Previsão de rivalidade entre ídolos no Barça

Por Martín Fernandez

Começa para valer neste domingo a vida de Neymar no Barcelona, com a estreia no Campeonato Espanhol, contra o Levante, no Camp Nou. A menos de dez meses da Copa do Mundo no Brasil, a presença de Neymar e Messi no mesmo time é assunto dominante na Europa.

august2013coverNa capa da revista inglesa World Soccer deste mês aparecem lado a lado um Neymar sorridente e um Messi com cara séria. A chamada: “A rivalidade que pode definir a temporada”.

Reportagem deste sábado do “El Pais” sugere um ambiente algo hostil entre Messi e Neymar. “Ele é muito bom, mas que deixe de falar de mim, não faça bobagens e diga que veio ganhar títulos”, é uma frase atribuída ao argentino num jantar entre amigos.

Johan Cruyff, o homem-Barcelona (foi jogador, técnico, cartola) disse ao “Marca” que o clube, agora que comprou um, deveria vender outro. O holandês prevê disputa até para ver quem vai bater faltas.

Neymar sempre foi o príncipe regente em Santos, mas já teve que dividir o protagonismo na seleção brasileira. Do Qatar à Bolívia, da Costa Rica à Inglaterra, sempre que Ronaldinho esteve na seleção, Neymar ficava em segundo plano.

Era o Gaúcho quem tinha o nome gritado pelas crianças, era o alvo das câmeras e dos pedidos de entrevistas. Neymar nunca deu a menor demonstração de ciúme. Assim como os demais parecem não se incomodar quando o centro das atenções é Neymar.

Guardadas as diferenças de convívio na seleção e num clube, há um exemplo revelador: Wembley, 6 de fevereiro de 2013, estreia de Luiz Felipe Scolari.

O Brasil empatava com a Inglaterra quando teve um pênalti a seu favor. Neymar deveria bater, mas Ronaldinho tomou-lhe a frente, a bola e chutou nas mãos de Hart (o vídeo aqui é claro). A seleção perdeu por 2 a 1.

Ainda no estádio, perguntei ao treinador quem deveria ter batido o pênalti. Scolari não poderia ter sido mais direto. “Neymar. Mas você não tira a bola de um jogador como o Ronaldinho e diz que vai cobrar.”

Minutos depois, Neymar foi informado sobre a frase do chefe e instado a falar sobre o assunto. Tratou de absolver o colega mais velho. ”Felipão me pediu para bater, mas Ronaldinho é um craque, um ídolo, já fez vários gols de pênalti, infelizmente ele errou.”

Poderia ter lamentado o fato de não ter batido, poderia ter dito qualquer coisa que fosse interpretada como “polêmica” por nós, jornalistas. Não o fez.

Em março, falei com a Oscar sobre a iminente transferência de Neymar para o futebol europeu. O companheiro de seleção o aconselhou: “Ele tem de ir para o time que vai recebê-lo melhor. Na Europa, há essas coisas de ciúme, de grupos. Tem de ir para um time que o receba bem.”

O astro evidentemente sabia disso ao escolher jogar no Barcelona. De tudo que se falou sobre o assunto, a melhor frase sempre será a do técnico Gerardo Martino: “Se Messi e Neymar não jogarem bem juntos, a culpa é do treinador.”

Aposto que vai dar certo. E você?

Bota ponta, Luxa!

Por Tostão

Na época em que se amarrava cachorro com linguiça, expressão usada por Felipão, todas as equipes tinham laterais que, raramente, passavam da linha do meio-campo e pontas que, raramente, voltavam até seu campo. Não se misturavam. Parecia uma passagem de bastão, em uma corrida de revezamento.

Diz a lenda que, no jogo contra a Áustria, na Copa-58, o treinador Vicente Feola gritava para Nilton Santos não avançar. O lateral esquerdo, que tinha no corpo um computador, de última geração, que calculava todos os movimentos e a velocidade dos companheiros, dos adversários e da bola, e que ainda possuía um GPS para mostrar o melhor caminho, continuou e fez o gol.

Diz ainda a lenda que Feola dormia durante as partidas. Se isso é verdade, não poderia gritar para que Nilton Santos voltasse.

Em todas as épocas, o futebol, quase sempre, foi jogado com atacantes ou meias pelos lados. Antes, eram os autênticos pontas, dribladores. O drible é uma transgressão do racional e do pensamento linear.

A partir da Copa-66, sumiram os típicos pontas na Europa, que foram substituídos por um meia de cada lado, que voltavam para marcar, ao lado dos volantes, formando uma linha de quatro no meio-campo e que, quando o time recuperava a bola, avançavam como pontas.

