Classificação sem retoques

 

POR GERSON NOGUEIRA

Há muito tempo que a torcida do Remo não comemorava uma goleada. E ela veio no momento certo. Precisando vencer o Atlético-AC por dois gol de diferença para passar à semifinal da Copa Verde, o time foi escalado ofensivamente, numa espécie de 4-2-1-3. Funcionou. Com 6 a 1 no placar, o Leão se classificou com sobras e garantiu uma festa no Baenão.

Logo aos 2 minutos, nasceu o primeiro gol. Após escanteio, a bola sobrou na entrada da área para Wesley, que bateu de primeira. A bola saiu rasteira e foi no canto direito do gol de Ruan, ainda tocando na trave. A primeira parte do desafio estava cumprida, empatando o placar agregado em 2 a 2.

O gol encheu de entusiasmo e aumentou a confiança do time de Eudes Pedro, que continuou insistindo e quase ampliou com Gustavo Ramos, aos 6 minutos. O mapa da mina era o lado esquerdo do ataque, por onde Ramos e Ronaell levavam a melhor em cima do lateral Mateus.

Aos 18 minutos, Ramires arrancou em direção à área e levou uma trombada do zagueiro Douglas. A falta, na meia-lua, foi cobrada com maestria por Neto Baiano. De pé esquerdo, ele mandou de curva no ângulo esquerdo da trave atleticana, fazendo 2 a 0.

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O Remo era senhor absoluto do jogo, ocupava o campo inimigo e não sofria qualquer ameaça. Acima de tudo, tinha tranquilidade para acelerar quando a situação permitia e controlava a bola com boa movimentação de Eduardo Ramos e Wesley, que auxiliava na armação.

Foi a dinâmica empregada pelo Remo que desconcertou a marcação. Além dos homens de meio-campo, os laterais Cesinha e Ronaell se mantinham sempre além da linha de meio-campo, transformando-se em atacantes e ajudando a manter o Atlético acuado.

Duas outras chances foram perdidas por Neto Baiano e Eduardo Ramos, mas o terceiro gol não demorou a nascer. O Atlético teve uma oportunidade clara em jogada na área que o zagueiro Douglas desviou por cima do gol.

Aos 41’, em sua melhor participação ofensiva, Gustavo Ramos foi à linha de fundo e cruzou como ensinam os manuais. A bola foi na direção de Neto Baiano, mas foi Wesley que chegou batendo para as redes. Remo 3 a 0.

A partir dos 42’, o Remo acusou o desgaste pelo esforço inicial e permitiu uma pressão do Atlético com avanços pela esquerda em cima de Cesinha. Neto Baiano derrubou o atacante Geovani, mas o árbitro não assinalou a penalidade. Logo em seguida, Marquinhos foi à linha de fundo e cruzou rasteiro nos pés de Jovambert, que só escorou para o gol, diminuindo.

Polaco começou o 2º tempo tentando manter o Atlético no ataque, como nos minutos finais da primeira etapa. O Remo, porém, mostrou mais atenção, com Gustavo voltando para contribuir com o bloqueio.

Aos 14’, Cesinha finalizou na pequena área e a bola foi desviada. Aos 17’, nasceu o quarto gol. Hélio Borges, que havia subtituído a Wesley, entrou driblando na área e foi derrubado por Igor. Neto Baiano cobrou e ampliou.

Aos 23’, o lateral Ronaell avançou para o meio em direção à área, trocou passes com Hélio e recebeu de frente para o gol. Bateu de chapa no canto direito de Ruan, marcando um golaço. Com 5 a 1, a torcida transformou o Baenão em salão de festas e o time reduziu o ritmo para administrar o jogo.

O Atlético, cansado, não incomodava nem mesmo quando Polaco pegava na bola. Quando a partida se encaminhava para o final, Eduardo Ramos lançou Baiano na esquerda. Diego tentou cortar e a bola ficou com o centroavante, que avançou e bateu rasteiro, fechando a goleada em 6 a 1.

