Mais um jornal que se vai

Globo informa que, após 85 anos de atividade, o jornal DCI – Diário Comércio, Indústria e Serviços, especializado na cobertura econômica, anunciou no último domingo (15/9) que irá parar de circular no próximo dia 23, quando será publicada sua última edição. A publicação faz parte do grupo Sol Panamby, fundado pelo ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, morto em 2010. O grupo também tem investimentos em agronegócio e varejo, além de rádios e emissoras de televisão.

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De acordo com a publicação, segundo Raphael Müller, diretor executivo do DCI, pesaram na decisão o momento atual do mercado de jornais e revistas, em processo de transformação devido ao uso crescente da internet e a queda de faturamento com publicidade, e o cenário econômico de crise persistente nos últimos quatro anos.

Müller disse ainda que medidas do governo Jair Bolsonaro, como o fim da exigência de publicação de balanços e editais em jornais de grande circulação, também contribuíram para o cenário de incerteza. “Todo o cenário econômico que estamos vivendo nos últimos anos, além da disruptura no setor de mídia, levou os acionistas a essa decisão sobre a manutenção do negócio”, disse Müller.

Reforma instituiu a ‘uberização’ das relações de trabalho

Transcrito do site Brasil de Fato

“A situação está ruim, mas estamos ainda no meio do caminho do que tende a ser pior”. O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) e professor de Direito do Trabalho Jorge Luiz Souto Maior resumiu dessa forma sua visão sobre os impactos da reforma trabalhista em vigor no Brasil desde 2017. Segundo ele, a reforma já ampliou o abismo social e tem servido para degradar as relações trabalhistas. Somam-se a esse cenário o nível recorde de desemprego e os cortes nos investimentos em serviços públicos.

“Sem querer assumir que caminharam na direção errada, começam a dizer que a reforma foi pouco e querem mais. Pretendem, então, aumentar a dose do mesmo ‘remédio’. E aumentar a dose é destruir o que sobrou: caminhamos possivelmente, se nada houver, para a destruição do Estado democrático de direitos sociais no Brasil”, argumenta.

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Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Souto Maior, que leciona na tradicional faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo, antevê que o Brasil enfrentará problemas econômicos e sociais ainda maiores por não medir corretamente os efeitos da fragilização das relações entre patrões e empregados. “Mas essa não é uma projeção no sentido do ‘inevitável’. Há, ainda, em funcionamento, muitas instituições jurídicas, democráticas e políticas, e essas instituições podem fazer um grande papel no sentido de barrar o percurso em direção à barbárie”, ressalva.

O desembargador apresenta, ainda, reflexões a respeito dos diversos erros que abriram caminho para a aprovação desta “reforma” e que deixaram campo livre para outras reformas similares, como a da Previdência. Na entrevista, Souto Maior destacou dados do mundo do trabalho e do Judiciário brasileiro e analisou o fenômeno da uberização da economia e das relações de trabalho.

Além disso, trouxe uma análise da evolução histórica do Direito do Trabalho enquanto construção social, apresentando, por fim, a avaliação em torno da urgência de se corrigirem os erros cometidos neste campo, sob pena de mergulharmos em um caos social. Ele apresenta, nesse aspecto, uma ressalva fundamental: não basta simplesmente defender o retorno ao que tínhamos recentemente. É preciso construir uma sociedade, uma economia e um Direito efetivamente inclusivos.

Leia a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Sobre as mudanças na legislação trabalhista, já é possível sentir reflexos no juízo do Trabalho?

Souto Maior: Eu atuei na Vara do Trabalho exatamente até dezembro de 2017 e a Lei n. 13.467, da reforma [trabalhista], entrou em vigor em novembro daquele ano. Daí por diante eu passei a atuar no Tribunal, que tem uma dinâmica de trabalho diferente. Eu não tenho, pois, a avaliação do mesmo lugar antes e depois da legislação. O que temos, porém, como resultado dado por números é a diminuição sensível do número de reclamações trabalhistas – fato que tem sido apresentado por parte da grande mídia como um efeito benéfico da reforma, mas de fato não é.

A diminuição das reclamações trabalhistas se deu por uma imposição de custos processuais, que, na verdade, acaba sendo um expediente para inviabilizar o acesso à Justiça. O caminho necessário, no entanto, na perspectiva do Estado Democrático de Direto (considerando, sobretudo, a essencialidade dos direitos sociais, conforme preconizado na Constituição Federal), é o da ampliação das vias de acesso à Justiça. O acesso à Justiça é uma conquista fundamental para a efetivação dos direitos sociais, dos Diretos Humanos e, para tanto, é necessário, também, que se tenha uma instituição do Estado com relação à qual os titulares dos direitos sociais depositem confiança.

Não que a Justiça do Trabalho não pudesse ser alvo de críticas, eu mesmo tenho sido historicamente crítico da Justiça do Trabalho em vários aspectos ligados ao seu funcionamento, sobre a visão de mundo que expressa, etc. O que quero dizer é que o alto número de processos na Justiça não deveria ter sido visto como um defeito que devesse ser corrigido. Se havia grande número de reclamações trabalhistas isso, por um lado, é sinal de que parte considerável da população mais pobre do país confia em uma instituição do Estado, o que não deixa de ser uma conquista da cidadania; e, por outro, que, infelizmente, a legislação trabalhista continua sendo extremante desrespeitada em nosso país.

