
Desde os tempos de Cabral…



Tem destaque, em toda a imprensa, a declaração da ministra Cármen Lúcia – publicada originalmente no site Poder360 – de que não pautará a discussão sobre a prisão de acusados condenados em 2ª instância que ainda tenham recursos pendentes em tribunais superiores, pelo fato de que a discussão – recorrente dentro do STF, desde que se inverteu a jurisprudência histórica de recusá-la – agora envolver o ex-presidente Lula.
“Seria apequenar muito o Supremo”, disse, para acrescentar que não conversou “sobre isso com ninguém”.
Engana-se a ministra. O que apequena um tribunal onde todos os juízes estão no mesmo patamar é que sua presidenta indique decisões sobre a pauta sem “conversar sobre isso com ninguém” durante um convescote jornalístico-empresarial – estavam no jantar a direção da Shell, da Coca Cola, da Siemens, da Vivo, da Souza Cruz (British American Tobacco).
Ainda mais quando – e ela sabe perfeitamente disso – a questão já vem sendo objeto de polêmica interna há tempos, muito antes da ratificação da sentença de Sérgio Moro no TRF-4. Precisamente, desde 2015, muito antes que se falasse em julgar Lula.
Vários ministros já se manifestaram em contrário, seja por votos, seja por decisões. No primeiro caso, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello. No segundo, Gilmar Mendes, Ricardo Levandowski, Celso de Mello e Dias Tóffoli. A menos que se conte como voto no Supremo a opinião de Sérgio Moro, seriam seis os ministros com objeções a isso; maioria, portanto.
Não se concebe, senão na paradoxal figura de Gilmar Mendes, magistrado tão pequeno e vaidoso capaz de discutir no restaurante Piantella uma questão de tamanha repercussão, não só nas liberdades individuais, mas na cena política do país. Talvez, para não ser injusto, Luiz Fux, do qual, como de Gilmar, ao menos se pode dizer que a vaidade, embora ocêanica, tenha mais dificuldade em afogar o saber jurídico.
Se a ministra o desejava, conseguiu. Em dois dias, começa o ano judiciário com um mal-estar – que, aposto, não será silencioso – instalado na Corte. Aliás, dois, porque a sessão inaugural do STF se dará com um magote de juízes e promotores à porta, defendendo seu auxílio-moradia, tema no qual Cármem Lúcia preferiu ser vaga, dizendo que o assunto “poderá” ser pautado, mas não o foi.
Além do mais, em matéria de apequenamento do Tribunal, a ministra chegou tarde. Já de há tempos a corte se deixou arrastar para a vala da politização e entregou-se ao jogo de fanatismos que a deixou cercada de uma matilha, que no passado atacou a casa de Teori Zavascki e, ainda sábado, “escrachou” Gilmar Mendes num voo comercial.
Retrato acabado de uma Justiça que passou a reger-se pela “cognição sumária” e pelos aspectos “morais” construídos fora dos tribunais, mas na mídia e nas redes sociais furiosas.
Esta noite, com o regabofe no Piantella, enquanto o país arde na crise político-institucional, Cármen Lúcia mostrou-se à altura de uma única coisa: ao nível do rebaixamento das instituições judiciais a simples jogadoras de um jogo político e, portanto, sujeitas ao clamor das torcidas. (Por Fernando Brito, no Tijolaço)

Paul McCartney, com Dave Grohl e Bruce Springsteen.