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Baiano e Hélio ainda tiveram boas oportunidades, em jogadas criadas por Zotti. A entrada de Rony no lugar de Cesinha manteve a qualidade na ala direita. Com o excepcional desempenho ofensivo – 6 gols em 16 finalizações –, o ataque (Baiano, Wesley e Gustavo) merece todos os elogios, mas é preciso reconhecer os méritos do conjunto.

Além de exibir mais força de marcação do que nos últimos jogos, o Remo foi frio e objetivo quando teve a bola. O problema se concentrou na cobertura defensiva. Yuri e Ramires tiveram dificuldades para controlar as triangulações de Polaco, Geovani e Igor e a zaga ficou exposta em várias ocasiões, dando três chances ao ataque atleticano no 1º tempo.

Mesmo com as deficiências do Galo Carijó, a partida foi certamente a mais bem resolvida pelo time azulino na temporada. Eudes deixa a impressão de ser um técnico mais disposto a perseguir vitórias, ao contrário de Márcio Fernandes, que preferia sempre optar pela cautela. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

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Pará chega de novo à final da Copa Verde

O Leão não chegava à semifinal da Copa Verde desde 2016, quando venceu o Nacional-AM e foi enfrentar o Papão. Em 2017, caiu nas quartas para o Santos-AP. Em 2018, foi eliminado nas oitavas pelo Manaus.

A classificação azulina já garante o Pará na final do torneio, pois a semifinal será disputada entre o Leão e o vencedor de Bragantino x PSC. Na outra chave, Cuiabá e Goiás são os semifinalistas.

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Flu e Timão transformam jogo em show de horrores

Caso encontre pela frente mais uns quatro adversários tão indispostos quanto foi o Corinthians ontem à tarde, em Brasília, o Fluminense já pode se considerar a salvo do risco de rebaixamento.

Um frangaço, em chute fraco de Paulo Henrique Ganso que Cássio aceitou, foi suficiente para decidir o jogo. No resto do tempo, o Flu ficou espanando bolas e o Corinthians batia cabeça, sem inspiração.

Feio, muito feio.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 16)

Quem não quer Lula livre?

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Por Paulo Moreira Leite

Quando as revelações da Vaza Jato demonstram de forma definitiva a natureza grotesca da prisão de Lula,  seria natural imaginar que o apoio ao movimento que tenta anular  um processo claramente injusto e tendencioso,  tivesse atingido a quase unanimidade dos setores democráticos  da sociedade brasileira, certo? Errado.

Nos últimos dias tem sido fácil notar que a campanha pela liberdade de Lula, movimento “Lula Livre”, iniciado no mesmo dia em que ele foi conduzido a Curitiba, enfrenta um silêncio impensável do ponto de vista da reconstrução das garantias democráticas ameaçadas pela Lava Jato e pelo processo autoritário iniciado pelo golpe de 2016, reforçado pela eleição de Jair Bolsonaro.

Em três atos públicos ocorridos nos últimos dias, em São Paulo, a reivindicação pela liberdade de Lula foi motivo explícito e assumido num deles, o “Resistir é Preciso”, realizado no TUCA, em 11 de setembro. Vários discursos e esquetes dramáticos fizeram apelos pela liberdade de Lula. Também se fez uma convocação para uma  ida em caravana a Curitiba, em apoio ao Lula e a militância que diariamente lhe dá “Bom Dia” e “Boa Noite”.

No dia 9, no Salão Nobre do Largo São Francisco,  a liberdade de Lula foi colocada por vários oradores convidados. O “Lula Livre” não fazia parte do acordo que convocou o ato, que tinha a defesa da liberdade de imprensa e de Glenn Greenwald como suas prioridades. O tema foi colocado por um dos organizadores, Paulo Zochi, presidente do sindicato dos jornalistas, que em sua intervenção recordou a decisão da Federação Nacional da categoria de empenhar-se pela “libertação imediata do ex-presidente Lula”.