E como surgiu essa mecânica de destruição?

Para destruir essa via de acesso à Justiça foi feita muita propaganda dizendo que as reclamações trabalhistas eram maquiadas, inventadas; que os trabalhadores requeriam direitos que não eram devidos; que a Justiça conferia direitos não devidos – o que não era verdade, como se pode constatar dos números à época divulgados, revelando que a grande maioria das reclamações tratava de verbas rescisórias não pagas. Ainda temos uma realidade do trabalho que convive muito, infelizmente, com o desrespeito reiterado da legislação. Esse desrespeito gera um conflito bastante intenso, que refletia nas ações perante a justiça. O que se fez foi, portanto, algo que, sem interromper essa prática de um Direto do Trabalho não respeitado de forma reiterada e convicta, visou unicamente dificultar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras na luta por seus direitos.

Esse efeito da redução de reclamações, portanto, traz consigo um dado extremamente maléfico, que é contrário a uma lógica de Estado Social e que vai no sentido da destruição concreta de direitos humanos, sociais e trabalhistas. E essa dificuldade de acesso à justiça por si está aliada a outros elementos que compõem a “reforma” trabalhista: fragilização da atuação sindical; multiplicação das formas de contratação precárias, e ampliação dos mecanismos de retirada de direitos por meio de negociações individuais entre trabalhadores e empregadores.

Estabeleceu-se a situação de um trabalhador que passa a ter uma dificuldade de ir à Justiça, com medo dos altos custos do processo e de um sindicato fragilizado pela perda de arrecadação para o seu custeio, em uma sociedade com um desemprego de 13 milhões de pessoas, as quais, por conta disso, estão dispostas a aceitar qualquer trabalho sem perspectiva de direitos.

Quais as consequências?

O trabalhador, nesse ambiente, com formas precárias de contratação e sendo pressionado para aceitar condições menos favoráveis em uma negociação individual com seu empregador, fica em posição de plena submissão. A soma de tudo isso é aquilo que tem sido verificado: o aumento do sofrimento no trabalho, das doenças no trabalho, das questões psíquicas que dizem respeito ao trabalho. E do ponto de vista econômico, já apontado em vários em estudos, a diminuição salarial, do ganho da classe trabalhadora. As negociações de salários não estão conseguindo acompanhar na média sequer a inflação.

Então os trabalhadores estão participando menos da riqueza coletivamente produzida. Consequentemente a concentração [da riqueza] está sendo maior , sem que tenha havido também – e até por consequência disso – o que se prometeu: o aumento de pessoas empregadas. O que aconteceu foi a disseminação do subemprego, com redução tão intensa de direitos que a situação fica mais bem identificada como desemprego e rebaixamento do patamar de cidadania.

O efeito geral é desastroso do ponto de vista do projeto de sociedade, da inserção humana e de cidadania da classe trabalhadora. E é desastroso também no aspecto econômico, com redução de consumo e das possibilidades econômicas do país, de arrecadação, dos projetos públicos e dos investimentos públicos, o que, como efeito bola de neve, não se querendo reconhecer os erros, acaba alimentando o discurso em torno da necessidade de novas reformas, como a da Previdenciária, que vai penalizar novamente a classe trabalhadora.

Além disso, com a consequente redução das fontes de custeio necessárias para o enfrentamento das questões de ordem pública, o que se verifica, também, é o retorno de doenças que já se tinham por erradicadas e o completo desprezo pelos cuidados com o meio ambiente (vide as queimadas na Amazônia, que também têm outras explicações, como o atendimento prioritário e promíscuo aos interesses do agronegócio).

Tudo isso é efeito do esfacelamento posto em marcha desde a década de 1990 do projeto de Estado Social de Direito fixado na Constituição de 1988. Tudo está ligado. Pode parecer exagero, mas não é: tudo está ligado à “reforma” trabalhista. A “reforma” trabalhistas alargou as fissuras e o que se vislumbra é o crescimento dos problemas sociais e econômicos que já existiam, com o gravame de que desta vez tudo é feito sem a menor despreocupação de acertar, deslocado de qualquer base de conhecimento, por meio de memes, lives, frases de efeito, ameaças e força bruta, que interditam até mesmo as possibilidades de debate.

A situação está ruim, mas estamos ainda no meio do caminho do que tende a ser pior. Sem querer assumir que caminharam na direção errada, começam a dizer que a reforma foi pouco e querem mais. Pretendem, então, aumentar a dose do mesmo “remédio”. E aumentar a dose é destruir o que sobrou: caminhamos possivelmente, se nada houver, para a destruição do Estado democrático de direitos sociais no Brasil.

Mas essa não é uma projeção no sentido do “inevitável”. Há, ainda, em funcionamento, muitas instituições jurídicas, democráticas e políticas (públicas e privadas), e essas instituições podem fazer um grande papel no sentido de barrar o percurso em direção à barbárie.

Hoje o caminho parece sem volta. Qual o senhor imagina que venha a ser o final dessa história? A população conseguiu entender o tamanho do problema que essas reformas trazem?

