Remo é destaque em ranking nacional de torcidas

Apesar da draga que atravessa no returno do Campeonato Paraense, correndo perigo de não chegar às semifinais, o Remo ostenta a sétima melhor média de público do país neste primeiro semestre, com 15.311 pagantes por jogo. Posiciona-se atrás apenas de Cruzeiro, Corinthians e de quatro tradicionais clubes do Nordeste (Ceará, Santa Cruz, Sport e Fortaleza). Campeão do primeiro turno, o Paissandu vem em 12º lugar no ranking nacional de torcidas, com 10.871 de média.

Segundo os especialistas do site Estádio Vip, o balanço de público é muito influenciado pelos clássicos regionais. O Cruzeiro alcançou o primeiro lugar pela torcida que arrastou no confronto com o Atlético-MG, com público superior a 58 mil pagantes, no Mineirão. Os nordestinos aparecem bem situados em função dos jogos da Copa do Nordeste.

No caso da dupla Re-Pa, a diferença em favor dos azulinos também tem a ver com os clássicos. Nos dois jogos em que o Remo foi o mandante, os públicos foram de 39.076 e de 38.193. Já nos jogos nos quais o Paissandu foi mandante os públicos foram de 36.668 e 15.251 pagantes.

REXPA 1o da Decisao Parazao 2013-Mario Quadros (7)

Abaixo, o ranking dos campeões de público no Brasil:

1) Cruzeiro (Campeonato Mineiro) – média de 29.561.

2) Corinthians (Paulistão) – média de 24.273.

3) Ceará (Copa do Nordeste) – 23.541.

4) Santa Cruz (Copa do Nordeste) – 21.337.

5) Fortaleza (Copa do Nordeste) – 16.845.

6) Sport (Copa do Nordeste) – 16.038.

7) Remo (Camp. Paraense) – 15.311.

8) Atlético-MG (Camp. Mineiro) – 14.371.

9) Santa Cruz (Camp. Pernambucano) – 13.223.

10) Santos (Paulistão) – 12.987.

11) Sport (Camp. Pernambucano) – 11.008.

12) Paissandu (Camp. Paraense) – 10.871.

13) São Paulo (Paulistão) – 10.391.

14) São Bernardo (Paulistão) – 9.962.

15) Botafogo (Camp. Carioca) – 9.230.

(Com informações do site estadiovip.com.br) 

Parazão 2013 – Classificação do returno

 

Times PG J V E D GP GC SD
Paysandu-PA 11 5 3 2 0 11 5 6 73.3
Tuna Luso-PA 9 5 3 0 2 9 5 4 60.0
Paragominas-PA 9 5 3 0 2 9 7 2 60.0
Remo-PA 9 5 3 0 2 8 7 1 60.0
Sta Cruz de Cuiarana-PA 9 5 3 0 2 7 7 0 60.0
Águia-PA 5 5 1 2 2 8 11 -3 33.3
Cametá-PA 5 5 1 2 2 6 9 -3 33.3
São Francisco-PA 0 5 0 0 5 4 11 -7 0

Vote no mico da semana

Fique à vontade para votar no mico da semana, mas defenda-o com argumentos:

1) O senador Mário Couto usou um megafone para pressionar a arbitragem no jogo entre Santa Cruz x PFC, em Cuiarana. Seu time venceu e o árbitro, intimidado, não relatou absolutamente nada do grave episódio na súmula.

2) Uma gravação de áudio do presidente da CBF, José Maria Marin, revela ligações no mínimo suspeitas entre o cartola, o presidente da Federação Paulista Marco Polo Del Nero e dirigentes da empresa BWA.

3) Ex-presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, vira correligionário e bate-pau do senador “tapioca”, buscando obter apoio e votos na sua campanha para concorrer à presidência da FPF. 

4) Flávio Araújo, técnico do Remo, reinventa o sistema 3-5-2, põe o time na retranca, leva sufoco por 90 minutos e termina perdendo o jogo em Paragominas. No final, diz que vai refletir sobre a vida. 

No chutão, PFC foi superior

Por Gerson Nogueira

gerson_22-03-2013A rigor, não houve futebol em Paragominas, ontem. No máximo, um duelo aquático. Mas, em meio aos chutões para driblar as poças, o PFC foi indiscutivelmente o time que mais lutou, chutou e tomou iniciativa. Por isso, venceu. Fez um gol logo no começo do segundo tempo, em chute de fora de área como tantos outros que seu ataque disparou ao longo da partida, segurando a vantagem até o final. É verdade que faltou técnica, mas sobrou vontade ao time de Aleílson. Justamente o que não se viu do lado remista, que aceitou a pressão do adversário desde os primeiros movimentos e em nenhum momento se mostrou adaptado às precárias condições do campo.