Em 2 de setembro, no ato “Direitos-Já – Fórum pela Democracia”, um único orador, o governador do Maranhão Flávio Dino, fez referências explícitas e demoradas sobre a injustiça da prisão de Lula. Essa situação teve consequências políticas previsíveis. Momentos antes do ato, inconformados com a notícia de que as manifestações a favor de Lula — a mais importante vítima individual dos ataques ao Estado Democrático de Direito em nossos dias — não poderiam ter grande destaque, a maioria dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores preferiu ficar fora do ato.

Numa surpresa para alguns presentes, a manifestação foi encerrada por um vídeo de apoio de Fernando Henrique Cardoso, aliado discreto mas leal a Sérgio Moro, postura que manteve após as evasivas do ex- juiz em seu depoimento no Senado.

O curioso é  que o espaço tímido — digamos assim — reservado a manifestações pela liberdade de Lula faz um contraste gritante com o atual momento jurídico-político do país. Mais do que nunca, o destino de Lula ocupa o centro das decisões sobre o futuro do regime democrático.

Envolvendo um esforço político imenso, num processo a ser vencido palmo a palmo, manifestações a favor da sua libertação de Lula enfrentam uma hora que pode ser decisiva.

Aguarda-se, para qualquer momento, o voto de minerva de Celso de Mello, num empate 2 a 2 que envolve a suspeita de parcialidade contra Moro. Mesmo considerando que as sentenças mais importantes  do Judiciário não são escritas em clima de Fla-Flu, toda manifestação — serena, refletida, com vozes autorizadas — a favor de Lula teria um valor político inegável.

Ajudaria a mostrar  o respaldo a  uma decisão que, mesmo baseada no estrito cumprimento da Constituição e do Código de Processo Penal,  sempre será alvo de ataques por parte das forças mobilizados na criação de um estado de exceção em nosso país.

Mesmo assumindo um bem vindo discurso oposicionista, o cada vez mais numeroso contingente de desiludidos, e arrependidos, além de  hipócritas de todos os matizes,   faz questão de deixar claro que não pretende confundir seu destino com a liberdade de Lula.

Podem até aceitar críticas a Sérgio Moro e denunciar seus desmandos.  Mas se recusam a aceitar a única consequência lógica de um julgamento tendencioso, manietado — a liberdade imediata do réu.

Pode-se explicar esse comportamento por algumas razões evidentes.

A timidez — vamos falar assim — daquilo que se tornou costume chamar de “setores médios”, ou de “centro” em relação a situação de Lula, faz parte de uma mudança na situação política de conjunto, marcada pela decomposição e dispersão da base política de Bolsonaro e da Lava Jato.

Num país que tem a Argentina como um espelho imperfeito mas frequentemente inspirador, o renascimento em alta velocidade do peronismo sob as cinzas de Maurício Macri funciona como um pesadelo revivido de uma oposição que está sendo empurrada para a crítica e a oposição a Bolsonaro — mas não foi capaz de construir uma alternativa política capaz de fazer sombra a Lula e seu universo.

Há um velho e conhecido preconceito de classe, aqui, mas este não é um único fator.

É o temor de uma força política única.

Como o discurso de Ciro Gomes expressa de modo cristalino, a permanência de Lula na prisão garante uma imensa vantagem comparativa para adversários e concorrentes,  que assim evitam o risco de enfrentar o maior líder político do país no século XXI.

Alguma dúvida?

Espanha bate Argentina e conquista Mundial de Basquete pela 2ª vez

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Com um grande desempenho defensivo, a Espanha venceu a Argentina por 95 a 75 na final da Copa do Mundo de basquete hoje (15), em Pequim, e conquistou o torneio pela segunda vez na história, 13 anos após o primeiro título. À frente no placar desde o início e com amplo domínio da partida, os espanhóis controlaram o pivô Luis Scola e anularam grande parte das ofensivas argentinas, mas não deixaram de se impor no ataque.

O ala argentino Gabriel Deck foi o cestinha da decisão, com 24 pontos, mas um dos principais nomes do jogo foi Marc Gasol, sólido no garrafão com sete rebotes, sete assistências, três tocos e 14 pontos. Atual campeão da NBA com o Toronto Raptors, o pivô espanhol fez a dobradinha na temporada com o título da Copa do Mundo, o qual também conquistou em 2006, no Japão. Além dele, apenas Rudy Fernández também estava presente em ambas as conquistas da seleção espanhola.