É difícil de responder o que vai acontecer. Quem faça esse tipo de análise depois senta e fica torcendo para estar certo, sempre com previsões pessimistas. Como eu não quero que aconteça, não vou projetar. Até porque nesses momentos da história em que essas crises se instauram, abre-se uma porta que vai para caminhos diversos que são construídos a cada novo dia, a cada instante. Um fato hoje pode mudar completamente o rumo dessa história. Mas os fatos não ocorrem por acaso, ocorrem por obra da vontade humana. Por isso é importante, o quanto antes a percepção da população sobre o que está ocorrendo, para que o futuro seja fruto de uma obra consciente e não do acaso.

É muito difícil apostar no que vai acontecer. Um esclarecimento popular mais amplo? Não é algo tão simples e que deflua naturalmente da necessidade econômica. Não podemos perder de vista que muitas pessoas, milhões até, na população brasileira, já vivenciam essa realidade de barbárie há muitos anos. A questão é que, agora, está se ampliando e atingindo a uma outra camada da população. As possibilidades de reação estão dadas. Mas daí a chegar a um estágio de compreensão e a uma atuação coletiva os passos podem ser bastante complexos. Afinal, na distopia o individualismo impera e as pessoas tentam se salvar nas batalhas do dia a dia.

Se você pensar na reforma da Previdência, por exemplo, deve lembrar que ela não diz respeito à realidade palpável de milhões de pessoas, que já estão fora desse regime há muitos anos. Ocorre que a reforma vai além e maltrata ainda mais até mesmo os excluídos. Oportunidades de reconstrução de laços de solidariedade se abrem. Mas se fecham se a perspectiva de reação se mantiver na linha da manutenção das coisas como estavam, onde direitos, aos olhos de milhões, apareciam como privilégios.

Digamos assim: a mera piora das condições materiais não é fundamento para acreditar que alguma reação popular ocorra. A situação de 56 milhões de brasileiros já é a de “viver” abaixo da linha da miséria. É preciso algo mais: é preciso apresentar razões suficientes, razões sérias, honestas, de que é possível construir uma sociedade que seja de fato inclusiva. Não dá para manter o mesmo discurso, não dá para simplesmente acusar a ordem política atual de estar destruindo tudo. É preciso ter uma proposta que seja construtiva e que seja realmente inclusiva.

A gente pode fazer a crítica em relação aos retrocessos – pode e deve. São muitos e em diversas áreas. Mas para reverter esse quadro, o discurso da preservação do quadro em que vivíamos não é suficiente. É preciso uma proposta de resistência ao retrocesso, mas que apresente avanços, porque senão o convencimento atinge a muito poucas pessoas e não ganha, por assim dizer, apoio popular. Não se esqueça que o discurso da redução de direitos é apoiado na luta contra os privilegiados e em favor dos que não têm emprego ou benefícios previdenciários.

E a respeito de uma suposta morte do Direito do Trabalho, com todos esses ataques: existe esse risco ou ao contrário, o Direito do Trabalho continua muito vivo?

Não existe uma possibilidade de inexistência de direitos trabalhistas num modelo de sociedade em que o trabalho é central. A regulação desta relação de trabalho, numa perspectiva produtiva, é isso que o Direito do Trabalho faz. Havendo trabalho assalariado, os direitos trabalhistas existirão e trabalho assalariado haverá enquanto se mantiver esse modelo de organização social baseada na exploração capitalista do trabalho. Essa é a realidade de diversos países. Os direitos podem ser distintos, mas em todos os lugares esses direitos atendem em geral os mesmos parâmetros: limitação da jornada, idade mínima para o trabalho, horas de descanso, proteção contra acidentes, proibição de formas degradantes de trabalho etc.

Essas regulações existirão de um jeito ou de outro. Mesmo que alguém consiga rasgar toda a legislação trabalhista, não significa dizer que o mundo do trabalho será mantido em plena anomia. O mundo do trabalho vai se reorganizar de algum modo e o conflito capital e trabalho vai gerar limitações à exploração do trabalho, enfim. A discussão que precisamos fazer é, portanto: que Direito do Trabalho queremos? Para quais finalidades?

E me parece, na linha do que falei há pouco, que, diante de uma proposta que preconiza uma terceirização ampla, o trabalho intermitente, a fragilização da atuação sindical, aumentando o sofrimento do trabalho e diminuindo a participação dos trabalhadores na riqueza nacional, é necessário apontar os efeitos já nefastos provocados por essas alterações, que são visíveis, mas a resistência não pode se limitar ao efeito de meramente defender a preservação do Direito do Trabalho no estágio em que se encontrava. Um Direito do Trabalho que já autorizava a terceirização na atividade-meio, gerando uma exclusão dentro da inclusão para 12 milhões de pessoas. Que não assegurava um salário mínimo minimamente adequado. Que não garantia a proteção contra a dispensa arbitrária. Que não era eficiente para proteger o efetivo exercício do direito de greve.

É preciso explicar para o conjunto da sociedade a relevância de se promover uma relação capital e trabalho em que o trabalho seja de fato inclusivo, sendo essencial para tanto que o sindicato tenha efetiva força negocial, o que só se atinge com o pleno exercício do direito de greve.

