Mês: agosto 2012
A vida digital é parte da vida, não o contrário
Por André Forastieri
Tive umas merecidas férias, das quais infelizmente voltei uma semana atrás. Merecia mais tempo – um ano estava ótimo! Mas valeu cada minuto. Fui sem celular nem notebook. Carreguei guias, aqueles de 600 páginas, pra cima e pra baixo, completamente escangalhados na volta. Não chequei Facebook ou Twitter. Não li jornal ou revista. Desliguei meu e-mail de trabalho. Chequei meu e-mail pessoal uma vez por semana.
Tirei umas fotinhos, com câmara, não smartphone. Foi perfeito. Eu não tenho nada contra tecnologia. Trabalho com isso. Sou fã de ficção científica. Fui diretor da PC Magazine, pô! E porque entendo um pouco dessas paradas, sei que ficar online, como ficar offline, tem hora. As novas gerações talvez discordem. A função delas é discordar mesmo, mas estou certo e os meninos, errados.
Lidar inteligentemente com tecnologia é questão de educação, mas também de disponibilidade. Se você coloca hoje um iPad na frente de um bebê, não pode esperar que dez anos depois ele preste atenção no mundo não-digital, não-interativo, ou mesmo no que você diz.
De volta ao Brasil, avião taxiando, um monte de passageiros sacou os celulares para dizer, gritar, o óbvio: oi mãe-pai-filho-bem, cheguei, vou passar na alfândega e duty free, te ligo quando entrar no táxi. E depois, imagino, quando entrar na marginal, e quando chegar em casa e tirar os sapatos, e quando sair do banho. Um cara manipulava o celular sem parar. Impossível não pensar em um bebê acariciando o pinto.
Minha amiga Márion Strecker tem feito uma série bem interessante na Folha de S. Paulo sobre dependência digital, da qual quer se livrar, mas não muito… os textos são ótimos e estão repercutindo bastante. Porque cada dia aparece uma dependência nova. E porque cada dia aparecem novas razões para você não se desconectar. Inclusive financeiras. O assunto rende em todo lugar.
Hoje na bíblia da economia, o Wall Street Journal. Começa com um causo ilustrativo. Na véspera de sair de férias, a jornalista Jennifer Green, editora de beleza da revista Teen Vogue, avisou seus seguidores no twitters: “Estou oficialmente de férias!”. Nos cinco dias seguintes, ela passeou de carro pelo Estado do Arizona. Neste período ela twittou mais de 120 vezes, fez checkin 15 vezes no Foursquare e postou mais de 30 fotos no Instagram. Quando chegou pela primeira vez na vida no Grand Canyon e viu aquele esplendor todo, a primeira coisa que fez foi tirar uma foto e compartilhar com seus 32.600 seguidores no Twitter. Jennifer é burra. Na minha ausência do mundo digital, ganhei um monte de seguidores no Twitter e amigos no Facebook.
A vida digital caminha sem a gente. Um dia, inclusive, vamos morrer, e parar de twittar, imagine! Compartilhar tudo com todo mundo equivale a não compartilhar nada com ninguém. A vida digital é parte da vida. Não o contrário.
Capa do Bola, edição de sábado, 11
Rock na madrugada – Oasis, Supersonic
Artilheiro do país é um ilustre desconhecido
O ASA, que patina nas últimas posições da Série B com 17 pontos, tem o principal goleador do Brasil na temporada: Lúcio Maranhão, que marcou na noite desta sexta-feira o gol da vitória sobre o Guarani por 1 a 0. Foi seu 33º gol no ano. Na contagem, só está atrás de Neto Baiano (38), mas o atacante não atua mais pelo Vitória, pois foi jogar no futebol japonês.
A sentença eterna
“Odeio os indiferentes: viver quer dizer tomar partido”.
De Antonio Gramsci.
Remo recebe hoje novo reforço para a zaga
O zagueiro Marcelão, de 24 anos e 1,92m, que vinha jogando pelo Canoas-RS, desembarca na noite desta sexta-feira (10), em Belém, como novo reforço para a problemática defesa do Remo. Natural do Tocantins, o atleta foi indicado pelo técnico Edson Gaúcho. Marcelão deve se apresentar na manhã de sábado no estádio Baenão para iniciar treinamentos. Na curta carreira, defendeu o Veranopólis-RS, o Charleroi (Bélgica), o Nacional-PR e o Araxá-MG.
Ninguém segura Bolt
Vote no mico da semana
Escolha aqui seu mico preferido:
1) Paissandu perde fora de casa para o lanterna da Série C, insuflado por declarações do volante Vânderson, que normalmente quase não abre a boca. Treze terminou o jogo com 10 jogadores.
2) Remo demora a pedir transferência do jogo com o Náutico-RR para o Mangueirão. CBF, sempre rígida com essas coisas, mantém partida no Baenão. Clube deixa de ganhar cerca de R$ 300 mil.
3) Na Olimpíada de Londres, basquete masculino da Espanha facilita contra o Brasil para escapar de um confronto com a seleção norte-americana nas semifinais.