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Ricky Rubio foi eleito o melhor jogador do torneio e da final. O armador espanhol do Phoenix Suns marcou 20 pontos contra a Argentina e chegou à quarta partida consecutiva com 19 ou mais pontos. Os eleitos para a escalação do melhor quinteto da Copa do Mundo foram Ricky Rubio, Marc Gasol, Luis Scola, o ala francês Evan Fournier e o ala-armador sérvio Bogdan Bogdanovic.

Com a segunda taça, a Espanha se iguala ao Brasil (campeão em 1959 e 1963) no número de títulos da Copa do Mundo. Os maiores vencedores do torneio são Estados Unidos e Iugoslávia, com cinco cada. Mais cedo, a França venceu a Austrália por 67 a 59 na disputa pelo terceiro lugar e ficou com a medalha de bronze, assim como na última edição da Copa do Mundo.

Marasmo alarmante

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Por Pedro Chilingue

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar algo claro: esse texto, em momento algum, tem a intenção de isentar Eduardo Barroca de culpa. O treinador precisa conseguir fazer o time jogar também fora de casa. No entanto, o papo hoje é especialmente sobre os jogadores.

Jogo uma pelada toda segunda-feira. E lá, ainda que não receba nada, dou o sangue em cada minuto em que estou jogando. Porque tenho brios. Porque sinto vontade de vencer, independente da circunstância. Porque sou competitivo. Porque derrotar os caras que estão do outro lado é tudo o que me importa quando estou dentro de campo.

O jogo de hoje é o retrato perfeito do que tem sido o Botafogo nos últimos anos: na hora do algo a mais, na hora de dar um passo à frente, na hora de alçar vôos mais altos, o time prega. Mudam os jogadores, os técnicos, os dirigentes e a situação não cansa de se repetir. O marasmo e a falta de interesse ancoraram o Botafogo em uma melancolia eterna.

É inadmissível ser amassado pelo Ceará – com todo respeito ao Vozão – como fomos hoje. Foram 26 finalizações deles contra apenas duas nossas. Um massacre que torna o empate um resultado bastante injusto. Mas a maior diferença, por incrível que pareça, não foi no número de arremates: enquanto de um lado um time se matava atrás da vitória, o outro apenas assistia o tempo passar. Foi digno de pena.

Mais uma temporada encaminha-se para o fim e temos outro elenco que não fez questão de fazer parte da nossa história. Os salários estão atrasados, mas a torcida não tem nada a ver com isso. Não temos um grupo capaz de buscar títulos de expressão, mas poderiam ficar marcados por uma honrosa classificação à Libertadores – o que, diante da postura patética de hoje, já pode ser prontamente descartado.

Não há mais tempo em nossa história para o vazio. Já passamos muito tempo apenas revivendo 1995 – a última vez em que o Botafogo foi Botafogo. O tempo é de mudança. Mas nem mesmo um aporte bilionário seria capaz de comprar o principal: garra, vontade e colhões. Se nada mudar, isso seguirá em falta.

NOTAS

Gatito Fernández: 8
Um dos únicos que, de fato, entrou em campo. Algumas boas defesas que evitaram um resultado ainda pior.

Fernando: 3,5
Totalmente perdido entre os profissionais. Não tem conseguido acompanhar o ritmo, deixando uma avenida na defesa e pouco aparecendo no ataque.

Marcelo: 8
Outro digno de aplausos. Cortou todas pelo alto, bloqueou diversas finalizações de dentro da área e, diante da inoperância do meio, arriscou até algumas arrancadas. Tem potencial para ir muito longe e já pode pleitear a titularidade definitiva.

Gabriel: 7
Alguns poucos vacilos e rebatidas perigosas, mas no geral foi bem na resistência à pressão adversária. O clube já deveria começar a tentar viabilizar sua permanência ao fim do empréstimo.

