Volta ao antigo ninho cria risco de rejeição

Por Diego Salmen

Em dezembro de 2008, quando foi apresentado pelo Corinthians, o atacante Ronaldo talvez não previra o impacto de seu retorno ao futebol brasileiro. Ultrapassando o pioneirismo de cortes de cabelo pouco requintados, Ronaldo desencadeou um grande processo de repatriação de craques. De lá para cá pouco mais de ano se passou, e a lista só fez aumentar: Adriano, Vagner Love, Cléber Santana, Roberto Carlos, Fred, Alex Silva, Robinho e Cicinho.

Na maioria dos casos, a justificativa para o retorno é a tentativa de mostrar mais de perto o talento necessário para uma convocação à Copa do Mundo. No entanto, a alegação quase sempre vem acompanhada de temporadas ruins no exterior, adaptação frustrada ao país de destino ou exilío do atleta em sua própria má fase. Além, é claro, de um corte profundo no salário.

Alheia a tudo isso, a torcida comemora; os clubes, por sua vez, vislumbram títulos e patrocínios vultuosos. Mas e os jogadores, como ficam nessa história? “Em qualquer setor da economia o profissional tem que ter claros os objetivos de carreira e profissionais dele”, explica o headhunter Gustavo Parise, gerente executivo da consultoria Michael Page.

“Futebol é momento, e a marca do jogador se faz dentro do gramado”, diz Fabio Seo, diretor de contas de Thymus, agência de publicidade especializada na gestão de marcas. “A pior coisa para o jogador é não jogar. Se ele volta e resgata o prazer de jogar é interessante (para a marca dele). Ele pode até ficar num grande centro, mas se ele não jogar, não adianta. A repatriação é um movimento interessante”, analisa.

Assim como no mundo real, os jogadores que vivem momentos de instabilidade em suas carreiras dentro das quatro linhas também enfrentam riscos. “O processo de retorno cria esse risco (de rejeição), sim. Mas isso depende de como a situação é gerenciada. Essa relação tem que ser mais honesta, porque tem muita emoção envolvida no futebol, e isso tende a ofuscar um pouco a racionalidade”, acrescenta Seo. “O torcedor paga como um consumidor, mas a relação é diferente”.

4 comentários em “Volta ao antigo ninho cria risco de rejeição

  1. Caro Gerson, por favor faça o registro do “ranking” feito pela PLACAR na edição de Fevereiro.
    A lista se refere ao aproveitamento de clubes brasileiros na Libertadores. O Paysandu aparece em primeiro entre os 27 clubes brasileiros que participaram da competição com 70,83 % de aproveitamento.
    Mesmo vendo meu time nessa penúria, sinto um orgulho incontido ao ler uma coisa dessas.

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