Existe um denominador comum entre intelectuais franceses que analisam a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro especialistas em história e ciências políticas ouvidos pela RFI após a condenação do ex-presidente a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, apontam uma “politização” indesejável do sistema judiciário brasileiro.
A historiadora Juliette Dumont, professora do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal), em Paris, considerou a condenação do ex-presidente Lula como “uma afronta ao Estado de Direito no Brasil“. Na opinião da especialista, a falta de provas de corrupção contra o petista mostra que seus direitos não foram respeitados.
Dumont considera legítimo que o ex-presidente mantenha sua agenda política visando a presidencial de outubro. “Não existe outra liderança à esquerda a não ser o Lula. Por isso, ele tem razão de acreditar em sua candidatura“, avalia.
“Há pelo menos dois anos, antes mesmo do impeachment de Dilma Rousseff, surgiu no Brasil um discurso midiático, político e jurídico que é uma condenação, sem provas, do Partido dos Trabalhadores e das políticas que foram aplicadas pela legenda. Vimos com a Dilma, que já foi inocentada depois de sua destituição das acusações que foram feitas contra ela, que existe um sistema judiciário com papel político“, conclui a professora.
Jean-Jacques Kourliandsky, especialista em questões ibéricas e da América Latina no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, um think tank francês sediado em Paris, disse não ter ficado surpreso com a sentença do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Ele aponta, no entanto, “ordem constitucional disfuncional” no tratamento do processo do ex-presidente Lula, assim como aconteceu na destituição da ex-presidente Dilma.
“Apesar de os juízes terem dito que a decisão deles não foi política, temos o direito de questionar a rapidez com que o tribunal marcou o julgamento de Lula. O fato de o presidente do TRF-4 [Carlos Eduardo Thompson Flores] ter anunciado publicamente sua aprovação à sentença do juiz Sérgio Moro, em primeira instância, dizendo que ela era perfeita – o que vai contra todas as práticas do Judiciário –, nos permite questionar se a Justiça brasileira faz seu trabalho em conexão com o calendário eleitoral.”
Para Kourliandsky, não há dúvida de que o interesse do julgamento de ontem foi afastar o petista da eleição presidencial de 7 de outubro próximo. Ele acha provável que, “por coerência com as decisões em primeira e segunda instância“, o Supremo Tribunal Federal deverá confirmar a pena de prisão contra Lula, em agosto. “O PT é prisioneiro deste cenário. Se Lula é afastado da corrida presidencial, outros candidatos de esquerda menos carismáticos vão aparecer, criando uma fragmentação no eleitorado de esquerda que pode favorecer a direita, como aconteceu no Chile“, disse.
Por outro lado, o pesquisador do Iris antevê outro cenário, mais sombrio. “A pressão da mídia brasileira, principalmente do grupo Globo e de grandes revistas semanais, sempre desqualificando o Partido dos Trabalhadores, apontando o ex-presidente como um corrupto, associando continuamente a política à corrupção, produz um fenômeno eleitoral inesperado. O PT e a esquerda ficam fora da disputa, mas nenhum candidato de direita consegue emergir com força nas pesquisas. Cria-se um enorme espaço para candidatos como o deputado Jair Bolsonaro [de extrema-direita], apoiado pelos evangélicos, ou eleitores inclinados a boicotar as urnas“, diz Kourliandsky.
Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe, da universidade SciencesPo, em Paris, considera que a eventual ausência de Lula nas eleições de 2018 “fará com que uma parcela expressiva da população não se sinta representada no pacto político e social que representa uma eleição presidencial“.
Para Estrada, o modo como o julgamento foi transmitido pela televisão e as palavras utilizadas pelos desembargadores em Porto Alegre não contribuem para apaziguar o processo eleitoral no Brasil.
Na avaliação de Maud Chirio, professora de história contemporânea na Université Paris-Est Marne la Vallée, o Brasil atravessa um contexto de instabilidade com “uma grande bipolarização política que pode assumir formas mais violentas“. Atualmente, o campo que é hostil a Lula está extremamente mobilizado e se expressa oralmente de maneira violenta, estima a professora. Segundo Chirio, “a imprensa também manifesta um ódio político, como já se viu com o anticomunismo, que dividiu famílias, separou casais e extrapolou a política“.
“O que pode acontecer é que se Lula finalmente conseguir, por razões variadas, se apresentar como uma alternativa plausível, existe o risco de haver uma reação das Forças Armadas“, acredita a historiadora. “Em um recado ao Judiciário, os militares disseram que, se certas pessoas não fossem condenadas, eles iriam intervir para evitar que se instalasse o caos no Brasil. Isso quer dizer que os atores políticos das situações autoritárias estão presentes“, adverte Chirio. (Do site Pragmatismo Político)