Lucas Barros: 4
Sentiu o peso do jogo e a má atuação da equipe como um todo e não aproveitou bem a chance. No entanto, seria bastante injusto taxá-lo de qualquer maneira em um jogo onde nada funcionou. Espero que receba novas oportunidades.

Cícero: 3,5
Totalmente nulo. Poderia ser trocado por um poste que ninguém perceberia. A diferença é que um poste não recebe o maior salário do elenco.

João Paulo: 5
Ao menos correu. No entanto, produziu muito pouco nos dois últimos terços do campo. Não tem lidado bem com a responsabilidade de ser o construtor de jogo no meio.

Alex Santana: 5
Não conseguiu ser efetivo como nos últimos jogos. Acompanhou o marasmo e pouco tentou das suas arrancadas. Também não finalizou com perigo.

Luiz Fernando: 4,5
Muito afobado, desperdiçou jogadas desnecessariamente. Precisa respirar e pensar a melhor jogada antes de executar.

Marcinho: 5
Alguns lances de habilidade, mas nada produtivo. Faltou alguém para dialogar pela direita.

Diego Souza: 4,5
Com o time encostando a bunda na própria baliza, foi um mero espectador. Pouco foi notado em campo.

Leo Valencia: 4
Entrou para melhorar a criatividade, mas errou praticamente tudo. Arriscou um chute de longe, mas poderia ter feito o giro e rolado para Lucas, que entrava livre pelo fundo. Irritante.

Rodrigo Pimpão: 5
Entrou para melhorar a marcação pelo lado esquerdo.

Gustavo Bochecha: 5,5
Pouco tempo em campo, mas melhorou ligeiramente a qualidade da saída de bola. Até porque qualquer migalha já seria melhor que Cícero. Precisa ser titular deste time.

Eduardo Barroca: 4
Não consegue fazer o time acompanhar a evolução em jogos fora de casa. Totalmente recuado, sem proposta de jogo clara e muito espaçado. É uma vergonha que o time seja pressionado dessa maneira e sequer esboce uma reação.

‘Com o Supremo com tudo’: Judiciário abafou o mensalão particular de Aécio

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Envolvido em denúncias graves de corrupção, o deputado federal Aécio Neves deixou o primeiro time da política nacional, mas não perdeu poder, principalmente em Minas Gerais, estado que governou por oito anos.

“Se depender do Judiciário em Minas, ele não será preso nunca”, diz o experiente advogado Dino Miraglia, que sofreu na carne os efeitos do poder do grupo de Aécio.

As provas de crimes do ex-governador, que o Judiciário tem ignorado, estão em poder de um dos clientes que Dino Miraglia defendeu, o jornalista Marco Aurélio Carone.

Dono do extinto site Novo Jornal, Carone e seu editor, o premiado jornalista Geraldo Elísio, publicaram as denúncias mais graves de corrupção contra Aécio, num tempo em que, nacionalmente, ele era apresentado gestor exemplar, um estadista.

O site de Carone ficou ativo até o início de 2014, quando ele foi preso e todos os equipamentos do site foram apreendidos, inclusive o servidor.

Resultado: documentos que revelavam indícios de crimes de Aécio e de seu grupo desapareceram.

Para prendê-lo, a Polícia Civil, com parecer do Ministério Público, montou uma operação em que Dino Miraglia, Marco Aurélio Carone e o lobista Nílton Monteiro foram apresentados como integrante de uma quadrilha que falsificava documentos com objetivo de extorquir dinheiro de autoridades.

Acusação que não foi provada. Pelo contrário. Inquérito posterior revelou que, para dar lastro a essas acusações, houve até perícia forjada e sumiço de documentos e até de inquéritos inteiros.

E nunca apareceu ninguém que dissesse como e em que circunstância teria havido extorsão. Ou seja, eram crimes sem vítima.

Carone guardou alguns documentos com ele, como os ofícios e cópias de contrato que demostram que o mensalão operado por Marcos Valério em Brasília, que atendeu ao governo federal entre 2003 e 2005, funcionou também no governo de Aécio Neves em Minas Gerais.