Era mais ou menos previsível que o pior jogo do campeonato seria decidido num lance isolado. O PFC levou a melhor porque compreendeu que era um confronto atípico, sem condições de explorar toque de bola ou passes curtos. Charles posicionou seus volantes Ilaílson e Paulo de Tarso de maneira a pressionar o meio-de-campo do Remo em sua própria intermediária. Com isso, ficou sempre com todos os rebotes e saiu vitorioso no embate decisivo da meia-cancha.
A saída era sempre rápida, chegando com cinco e até seis jogadores no ataque, chutando de toda e qualquer distância. Errou vários disparos, mas quando encaixava levava sempre desassossego aos defensores do Remo. O primeiro susto foi logo no primeiro minuto, quando Paulo de Tarso chutou forte, a bola estourou na trave e no rebote foi tocada para as redes, mas o lance foi invalidado por impedimento. Ficou, porém, a imagem de agressividade que iria prevalecer ao longo dos 90 minutos.
Pode-se dizer que na pelada disputada na Arena Verde, marcada por ligações diretas e balões, o triunfo sorriu para quem teve estabilidade para dominar a bola e disposição para agredir. Nas circunstâncias, a vontade faz uma enorme diferença. Jogadores como Cristovão, Sam, Marquinhos e Maraú, acostumados ao clima da região, equilibravam-se melhor e saíam sempre em vantagem nas divididas. Detalhe que acabou pesando nos momentos de indefinição.
O técnico do Remo, Flávio Araújo, havia justificado a volta ao 3-5-2 alegando que o 4-4-2 deixava o time muito exposto. Curiosamente, o esquema de três zagueiros deixou a equipe ainda mais vulnerável, como ocorreu ao longo do primeiro turno. Sem ligação, apesar da presença do meia Clebson, o Remo tentava sair rápido, mas esbarrava nas dificuldades impostas pelo campo alagado. Durante todo o tempo, os jogadores insistiam em tocar rasteiro e usar passes curtos, justamente o que o adversário evitava. Não podia dar certo.
Os dois atacantes de área, Branco e Val Barreto, não recebiam cruzamentos e tinham que se virar diante da dura marcação dos zagueiros. Barreto, para conseguir jogar, virou ala em certos momentos e até zagueiro em algumas situações. O já citado Clebson se perdeu em tentativas confusas de transição, que nada acrescentaram. Perdia sempre a primeira bola e não tinha recuperação para recuperar a segunda, sendo completamente envolvido pelos volantes do PFC.
Depois de levar pressão na maior parte do tempo, Araújo tentou mudar o som da viola, voltando ao 4-4-2 com a entrada de Leandro Cearense em substituição ao zagueiro Henrique. Era tarde, porém. O time foi à frente, trocou jogadas em velocidade, mas faltava a chegada em condições de chute. Nesse quesito, mesmo precariamente, o PFC foi sempre superior e conduziu o jogo sem maiores atropelos até o apito final.
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Técnico ensaia discurso do adeus
A conversa do técnico Flávio Araújo depois do jogo sinalizou para uma despedida. Disse que iria refletir sobre sua permanência, o que é senha para pular fora. Se a diretoria aceitar, estará dando um tiro no escuro. Araújo não conseguiu dar consistência tática ao Remo, insistiu teimosamente num time sem meio-campo criativo e hoje colhe os frutos desse equívoco. Apesar disso, por coerência, o clube deveria mantê-lo. Até porque, a essa altura, se está ruim com ele, ficará certamente muito pior sem ele.
Não creio em boicote dos jogadores. Prefiro atribuir os maus passos do Remo a um reflexo natural do desgaste (inclusive físico) gerado por um time que não valoriza a posse da bola e não sabe fazer transição. Com isso, perdem-se os trunfos ofensivos e a segurança defensiva. Em Paragominas, em situação atípica, o desempenho foi abaixo de crítica porque o Remo não se impôs. No turno, em Marabá, em condições parecidas, o time teve outra postura e venceu.

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Façanha de blog campeão
Com números inéditos para um espaço regional, o Blog do Gerson Nogueira (https://blogdogersonnogueira.wordpress.com) alcançou 3 milhões de acesso na última quarta-feira, a quase um mês do terceiro aniversário. A façanha se deve, em grande parte, à fidelidade de um punhado de comentaristas, colaboradores e baluartes, que diariamente prestigia o amplo leque de informações disponibilizadas, da política ao comportamento, do rock ao brega, do cinema ao mundo das celebridades, do futebol ao rúgbi. Vamos em frente, novas vitórias virão. Obrigado aos que contribuem para esta pequena façanha.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 22)

PFC x Remo (comentários on-line)

Campeonato Paraense – 5ª rodada do returno.

