Para juiz de Execuções, “isso é mais por vingança”

Por Mariana Hubert, da Folha de S. Paulo

Responsável por coordenar a execução das penas dos condenados no processo do mensalão, o juiz titular da Vara de Execuções Penais do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), Ademar Silva de Vasconcelos, acredita que o cumprimento das punições é inócuo. Para o magistrado, o processo do mensalão é emblemático, mas as prisões não são positivas para o país.

“Eu acho que isso não é bom. A gente, como cidadão, fica até mesmo muito decepcionado com essas coisas. Fico pensando no homem comum, do povo, que não tem muita oportunidade vendo um homem notório sendo preso. Isso não é bom para o país. São penas inócuas, porque eles já foram punidos publicamente”, afirmou Vasconcelos, ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal de ordenar o início do cumprimento das penas.

Questionado sobre se não seria emblemático o sujeito comum ver políticos indo para a cadeia, o juiz afirmou que “isso é mais por vingança”.

LOCAL DAS PRISÕES

No julgamento, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, havia dito que iria expedir os mandados de prisão para a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, que será a responsável pela execução das sentenças. Se isso acontecer, caberá a Ademar Vasconcelos decidir sobre um possível pedido das defesas para que alguns réus cumpram pena em outro local. Os pedidos também teriam que ser analisados pelo Ministério Público.

Segundo o juiz, ainda não há reserva de vaga para os condenados nos presídios de Brasília, mas um remanejamento de presos terá de ser feito para comportar os condenados na Ação Penal 470. “Está tudo lotado. Não tem espaço. Não tem nada reservado, porque não sei quantos réus são. Estou aguardando a decisão do Supremo para ver como nós vamos fazer”, afirmou Vasconcelos.

CELAS INDIVIDUAIS

Segundo ele, os condenados ficarão preferencialmente em celas individuais por uma questão de segurança. De acordo com a legislação, a polícia só pode tentar prender os réus que estiverem em casa durante o dia. Mas, segundo Vasconcelos, pode ser determinada a prisão mesmo durante o feriado ou no final de semana. Os réus também podem se entregar a qualquer hora.

Os condenados a regime fechado ficarão no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto aqueles que terão de cumprir pena no regime semiaberto serão encaminhados para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP). As mulheres que também cumprirão pena serão enviadas para o Presídio Feminino. Atualmente, o Distrito Federal tem uma população carcerária de 12,5 mil pessoas.

Uma nova oportunidade para Massa

Por Fábio Seixas

Sorte. A expressão foi usada por Massa, no início da semana, em sua apresentação à equipe Williams. “Sou um piloto de muita sorte. Estive tanto tempo na Ferrari e agora estou mudando pra cá.” É delicado falar em sorte na vida e no esporte, ainda mais num ambiente tão técnico como o da F-1.

Por mais que ela seja invocada, fuçando bem sempre se encontrará uma explicação lógica para um evento –às vezes, do tamanho de um parafuso e valendo poucos centavos. A chegada de Massa à Williams foi a conclusão de uma negociação complexa, com idas e vindas, com outros cenários no horizonte. É resultado do trabalho de seu empresário, da política da categoria e dos desentendimentos de Maldonado com a equipe.

Sim, é claro que dá para entender o sentido que o brasileiro quer conferir à situação. Mas eu usaria outra. Oportunidade.

Que piloto é Massa? Tempos atrás fiz esta pergunta numa coluna. É aquele que conquistou 11 vitórias em dois anos e que foi vice-campeão heroico em 2008? Ou é o piloto insosso das últimas temporadas, da “nuvem negra” sobre a cabeça, para citar outra expressão usada por ele? Na Williams, ele terá, enfim, a oportunidade de responder.

Chega a uma equipe com muita história, boa estrutura e com um espírito de renovação. Último garagista da F-1, Frank Williams a cada dia cede mais espaço para Claire, sua filha, no comando da equipe. O temporal das montadoras fez estragos, mas passou. A Williams sofreu abalos, mas ficou em pé. E Claire, sangue novo e cheia de fôlego, conduz essa reconstrução.

Massa terá ainda a oportunidade de trabalhar com a Mercedes. Não sabemos como será o V6 de 2014, mas o V8 de 2013 é o motor mais potente da categoria. É ótimo sinal. Mas a melhor oportunidade que terá será a de ser líder. Bottas, seu futuro companheiro de equipe, é um piloto com apenas uma temporada de experiência e só chegou à F-1 por ter como empresário um acionista do time.

Em seus anos de Ferrari, Massa trabalhou com dois pilotos que sabem fazer a equipe trabalhar por eles, Schumacher e Alonso. Viu de perto, e sentiu, como essas coisas funcionam. Na Williams, tem carta branca para desempenhar o mesmo papel. Vai conseguir? A oportunidade está dada. Que sorte.