POR GERSON NOGUEIRA
O mais caro reforço bicolor foi anunciado, de forma inesperada, com o campeonato já em andamento – embora o técnico Marquinhos Santos insista com a tese de que a pré-temporada se estendeu até anteontem – e tem boas chances de emplacar por aqui. Walter precisa apenas ser 50% do Walter goleador para encantar a torcida e se reabilitar junto ao mercado boleiro nacional.
Aos 28 anos, o atacante ainda é um jogador com metas a cumprir. Está longe de ter o perfil de veterano sem ambições, como tantos que andaram enganando por aqui até recentemente. E a necessidade de dar a volta por cima é um senhor fator de motivação.
Walter experimentou, ao final da temporada passada, a falta de perspectivas gerada pelas desconfianças em relação à sua disposição de continuar a ser um atleta profissional de futebol.
A passagem pálida pelo Atlético Goianiense, com cinco gols marcados em pouco mais de duas dezenas de jogos (nem sempre como titular), deixou um rastro negativo para o currículo do jogador, já bastante desgastado pela temporada ruim no Goiás, em 2016, quando fez apenas três gols.
É óbvio que o Papão fechou negócio consciente de que faz uma aposta de risco neste atacante polêmico pelo físico pouco compatível com a função em campo, além de algumas derrapadas fora das linhas.
Contribuiu muito para que o negócio fosse fechado a quase total ausência de concorrentes pela aquisição do jogador – o único que formalizou proposta foi o Vila Nova-GO. Além disso, Walter foi avalizado pelo técnico Marquinhos Santos e o executivo André Mazzuco.
Um aspecto pode ser determinante para que o jogador se enquadre nas exigências necessárias para que jogue em bom nível: o rigoroso processo de condução do futebol profissional vigente no Papão. Foi com base nesse critério, que destaca comprometimento e disciplina, que jogadores como Leandro Carvalho e Ricardo Capanema não tiveram mais chances na Curuzu.
Walter passa a ser estrela de um clube órfão de ídolos. Os mais recentes foram Robgol e Vandick, que penduraram as chuteiras em há mais de 10 anos. Se fizer os gols que prometeu na primeira entrevista e levar a cabo o projeto pessoal de “fechar a boca”, o atacante ingressa na seleta galeria de jogadores cultuados pela apaixonada torcida alviceleste.
Sabe, porém, que não terá muito tempo para se estabelecer. Ainda sem o condicionamento ideal, Walter deve estrear na fase semifinal do Parazão e precisa mostrar a que veio balançando as redes.
De toda sorte, a contratação tem o mérito de valorizar o Campeonato Estadual e de chamar a atenção da mídia nacional para o que se faz aqui, além de ser um motivo a mais para que o torcedor compareça aos estádios e prestigie o investimento maior do Papão para a temporada.
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Sonhando alto, Galo Elétrico importa centroavante
Não é só o Papão que investe alto em contratações. O Independente, único invicto no campeonato, fez à sua maneira uma aquisição tão cara quanto a de Walter para os bicolores. Trouxe de volta o centroavante Betinho, que esteve na Curuzu e não deixou muitas saudades.
Para os projetos do clube de Tucuruí, Betinho pode se encaixar bem, até porque a falta de referência no ataque era um dos problemas do time treinado por Júnior Amorim.
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Trivial variado do pós-clássico pelos baluartes da coluna
A cidade está ainda em clima de ressaca do Re-Pa. No blog campeão e na coluna, os baluartes se manifestam, opinando sobre atuações e apontando detalhes do primeiro clássico da temporada.
Mateus Miranda avalia que a festa remista passou do ponto e tem lá suas explicações para isso. “A carência da sofrida torcida remista é impressionante, a vitória de ontem pareceu conquista de título. Aqui no bairro onde moro a foguetaria não para desde ontem. É uma estória que se repete quase todos os anos, com os remistas começando o ano sorrindo e terminando chorando. Explica também o fato de o Remo ter mais vitórias e o Paysandu ter mais títulos, pois o bicolor perde quando pode perder e vence as partidas decisivas”.
Antonio Oliveira centra seu olhar crítico nas declarações do técnico Marquinhos Santos. “É verdade que o Remo mereceu a vitória, e que o técnico listrado reconheceu este merecimento. Mas, quando um técnico vem com a justificativa de que faltou brio e vontade de vencer aos seus próprios comandados, é muito provável que ele não esteja querendo assumir a própria parcela de responsabilidade no insucesso. No caso do jogo, parece que foi o que aconteceu com o técnico do rival. Deveras, ontem pode ter faltado tudo aos listrados, menos brio e falta de vontade de vencer. Ao revés, a vitória além de tudo, foi valorizada pela entrega do adversário que se empenhou ao máximo para ser ele próprio o vencedor”.
Já o Maurício Carneiro é direto e certeiro: “Sem alongar, o Remo mereceu vencer até por diferença maior. Não vi o dito lance de pênalti a favor do PSC – como entrei no intervalo, acho que foi antes disso e nem na mídia consigo achar. O pênalti marcado é interpretativo e aceitável. Perema caiu muito ultimamente, mas ontem estava bem até a falha fatal. Marcão merece voltar pro banco. O plantel do Papão é bem superior ao de 2017. Re x Pa é Re x Pa e é cedo pra detonar o PSC”.
Para George Carvalho, o importante é enaltecer os nativos. “Com o apenas esforçado Perema sendo o algoz, méritos para a dupla de caboclos paraenses Levy & Elielton, que mostraram aos emplumados jogadores importados que aqui chegam, usando sapatilhas, como se joga futebol na Amazônia, em tempo de inverno”.
(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 30)



O meia Rodriguinho, que foi contratado pelo Clube do Remo em novembro de 2017, é o último jogador azulino a ser regularizado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. Com isso, poderá ser relacionado por Ney da Matta para a estreia do Leão na Copa Verde, nesta quarta, em Manaus.
A demora na regularização do atleta aconteceu devido a problemas em sua documentação. O jogador tem 30 anos e tem passagem por Atlético (MG), Gama (DF), Tupi (MG) e CRB (AL). Desde 2009, Rodriguinho atua fora do Brasil. No exterior, jogou por três temporadas no Kuwait, quatro nos Emirados Árabes Unidos e mais recentemente estava na Coréia do Sul.
Nesta quarta-feira, o Remo enfrenta o Manaus (AM), campeão amazonense, às 21h, na Arena da Amazônia, valendo pela primeira fase da Copa Verde.

Aparentando entusiasmo com a acolhida, o atacante Walter desembarcou no final da manhã em Belém e foi apresentado à imprensa, prometendo esforço para adquirir o condicionamento ideal e luta para igualar a marca do artilheiro Bergson. À tarde, foi à sede social do Papão para uma sessão de autógrafos e divulgação do programa de sócio-torcedor. Sem jogar há mais de 60 dias, Walter deve fazer exames médicos e físicos nesta terça-feira, incorporando-se em seguida ao elenco.

Beckham e Neymar na linha de frente do estilo fashion (nutella?) que faz a cabeça da maioria dos craques internacionais. Bons tempos aqueles em que o futebol era mais pé no chão, menos ritualístico e bem mais interessante.
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