Coluna: Jovens, velozes e furiosos

Vitórias categóricas, por placar dilatado, ressaltam as virtudes dos vencedores e escancaram defeitos dos derrotados. Não foi diferente com o Re-Pa empolgante de ontem, no Mangueirão. De time pouco confiável na fase inicial, o Paissandu chegou à decisão agarrado às esperanças criadas pelos 45 minutos de bom futebol sobre o Independente Tucuruí.

Já o Remo, dono dos números mais grandiosos da competição, vinha respaldado pelo bom entrosamento e a facilidade para fazer gols. Depois dos 90 minutos iniciais da decisão, pode-se dizer que o Paissandu confirmou a ascensão técnica e o Remo caiu vitimado por fraquezas que a boa campanha conseguiu esconder.

Em apenas um jogo (depois de 28 sem perder), as projeções remistas mudaram por completo. Em dois jogos, o Paissandu saiu do descrédito para a confiança plena. E aí reside a graça do futebol, um dos esportes mais imprevisíveis já inventados. Erros capitais cometidos no começo da partida determinaram a fragorosa atuação remista no primeiro tempo.

Aos 40 minutos, o placar apontava 3 a 0 e o Paissandu tinha, além de um jogador a mais, o controle técnico e emocional da partida. Com algum esforço (e melhor pontaria), podia ter disparado uma goleada. Talvez não tenha feito isso porque não acreditou nas imensas facilidades surgidas.

Charles comentava depois da vitória que havia alertado seus jogadores quanto à postura em campo. Nos últimos clássicos, o Remo sempre tomava as iniciativas e acabava determinando o ritmo, invariavelmente levando vantagem no placar final. Decidiu inverter a equação. Adiantou seus jogadores, apostando na velocidade de Fabrício, Tiago e Moisés.

Contra um meio-campo cuja média de idade beira os 30 anos, os jovens bicolores pareciam voar em campo. Um corredor aberto pelo lado direito do ataque tornou-se o mapa da mina. Quase sem marcação, Sandro acionava sempre Fabrício e este lançava Tiago. Daí a bola chegou, por duas vezes, ao centro da área, resultando em gols de Didi e Moisés. O terceiro nasceu de falha do volante Danilo na entrada da área azulina.

No segundo tempo, quando o Remo ensaiou uma reação heróica, Charles soube distribuir o time para explorar a vantagem numérica. Valorizou a posse de bola, tocando a bola de pé em pé, às vezes até exageradamente. Com isso, cansou o adversário e abriu brechas na marcação, como no passe de primeira que Sandro deu para Moisés marcar o quarto gol.  

Nas circunstâncias, para o Remo, a derrota por apenas dois gols de diferença foi bom negócio. Perdeu a vantagem, mas o placar ainda é possível de reverter. Do jeito como a equipe se comportou, correu o risco de levar de 5 ou 6 a 0 ainda no primeiro tempo. Às vezes, nada como uma derrota acachapante para pôr as coisas em sua perspectiva real.

Na entrevista de Guilherme Guerreiro ao caderno TOP do DIÁRIO, edição de ontem, saiu equivocadamente a informação de que somente duas emissoras de rádio haviam adquirido o direito de transmissão da Copa do Mundo. Na verdade, 22 emissoras fizeram a aquisição dos direitos e estão habilitadas a transmitir os jogos do mundial da África do Sul. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 15)