Impunidade incentiva baderna

Por Gerson Nogueira

A cada nova arruaça ou evento marqueteiro das tais organizadas volta à tona a questão transcendental: até quando a Polícia vai continuar a dar ao problema o tratamento parcimonioso e tímido de hoje? Assiste-se a um espetáculo patético, encenação de protesto, por gente que se fantasia de torcedor exclusivamente para provocar tumultos e as forças de segurança acompanham tudo como se fosse uma reles brincadeira.

GERSON_30-08-2013Providências já deveriam ter sido adotadas há anos, quando o Pará ainda não estava entre os seis Estados com mais ocorrências violentas em estádios de futebol. Antes que os baderneiros arrombassem a porta e se instalassem. Antes que os verdadeiros torcedores comecem a fugir, aterrorizados com a presença das turbas nas arquibancadas e no entorno das praças esportivas em dias de jogos.

Como tudo que é ruim pode ficar pior, a moda agora é escolher um dia de semana qualquer, quando trabalhadores normalmente estão ocupados, para que atos de hostilidade a técnicos e jogadores de futebol sejam promovidos. Foi o que ocorreu na quarta-feira à tarde, na Curuzu. Na falta de coisa melhor, o barulho visou tumultuar o ambiente e atrair o foco dos meios de comunicação.

“Se não ganhar, vai morrer!”, berravam os baderneiros, ameaçadoramente, para os jogadores e a comissão técnica sitiados no centro do campo. Não sei pelos outros, mas, se estivesse trabalhando e algum descerebrado aparecesse gritando ameaças, chamaria a polícia ou tomaria minhas próprias providências de defesa.

O mais patético é o descompasso entre intenção e gesto. Com um atraso constrangedor em relação à realidade, já que o Paissandu vai mal na Série B desde as primeiras rodadas, os tais torcedores organizados (nenhum vestindo a camisa oficial do clube) arrombaram os portões do estádio para intimidar profissionais que se dedicavam a treinar para o próximo jogo.

Quem acompanha meus escritos, comentários e pitacos nas mais diversas plataformas conhece meu ponto de vista sobre essas manifestações esdrúxulas, que não representam os reais sentimentos do torcedor.

Que ninguém se iluda: os aficionados do Papão que se interessam pelo futuro da agremiação querem mais é que Arturzinho tenha tranquilidade para orientar seus atletas. Parar treino para proferir ameaças é como apagar incêndio com gasolina. Quem faz isso não pode ser levado a sério. Torcedor tem o direito de protestar na arquibancada em dia de jogo, desde que pague ingresso. Invadir treino é abuso e desrespeito.

Nenhum profissional, do futebol ou de outra atividade, reage bem a esse tipo de atitude hostil. Nenhum time passa a vencer por milagre depois que um grupo de desocupados tenta impor falsa valentia à base de gritos e impropérios. O Paissandu só voltará a vencer quando for melhor em campo. E os fanfarrões só irão baixar o facho quando a Polícia cumprir o seu papel.

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Tribunal ameaça endurecer

Por coincidência, a procuradoria do STJD pediu ontem que Corinthians e Vasco sejam penalizados pela briga nas arquibancadas do Mané Garrincha, domingo passado. A pena deve ser a realização de jogos com portões fechados, contrariando o previsto no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A legislação atual recomenda, nessas situações, a mudança do mando de campo para estádios distantes pelo menos 100 quilômetros das sedes dos clubes, mas com torcida presente.

O STJD avalia que esse tipo de punição tornou-se inócuo e até estimulador de mais violência, pois os clubes passam a não temer a punição. Devido ao conflito envolvendo corintianos e vascaínos, os clubes podem perder o mando de até 10 jogos.

Como justificativa para o retorno ao sistema de portões fechados, a Procuradoria se ampara no regulamento da Fifa e na decisão da Conmenbol de punir o Corinthians dessa maneira no episódio da morte do jovem boliviano Kevin Espada, de 14 anos.

Caso não resulte em pizza, a iniciativa do STJD pode vir a render frutos, inibindo a ação desenfreada dos vândalos nos estádios. A conferir.

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Convocação ao Fenômeno Azul

Os azulinos seguem surpreendendo nas ações de marketing para atrair novos sócios e estimular inadimplentes a regularizarem pendências com o clube. Em vídeo que circula desde ontem na internet, o goleiro Fabiano e os ídolos Mesquita e Agnaldo de Jesus conclamam os remistas a se juntarem ao esforço para reconstruir o clube. Um apelo simples, mas certeiro, à paixão da nação azulina.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 30)

7 comentários em “Impunidade incentiva baderna

  1. Gerson e amigos, sempre defendo, que não se misture o futebol com qualquer outro tipo de trabalho… O futebol, é diferente, em tudo..

    No meu trabalho, em uma empresa, em uma fábrica, em uma indústria,…. O torcedor nada tem a ver…. Diferentemente no futebol, onde ele ajuda a bancar a instituição… Aqui, quer no Remo, quer no Paysandu…

    Confesso que, como torcedor, nunca gostei de participar de manifestações, mas nunca desmereci a importância dela, desde que, “pacífica”, como foi essa dos torcedores do Paysandu, na quarta feira..
    Que o torcedor não quebre o patrimônio do clube… Que o torcedor não use de força física,….. para conseguir seus objetivos, mas, que use palavras “fortes”, para que os jogadores saibam que você está ali, cobrando, caso contrário, entrará por um ouvido e sairá pelo outro…

    Pra encurtar… Gostei, e muito das cobranças feitas e da grande quantidade de torcedores que aderiram ao movimento… Apesar de concordar com o amigo Gerson, quando ele insinua, que tem gente grande, por trás…Aí, eu não concordo… Tem que partir única e exclusivamente do torcedor..