PFC x Clube do Remo – estádio Arena Verde, em Paragominas, às 20h30.

Na Rádio Clube, Jones Tavares narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Carlos Gaia, Paulo Caxiado e Reginaldo Barros.

TV Cultura transmite ao vivo.

Dinheiro público vai bancar arenas da Copa

Da Folha de SP

Apesar da promessa de que não haveria dinheiro público nos estádios da Copa, as obras nas arenas que receberão o torneio são realizadas com quase 100% de dinheiro governamental. Até agora, o preço total das reformas e construções chega a R$ 7,08 bilhões – o número deve aumentar até 2014. Desse valor, 97,3% são oriundos dos cofres públicos, por investimento direto ou financiamento.

A cifra é baseada na matriz de responsabilidade do governo. Inclui os R$ 420 milhões de incentivos fiscais cedidos pela prefeitura paulistana para a construção do Itaquerão como investimento público. O BNDES é responsável por financiar R$ 3,6 bilhões ou 51,7% do total investido em arenas. Sedes, Estados e municípios bancam R$ 3,2 bilhões (45,5%).

Números que não se comparam com o que a iniciativa privada aporta no setor: apenas R$ 192 milhões -2,7% do total. São três os estádios privados: Itaquerão, Beira-Rio e Arena da Baixada.

Todos são beneficiados com empréstimos do BNDES e com incentivos fiscais dos governos locais.

Por enquanto, porém, o Itaquerão é erguido apenas com dinheiro da Odebrecht, já que o financiamento federal não sai e a prefeitura não libera os incentivos fiscais.

Árbitro paulista escalado para Remo x Fla

O paulista Raphael Claus, 33 anos, considerado o melhor árbitro do Paulistão 2011, será o árbitro do jogo Remo x Flamengo, pela Copa do Brasil 2013, marcado para 3 de abril no estádio estadual Edgar Proença, às 22h. Raphael Claus terá como assistentes Lincoln Ribeira Taques, do Mato Grosso, e Sandro do Nascimento Medeiros, do Maranhão. O quarto árbitro será o paraense Joel Alberto Teixeira Rezende.

Os coniventes

Por Luis Fernando Veríssimo

O ex-deputado estadual e ex-marido da Dilma, Carlos Araújo (foto abaixo), não é um ex-ativista politico, pois recentemente voltou à militância partidária no PDT, apesar de limitado pela saúde. Quando militava na resistência à ditadura foi preso, junto com a Dilma, e os dois foram torturados. Depondo diante da Comissão Nacional da Verdade, esta semana, sobre sua experiência, Araújo lembrou a participação de empresários na repressão, muitas vezes assistindo à ou incentivando a tortura.

129_2130-alt-araujoQue eu saiba, foi a primeira vez que um depoente tocou no assunto nebuloso da cumplicidade do empresariado, através da famigerada Operação Bandeirantes, em São Paulo, ou da iniciativa individual, no terrorismo de estado. O assunto é nebuloso porque desapareceu no mesmo silêncio conveniente que se seguiu à queda do Collor e à revelação do esquema montado pelo P. C. Farias para canalizar todos os negócios com o governo através da sua firma, à qual alguns dos maiores empresários do país recorreram sem fazer muitas perguntas.

A analogia só é falha porque não há comparação entre o empresário que goza vendo tortura ou julga estar salvando a pátria com sua cumplicidade na repressão selvagem e o empresário que quer apenas fazer bons negócios e se submete ao esquema de corrupção vigente. Mas a impunidade é comparável: o Collor foi derrubado, o P. C. Farias foi assassinado, mas nunca se ficou sabendo o nome dos empresários que participaram do esquema.

Nunca se fez a CPI não dos corruptos, mas dos corruptores, como cansou, literalmente, de pedir o senador Pedro Simon. No caso da repressão, talvez se chegue à punição, ou no mínimo à identificação, de militares torturadores, mas o papel da Oban e da Fiesp e de outros civis coniventes permanecerá esquecido nas brumas do passado, a não ser que a tal Comissão da Verdade siga a sugestão do Araújo e jogue um pouco de luz nessa direção também.

A comparação nossa com a Argentina é quase uma fatalidade geográfica, somos os dois maiores países da America do Sul com pretensões e vaidades parecidas. Lá o terrorismo de estado foi mais terrível do que aqui e sua expiação — com a condenação dos generais da repressão — está sendo mais rápida. Mas a rede de cumplicidade com a ditadura foi maior, incluindo a da Igreja, e dificilmente será julgada. Olha aí, pelo menos nessa podemos ganhar deles.