Por conta do mensalão de Brasília, José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, da cúpula do PT, foram presos e cumpriram a sentença.

Já o mensalão de Minas Gerais produziu uma prisão tardia, a de Eduardo Azeredo, ex-governador, mas nenhum arranhão em Aécio Neves e sua turma.

Se Eduardo Azeredo foi considerado culpado, Aécio também deveria ser responsabilizado, já que o esquema de desvio de dinheiro através de contratos de publicidade é idêntico.

No dia 7 de maio de 1996, o governo de Azeredo assinou contrato com a DNA Propaganda Ltda., de Marcos Valério, em sociedade com Clésio Andrade, que era presidente da Confederação Nacional dos Transportes e viria a ser vice-governador no primeiro mandato de Aécio Neves, entre 2003 e 2006.

Entre 1999 e 2002, no governo de Itamar Franco, o contrato foi interrompido, e voltou com força em 2003, no primeiro ano do mandato de Aécio Neves.

Quem assina o contrato com a DNA é o secretário de governo, Danilo de Castro, com aditivos que têm a assinatura de seu adjunto, Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, aquele que, segundo ex-governador, “a gente pode matar antes que delate”.

Os documentos em poder de Carone são aqueles que desapareceram da CPMI dos Correios, em 2005, conforme delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

Esses documentos estavam no Banco Rural, teriam sido encaminhados à CPMI e retirados de lá.

No seu depoimento, o ex-senador contou que negociou com Aécio e com enviados dele, como o então deputado Eduardo Paes, na época no PSDB, a maquiagem de documentos enviados pelo banco.

Se fossem analisados pela CPMI, o PSDB seria implicado e perderia força a narrativa de que foi o que PT instituiu o mensalão como estratégia para a compra de apoio no Congresso Nacional.

Em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que os tucanos apontavam o dedo para o governo do PT, ocorria um esquema idêntico e até anterior, pois vinha da gestão de Eduardo Azeredo entre 1995 e 1998.

Em outubro do ano passado, depois que um inquérito foi aberto para apurar a denúncia de Delcídio, a investigação foi interrompida, com a decisão do ministro Gilmar Mendes de mandar tudo para o arquivo.

A procuradora geral da república argumentou que não era possível comprovar as denúncias de Delcídio.

Como não?

O próprio Supremo chegou a ter cópias desses documentos. É que, ao mesmo tempo em que a CPMI dos Correios concluía seus trabalhos, sem implicar o governo de Aécio Neves, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para apurar os mesmos fatos.

O relator era Joaquim Barbosa, e ele recebeu documentos idênticos aos da CPMI. Uma simples leitura não deixa margem à dúvida: o esquema do mensalão funcionava no governo de Aécio Neves, nos mesmos moldes, com a mesma empresa de publicidade e o mesmo banco. Veja o documento abaixo:

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O contrato é rescindido no auge do escândalo do mensalão em Brasília, quando toda a atenção estava concentrada nos episódios que envolviam o PT. A rescisão foi assinada pelo primo de Aécio, que viria a ser preso 11 anos depois, no escândalo da JBS, quando foi flagrado recolhendo dinheiro de propina na sede da empresa, propina acertada entre Aécio Neves e Joesley Batista.

O governo de Aécio Neves foi poupado neste inquérito, assim como na CPMI dos Correios. Se tivesse havido apuração, Aécio teria sido rebaixado do primeiro time da política muito antes e, em 2014, não teria força para se candidatar a presidente. Muito menos para ser o beneficiário de uma operação que visou silenciar aqueles que, fora da política, poderiam atrapalhar seus planos.

Dino Miraglia foi um dos silenciados. Ele tem certeza de que assinou sua “sentença condenatória” quando aceitou defender clientes que haviam batido de frente com esse grupo político. Acabou indiciado e, mais tarde, processado.

Sua casa e seu escritório foram alvos de mandado de busca e apreensão. “Cheiraram a calcinha da minha mulher e apontaram metralhadora para minha secretária”, recorda. Depois disso, perdeu a esposa, a secretária e o escritório.

