” para reorientar a política externa estadunidense desde 1997. Suas preces foram atendidas para muito além de seus mais selvagens sonhos.

Já em “O grande tabuleiro de Xadrez”, também publicado em 1997, um ex-consultor de Segurança Nacional e co-fundador da Comissão Trilateral Zbigniew Brzezinski, nominalmente um não neocon, tem salientado que o público Americano “ apoiou o envolvimento amplo da América na segunda Guerra Mundial por causa do efeito do choque do ataque dos Japoneses a Pearl Habour.

Assim, Brzezinski acrescenta, América “ pode achar mais difícil formar um consenso em temas de política externa, exceto em circunstâncias de verdadeiramente massiva e de ampla percepção de ameaça externa direta.”

Como um ataque a terra natal, o 11/09 gerou a Guerra Mundial ao Terror, iniciada as 11h da noite desse mesmo dia, inicialmente batizada com “ A Longa Guerra” pelo Pentágono, mais tarde higienizada como Operação de Contingenciamento Ultramar pela administração Obama. Tem custado trilhões de dólares, matando mais de meio milhão de pessoas e se ramificado em guerras ilegais contra sete nações muçulmanas – tudo justificado por “razões humanitárias” e alegadamente apoiada pela “comunidade internacional”.

Ano após ano, o 11/09 é essencialmente um ritual cerimonial Você Tem o Direito de Aceitar Somente a Versão Oficial , mesmo que a evidência generalizada sugira que o governo estadunidense sabia que o 11/09 aconteceria e não o parou.

Três dias após o 11/09, Frankfurter Allgemeine Zeitung relatou que em Junho de 2001, a Inteligência Alemã alertou a CIA que terroristas do Oriente Médio estavam “planejando sequestrar uma aeronave comercial para usar como arma para atacar importantes símbolos da cultura Americana e Israelense.”

Em Agosto de 2001, o Presidente Putin ordenou a Inteligência Russa para avisar ao governo Estadunidense “nos mais fortes termos possíveis” de ataques eminentes a aeroportos e prédios governamentais, a MSNBC revelou numa entrevista com Putin transmitida em 15 de Setembro desse ano.

Nenhuma agência governamental estadunidense liberou qualquer informação sobre quem usou conhecimento prévio do 11/09 no mercado financeiro. O Congresso estadunidense nem mesmo tocou no assunto. Na Alemanha, o jornalista investigativo de finanças Lars Schall trabalha por anos num estudo intenso detalhando a grande extensão de informações privilegiadas antes do 11/09.

Enquanto o NORAD dormia

Desacreditada a narrativa oficial e imutável do 11/09, permanece um último tabu. Centenas de arquitetos e engenheiros envolvidos numa meticulosamente desmitificação técnica de todos os aspectos da estória oficial do 11/09 foram sumariamente dispensados como “teoristas conspiradores”.

Em contraponto, o ceticismo enraizado na tradição Grega e Latina surge com, provavelmente, o melhor documentário sobre o 11/09: Zero, uma produção italiana. Assim como, seguramente o mais estimulante livro sobre o 11/09 é também italiano: O Mito de 11 de Setembro, por Roberto Quaglia, que oferece delicadas nuances narrativas do 11/09 como um mito estruturado, como num filme. O livro foi um sucesso imenso na Europa Oriental.

Questões sérias sugerem suspeitas bastante plausíveis a serem investigadas relativas ao 11/09 para além dos 19 Árabes com caixas de facas. Dez anos atrás, no Asia Times, eu perguntei 50 questões, algumas delas extremamente detalhadas, a respeito do 11/09. Depois das demandas e sugestões de leitores, acrescentei outras 20. Nenhuma dessas questões foram convincentemente abordadas – sequer respondidas – pela narrativa oficial.

A opinião pública mundial é levada a acreditar que na manhã de 11/09, quatro aviões comerciais, presumivelmente sequestrados por 19 árabes portando caixas com facas, viajaram sem ser incomodados – por duas horas – através do mais controlado espaço aéreo do planeta, o qual é supervisionado pelo mais devastador aparato militar existente.

