Entre a desambição e o caos

Por Gerson Nogueira

bol_sab_021113_11.psUm conjunto de fatores pode ser utilizado para justificar o mau passo do Paissandu, ontem à noite, na Arena Joinville. O mais fácil é a atuação do confuso trio de arbitragem, que inverteu marcações e deixou de assinalar um pênalti contra os donos da casa aos 44 minutos do segundo tempo. Mas é preciso reconhecer que esses detalhes, embora importantes, não explicam por inteiro a derrota.

O principal problema foi a preocupação em empatar e o caos defensivo. O time entrou excessivamente recuado, atraindo o JEC para o seu campo e aceitando a intensa pressão do adversário. Logo no primeiro minuto, o zagueiro Diego cabeceou uma bola no travessão e fez ataques fulminantes. Do lado bicolor, Eduardo Ramos acertou um chute na trave, e ficou nisso nos primeiros 35 minutos.

Nesse período, o Joinville foi mais organizado e agressivo. Fez dois gols, perdeu mais uns três e se tranquilizou. Ficou tão tranquilo que acabou se descuidando e sofreu dois grandes sustos aos 41 e 42 minutos. Marcelo Nicácio, Careca e Leonardo perderam chances claras.

Quando tudo fazia crer que o ensaio de reação do final do primeiro tempo seria concretizado na etapa final, o técnico Vagner Benazzi optou por se abraçar à cautela e manteve a mesma escalação, prejudicada pelas atuações desastrosas de Alex Gaibú na lateral esquerda e de Artur e Jailton no meio-de-campo.

Só se convenceu a fazer mudanças depois que o JEC chegou ao terceiro gol, com Wellington Bruno, após bola cruzada na área e não interceptada pelos 300 zagueiros e volantes ali posicionados. Djalma entrou no lugar de Jailton e deu nova dinâmica ao setor de ligação, liberando Eduardo Ramos para se aproximar dos atacantes.

Como consequência, o Paissandu passou a empreender ataques mais elaborados, conseguindo acuar o Joinville pela primeira vez no jogo. Aos 24 minutos, Leonardo fez o primeiro gol, de cabeça. Héliton substituiu Nicácio e, seis minutos depois, Artur fez sua melhor participação em campo: lançou Careca e este, também de cabeça, desviou para as redes. O novo placar botava pressão nos donos da casa e reabria as esperanças do Papão.

Pena que logo a seguir o Joinville marcou o quarto gol e matou o jogo. O lance, muito questionado pelos bicolores, começou com a marcação de um escanteio, que o auxiliar interpretou como tiro de meta. Na sequência, Carlos Alberto chutou duas vezes e Pikachu ainda desviou com o braço.

A marcação gerou reclamações e xingamentos, resultando na expulsão do técnico Vagner Benazzi. Curioso é que Pikachu, mesmo tocando na bola quando o gol já tinha sido marcado, recebeu cartão amarelo pelo gesto.

Antes do apito final, o pernambucano Cláudio Mercante ainda cometeu outra lambança: ignorou um pênalti cometido pela zaga do Joinville após chute de Héliton. A bola bateu no braço do zagueiro e desviou a trajetória.

Apesar de razões de sobra para protestar contra os erros do árbitro, o Paissandu não pode (nem deve) ignorar seus próprios pecados. E eles foram superiores ao do atrapalhado apitador.

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Números não justificam goleada

Os números da partida traduzem certo equilíbrio no confronto. Paissandu e JEC chutaram muito a gol, com ligeira vantagem dos catarinenses nos tiros certos: 9 a 7. Na posse de bola, o Papão levou a melhor, com 54% a 46%. Foi superior também nos escanteios – 9 a 6 – e nos passes errados, com 30 a 28. O tricolor catarinense também cometeu mais faltas, 19 a 13.

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Novela em torno do Mangueirão

Como se já não bastasse a delicada situação na tabela de classificação, o Paissandu de repente é envolvido em outra situação desfavorável: terá que adiar ou antecipar seu jogo com o Oeste (previsto para o dia 9) por força de um problema inesperado. Nessa data, o Mangueirão será palco dos Jogos Escolares da Juventude, evento do Comitê Olímpico Brasileiro marcado há mais de um ano.