Uma sociedade que se organiza em torno da exploração capitalista do trabalho deve possuir mecanismos para impedir que o poder econômico não se estabeleça de forma absoluta, impondo-lhe, ao menos, limites para que as pessoas não morram de tanto trabalhar e para que a riqueza produzida seja melhor distribuída e atenda a interesses coletivos política, democrática e dialeticamente concebidos.

Construir uma sociedade viável à condição humana de todas as pessoas é o que atende ao que se pode conceber como um projeto de sociedade. Mas só se pode falar em projeto se este for concebido para todos e todas e se for integralmente compreendido. Nesse contexto, a melhoria das condições de trabalho e o aumento dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras deve ser compreendido como algo desejado por todos. E é isso, ademais o que está previsto na Constituição de 1988. Um de nossos grandes problemas, ademais, é o de que em nenhum momento formos capazes de experimentar esse pacto.

O momento é de discutir abertamente as potencialidades, os objetivos, as limitações e os benefícios do Direito do Trabalho. O Direito do Trabalho não será um instrumento revolucionário. Ele será um instrumento de melhoria das condições materiais da classe trabalhadora.

É importante debater se os Direitos Humanos, trabalhistas e sociais, impondo limites aos interesses puramente econômicos, são suficientes para salvar, aprimorar e desenvolver o modelo de sociedade capitalista como um projeto efetivamente viável à condição humana. Mas está fora de discussão a proposição inversa, pois sem a visualização desses limites não se tem qualquer perspectiva de uma sociedade em direção a algum lugar. Vira pura e simplesmente a luta de todos contra todos, o salve-se quem puder e o quem pode mais chora menos. Não resta qualquer tipo de argumento defensável do modelo de sociedade, que só tem sentido do ponto de vista de seres humanos que se organizam socialmente para satisfazerem suas necessidades comuns.

E o que acostumamos a chamar de “Uberização do trabalho”; fazendo uma comparação com os problemas trabalhistas que a gente já vivencia: é um fenômeno ainda mais grave?

Eu vejo com os olhos de quem estuda o Direito do Trabalho há muitos anos e que sempre o fez a partir de uma perspectiva histórica. Essa análise permite compreender os direitos trabalhistas como fruto dos conflitos sociais. Ao longo de décadas, algumas limitações ao poder econômico foram estabelecidas, como, por exemplo, limite do tempo do trabalho. No entanto, houve sempre um movimento de fuga do capital aos limites fixados. O Direito do Trabalho, visto como um aparato teórico técnico axiológico e teleológico concebido para aplicar as normas historicamente construídas, compreendendo os movimentos de fuga do capital, foi fincado em normas dinâmicas (princípios), exatamente para acompanhar e anular a eficácia desses movimentos. Assim, o advento de renovadas formas de exploração do trabalho é uma realidade bastante conhecida pelo Direito do Trabalho e que é, incapaz, portanto, de lhe ludibriar.

Além disso, os novos modos de exploração do trabalho acabam gerando, em muito pouco tempo, as bases materiais das quais os direitos nascem.

O processo de uberização, por isso, pode-se dizer, mesmo reconhecidas as suas particularidades, na essência, é mais do mesmo. As plataformas digitais são mecanismos que facilitam a utilização do trabalho alheio e a venda da força de trabalho no mercado. Aquilo que parece ser muito diferente, na verdade não tem diferença essencial. Assim, passado o encantamento, vai se apresentar como de fato é. Logo vai se perceber que um motorista que trabalha na Uber, que parece estar prestando um serviço para uma pessoa determinada por meio de um aplicativo, na verdade está vendendo sua força de trabalho para quem detém o aplicativo. A proprietária do aplicativo utiliza a força de trabalho do motorista para auferir lucro.

Os tais prestadores de serviço que antes viam na atividade uma espécie de bico, um modo de ganho entre um emprego e outro, persistindo na situação de desemprego e passando a encarar a atividade como principal e duradora, tendem a se perceber como trabalhadores e até se compreenderem como integrantes de uma coletividade específica. Daí a formação de sindicatos, para viabilizar a reivindicação de melhores condições de trabalho, é um pulo. E isso, ademais, já vem ocorrendo em vários países.

A Justiça do Trabalho vem acompanhando isso?

A Justiça do Trabalho poderá, sim, fazer a sua parte, reconhecendo direitos aos trabalhadores da dita economia 4.0. Mas não será a protagonista, vez que o movimento social precede.

Esse processo de precarização que o Brasil está passando encontra paralelo em outros lugares no mundo?

É um movimento mundial, mas há que se entender o seguinte: na periferia do capital as consequências do aumento da exploração do trabalho e da diminuição da proteção social, o primeiro já no nível mais elevado e o segundo no plano do patamar mínimo, são sentidas bem mais rapidamente e são muito mais graves. A intensidade de precarização jurídica que se implementou no Brasil com a “reforma” trabalhista, e que se intensificou com a Lei da Liberdade Econômica, é bastante superior àquela que se encontra nos países de economia paralela com a do Brasil. Com isso, o Brasil, inclusive, passou a ser uma espécie de laboratório da retração profunda de direitos trabalhistas.