O vôo 11 da American Airlines foi desviado de seu caminho as 8:13 da manhã e se chocou com a torre do World Trade Center as 8:57. Somente as 8:46 o Norad – o Comando de Defesa Aeroespacial Norte Americano – ordenou que dois interceptadores F-15 decolassem da base militar Otis.

Por uma curiosa coincidência um exercício de guerra do Pentágono estava em ação naquela manhã do 11/09 – por isso os controladores de radar podem ter registrados somente “sinais fantasmas” de aeronaves não existentes simulantes um ataque aéreo. Bem, isso é muito mais complicado do que parece, como demonstraram pilotos profissionais.

‘O Anjo era o próximo’

A opinião pública mundial também foi levada a acreditar que um Boeing 757 – com uma largura de uma ponta a outra das asas de 38 metros – foi dirigido para penetrar o Pentágono através de um buraco de seis metros de abertura na altura do chão. Um Boeing 757 com trem de aterrissagem abaixado tem 13 metros de altura. São aeronaves que se recusam a chocar com o chão – por isso é uma façanha convencer alguém a voar a 10 metros do chão, com o trens de pouso abaixados, e a uma velocidade de 800 quilômetros por hora.

De acordo com a narrativa oficial, o Boeing 757 literalmente pulverizou-se. Mesmo que antes da pulverização, foi dirigido para perfurar seis paredes dos três anéis do Pentágono, fazendo um buraco de dois metros de abertura na ultima parede e danificando levemente os segundo e terceiros anéis. A narrativa oficial é que esse buraco foi causado pelo nariz do avião – ainda firme após a pulverização. E o resto do avião – uma massa de 100 toneladas viajando a 800 quilômetros por hora – miraculosamente parou no primeiro anel.

Tudo isso aconteceu sob a administração de um certo Hani Hanjour, que 3 semanas antes foi avaliado por seus instrutores de voo como incapaz de pilotar um Cessna. Hanjour, entretanto, gerenciou a aeronave para alcançar uma ultra-rápida espiral descendente de 270 graus, alinhando-a a 10 metros, no máximo, do chão, calibrando minuciosamente a trajetória e mantendo uma velocidade de cruzeiro em torno de 800 quilômetros por hora.

Às 9h37, Hanjour atinge precisamente o escritório de análise de orçamento do Pentágono, aonde todo mundo trabalhava freneticamente num misterioso desaparecimento de nada menos que $2,3 trilhões, que o Secretário de defesa Donald “Conhecido Desconhecido” Rumsfeld, numa entrevista coletiva de imprensa no dia anterior, disse que não poderia ser monitorado. Assim, não foi só o Boeing que se pulverizou dentro do Pentágono.

A opinião pública mundial foi também dirigida a acreditar que a física Newtoniana estava suspensa como um bônus especial para o WTC 1 e 2 no 11/09 (sem mencionar o WTC 7, que nem mesmo foi atingido por uma aeronave). O vagaroso WTC levou 10 segundos para cair 411 metros, começando da imobilidade. Ou seja, ele caiu 148 quilômetros por hora. Considerando o tempo de aceleração inicial, ocorreu uma queda livre, não impedida por um maciço de vigas verticais de aço que compunham a estrutura central da torre.

A opinião pública mundial foi também dirigida a acreditar que o voo 93 da United Airlines – 150 toneladas de aeronave com 45 pessoas, 200 lugares, bagagens, com 38 metros de comprimento de uma asa a outra – espatifou-se num campo na Pensilvânia e também literalmente, pulverizou-se, desaparecendo totalmente dentro de um buraco de 6 metros por 3 metros de abertura e dois metros de profundidade.

De repente, o Air Force One era “o único avião nos céus.” O coronel Mark Tillman que estava a bordo lembrou : “Recebemos um relato de que existe uma mensagem dizendo que “Anjo” será o próximo. Ninguém realmente sabe agora da onde veio o comentário – isso chegou mal traduzido ou truncado entre a Casa Branca, a Sala de Crise, os operadores de rádio. “Anjo” era nosso nome código. O fato é que eles sabiam sobre “Anjo”, bem, você tem que ser do círculo interno.”