Várias gestões foram feitas, mas o COB não abre mão das datas de 7 a 9. Como teve a Curuzu interditada depois do tumulto provocado por torcidas organizadas na partida contra o Avaí, o Paissandu viu-se obrigado a mandar seus jogos no Mangueirão.

Diante do impasse, é provável que precise adiar seus jogos contra Oeste e Palmeiras (dia 12), submetendo-se ao risco extra de vir a perder mandos de campo no julgamento do dia 6, no STJD. Teria, então, que fazer fora de Belém os três jogos que lhe restam em casa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 02)

17 comentários em “Entre a desambição e o caos

  1. Amigo Gerson, excelente sua narrativa, faltou apenas mencionar que o segundo gol do Joinvile foi em completo impedimento e o quarto ocorreu uma falta escandolosa não marcada no Gaibu que gerou a expulsão do Benazi.

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    1. Mencionei a lambança na interpretação da jogada do quarto gol, Fernandes. Quanto ao impedimento no lance do segundo gol não tive certeza, mesmo com as repetições, por isso evitei afirmar.

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  2. Foi como eu disse no post de comentários. O Paissandu priorizou defender, ao invés de explorar o ponto mais fraco da equipe do JEC, a defesa. Se o Paissandu estivesse disposto a atacar, como fez depois de estar três gols atrás, a história poderia ter sido outra. A defesa do JEC deixou clara a suas frgilidades no primeiro tempo (o Paissandu quase sem atacar teve três grandes chances) e tal fragilidade foi concretizada no segundo com eles levando dois gols. Mas ao recuar demais a equipe, o Paissandu optou por enfrentar o melhor do JEC, sua boa dinâmica de meio de campo, já que jogam com três meias velozes. Abraço a todos!

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  3. Penso que o mesmo nó tático que o Benazzi deu no Silas, no jogo contra o América/MG, levou ontem, do Sérgio Ramirez… JEC, entrou pra matar a marcação do Papão e conseguiu, por isso, o Paysandu não se encontrou no jogo, no 1º tempo.. No 2º tempo, levou o 4º gol, por ter que se expor…

    Sinceramente, não vi nenhuma anormalidade em todos os gols…

    É a minha opinião.

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  4. Fez bem o amigo Gerson não mencionar como erro da arbitragem o 2 gol, pois depois de ver o lance varias vezes cheguei a conclusão de que não houve impedimento. Quanto aos outros lances, realmente procede tais reclamações do listrado.

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  5. Atenção, o Bom Senso Futebol Clube vem visitar o Clube do Remo, quer saber como funciona o sistema de férias de seis meses, assim como a férias dentro das férias, quer o movimento dos jogadores discutir com a CBF a possibilidade de expandir para o Brasil todo esse sistema, quiçá no mundo.

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    1. Bobagem, cidadão.. tou me lixando para essa história de ficar “de bem” com torcedor descerebrado. Preocupo-me apenas com os normais, mas não ligo a mínima para o quesito simpatia. Sou jornalista, meu compromisso é com os fatos (e a análise destes). Fim de papo.

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    1. Tou calmíssimo, amigo Thiago. Só não compactuo mais com os covardes que aqui tentam entrar para tumultuar e insultar. Tolerância zero com os canalhas.

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  6. Boa tarde.. Caro Gerson.. Venho acompanhando vosso blog, parabéns ! Apenas uma observação ! Evite postar as gozações de alguns que apenas querem criar confusão / baderna; exemplo de um remista que ao invés de aproveitar a bela noite de sexta-feira, com a esposa e filhos.. Acha mais conveniente, secar o Paysandu.. Ou seja, para mim, é um babaca.. Acredito, que nem sócio do Remo, ele seja..

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    1. Cidadão, a gozação e as secadas – desde que sem ofensas pessoais, injúrias ou xingamentos – são válidas. São parte dessa ópera popular que é o futebol.

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