Essa experiência, dados os efeitos desastrosos já sentidos, tende a não ser seguida. Mas nós mesmos não estamos conseguindo compreender isso, pois até há quem considere a possibilidade de aumentar a dose. Estamos, de fato, diante da urgência de iniciar uma reversão da retração de direitos trabalhistas e sociais e de recuperação da garantia do acesso à justiça. O caminho, urgente e necessário, deve ser o da evolução da proteção jurídico-trabalhista. Se não houver a reversão deste quadro, em pouco tempo, o quadro social e econômico poderá entrar em colapso, correndo-se o grave risco do aparecimento de “saídas” antidemocráticas.

Como esse enfraquecimento, essa desmoralização do Judiciário impacta na democracia?

Não acho que o Judiciário como um todo esteja desmoralizado por conta de situações que representam desvios da regularidade da atuação jurisdicional. Não se pode realizar uma avaliação generalizante a respeito. O Judiciário continua em regular funcionamento e isso é essencial, inclusive, para conter quaisquer pretensões autoritárias. As instituições podem apresentar problemas, mas a identificação dos problemas não deve servir como desculpa para o aniquilamento das instituições. Devem, isto sim, ser visualizadas para o seu necessário aprimoramento, buscando a superação das deficiências explicitadas.

Para isso não são eficientes, também, as iniciativas que buscam simplesmente perseguir e destruir pessoas. A questão não é essa. Não é de um problema meramente pessoal que se trata. O aprimoramento passa pela compreensão de que as instituições servem à sociedade como um todo, no sentido da prestação de serviços voltados à satisfação dos interesses públicos.

É urgente reconhecer que o enfraquecimento do Judiciário pode ser um passo decisivo para o desprezo à democracia. E é fundamental, também, que os próprios integrantes do Judiciário tenham a percepção da relevância de seu papel, o que exige, mais do que nunca, uma reafirmação de seu compromisso com a regularidade procedimental, com o respeito às garantias constitucionais no plano dos direitos fundamentais e com a efetividade dos direitos sociais, aos quais os direitos econômicos estão condicionados.

Reforma da Previdência: história de uma farsa

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Por Charles Nizs

Foi um trabalho de profissionais. O governo enganou a todos, deputados e senadores, empresários e trabalhadores, com sua proposta de reforma do sistema de aposentadorias. O projeto denominado Nova Previdência, ficará claro adiante, é uma falsidade completa, um edifício de planilhas sem consistência construído com dados manipulados para atingir os objetivos austericidas e privatistas do Ministério da Economia.

Sabia-se que o plano engendrado em Brasília aumenta a desigualdade, sacrifica os mais pobres, entrega o filão das aposentadorias mais bem remuneradas aos fundos e bancos privados, quebra municípios pequenos com economia movimentada principalmente por dinheiro dos aposentados, mas faltava provar isso, o que implicava ter acesso aos números e às fórmulas utilizados pelos responsáveis. A decisão em abril do Ministério da Economia de decretar  sigilo sobre os estudos e pareceres técnicos que embasaram a Proposta de Emenda à Constituição era indício de práticas suspeitas. Depois da aprovação do projeto pela Comissão de Constituição e Justiça, o ministro Paulo Guedes desinterditou parte das informações, mas manteve na clandestinidade o essencial: as planilhas com a memória de cálculo, os pressupostos de crescimento e de emprego, quem será mais afetado, quem ficará fora e o custo para implementação de um regime de capitalização. 

Encontrar provas exigia, portanto, driblar a ocultação de dados-chave. Foi o que fez um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do Instituto de Economia da Unicamp e os resultados estão no texto inédito intitulado “A falsificação nas contas oficiais da Reforma da Previdência: o caso do Regime Geral de Previdência Social”, divulgado em primeira mão por CartaCapital.

“As contas oficiais da reforma da Previdência para o regime geral foram falsificadas. Comprovamos que cálculos deturpados ampararam a principal apresentação sobre a economia a ser gerada pela reforma, feita pelo secretário da Previdência, Rogério Marinho, em maio no Congresso Nacional”, resume Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia, doutor em Economia e pesquisador do Cecon-Unicamp, ex-professor visitante na Universidade da Califórnia em Berkeley e coordenador da equipe responsável pelo estudo, divulgado em uma nota técnica. O grupo é formado também pelos pesquisadores André Luiz Passos Santos, mestre em História Econômica pela USP e analista bancário aposentado, Ricardo Knudsen, doutor em Química pela USP, especialista em Design de Experimentos e proprietário da KnudZen Consulting, na Itália, e Henrique Sá Earp, professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp, mestre em Física Teórica pela University of Cambridge e ph.D em Matemática pelo Imperial College London.