Isso significa que os 19 Árabes com caixas com facas, e a maioria dos seus mandantes, certamente, tem que ser do “círculo interno”. Inevitavelmente , isso nunca foi completamente investigado.

Já em 1997, Brzezinski tinha avisado, “ É imperativo que nenhum adversário Eurasiano emerja com capacidade de dominação da Eurásia e portanto de desafiar a América”.

No final, para o desespero dos neocons estadunidenses, toda a fúria e som combinada do 11/09 e a Guerra Global ao Terror/Operação de Contingenciamento Ultramar, em menos de 2 décadas, acaba em metástases representadas não somente por um rival mas também na parceria estratégica Rússia-China. Esse é o “inimigo” real – não a Al-Qaeda, uma mera invenção do imaginário da CIA, reabilitada e higienizada na forma de “rebeldes moderados” na Síria.

_______________________________________________________________

Nota da tradução: (*) a tradução literal do afegão : cinco leões. (**) combatentes da Jihad na zona da fronteira Afeganistão/Paquistão.

Náutico x PSC: Serapião reconhece erro da arbitragem, mas descarta prejuízo “direto” a uma das equipes

5d7666bfbd13d

A CBF já tem um parecer sobre a arbitragem de Náutico x Paysandu no último domingo, valendo vaga para Série B. O Papão reclama da marcação de um pênalti aos 49 minutos do segundo tempo pelo árbitro Leandro Vuaden (RS) em favor do Náutico. Graças a isso,  o time pernambucano empatou o jogo em 2 a 2 e venceu na cobrança de tiros livres da marca do pênaltis conquistando o acesso à Série B em 2020.

Segundo manifestação do Ouvidor de Arbitragem da CBF, Manoel Serapião Filho, a avaliação do trabalho da arbitragem como um todo não pode ser considerada positiva. Mas, segundo o parecer, “não se pode dizer que o árbitro ocasionou prejuízo direto a uma ou a outra equipe”. 

Isso porque, segundo o ouvidor, aos 20 minutos do primeiro tempo, houve um pênalti não marcado para o Náutico. Foi uma disputa em que o atacante do Náutico foi derrubado pelo goleiro do Paysandu com o uso dos braços, “de modo muito claro”. 

Por fim, o ouvidor recomenda que a Comissão de Arbitragem analise a conveniência de recomendar que o árbitro da partida assista ao jogo para reavaliar seus critérios de análises nas duas situações mencionadas. (Com informações do Globoesporte.com)

A corrupção do jornalismo e seu ato de força sobre os repórteres

Por Álvaro Miranda, no Jornal GGN

A corrupção do jornalismo brasileiro dos grandes meios de comunicação pode ser descrita, de forma esquemática e resumida, em duas dimensões. A primeira diz respeito à sua própria natureza capitalista, isto é, os interesses em jogo dos barões da mídia que se fazem passar como representantes da “opinião pública” de toda sociedade. Opinião pública que não existe concretamente – mas sim artifício que direciona opiniões de públicos. No seu clássico “Mudança estrutural da esfera pública”, Jurgen Habermas definiu opinião pública como o fenômeno surgido nos cafés parisienses do século XVIII, onde se debatia o que os jornais e folhetins da época publicavam.

Essa dimensão vem sendo desmascarada há tempos, como a própria democracia em sua forma liberal capitalista, mas ficou agora numa berlinda vergonhosa com o episódio da Vaza-Jato. Revelou-se tão corrupta como qualquer corrupto de colarinho branco ou do mais baixo clero de políticos que transformam seus mandatos em balcões de negócios.

Tal suposto caráter de “representação da opinião pública” pode ser enquadrada naquilo que o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos chama de “clientelismo concentrado”. Auferem muitos recursos em parceria com determinadas elites políticas e econômicas, distribuindo seus custos, de maneira difusa, para a maioria da sociedade.

Funcionam como partidos políticos sem dizerem que são partidários desse ou daquele interesse. As articulações que fazem com as demais forças hegemônicas, na disputa por resultados de políticas públicas, visa à obtenção, claro, de grande quantidade de recursos públicos (através da publicidade), além dos provenientes das relações comerciais privadas e seus investimentos no mercado financeiro. Obviamente, distribuem seus custos para a maioria da sociedade de forma oculta.

