AK confirma estádio para 15 mil lugares

O presidente do Remo, Amaro Klautau, de volta a Belém nesta quarta-feira, convocou entrevista para repetir a mesma história que vem anunciando desde a semana passada: a negociação do estádio Evandro Almeida já foi concluída e é irreversível. Para justificar sua ausência da reunião convocada pelos conselheiros, disse que, no dia 9 de agosto, convocou o Conselho Deliberativo para expor os problemas jurídicos e financeiros do clube. Não havia mais nada a discutir depois disso, segundo AK, contrariando posição dos conselheiros, que convocaram reunião na segunda-feira (30), para, entre outras coisas, analisar a conduta do presidente, incluindo o episódio da remoção do escudo que havia no pórtico do Baenão.  

Garantiu que o dinheiro da venda (antes, AK dizia que era apenas uma “permuta”) estará “blindado” para que o próximo presidente não possa mexer. Adotando um ar de magistrado, afirmou que, se o Condel quiser lançar o dinheiro (R$ 32,5 milhões) numa conta, será inteiramente contra. Diante dos protestos de torcedores contra a venda da propriedade, disse que não adianta espernear: “Eu só tinha dois caminhos. O primeiro, ir a leilão. O segundo, apresentar a proposta (da Agre e Leal Moreira)”, justificou, sem responder à pergunta sobre a certidão da Justiça do Trabalho que informa que a venda não se efetivou ainda.

Sobre a capacidade do estádio, AK confirmou o que o Bola e o blog já haviam informado. A capacidade, surpreendentemente, baixou de novo. Agora está em 15 mil lugares. Explicação singela do grande timoneiro tucano: “Creio que 15 mil pessoas é a capacidade que a CBF vai exigir para uma final de Copa”. Logo que anunciou a disposição de vender o Baenão, ainda no ano passado, AK disse que a futura Arena do Leão teria 24 mil lugares. Depois, alterou o tamanho: 22,5 mil. Depois, ficaria entre 18 mil e 15 mil. E, agora, está em 15 mil.

Sobre a localização da futura praça de esportes, acompanhada de centro de treinamento, AK segue fazendo o estilo misterioso. “Queira Deus que seja em Marituba, mas pode tomar o rumo de Icoaraci”. Em resumo: pode ser em um ponto qualquer do Estado, entre a Alça Viária, a Transamazônica e a Santarém-Cuiabá. Quanto à comissão pela transação, normalmente de 5% a 10% no mercado imobiliário, nenhuma palavra.

Diante de tamanha transparência, objetividade e clareza, nada a acrescentar.  

7 comentários em “AK confirma estádio para 15 mil lugares

  1. Cada um dos fatos abaixo isoladamente já seria bastante para demonstrar a má-fé com que vem sendo conduzida a venda do Baenão. Vamos a eles:

    1) Amaro agora fala de boca cheia que o estádio terá apenas 15 mil lugares, 9 mil a menos do que anunciara. Mentiu todo o tempo!

    2) O notório Hamilton Guedes na comissão de obras… Procurem no Google por: Hamilton Guedes banpará e vejam por si mesmos que o Remo colocou a raposa para tomar conta do galinheiro. Que credibilidade pode ter tal negócio?

    3) Tudo inexplicavelmente parece girar em torno das dívidas trabalhistas, como se o clube não devesse nada fora dessa esfera. Mas deve, e muito. RR, como ele mesmo citou quando ansiava vender a sede social, fez empréstimos junto a agiotas. A dívida na época (2007) era de 1 milhão, agora, com juros de agiotagem, já passou dos dois milhões faz tempo… Amaro, meses atrás, fez uma confissão de dívida admitindo que o clube deve cerca de 2 milhões a conselheiros, sócios e ex-dirigntes (as boas e as más línguas dizem que fez isso para aumentar a pressão sobre a venda do estádio). Vem à tona agora que o Remo deve 643 mil ao dono de uma loja chamada “Armazém”, que emprestou dinheiro anos atrás. Em três episódios, esparsos, sem nenhum esforço de memória nem qualquer pesquisa, lá se vão 4,5 milhões. Não sei quanto o clube deve, mas já é o suficiente para imaginar que, se todos os credores forem à justiça receber, o Remo acabará ficando com um estádio banguela, ou mesmo sem estádio nenhum.

