Por Gerson Nogueira
A cada nova arruaça ou evento marqueteiro das tais organizadas volta à tona a questão transcendental: até quando a Polícia vai continuar a dar ao problema o tratamento parcimonioso e tímido de hoje? Assiste-se a um espetáculo patético, encenação de protesto, por gente que se fantasia de torcedor exclusivamente para provocar tumultos e as forças de segurança acompanham tudo como se fosse uma reles brincadeira.
Providências já deveriam ter sido adotadas há anos, quando o Pará ainda não estava entre os seis Estados com mais ocorrências violentas em estádios de futebol. Antes que os baderneiros arrombassem a porta e se instalassem. Antes que os verdadeiros torcedores comecem a fugir, aterrorizados com a presença das turbas nas arquibancadas e no entorno das praças esportivas em dias de jogos.
Como tudo que é ruim pode ficar pior, a moda agora é escolher um dia de semana qualquer, quando trabalhadores normalmente estão ocupados, para que atos de hostilidade a técnicos e jogadores de futebol sejam promovidos. Foi o que ocorreu na quarta-feira à tarde, na Curuzu. Na falta de coisa melhor, o barulho visou tumultuar o ambiente e atrair o foco dos meios de comunicação.
“Se não ganhar, vai morrer!”, berravam os baderneiros, ameaçadoramente, para os jogadores e a comissão técnica sitiados no centro do campo. Não sei pelos outros, mas, se estivesse trabalhando e algum descerebrado aparecesse gritando ameaças, chamaria a polícia ou tomaria minhas próprias providências de defesa.
O mais patético é o descompasso entre intenção e gesto. Com um atraso constrangedor em relação à realidade, já que o Paissandu vai mal na Série B desde as primeiras rodadas, os tais torcedores organizados (nenhum vestindo a camisa oficial do clube) arrombaram os portões do estádio para intimidar profissionais que se dedicavam a treinar para o próximo jogo.
Quem acompanha meus escritos, comentários e pitacos nas mais diversas plataformas conhece meu ponto de vista sobre essas manifestações esdrúxulas, que não representam os reais sentimentos do torcedor.
Que ninguém se iluda: os aficionados do Papão que se interessam pelo futuro da agremiação querem mais é que Arturzinho tenha tranquilidade para orientar seus atletas. Parar treino para proferir ameaças é como apagar incêndio com gasolina. Quem faz isso não pode ser levado a sério. Torcedor tem o direito de protestar na arquibancada em dia de jogo, desde que pague ingresso. Invadir treino é abuso e desrespeito.
Nenhum profissional, do futebol ou de outra atividade, reage bem a esse tipo de atitude hostil. Nenhum time passa a vencer por milagre depois que um grupo de desocupados tenta impor falsa valentia à base de gritos e impropérios. O Paissandu só voltará a vencer quando for melhor em campo. E os fanfarrões só irão baixar o facho quando a Polícia cumprir o seu papel.
————————————————————————-
Tribunal ameaça endurecer
Por coincidência, a procuradoria do STJD pediu ontem que Corinthians e Vasco sejam penalizados pela briga nas arquibancadas do Mané Garrincha, domingo passado. A pena deve ser a realização de jogos com portões fechados, contrariando o previsto no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A legislação atual recomenda, nessas situações, a mudança do mando de campo para estádios distantes pelo menos 100 quilômetros das sedes dos clubes, mas com torcida presente.
O STJD avalia que esse tipo de punição tornou-se inócuo e até estimulador de mais violência, pois os clubes passam a não temer a punição. Devido ao conflito envolvendo corintianos e vascaínos, os clubes podem perder o mando de até 10 jogos.
Como justificativa para o retorno ao sistema de portões fechados, a Procuradoria se ampara no regulamento da Fifa e na decisão da Conmenbol de punir o Corinthians dessa maneira no episódio da morte do jovem boliviano Kevin Espada, de 14 anos.
Caso não resulte em pizza, a iniciativa do STJD pode vir a render frutos, inibindo a ação desenfreada dos vândalos nos estádios. A conferir.
————————————————————————-
Convocação ao Fenômeno Azul
Os azulinos seguem surpreendendo nas ações de marketing para atrair novos sócios e estimular inadimplentes a regularizarem pendências com o clube. Em vídeo que circula desde ontem na internet, o goleiro Fabiano e os ídolos Mesquita e Agnaldo de Jesus conclamam os remistas a se juntarem ao esforço para reconstruir o clube. Um apelo simples, mas certeiro, à paixão da nação azulina.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 30)
Deixe uma resposta para SILAS NEGRÃO-CONTRA BELOMONTE! CHEGA! DE SUGAR O PARÁ!Cancelar resposta