Já a segunda dimensão diz respeito à burocratização da produção da notícia em que os jornalistas fazem parte do jogo como peças reificadas da engrenagem. É uma situação na qual a produção da notícia ocorre num processo complexo e contraditório nas redações de jornais impressos e de emissoras de rádio e televisão. Diretores, editores, subeditores e chefias funcionam como espécie de prepostos dos donos dos meios para impor a ordem burocrática da produção da notícia aos repórteres e profissionais de escalões inferiores. O ambiente descontraído esconde a rigidez da  hierarquia altamente verticalizada.

No caso dos escalões mais altos, são nevrálgicas, muitas vezes, as interfaces, por exemplo, com os setores comercial e financeiro da empresa. Entretanto, ao longo do tempo, esses setores foram  “aglutinando” estratégias e unificando objetivos cotidianos mais como empresa capitalista assemelhada a qualquer outra do que empresa jornalística.

Leia também:  Aumento de rendimentos de David Miranda foi comprovado

Uma das armas dessa dominação é a estratificação salarial e, obviamente, a possibilidade de demissão de quem não seguir as regras, como em qualquer empresa privada. A “divisão de classes” nas redações consiste em poucos profissionais no comando ganhando uma fábula de dinheiro – e a grande maioria, sonhadora e idealista, recebendo salários baixos num forte esquema de exploração da carga horária e das energias intelectuais de cada um.

Os repórteres – que fazem o “grosso” do jornalismo –, também com salários bem diferenciados entre si, vão atrás da notícia “conformados” previamente do que se pode noticiar e de que maneira se pode noticiar pelas empresas em que trabalham. Internalizam a “linha editorial” que funciona como bússola no tratamento das notícias. Acabam conformando sua própria visão de mundo.

Engana-se quem imagina uma redação de jornalistas como espaço de debate democrático ou expressão de conversas intelectuais travadas entre “pesquisadores sociais”. O fechamento de um jornal é um ato de força. Tem que ser fechado em determinado momento diário ou semanal, haja ou não notícia. Se não houver, fabrica-se uma ou tira-se alguma pronta da gaveta.

Determinados jornalistas dedicam-se ao que se convencionou chamar, nos últimos anos, de “jornalismo investigativo”, um pleonasmo, pois, na minha época, todo jornalista fazia investigação dos fatos e dos problemas. Investigação jornalística é sinônimo de apuração e reportagem, nunca se confundindo com investigação policial, como bem ensinou Glenn Greenwald aos que o entrevistaram no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Outros são escalados para fazer o dia a dia noticioso, cobrindo e acompanhando o que pode ser objeto de “suíte”, ou seja, aquilo que, como diz o jargão profissional, é o desdobramento da notícia nos dias subsequentes ao primeiro fato noticiado. Suítes de casos rumorosos duram dias e meses, mas outras duram anos, transformando-se em verdadeiras campanhas políticas para conformar e definir a agenda nacional, a exemplo da Lava Jato.

Uma das principais contradições no relacionamento dessas duas dimensões (a capitalista e a burocrático funcional) ocorre por ocasião de fatos impossíveis de serem negados e que podem ferir interesses dos donos dos meios de comunicação.

Exemplo simples: um deputado amigo do dono do jornal flagrado na lei seca. Não há como o jornal deixar de noticiar porque os demais concorrentes também estão em cima do fato. A questão é o tratamento que se dá à notícia. É de se imaginar, pois, essa contradição nos meios de comunicação sócios da Lava Jato diante dos fatos trazidos à tona pelo The Intercept Brasil.

Como se resolve e se processa a contradição? Através de diferentes recursos ditos “jornalísticos”, tais como a manipulação editorial em termos de tempo para essa ou aquela notícia nos meios eletrônicos; o tratamento dos fatos, em termos de linguagem, com mais ou menos ênfase; o silêncio total ou a omissão de partes do fato; a hierarquização editorial e gráfica, com maior ou menor destaque na página impressa ou na tela; a distorção de imagens; o fundo de tela do noticiário televisivo com tubulações de óleo jorrando cédulas de dinheiro; a foto maior ou menor; também o tempo maior ou menor para determinados entrevistados, além de outros tantos artifícios que já fazem parte do processo burocratizado (e escandaloso) da produção diária da notícia.

