Como se não houvesse amanhã

neto-baiano-e-wesley-01-samara

POR GERSON NOGUEIRA

Nem bem assimilou o golpe da desclassificação na Série C, o Remo já está metido em outra encrenca decisiva. Terá que superar a vantagem estabelecida pelo Atlético-AC no primeiro jogo. Os treinos da semana indicam que o técnico Eudes Pedro vai optar por uma formação bem ofensiva, disposto a usar três ou até quatro atacantes para botar pressão no jogo desde os primeiros minutos, como se não houvesse amanhã.

A situação no mata-mata exige que o Remo crie jogadas que permitam aos atacantes fazer os gols necessários para seguir na competição. Só se classifica à próxima fase da Copa Verde se vencer por 1 a 0 (decidindo nos pênaltis) ou por mais de dois gols de diferença.

A derrota de virada na semana passada, em Rio Branco (AC), alterou os planos tanto da comissão técnica quanto da diretoria azulina. O que antes se desenhava como mais uma celebração com o torcedor, garantindo faturamento e alegria no estádio Evandro Almeida, tornou-se um jogo de feições dramáticas, sob o sol escaldante de Belém.

Mesmo diante da diferença de nível técnico entre os elencos, o Atlético Acreano chega a Belém credenciado pelo triunfo na partida de ida e com a condição de poder desenvolver uma partida estratégica, explorando as falhas que a ansiedade pode provocar no lado remista.

Na Série C, a campanha do Atlético foi horrorosa e o Remo venceu sem problemas, em Belém e em Rio Branco, pelo mesmo placar (2 a 0). Em condições normais, não deveria ter dificuldades para repetir os triunfos na Copa Verde. Ocorre que a frustração pela perda do acesso balançou emocionalmente os azulinos.

Junto com o desânimo, acentuou-se a queda de rendimento técnico que já era visível quando Márcio Fernandes dirigia a equipe. A chegada de Eudes não trouxe o impacto esperado e ainda acrescentou incertezas ao que já não estava funcionando bem.

Jogadores fundamentais, como Marcão e Eduardo Ramos, demonstram ter perdido o entusiasmo, o que se reflete na produção coletiva. Para agravar ainda mais as coisas, há uma clara indefinição tática, depois do insucesso do esquema de jogo centralizado que Márcio Fernandes praticava.

Não há, a rigor, uma ideia clara sobre o sistema que Eudes adota. Nem houve tempo para treinamentos mais aprofundados. O Remo que vai encarar o Atlético ainda reflete muito a influência de Fernandes, o que seguramente não é uma boa notícia para o torcedor.

Por conta de tudo isso, além de um eficiente funcionamento do ataque (com Gustavo Ramos, Neto Baiano e Wesley), o Remo vai precisar do apoio maciço e incondicional da torcida. O desastre que se esboçou na reabertura do estádio, contra o Luverdense, é algo que não pode se repetir na tarde deste domingo – faça chuva ou faça sol.

———————————————————————————–

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 21h deste domingo, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Rui Guimarães e deste escriba de Baião na bancada de debates. Em pauta, a Copa Verde e o imbróglio jurídico na Série C.

———————————————————————————-

Postura do STJD foi a mais salomônica possível

O presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, soltou na sexta-feira à tardinha sua decisão a respeito do recurso do PSC para impugnação do jogo Náutico x PSC. A linguagem do documento é rebuscada e cheia de curvas semânticas, mas significa basicamente que o tribunal aceitou analisar e julgar a reivindicação do clube paraense. Ao mesmo tempo, toma a medida protocolar de recomendar a não homologação do resultado do jogo, mas decide pela não paralisação da Série C.

Com essas, o presidente do tribunal foi salomônico, evitando desagradar as pretensões bicolores, mas, ao mesmo tempo, evitou criar o fato consumado que poderia de fato ensejar uma reviravolta na Série C. Como a competição segue normalmente, enquanto o STJD irá se pronunciar sobre o caso, através de seu procurador, e o Náutico terá que se manifestar também. Em resumo, continuamos na mesma.

No pedido de impugnação, o PSC alega que a arbitragem cometeu grave erro de direito, ao marcar erroneamente um tiro penal quando eram jogados 49m20s do segundo tempo, o que alterou o desfecho da partida, levando à disputa por pênaltis e à vitória do Náutico.

Apesar de considerar legítimo o questionamento do Papão, Paulo César indeferiu o requerimento de tutela provisória. “É que em que pese os ponderosos argumentos trazidos pela defesa da impugnante, revela-se inegável que o dano reverso que decorreria imediatamente em consequência da medida vindicada, qual seja, a paralisação da fase final do Campeonato Nacional da Série C, revela-se demasiadamente acentuado, não somente para os clubes envolvidos, mas para todo o desporto, o que impede a sua concessão”, argumenta, a título de explicação.

Fiquei a imaginar o tamanho desse dano reverso em caso de um triunfo do Juventude na fase semifinal. Aí, além do Náutico, que certamente alegará em sua defesa possuir direito adquirido em relação à conquista do acesso, haverá mais um clube (o Juventude) a pleitear contra a paralisação do campeonato.

O fato é que a novela vai se desenrolar ao longo da semana, provavelmente sem desfecho imediato. O torcedor que se municie de paciência e calmantes para acompanhar os próximos capítulos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 15)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s