    4) “Involução” dos Gastos – O clube começa com 33 milhões. 2 milhões serão propaganda de camisa, a ser paga em dois anos. Dos 31 que sobram, 8 irão para a justiça do trabalho (alguém será burro de negociar sabendo que o clube está montado na grana? Não). Restam 23 milhões, dos quais, como se viu acima, 4,5 estão comprometidos com dívidas em outros âmbitos (estou ignorando dívidas junto a hotéis, agências de viagem, fornecedores etc). Ficam 18,5 milhões. Precisa comprar o terreno. Amaro alega que agora não consegue encontrar ninguém que aceite vender por 4 milhões. Não achará por menos de 6. Restarão 12 milhões para fazer estádio, CT, ginásio, estátua gigante do “Leião” etc, etc, etc. Ou seja, lentamente a verdade vem à tona – o clube foi logrado. Está destinado a definhar em lenta agonia. Tem um colunista de um jornal concorrente ao seu, Gerson, que já admite ser melhor o Remo ter um bom centro de treinamento do que um estádio – para bom entendedor, meia palavra basta. O dinheiro não vai dar… 33 milhões, diante da situação calamitosa do Remo, são pouco, insuficientes para pagar dívidas e cumprir as falsas promessas.

    O expediente utilizado pelos estelionatários para lograr suas vítimas é oferecer vantagens muito superiores às de mercado, tais como anunciar no jornal um carro de 30 mil reais por apenas 10 mil. Tocados pela ilusão do lucro fácil, muitos enlouquecem e até se desfazem de outros bens na busca da miragem. Havia uma novela antiga em que um personagem vendia uma máquina de fazer dinheiro. Apesar de ser absurdo imaginar que alguém tenha interesse em se desfazer de uma máquina dessas, houve quem comprasse. É o que acontece com o Remo agora. Muita gente foi seduzida com o canto da sereia. Alguns perceberam a fraude e tornaram-se contrários, mas a maioria continua iludida, tomada por um misto de desconhecimento e burrice. Focada nas supostas vantagens e cega às verdadeiras intenções, bem como às trágicas conseqüências…

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  2. Dinheiro, também, é corruido por traças (inflação, credores, má intenções e etc..). Presumo que acabe em uma oferta por conta das dívidas, que não será suficinte para deixarem de existir. Amigos, o burraco é grande e 33 carradas de aterro na tapa.

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  3. Apesar de baixar para 15 mil lugares, ainda acho exagerado esses números. A dissolvencia da sofrenômeno é clara e quanto mais longe o elefante branco, mais beneficiará os clubes interioranos.

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  4. Diante de tanta desinformação e com base em certa passagem do post sob comentário (“… afirmou que, se o Condel quiser lançar o dinheiro (R$ 32,5 milhões numa conta, será inteiramente contra”), me ocorre uma suposição: não estará exatamente aí no destino a ser dado ao dinheiro produto do negócio esta súbita desavença entre os conselheiros e o AK. Aliás, dita suposição é bem reforçada pelo contido no item 3 do que foi postado pelo Antonio Lins, asseverando que além dos obreiros, há outras pessoas ávidas em receber seus créditos (agiotas, comerciantes,prestadores de serviços, conselheiros, ex-dirigentes etc).
    Ora, juntando tudo isso à deliberada desinformação patrocinada por todos os envolvidos no imbroglio (AK e conselheiros), não seria de reclamar do levantamento de suposição, segundo a qual, poderia haver muitos conselheiros que antes eram a favor (autorizando, inclusive) do negócio, e, agora, vêm se postando contra a operação, menos pelo negócio propriamente dito, mas, sim, porque não está muito satisfeita com a fatia da verba (e respectiva blindagem) a ser destinada à construção da Arena. Quem sabe seja esta repentina quizilha entre os conselheiros e o AK que explique a não menos repentina redução da capacidade da Arena. É, reduzindo a Arena aumentaria a verba disponível para o pagamento dos outros credores, principalmente os informais.
    Bom, como é só uma suposição, sei que muitos poderão dizer que tou viajando e que outros poderão dizer que descobri a pólvora. Bom, esperando que ninguém se estresse muito, concluo repetindo outra suposição que já fiz aqui, segundo a qual, o AK, possivelmente, sempre esteve de comum acordo com os conselheiros e foi o escolhido para “colocar o guiso no Leão”, para ser o “boi de piranha”, sendo esta briga repentina apenas um acidente de percurso.

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