A própria burocratização se torna uma espécie de gaiola de ferro, como arma de manipulação, tanto para a produção do objeto como para as injeções de ânimo ideológico de muitos jornalistas. É como se repórteres não tivessem muita margem de manobra, pois sabem tanto o que pode ser publicado e como deve ser publicado.

Evidente que não estou contemporizando, dizendo aqui que jornalistas são coitadinhos manipulados pelos donos dos meios de comunicação através de seus editores quase milionários. Mas sim que, com dezenas de exceções, os próprios profissionais internalizam, através de um processo muitas vezes deliberado, outras vezes inconsciente, os valores dos patrões como sendo os do bom jornalismo. Tornam-se involuntariamente “sócios” de determinados interesses, acreditando em uma suposta missão de opinião pública.

Para encerrar, conto um pequeno episódio sobre situação na qual eu estava como assessor de imprensa de importante autoridade do setor público. O repórter do grande jornal chegou dizendo que queria saber “onde estava a sacanagem”, que ele estava “atrás da sacanagem”. Não queria mais nada, só a “sacanagem”. A autoridade, obviamente, ficou perplexa, não sabendo se o jornalista o presumia como cúmplice da “sacanagem” ou se o repórter já sabia onde estava a tal “sacanagem” e queria apenas confirmá-la.

O fato parece banal e corriqueiro, mas revela a que ponto chegou o espírito do denuncismo na emulação profissional de dar furos jornalísticos. Bem na linha do jornalista que tentou ponderar ao Glenn, no Roda Viva, que se a Lava Jato não vazasse informações, em sua prática destruidora de reputações e de investigações forjadas, a imprensa não teria notícia.

Fanatismo gravoso

08a9b5f6-91f7-40c1-883f-07bda80d0643

Por Lúcio Flávio Pinto (*)

A rivalidade entre os clubes é universal, agravando-se no caso dos que disputam o mais popular dos esportes, o futebol. Mas há um grau característico de irracionalidade, selvageria e fanatismo entre os torcedores de Remo e Paissandu.

Talvez essa forma de manifestação seja a explicação mais profunda e imperceptível para que o Re-Pa seja o clássico mais disputado do mundo. Os cartolas se aproveitam do impulso de manada que se sobrepõe a todos os demais que ativa as paixões para realizar mais partidas do que recomendaria o bom senso e o respeito pelas torcidas, faturando ao máximo a renda – e, em regra, dilapidando-a com o bingo de contratação de jogadores e técnicos, que dissipa os recursos.

É patético e triste ver o fervor dos torcedores quando “secam” o adversário, como aconteceu, mais uma vez, com os remistas ao final – e nos dias que se seguiram – do jogo do Paissandu com o Náutico, em Recife. É a lógica do afogado que não quer ir sozinho para o fundo, arrastando justamente aquele que está mais perto dele. Não pode vicejar nesse solo hostil a razão, que deveria induzir o contrário. A ascensão de um dos dois times, além de marcar a presenta de um representante da terra comum, significará um desafio para o rival segui-lo.

Pessoalmente, acho que não houve pênalti no lance que permitiu o empate do Náutico. Mas o lance é duvidoso e controverso. Permite interpretações opostas, sem caracterizar um escândalo, uma garfada ostensiva do juiz. É pouco provável que a partida venha a ser anulada. Os cartolas do Paissandu fazem a sua parte, mas podiam agir com menos espalhafato diante do estado da coisa. É claro que, como quase sempre, a campanha tem muito m ais de paixão e oportunismo do que senso de realidade.

A fantasia grassa nos gramados paraenses, como na floresta, posta abaixo ou queimada para em seu lugar surgir pastos, plantation ou gado. Em paralelo, é por isso que o Pará não se alevanta, como no épico camoniano – nem nos estádios nem na condição social.

(*) Transcrito do blog do autor