“Auditamos os cálculos oficiais da Secretaria da Previdência obtidos através da Lei de Acesso à Informação e encontramos indícios de falsificação ou, no mínimo, incompetência. Os cálculos inflam o custo fiscal das aposentadorias atuais para justificar a reforma e exageram a economia fiscal e o impacto positivo da Nova Previdência sobre a desigualdade. Ao contrário, demonstramos que, para o Regime Geral de Previdência Social, as aposentadorias por tempo de contribuição obtidas nas regras atuais com idades mais novas geram superávit para o RGPS e têm impacto positivo sobre a desigualdade. Sua abolição resulta em déficit para o RGPS, o que é compensado pela Nova Previdência por um corte nas aposentadorias que prejudica principalmente os mais pobres, agravando a desigualdade”, sublinham os pesquisadores. 

O superávit alegado pelo governo com a abolição da aposentadoria por tempo de contribuição, prosseguem, “é irreal, portanto a estimativa de economia com a reforma é falsa. Os principais equívocos oficiais são os seguintes: 1. Para o salário de 11.770 reais, usado na simulação oficial do custo de uma aposentadoria por tempo de contribuição, o governo usa cálculos para uma aposentadoria por idade mínima. 2. O governo infla o déficit da aposentadoria por idade mínima ao superestimar a aposentadoria (ao tomar o pico e não a média dos salários) e subestimar as contribuições do empregado e, principalmente, do empregador. 3. Para o salário mínimo, o governo chega a resultados falsos, porque também troca a simulação de uma aposentadoria por tempo de contribuição por uma aposentadoria por idade mínima.   4. Para a aposentadoria por idade, o erro advém de não considerar a condição mínima de 15 anos de tempo de contribuição ou a média da aposentadoria por idade nas regras atuais (19 anos de tempo de contribuição), e de tomar o pico e não a média dos salários; feita essa correção, a Reforma da Previdência não apenas diminui o subsídio para os mais pobres, como joga muitas famílias na pobreza”. 

As constatações dos pesquisadores são acompanhadas de demonstrações matemáticas e indicam que a sociedade e o Congresso receberam informações deturpadas, portanto foram induzidos a erro ao analisarem a proposta oficial de reforma da Previdência. O combate aos privilégios, recordam os autores do trabalho, é um dos principais argumentos em defesa da reforma do Regime Geral. Alega-se que o fim da aposentadoria por tempo de contribuição acabaria com o privilégio de trabalhadores com maiores renda e estabilidade de emprego que podem se aposentar mais cedo e que, por receberem os proventos por mais tempo, onerariam o sistema público de aposentadoria de modo injusto.

Para apoiar essa afirmação, destacam os pesquisadores, “a Secretaria da Previdência apresentou cálculos falsos à imprensa e aos deputados federais em várias ocasiões”. O trabalho do Cecon-Unicamp mostra que, ao contrário do que diz o governo, “para o Regime Geral de Previdência Social, as aposentadorias por tempo de contribuição obtidas nas regras atuais com idades mais novas geram superávit para o RGPS e têm impacto positivo sobre a desigualdade. Segundo Bastos, “se não deturparam os números de propósito, foram incompetentes. O que eu posso dizer é que é tão absurdo que qualquer um que sabe fazer cálculo atuarial e conhece um pouco de previdência não confundiria, por exemplo, uma aposentadoria por tempo de contribuição com aposentadoria por idade e não calcularia uma aposentadoria por idade do modo como fizeram. Parece que torturaram os dados para eles dizerem o que o governo queria”.

O ponto central, sublinha o pesquisador, “é a questão da aposentadoria por tempo de contribuição e o fator previdenciário. Quem defende a reforma diz que essa é a maior despesa, vai prejudicar o orçamento no futuro e não fala nada a respeito das receitas que isso gera”. Há grande concordância em torno disso por parte de economistas como Paulo Tafner e Pedro Nery, autores de um livro sobre a Previdência, Marcos Lisboa, do Insper, que fez ao lado de Tafner uma apresentação sobre o tema no Congresso, e Marcelo Caetano, do Ipea, secretário da Previdência Social no governo Temer. Caetano, é importante lembrar, elaborou a proposta de reforma de Temer e integrou ao mesmo tempo o Conselho de Administração de uma das maiores empresas de previdência privada do País, a BrasilPrev, do Banco do Brasil, situação de evidente conflito de interesses entre a esfera privada e o interesse público que ensejou duras críticas de representantes dos servidores.

Tafner e Nery dedicam um capítulo inteiro do seu livro, intitulado “O risco que não existe: a aposentadoria por tempo de contribuição”, ao ataque dessa modalidade. Omitindo a receita das contribuições, chegam a afirmar que “uma reforma que criasse uma idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição – mantidas as idades dos outros benefícios constantes –, reduziria a desigualdade regional na aposentadoria. É o exato contrário do que oponentes da reforma propagam…”.

(Transcrito da CartaCapital)

Temer desmente Lava Jato e refaz a narrativa histórica sobre o golpe

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Da idealização ao matchmaking, Congresso traz jornada completa da inovação

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Com foco no papel da inovação e das tecnologias emergentes nos novos negócios e sob o lema “Inspire-se, crie e conecte-se – Los geht’s”, a sétima edição do Congresso Brasil-Alemanha de Inovação será nos dias 2 e 3 de outubro, no World Trade Center (WTC), em São Paulo. Com a proposta de mostrar toda a jornada da inovação, desde a idealização ao lançamento de um projeto, o evento trará em sua programação palestras e painéis, espaços de matchmaking, exposições, Copa do Mundo de Startups e a premiação das Startups Connected.