OUTRO FELIPE?
A semana que vem será de muita conversa em Interlagos. Quarto colocado no campeonato da GP2, Nasr tenta fechar contrato para correr na F-1 no ano que vem. Ele negocia com Force India e Sauber, que paralelamente falam com a Petrobras. Pode rolar um bem bolado nessa história.

Por um calendário decente

Por Gerson Nogueira

bol_sex_151113_15.psO futebol paraense, mesmo timidamente, deve se associar hoje à noite ao Bom Senso F. C. antes da partida entre Icasa e Paissandu, em Juazeiro (CE). Através de entendimentos mantidos com o capitão Vânderson, representantes do movimento orientaram para a manifestação que vem acontecendo nesta reta final das competições nacionais. De maneira pacífica, os 22 jogadores cruzam os braços no primeiro minuto de jogo.

Anteontem, em São Paulo, o árbitro Alício Pena Junior ameaçou punir com advertência a todos os jogadores, caso ficassem sem tocar a bola depois do apito inicial. Para evitar problemas maiores, os 22 atletas de São Paulo e Flamengo ficaram tocando a bola de um lado a outro por alguns instantes. Dirigentes de clubes e da CBF ameaçaram retaliar os atletas profissionais, entendendo que estão mirando no alvo errado.

Ora, o alvo principal das queixas dos atletas é a estrutura dominante, simbolizada pela CBF e TV Globo, patrocinadora dos principais torneios. O esforço de um grupo de jogadores dos grandes clubes é no sentido de conscientizar os boleiros quanto aos seus direitos e exigir mudanças drásticas no calendário do futebol brasileiro.

Já foram iniciadas negociações com a CBF para apresentar a pauta de reivindicações, mas não houve qualquer avanço prático. Além de preocupações com os atletas de clubes menores, que ficam a maior parte da temporada desempregados, o grupo centra fogo na maratona a que os jogadores são submetidos no Brasil.

O Bom Senso FC propõe, por exemplo, o limite máximo de 70 jogos no ano futebolístico (dez meses). Em 2012, foram 76 partidas disputadas pelos times da Série A que participaram da Libertadores ou da Copa Sul-Americana. Para alcançar a meta, os campeonatos devem ter sete partidas em 30 dias. Na Europa, a média anual é de 56 partidas.

A briga promete ser árdua, pois a maioria dos clubes supera esse limite e a CBF não demonstra disposição para alterar a planilha desenhada pela Globo. Por exemplo, de janeiro a maio de 2012, clubes como Fluminense, Ponte Preta, Goiás, Corinthians e Vitória fizeram de oito a dez partidas a cada 30 dias durante todo o primeiro semestre. Como 2014 será um ano atípico, em função da Copa do Mundo, os jogadores cobram mudanças a serem instituídas já em 2015.

A ideia de cruzar os braços por um minuto antes dos jogos é só o começo da pauta de protestos que os atletas irão executar até 2014. Que os jogadores do Paissandu se incorporem ao movimento e passem a lutar pela causa, que também é do interesse direto do torcedor. Afinal, futebol de qualidade é o que todos queremos.

———————————————————– 

A importância do organizador

Depois da vitória sobre o Palmeiras, na última terça-feira, uma grande dúvida se estabeleceu no Paissandu quanto ao setor de criação. Eduardo Ramos, que não jogou por estar suspenso, deve ou não voltar a comandar o meio-de-campo? Se depender de boa parte da torcida, a resposta é negativa. Além de um rendimento instável nos últimos jogos, o jogador começa a sofrer os efeitos da especulação em torno de possível transferência de Ramos para o maior rival.

Por sorte, o técnico Vagner Benazzi parece disposto a escalar o meia-armador, cuja importância para o equilíbrio técnico do time é inegável, mesmo quando não rende o esperado. Articulador das principais jogadas ofensivas, Ramos funciona bem nos chutes da entrada da área e responde por boa parte das assistências para Pikachu, quase sempre em bolas lançadas nas costas de zagueiros desavisados.

———————————————————- 

CBF dá um presente inesperado

De onde menos se espera às vezes surgem boas surpresas. Em função do prazo de 10 dias para confirmar local de jogos, a CBF viu-se obrigada a confirmar ontem o jogo do Paissandu contra o Bragantino para o estádio Mangueirão, no dia 23. Mesmo condenado pelo STJD, o clube se beneficiou da não publicação do acórdão, o que impede a execução da pena estabelecida (perda de seis mandos e multa de R$ 80 mil) pelos tumultos no jogo contra o Avaí, na Curuzu.

Era tudo o que o Papão precisava neste momento de aflição pela busca de sobrevivência na Série B. Caso a pena começasse a ser aplica, o jogo teria que ser realizado em Paragominas, com perdas tanto no aspecto financeiro quanto técnico. Como virou costume maldizer a CBF por todas as mazelas do futebol paraense, é justo reconhecer que desta vez a velha vilã foi bem generosa em relação ao Papão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 15)