A única diferença desse sistema tático, com dois volantes, um meia de cada lado e dois atacantes, talvez ainda o mais usado no mundo, com a maneira atual de jogar, com três meias e um centroavante, é a troca de um dos dois atacantes por um meia de ligação, pelo centro.

Hoje, muitos times têm um volante que avança como meia, quando a equipe recupera a bola. Sempre foi assim, quando o volante tem talento. Os numerólogos já estão criando um novo sistema, o 4-1-4-1, com um volante, quatro meias e um centroavante. Mudam os números, e continua tudo igual.

Uma evolução importante da maneira atual de jogar, com um meia de cada lado (pontas), é a formação de duplas pelos lados, entre o meia e o lateral, na defesa e no ataque. Não existe mais a passagem do bastão, do lateral para o ponta. Isso confunde a marcação.

Após o sumiço dos autênticos pontas, muitos técnicos brasileiros, como Luxemburgo e outros, diferentemente do que ocorre no mundo todo, inclusive em muitas equipes que disputam o Brasileirão, preferem jogar como há 20 anos, com três no meio-campo, geralmente volantes mais marcadores, um meia de ligação e dois atacantes. São os laterais que avançam, pelas pontas, geralmente sem saber. Os volantes deixam de ser jogadores de meio-campo, para fazer a cobertura, ser os secretários dos laterais. Um atraso.

Quando Luxemburgo era treinador do Real Madrid, os espanhóis protestavam e pediam jogadores pelos lados. Parafraseando Jô Soares, “bota ponta, Luxa”!

Barbosa deve desculpas a Lewandowski

Por Elio Gaspari

Na próxima quarta-feira o ministro Joaquim Barbosa deveria pedir desculpas ao seu colega Ricardo Lewandowski, diante das câmeras, na Corte. Todo mundo ganhará com isso, sobretudo ele e sua posição, que é a de mandar alguns mensaleiros a regimes carcerários fechados. Barbosa desqualificou como “chicana” uma posição de Lewandowski e, instado a se desculpar, encerrou a sessão, como o jogador que leva a bola para casa. Ao perder uma votação, já disse que “cada país tem o modelo e tipo de Justiça que merece”, como se fora um biólogo ucraniano. Já acusara Lewandowski de alimentar “um jogo de intrigas”. Já chamou de “palhaço” um jornalista que lhe fizera uma pergunta, mandando-o “chafurdar no lixo” e, há poucas semanas, retomou a melodia, chamando-o de “personagem menor”. Meteu-se num debate com o ministro Dias Toffoli condenando o que supunha ser o voto do colega com um argumento dos oniscientes: “Eu sei aonde quer chegar.” Não sabia. Toffoli lembrou-lhe que não tinha “capacidade premonitória” e provou: votava com ele.

Barbosa poderá vir a ser candidato a presidente da República. Mesmo que decida não entrar nessa briga, como presidente do Supremo, deve respeitar o dissenso, evitando desqualificar as posições alheias, com adjetivos despiciendos. Fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira.

Há ministros que se detestam, mas todos procuram manter o nível do debate. As interpelações de Barbosa baixam-no, envenenando o ambiente. Seriam coisas da vida, mas pode-se remediá-las. Na Corte Suprema americana, antes que comecem os debates (fechados), o presidente John Roberts vai para a porta da sala e começa uma sessão de gentilezas, na qual todos os juízes se cumprimentam. Na saída, ele se apressa, volta ao lugar e recomeça o ritual. Boa ideia. Evitaria a cena de salão de sinuca ocorrida depois da sessão de quinta-feira.

Um abraço para o meu velho!

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Na paz da minha amada Baião, em frente à nossa casa, meu pai José, minha mãe Benedita e o infante João Gerson, num domingo qualquer de abril. Parabéns pro velho, que hoje completa 83 anos de uma vida muito bem vivida.

Messianismo brucutu

Por Gerson Nogueira

GERSON_18-08-2013Parecia até repeteco do estranho ambiente da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010. Dunga quase esganando um gandula e depois, ao final do jogo, distribuindo xingamentos contra todo mundo. Quem não soubesse do resultado imaginaria que o time do técnico furibundo tivesse sido derrotado. Ledo engano. O Internacional havia acabado de empatar com o Botafogo aos 49 minutos do segundo tempo de um jogo empolgante, mas duríssimo.

Era momento para extravasar a tensão pulando ou mesmo gritando de alegria. Jamais açoitando verbalmente as pessoas próximas. As imagens mostram que até os jogadores do próprio Inter ficaram assustados com a agressividade do treinador.

Fiz referência à Copa da África do Sul porque, ao longo do período de preparação e mesmo durante a primeira fase da competição, o clima nos treinos do escrete eram marcados por silêncios prolongados enquanto os jogadores se exercitavam e resmungos furiosos quando começava a entrevista coletiva.