    Pode ser que o Paysandu até perca amanhã, mas sem as cobranças, ele também estava perdendo…
    Agora, uma coisa é certa: Se perder amanhã, Waldemar Lemos poderá assumir o Paysandu.. Já houve contatos com ele…

    É a minha opinião.

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  2. É bom não confundir o que aconteceu em Brasília, com essa manifestação do torcedor do Paysandu… Tem muita diferença…

    Quanto ao Remo, é aquilo que sempre falo, administrativamente, continua dando show, mas no futebol, caminha para tentar comprar vaga, DE NOVO, em 2014… Infelizmente, por seus torcedores…

    Sou de acordo com a contratação de um jogador diferenciado, para usar uma camisa festiva e, com isso, ajudar na arrecadação do clube.. O Corinthians, já fez isso, com Ronaldo, e outros clubes,também, e deu certo… A minha tristeza, é com o Resto, a começar pela Comissão técnica, que é de 5ª categoria e o erro crasso, no planejamento do futebol, para 2014…. Já falei diretamente para o diretor de futebol Thiago Passos: Ele, será o Vandick, de hoje, amanhã.. Anotem

    É a minha opinião.

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  3. Relacionados do Paysandu, para o jogo de amanhã:

    Goleiros: Paulo Rafael e Paulo Victor.

    Laterais: Yago, Gilton e Gleissinho.

    Zagueiros: Fábio Sanches, Leonardo Dagostini.

    Volantes: Fabiano Silva, Vanderson, Zé Antônio, Romário.

    Meias: Alex Gaibu, Djalma, Eduardo Ramos e Jailton.

    Atacantes: Marcelo Nicácio, Iarley, Heliton.

    Provável time: Paulo Rafael, Yago, Leonardo, Fábio Sanches e Gilton. Vanderson, Zé Antônio, Jailton (Djalma) e Eduardo Ramos. Iarley e Marcelo Nicácio

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  4. Concordo com Cláudio Santos quanto às manifestações, entendo que foram nescessárias, inclusive na veemência, discordo no entanto, de afirmações publicadas, inclusive no Diário do Pará, que houve arrombamento do portão da Curuzú, a não ser que hajam episódios omitidos da opinião pública, o que a imprensa televisiva mostrou, foi o portão sendo aberto por funcionários do Paysandu; durante o protesto, houve tentativa de arrombamento do portão que dá acesso ao gramado, este, também aberto por funcionários, depois de rápida negociação, onde apenas, a Comissão representativa, escolhida na hora, teria acesso ao plantel, porém, não houve respeito dos demais que invadiram o gramado, concordo que houve desrrespeito, mas não da forma como se propalou, mas, são águas passadas, o que também não concordo é com a atitude nada profissional do Arturzinho em relação ao M.Nicácio, pô o cara tá meia boca, sabe-se lá se ainda tem alguma, o cara sai do jogo machucado, toda vez é isso, não treina durante toda a semana, mas quando chega na sexta-feira ele se coloca aà disposição do técnico, NO SACRIFÍCIO, para AJUDAR O PAYSANDU, e o técnico acha isso bonito, por isso o escala pro jôgo, enquanto o Hélinton aquece e não entra, o Juba nem relacionado é ou então o Gaibú que é meia e sabe fazer gol’s, está inteiro e nunca vai pro jôgo.
    Na batalha contra os Chinelinhos da Curuzú, o Grande Bicolor Celeste Amazônico, perdeu mais uma; o técnico recém contratado já foi ENGABELADO POR ELES.
    Hoje pela Cultura FM, no Jornal da Manhã, a notícia Manchete foi exatamente esta “Atacante vai pro jogo, NO SACRIFÍCIO”……….., tudo muuuuito bonito, prá mim, a malandragem do Chinelinho, é diretamente proporcional à inabilidade da diretoria e dessa técnico, que já deveria ter rodado, festejei a sua contratação, mas, sempre registrei aqui e mais uma vez o faço, a minha preferencia pelo BOCUDO DE MARABÁ, será que com ele no Comando Técnico, isso aconteceria?.

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    1. Não vamos dourar a pílula, Silas. Depois da onda sempre aparecem advogados da causa. Houve arrombamento, sim. A notícia foi relatada pelas rádios na hora dos acontecimentos. A presença no gramado foi tranquila, apenas com alguns mais assanhados gritando palavrões. Mas a simples invasão já é abusiva e desrespeitosa. Lugar de torcedor não é ali. Interpretar o tal protesto como manifestação legítima é estimular esse tipo de arruaça, que em nada beneficia o clube. Precisamos ter maturidade e responsabilidade, em todos os níveis.

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  5. Então, houve sim, omissão de informação à opinião pública como ressalvei, concordei também que houve derrespeito quando da invasão do gramado; mesmo assim e ante a Leniência da diretoria do Bicolor em agir, o torcedor se apresenta a esse bando de pernas de pau, eles é que sabem, a partir de agora, como se diz popularmente.
    Sabemos que Torcedor é Emoção! Torcedor é Paixão, quando o torcedor passa a ter Razão, ele deixa de ser Torcedor e vira Crítico, e CríticoS, não enchem estádios, ou alguém já viu ou tem notícias de um estádio com 9.000,00 crítico exercendo razão, num jôgo de futebol? Eu, ainda não.

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