Longe dos sonhos olímpicos
Por Gerson Nogueira
A Olimpíada já viveu dias melhores e eu já fui bem mais atento aos Jogos do que sou hoje. Antigamente, dedicava tempo e interesse a várias modalidades, com ênfase naquelas em que o Brasil tinha alguma chance. Hoje, sem mais aquele patriotismo olímpico, concentro esforços em jogos tecnicamente empolgantes de basquete, algumas lutas de judô e boxe, finais do vôlei feminino e grandes provas de atletismo e natação.
Por isso talvez já não sinta, como antes, frustração com os resultados da equipe brasileira. Habituado a ver o Brasil se posicionar sempre entre o 20º e o 25º lugar no quadro de medalhas, passei a achar mais ou menos normal qualquer desempenho.
Lembro que até os anos 80, quando ainda era forte a divisão entre o bloco soviético e o mundo ocidental liderado pelos norte-americanos, as disputas adquiriam uma conotação quase geopolítica. Em tempos de guerra fria, era até divertido ver a exasperação americana com as façanhas de Cuba nos esportes coletivos.
Os boicotes de Estados Unidos e então União Soviética, ambos de inspiração supostamente altruísta, faziam com que os Jogos tivessem desfechos inesperados.
Os resultados que castigam atletas brasileiros, alguns até favoritos, não irritam mais. Ontem, uma dupla alemã quase desconhecida levou o ouro em cima dos brasileiros mais cascudos da modalidade. Na semana passada, Fabiana Murer, que em Pequim já havia esquecido a vara, foi vítima de uma lufada de vento.
A simpática Maurren Maggi não passou nem perto da medalha. Os irmãos Hipólito não ganharam nada, de novo, mas seguem como promessas. Há, ainda, as tais medalhas consideradas certas, como a de César Cielo, cuja presença midiática cresceu na mesma proporção em que diminuíram seus feitos na piscina. Nenhuma surpresa, afinal o Brasil é assim e todos fazemos bem pouco para modificá-lo – e não me refiro só ao esporte.
Interessante é que a Olimpíada desnuda um aspecto quase tradicional em nossos atletas: a insegurança emocional, que se revela diante do menor sinal de pressão ou expectativa. Como já disse o fenomenal Alexander Popov, o Homem de Gelo, um dos reis das piscinas na era pré-Phelps, o torneio olímpico é diferente porque exige desempenho em grau máximo.
Só há um remédio para tanta amarelidão: a repetição de vitórias. Isto só virá com a massificação do esporte, quando quantidade vira qualidade. Atletas de qualquer modalidade sabem que o Brasil só cultua os vencedores, relegando os medianos e derrotados ao limbo da história. Estão cientes de que só os medalhados serão chamados para todos os programas esportivos e de amenidades da TV nas próximas semanas.
Alguns sonham a vida toda com essa questionável honraria. Outros sabem que, salvo exceções, somente a superexposição permite a captação de patrocínios e, por consequência, o acesso a treinamentos e métodos avançados disponíveis nos países do Primeiro Mundo.
Considero forçado e quase sempre cabotino esse discurso raivoso, quase clichê em ano de Olimpíada, deplorando a falta de política para o esporte e as comparações daí decorrentes. Um país tão jovem deve ter o esporte na agenda, mas não pode deixar de lado prioridades maiores, como educação e saúde. Quando essas áreas forem tratadas com a devida atenção, os campeões irão surgir naturalmente.
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O amigo e leitor Gil Mattos observa, a título de análise estatística, que nos últimos 12 anos em Brasileiros e Copas do Brasil o Remo acumula, em 66 jogos no Mangueirão, 32 vitórias e 21 derrotas no Mangueirão, com saldo positivo de 26 gols e aproveitamento de 55,05%.
No Evandro Almeida, o Remo foi praticamente imbatível nesses dois torneios: são 61 jogos, com 43 vitórias, 13 empates e 5 derrotas, com saldo de 83 gols e aproveitamento de 77,60%.
Números eloquentes – e preocupantes. Reforçam a ideia de que o futebol do Pará só fez regredir nos últimos anos.
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Na quarta-feira, ao comentar a espetacular virada da seleção feminina de vôlei sobre a Rússia, mencionei uma data errada. Na verdade, as russas derrotaram as brasileiras há oito anos, nos Jogos de Atenas, num jogo traumático pelas circunstâncias: a seleção venceu bem os dois sets iniciais, permitiu a reação e acabou superada por 16 a 14 no tie-break. Como se vê, o triunfo de terça foi uma revanche completa. Ontem, o time de Zé Roberto se qualificou para a segunda final olímpica consecutiva.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 10)
Ídolo é ídolo, para sempre
Sebastián Loco Abreu, artilheiro uruguaio, virou xodó da torcida botafoguense após dois anos de bons serviços prestados. Na quarta-feira, num gesto apenas, durante o jogo Figueirense x Flamengo, estabeleceu a diferença entre boleiros comuns e ídolos de verdade.