Dunga, antes mesmo da tristemente famosa explosão final com o apresentador Alex Escobar, já vinha treinando como distribuir coices sobre qualquer um que se aventurasse a contrariar sua lógica ranheta. Dominado por uma espécie de messianismo brucutu, o técnico usava todas as entrevistas para expressar sua contrariedade com repórteres, como se fossemos culpados pelas pouco convincentes apresentações do escrete.

Reinava, até mesmo entre os profissionais de comunicação da CBF, certa apreensão quando chegava o momento de Dunga, por determinação formal da Fifa, falar com a imprensa. Era um exercício de tolerância da parte dos jornalistas. Era necessário medir palavras antes de falar com o destemperado treinador, em contraste com as contínuas demonstrações de civilidade de seus demais colegas de ofício.

Da pior maneira possível, a derrota frente à Holanda pôs um fim ao ciclo de Dunga na Seleção, frustrando seu sonho de levantar como técnico a taça do mundo e impor segunda vitória sobre seus críticos. Um de seus mais devotos apóstolos, volante Felipe Melo, acabaria como algoz involuntário do próprio time.

Havia esquecido um pouco essa fase carrancuda de Dunga à frente da Seleção quando, de repente, ressurge com toda a intensidade na tela da TV, na quinta-feira à noite. Primeiro, o técnico do Inter se exasperou com a ação dos gandulas do Botafogo, supostamente rápidos demais na reposição de bolas – como se isso fosse um delito.

Em determinado momento, com o Inter em vantagem no placar, saltou sobre um dos garotos, a quem agarrou pelo braço vociferando palavrões que os microfones captavam. Enquanto o gandula descia para o túnel, com expressão assustada, Dunga era contido pelo quarto árbitro. Chegou a esbarrar com os punhos no rosto deste e só após muita insistência voltou ao seu lugar junto ao gramado.

Até hoje não consegui entender como um profissional dedicado ao futebol pode ser tão aborrecido. Para técnicos de times de primeira linha, o ofício inclui o ônus das cobranças pesadas, mas reserva o bônus do reconhecimento e dos salários diferenciados.

De qualquer maneira, imagina-se que quem abraça a carreira está vacinado quanto ao lado menos glamuroso e apto a encarar todas as situações. Dunga, pela vasta experiência como jogador e treinador, não tem mais o direito de sair espanando brasa diante de incidentes normais do jogo. Já era tempo de entender que civilidade e bons modos são obrigações de todo cidadão – dentro ou fora das quatro linhas.

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Leãozinho enfrenta osso duro

A notícia de que o Remo enfrentará o Vitória, campeão brasileiro sub-20, na Copa Brasil da categoria, traz preocupação e um grande alento para os azulinos. Significa, acima de tudo, a chance de faturar uma boa arrecadação no jogo de idade, programado para 4 de setembro, no Baenão. O lado preocupante é o fato de a equipe remista, que acaba de conquistar o torneio nortista, estar tecnicamente abaixo do representante baiano.

No geral, porém, o Leão tem mais é que festejar mais essa chance de entrar em atividade na longa espera pelo recomeço das atividades profissionais.

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A data é comemorada aqui e em Baião. Meu pai José aniversaria hoje, no esplendor dos 83 anos. Que Deus o guarde sempre!

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 18)

Vacilo nos minutos finais custa caro ao Papão

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O sonho bicolor de derrubar o time mais poderoso da Série B durou até os 38 minutos do segundo tempo, na tarde deste sábado, no estádio do Pacaembu. O Paissandu fez uma de suas melhores partidas na competição quanto à aplicação tática, chegando a estabelecer vantagem de 2 a 0, com dois belos gols de Pablo e Pikachu, mas acabou cedendo à pressão palmeirense nos instantes finais e permitiu a virada para 3 a 2.  Alan Kardec, Mendieta e Leandro – nos acréscimos – fizeram os gols palmeirenses.