“O que você faz hoje?”, pergunto. “Limpo bosta de cachorro”, diz ele, num restaurante à beira da estrada, perto da chácara que ele alugou para montar um spa animal. O negócio é bem montado, mas Dino Miraglia não tem empregado. Vive e trabalha só.

Quando não está cuidando dos animais, ele está no notebook velho que usa para defender clientes de causas criminais que, aos poucos, vai retomando. Sabe que não voltará a ser o criminalista renomado de antes. 

Na semana passada, cinco anos depois de ser vítima dessa violência por parte do estado, a Justiça o inocentou de todas as acusações. Foi absolvido por inexistência de crime e de fato previsto como crime. Ou seja, não houve crime nenhum. Mas ele teve a vida destroçada, assim como seus clientes.

Carone passou nove meses na cadeia, que deixou quatro dias depois de Aécio perder a eleição. Nílton Monteiro já acumulou cerca de três anos de cadeia, em períodos intercalados. Numa das vezes em que ficou preso, deixou o presídio também logo depois da derrota de Aécio. Hoje está em liberdade condicional, para se tratar de um câncer na próstata.

Numa prova de que o grupo que eles enfrentaram continua forte, em junho, quando o Ministério Público pediu a absolvição deles, uma promotora apresentou outra denúncia contra os três, pelos mesmos fatos.

O juiz aceitou, e um novo processo vai se iniciar. Dino, Carone e Nílton apresentam argumentos convincentes de que não cometeram crime nenhum, como tardiamente o MP reconheceu, mas sabem que, pela escolha que fizeram, estarão sempre com a espada sobre suas cabeças.

Não é fácil enfrentar os poderosos. Os verdadeiros poderosos.

(Transcrito do DCM)

Como se não houvesse amanhã

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POR GERSON NOGUEIRA

Nem bem assimilou o golpe da desclassificação na Série C, o Remo já está metido em outra encrenca decisiva. Terá que superar a vantagem estabelecida pelo Atlético-AC no primeiro jogo. Os treinos da semana indicam que o técnico Eudes Pedro vai optar por uma formação bem ofensiva, disposto a usar três ou até quatro atacantes para botar pressão no jogo desde os primeiros minutos, como se não houvesse amanhã.

A situação no mata-mata exige que o Remo crie jogadas que permitam aos atacantes fazer os gols necessários para seguir na competição. Só se classifica à próxima fase da Copa Verde se vencer por 1 a 0 (decidindo nos pênaltis) ou por mais de dois gols de diferença.

A derrota de virada na semana passada, em Rio Branco (AC), alterou os planos tanto da comissão técnica quanto da diretoria azulina. O que antes se desenhava como mais uma celebração com o torcedor, garantindo faturamento e alegria no estádio Evandro Almeida, tornou-se um jogo de feições dramáticas, sob o sol escaldante de Belém.

Mesmo diante da diferença de nível técnico entre os elencos, o Atlético Acreano chega a Belém credenciado pelo triunfo na partida de ida e com a condição de poder desenvolver uma partida estratégica, explorando as falhas que a ansiedade pode provocar no lado remista.

Na Série C, a campanha do Atlético foi horrorosa e o Remo venceu sem problemas, em Belém e em Rio Branco, pelo mesmo placar (2 a 0). Em condições normais, não deveria ter dificuldades para repetir os triunfos na Copa Verde. Ocorre que a frustração pela perda do acesso balançou emocionalmente os azulinos.

Junto com o desânimo, acentuou-se a queda de rendimento técnico que já era visível quando Márcio Fernandes dirigia a equipe. A chegada de Eudes não trouxe o impacto esperado e ainda acrescentou incertezas ao que já não estava funcionando bem.

Jogadores fundamentais, como Marcão e Eduardo Ramos, demonstram ter perdido o entusiasmo, o que se reflete na produção coletiva. Para agravar ainda mais as coisas, há uma clara indefinição tática, depois do insucesso do esquema de jogo centralizado que Márcio Fernandes praticava.