“Queremos mostrar, de uma forma simples, não técnica, como a inovação impacta os novos modelos de negócios, a partir da visão dos gestores, e como as pessoas devem olhar o processo de inovação em relação a novos negócios. Vamos realizar algo similar a um festival da inovação, possibilitando ao público acompanhar toda a jornada da inovação, desde a concepção da ideia até o lançamento”, destaca Bruno Vath Zarpellon, Diretor do Departamento de Inovação e Tecnologia da Câmara Brasil-Alemanha.

Com a expectativa de reunir mais de 800 participantes, cerca de 50 startups e mais de 20 representantes do ecossistema de inovação, entre agências de financiamento e grandes instituições interessadas em negócios inovadores, um dos destaques é a co-realização do evento com a Investe SP (SP Conecta), que trará ainda mais força para o Innovation Speed Dating, onde todos os interessados poderão receber mentorias, por meio do sistema de matchmaking.

Durante o Congresso também será realizada a etapa regional Copa do Mundo de Startups, competição global que levará cada um dos vencedores dos 40 eventos regionais para disputar um investimento de 1 milhão de dólares no Vale do Silício, e a premiação do Programa Startups Connected, iniciativa também realizada pela Câmara Brasil-Alemanha para identificar e selecionar startups para trabalharem em projetos baseados em desafios empresariais propostos por grandes empresas associadas e instituições alemãs.

Com o apoio do Ministério Alemão de Meio Ambiente, Preservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMU), o evento terá uma exposição sobre Mobilidade Urbana Sustentável, com a participação de dez instituições, que mostrarão suas iniciativas com foco na mobilidade urbana sustentável.

Entre os palestrantes confirmados, estão: o Prof. Dr. Joachim Hornegger, Presidente da Universidade de Erlangen-Nürnberg (Friedrich-Alexander-Universität Erlangen Nürnberg – FAU), Barbara Waelkens M. Sc, Pesquisadora do Instituto Fraunhofer (Fraunhofer Institute for Interfacil Engineering and Biotechnology – IGB); Philipp Povel, CEO e co-fundador da Dafiti; e Renata Petrovic, Superintendente de Pesquisa e Inovação do Bradesco.

O Congresso Brasil-Alemanha de Inovação conta com Patrocínio Ouro das empresas BASF, Bayer e Bosch; Patrocínio Prata das empresas Lufthansa, Siemens e Vulkan; e co-realização do DWIH São Paulo (Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo) e da Investe SP. (Da Oliver Press)

Serviço:

Congresso Brasil-Alemanha de Inovação

Data: 02 e 03 de outubro, das 9h às 18h

Local: World Trade Center (WTC) – Avenida das Nações Unidas 12.551, São Paulo – SP

Inscrições e mais informações: www.inovacaobrasilalemanha.com.br/

Startups que desejam participar da Copa do Mundo de Startups podem se inscrever até dia 19 de setembro: www.startupworldcup.io/brazil

Marinha norte-americana confirma autenticidade de três vídeos de OVNI’s

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OVNIs existem, acreditando você ou não em vida extraterrestre. A questão é que a sigla não tem, necessariamente, a ver com alienígenas, mas sim com eventos aéreos que não puderam ser compreendidos quando foram presenciados. Agora, a Marinha dos EUA reconheceu que três vídeos que vieram a público entre o fim de 2017 e o início de 2018, publicados inicialmente pela organização To The Stars Academy of Arts and Science e que tiveram o alcance ampliado após divulgação pelo New York Times.

Em comunicado, o órgão das forças armadas dos Estados Unidos afirmaram que os vídeos são verdadeiros e representam “fenômenos aéreos não-explicados”, o que, como dito acima, não significa que se trata de um disco voador ou uma espaçonave similar, mas apenas algo que não foi compreendido.

A confirmação veio por meio do site The Black Vault, mantido por um jornalista independente chamado John Greenewald, dedicado a armazenar e debater documentos governamentais que deixaram de ser confidenciais. Quando questionada diretamente sobre três vídeos, que ficaram conhecidos pelos codinomes de “FLIR1”, “Gimbal” e “Go Fast”, a Marinha confirmou sua autenticidade. Abaixo está o “Go Fast”:

“A Marinha descreve os objetos contidos nestes vídeos como fenômenos aéreos não-identificados”, diz o comunicado. Greenewald insistiu um pouco mais no tema e questionou o uso das palavras “fenômeno aéreo” em vez de “objeto voador” e obteve mais detalhes. Joseph Gradisher, porta-voz da organização, explicou que “a terminologia ‘Fenômeno Aéreo Não-Identificado’ é usada por oferecer uma descrição básica para avistamentos/observações de objetos/aeronaves não-autorizados/não-identificados que foram observados entrando/operando no espaço aéreo de várias áreas de treinamento controladas pelas forças armadas”.

Ao site Motherboard, Gradisher reafirmou o que disse ao The Black Vault: “a Marinha considera os fenômenos contidos/representados nesses três vídeos como não-identificados”, disse o comunicado. (Do Olhar Digital)

Chance para os enjeitados

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POR GERSON NOGUEIRA

De repente, quase no crepúsculo da temporada do futebol, surgem algumas novidades na dupla Re-Pa. Algo tímido, ainda, mas que deixa esperanças de que os clubes possam vir a lucrar futuramente com jogadores formados em suas divisões de base.