O Palmeiras chegou aos 40 pontos no campeonato, isolando-se na primeira colocação, invicto há 11 partidas. Tem sete pontos de vantagem sobre a Chapecoense, que empatou contra o Paraná. A distância para o quinto colocado também continua em 12 pontos. Já o Paissandu permanece na parte de baixo da tabela, com apenas 15 pontos e oito derrotas em oito jogos fora de casa.
No começo, o jogo foi muito confuso, com os dois times errando passes seguidamente. Com boa produção de Eduardo Ramos no meio, com auxílio de Iarley e Djalma, o Papão começou a se impor no jogo aos 13 minutos. Djalma avançou até a linha de fundo e tocou para Vânderson, que chegava pelo meio. O volante recebeu, mas bateu torto.
A iniciativa deixou claro que Arturzinho não pretendia se limitar à defesa e iria explorar o contra-ataque. Uma falha da defesa do Palmeiras permitiu o gol do Papão, aos 14 minutos. Luis Felipe perdeu a bola, Vilson errou o carrinho e a zaga ficou exposta. Marcelo Nicácio esperou a aproximação de Pablo, que entrou pelo meio e bateu na saída do goleiro Fernando Prass.
Os zagueiros palmeirenses subiam ao ataque para ajudar na tentativa de empate e isso permitia espaço ao Paissandu para manobrar, sempre levando perigo. Depois de alguma pressão, o Palmeiras teve finalmente uma grande chance: aos 39, Mendieta lançou Leandro, que chutou forte no canto direito, mas o goleiro Marcelo fez bela defesa.
No segundo tempo, o técnico Arturzinho substituiu Marcelo Nicácio pelo armador Tallys, fechando ainda mais a meia-cancha. Já Gilson Kleina decidiu tirar Charles e colocou Felipe Menezes para ajudar Mendieta no meio. Apesar da mudança, o Palmeiras continuava errando nas chegadas ao ataque e falhava no último passe, facilitando o trabalho da marcação do Papão.
Aos 16 minutos, o paraguaio Mendieta bateu da entrada da área, obrigando Marcelo a fazer outra boa intervenção. Na sequência, uma falha de cobertura dos defensores do Palmeiras permitiu o segundo gol palmeirense. Iarley recebeu dentro da área e aproveitou o espaço deixado por Henrique para lançar Pikachu. O lateral dominou a bola e tocou por cobertura. Um golaço, aos 20 minutos.
No desespero, Kleina tirou Márcio Araújo e lançou Ronny, deixando apenas Wesley como volante. A mexida acabou dando certo. Atacando pela direita, surgiu o primeiro gol palmeirense, aos 28: Luis Felipe cruzou de perna esquerda. Alan Kardec subiu mais que a zaga e mandou a bola no canto esquerdo do goleiro Marcelo. O gol incendiou a torcida no Pacaembu e reanimou o Verdão.
Cinco minutos depois, Vânderson cometeu falta dura em Wesley às proximidades do banco do Palmeiras, dando origem a uma briga generalizada, que envolveu até jogadores reservas. Pelo tumulto, o árbitro expulsou o zagueiro Fábio Sanches, do Papão, e Weslwy, do Palmeiras. A confusão desestabilizou o Paissand e fez o time da casa partir com tudo em busca da igualdade, que veio aos 38 minutos. Juninho cruzou para a área e a defesa espanou para a meia-lua. Mendieta pegou o rebote e mandou para o gol: 2 a 2.
Com o empate, o Papão recuou ainda mais. Incentivado pela torcida, o Palmeiras se mantinha no ataque, acreditando na virada. Já nos instantes finais, um cruzamento para a área forçou o goleiro a afastar de soco. A bola voltou para a área e Leandro aproveitou para finalizar e desempatar.

PALMEIRAS 3 X 2 PAYSANDU
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE). Assistentes: Luiz Antonio Muniz de Oliveira (RJ) e Edina Alves Batista (PR).
Renda/público:R$ 565.115,00/16.936 pagantes. Cartões amarelos: Leandro (PAL); Pablo, Djalma, Marcelo (PSC). Cartões vermelhos: Wesley, 33’/2ºT (PAL); Fábio Sanches, 33’/2ºT (PSC).
Gols: Pablo, 14’/1ºT (0-1); Yago Pikachu, 20’/2ºT (0-2); Alan Kardec, 28’/2ºT (1-2); Mendieta, 38’/2ºT (2-2); Leandro, 49’/2ºT (3-2).
PALMEIRAS – Fernando Prass; Luis Felipe, Vilson (Tiago Alves), Henrique e Juninho; Márcio Araújo (Ronny), Charles (Felipe Menezes – intervalo), Wesley e Mendieta; Leandro e Alan Kardec. Técnico: Gilson Kleina.
PAISSANDU – Marcelo; Yago Pikachu, Diego Bispo, Fábio Sanches e Pablo; Vanderson (Esdras), Ricardo Capanema, Djalma e Eduardo Ramos; Iarley (Raul) e Marcelo Nicácio (Tallys). Técnico: Arturzinho.

Palmeiras x Paissandu (comentários on-line)

Campeonato Brasileiro da Série B 2013 – 16ª rodada

Palmeiras x Paissandu – Estádio do Pacaembu, SP, 16h20

Na Rádio Clube, Guilherme Guerreiro narra; Rui Guimarães comenta. Reportagem – Dinho Menezes.