Não há, a rigor, uma ideia clara sobre o sistema que Eudes adota. Nem houve tempo para treinamentos mais aprofundados. O Remo que vai encarar o Atlético ainda reflete muito a influência de Fernandes, o que seguramente não é uma boa notícia para o torcedor.

Por conta de tudo isso, além de um eficiente funcionamento do ataque (com Gustavo Ramos, Neto Baiano e Wesley), o Remo vai precisar do apoio maciço e incondicional da torcida. O desastre que se esboçou na reabertura do estádio, contra o Luverdense, é algo que não pode se repetir na tarde deste domingo – faça chuva ou faça sol.

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Bola na Torre

O programa vai ao ar às 21h deste domingo, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Rui Guimarães e deste escriba de Baião na bancada de debates. Em pauta, a Copa Verde e o imbróglio jurídico na Série C.

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Postura do STJD foi a mais salomônica possível

O presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, soltou na sexta-feira à tardinha sua decisão a respeito do recurso do PSC para impugnação do jogo Náutico x PSC. A linguagem do documento é rebuscada e cheia de curvas semânticas, mas significa basicamente que o tribunal aceitou analisar e julgar a reivindicação do clube paraense. Ao mesmo tempo, toma a medida protocolar de recomendar a não homologação do resultado do jogo, mas decide pela não paralisação da Série C.

Com essas, o presidente do tribunal foi salomônico, evitando desagradar as pretensões bicolores, mas, ao mesmo tempo, evitou criar o fato consumado que poderia de fato ensejar uma reviravolta na Série C. Como a competição segue normalmente, enquanto o STJD irá se pronunciar sobre o caso, através de seu procurador, e o Náutico terá que se manifestar também. Em resumo, continuamos na mesma.

No pedido de impugnação, o PSC alega que a arbitragem cometeu grave erro de direito, ao marcar erroneamente um tiro penal quando eram jogados 49m20s do segundo tempo, o que alterou o desfecho da partida, levando à disputa por pênaltis e à vitória do Náutico.

Apesar de considerar legítimo o questionamento do Papão, Paulo César indeferiu o requerimento de tutela provisória. “É que em que pese os ponderosos argumentos trazidos pela defesa da impugnante, revela-se inegável que o dano reverso que decorreria imediatamente em consequência da medida vindicada, qual seja, a paralisação da fase final do Campeonato Nacional da Série C, revela-se demasiadamente acentuado, não somente para os clubes envolvidos, mas para todo o desporto, o que impede a sua concessão”, argumenta, a título de explicação.

Fiquei a imaginar o tamanho desse dano reverso em caso de um triunfo do Juventude na fase semifinal. Aí, além do Náutico, que certamente alegará em sua defesa possuir direito adquirido em relação à conquista do acesso, haverá mais um clube (o Juventude) a pleitear contra a paralisação do campeonato.

O fato é que a novela vai se desenrolar ao longo da semana, provavelmente sem desfecho imediato. O torcedor que se municie de paciência e calmantes para acompanhar os próximos capítulos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 15)

Filme sobre o MST é premiado e será exibido na ONU

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Com mais de 50 mil visualizações em 19 dias de competição o curta-metragem O Que é Agroecologia, produzido por Rafael Forsetto e Kiane Assis – que mostra o trabalho de agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na zona rural de Lapa (PR) – venceu a categoria “alimentação e saúde humana” do Global Youth Video Challenge, das Nações Unidas.

A obra, segundo o diretor Rafael Forsetto, será exibida no próximo dia 23 de outubro, em Nova York, sede da Organização das Nações Unidas. Um dia antes, portanto, da abertura oficial da Assembleia Geral das ONU, tradicionalmente inciada com discurso do presidente brasileiro – Jair Bolsonaro (PSL) fará o discurso de abertura no dia 24.

Os diretores Forsetto e Kiane Assis agradeceram aos que assistiram o filme durante a disputa final do concurso e consideraram “uma vitória coletiva”.