A necessidade costuma ser a mãe da oportunidade. No futebol, é uma regra que habitualmente se aplica aos clubes paraenses. Quando a situação aperta, os elencos são quase sempre recompostos com as revelações caseiras.

O Remo surpreendeu sua torcida domingo à tarde não apenas pela fartura de gols contra o Atlético-AC. Causou excelente impressão a apresentação da dupla Hélio Borges e Rony, garotos vindos da base que jogaram com extrema aplicação e competência.

Hélio já havia aparecido no período de Márcio Fernandes, nos jogos contra o Sobradinho pela primeira fase da Copa Verde. Chegou a fazer gol na partida de volta contra o time brasiliense no Mangueirão.

Diante do Atlético, ele entrou no ataque, correndo pelo lado direito e ajudando a empurrar o time ainda mais para cima do adversário.

Já Rony (foto) era um completo desconhecido para a torcida. Aos 19 anos, guarda certa semelhança física com o atacante do mesmo nome, que atualmente joga no Atlético-PR e também foi revelado no Evandro Almeida.

Em campo, desfilou um desembaraço raro entre jogadores estreantes. Substituiu o titular Cesinha aos 25 minutos do 2º tempo e mostrou boa movimentação, entendimento com os companheiros e uma qualidade de passe que encheu os olhos de todos.

O mais admirável é que Rony não estreou num jogo qualquer. Teve personalidade para se apresentar diante de um Baenão lotado, correndo junto às arquibancadas laterais, ouvindo aplausos e gritos de cobrança da torcida que ali fica posicionada.

Lembro de muito jogador experiente, com rodagem por clubes de outros Estados, que tremem no caldeirão azulino. Depois de disputar a Copa São Paulo, Rony passou no teste, juntando-se a Hélio entre as agradáveis surpresas deste Remo que se reconfigura após a frustração na Série C.

A presença de Rony levanta um natural questionamento sobre a capacidade de avaliação do técnico Márcio Fernandes. Quais os motivos que levaram à contratação de um jogador como Gabriel Cassimiro para a lateral direita se havia um garoto tão promissor dentro do próprio clube¿

Depende agora do técnico Eudes Pedro a disposição de continuar aproveitando Rony e Hélio sempre que houver oportunidade propícia. E não custa nada lançar o olhar para as bases. Outros atletas podem vir a ser úteis na reconstrução da equipe para 2020.

A maré de novidades envolve o PSC, que testa entre os titulares o jovem defensor Kerve, 20 anos, muito elogiado nas divisões de base desde os tempos de Rogerinho Gameleira na coordenação.

Em caso de impedimento de um dos titulares (Perema ou Vítor Oliveira), Hélio dos Anjos poderá lançar Kerve no jogo de amanhã em Bragança, pois o time titular terá que ser bastante modificado em função das ausências de pelo menos quatro titulares expulsos na partida de ida.

Willyam, que já foi da base bicolor e até foi titular no ano passado, volta a ser lembrado para recompor o mutilado meio-de-campo, por força das necessidades já conhecidas. Deve substituir o titular Léo Baiano e atuar juntamente com Uchoa e Tiago Primão.

Do começo auspicioso, ainda com Dado Cavalcanti, Willyam mergulhou num surpreendente ostracismo, chegando mesmo a ser deixado de lado pelos técnicos que vieram depois, incluindo Hélio. É uma brecha importante para mostrar serviço e resgatar um lugar no time.

O momento, como se vê, é favorável aos enjeitados de sempre. Que aproveitem bem a oportunidade. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

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Para o Papão, o jogo do ano será na sexta-feira

O esforço da diretoria do PSC para obter a anulação do jogo com o Náutico e reabrir a chance de acesso à Série B ganha um fato concreto: o STJD agendou para a próxima sexta-feira, 20, o julgamento do pedido de impugnação apresentado pelos bicolores. O auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva é o relator sorteado para o caso.

A peça de sustentação é a alegação de que o árbitro Leandro Pedro Vuaden incorreu em erro de direito, descumprindo determinações da Fifa para lances envolvendo toque de mão dentro da área. A poucos metros da área, Vuaden tinha visão privilegiada para avaliar com clareza o lance, mas optou pela decisão errada, na avaliação dos advogados do clube.

Em entrevista ao programa Bola na Torre, domingo, o presidente Ricardo Gluck Paul revelou indignação com o que considera uma grave injustiça e mostrou-se “100% convicto” dos direitos do PSC.

Disse que o clube vai mover todos os esforços possíveis para alcançar seus objetivos, nem que para isso precise recorrer à Justiça Comum ou ao tribunal de apelação da Fifa.

Ricardo disse considerar, também, que a não paralisação da Série C acaba por contar pontos para a cruzada jurídica do PSC. Mostraria uma contradição no posicionamento do STJD, divulgado na sexta-feira, aceitando a denúncia e determinando a não homologação do resultado do fatídico jogo.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 17)