Remo anuncia acerto com o meia Otacílio

A diretoria do Remo, através de Abelardo Sampaio, anunciou na noite deste domingo a contratação do meia Otacílio, de 26 anos, que estava no Vila Nova goiano. Ele tem chegada prevista para esta segunda-feira, às 21h30. Otacílio Jales da Silva Neto teve boa passagem pelo Remo, em 2007, sob o comando de Giba. Revelado pelo Santa Cruz, jogou também no Eitrachtbraunschweig (Alemanha), São Caetano, Gama (DF) e Vila Nova. Se jogar como da primeira vez, é um importante reforço, pois atua tanto como meia quanto na proteção à defesa.

Coluna: Os senhores da história

Durante a semana pré-carnavalesca, tive a oportunidade de ver por duas vezes no canal Sportv, com o mesmo vivo interesse, o documentário sobre a Copa do Mundo de 1958, que marcou o começo da arrancada brasileira rumo à hegemonia mundial. Duas cenas impressionam nessa verdadeira aula do futebol como grande arte, num mundo no meio do caminho entre as reinações beatniks e a explosão de Beatles e Rolling Stones. 
A primeira foi o golaço de Pelé, depois de lençol sobre o zagueiro francês, nas semifinais da Copa. O lance, um dos mais bonitos da história das Copas e resultante do mais puro talento brasileiro, encantou a todos no estádio e levou os fotógrafos a entrarem no gramado para registrar a comemoração que depois seria vista como o ritual de iniciação do futuro Rei do Futebol.
Foi um instante especial, que levou a partida a ser paralisada por alguns minutos, com a arbitragem e a torcida reverenciando a jogada iluminada daquele garoto de 17 anos. Curiosamente, pela movimentação dos fotógrafos, há certa semelhança visual com a cena do milésimo gol, que ocorreria dali a apenas 11 anos.
O outro grande registro do documentário é a presença exuberante de Mané Garrincha, o anjo torto, envergando a camisa 11 da Seleção, desbravando defesas com o célebre drible para um lado só.
Além disso, as câmeras inquietas dos documentaristas suecos flagram outra virtude genial do ponta-direita que encantou o mundo: sua destreza para o cruzamento à meia-altura, com destino certo, quase um passe para os atacantes que se posicionavam para o arremate final.
É interessante revisitar a história na tela da TV e observar que dos gols marcados pelo Brasil naquele mundial pelo menos a metade veio dos cruzamentos certeiros de Garrincha, um atleta mais maduro que Pelé, mas também um desconhecido para as platéias internacionais.
O filme da Copa de 58 é generoso na exibição de estupendas performances dos franceses Fontaine, Piantoni e Kopa, do húngaro Sándor, dos alemães Uwe Seeler e Rahn, do tcheco Masopust, do russo Lev Yashin e do argentino Corbatta. Mas, acima de tudo e todos, paira a magnética presença brasileira, através de Didi, Nilton, Zito e dos dois gênios já citados. 
 
Outro aspecto a ser ressaltado : a importância de Vavá, o pernambucano apelidado justificadamente de Leão da Copa. Pouco cotado no Brasil antes da conquista mundial, o centroavante foi decisivo em quase todos os jogos. Não enfeitava, batia na bola como ela vinha, quase sempre sem errar.
Deve-se ao ímpeto de Vavá a entrada quase sempre fulminante do Brasil em todos os jogos, como se o time tivesse urgência em construir a vitória. Contra os russos, um exemplo fiel dessa estratégia: antes de um minuto, Garrincha mandou bola na trave e Pelé obrigou Yashin a fazer grande defesa. O bombardeio se completou aos 3 minutos com gol de Vavá. Sem dúvida, um senhor time de futebol, tão bom quanto o de 70. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 14)

Dois jeitos de enxergar o mesmo panetone

As duas maiores revistas semanais do país fizeram leituras diametralmente opostas da principal notícia deste começo de ano: a prisão do governador José Roberto Arruda, posto em cana por chefiar uma poderosa organização criminosa no governo do Distrito Federal. Autoproclamada guardiã da direita brasileira, Veja que está nas bancas optou pelo comedimento editorial, atitude incomum quando aborda casos dessa natureza envolvendo políticos não alinhados com o tucanato.

Deu uma capa inacreditável, destacando uma matéria gelada sobre a moda de dietas e reservou um cantinho para a chamada tímida do escândalo de Arruda. Aliás, no ano passado, a revista da Editora Abril chegou a publicar uma entrevista em seu espaço nobre para que Arruda falasse da “revolução administrativa” que estaria em marcha, com presepadas como reunir todos os secretários num só gabinete, abrindo caminho para seu possível lançamento como candidato a vice na chapa de José Serra nas eleições presidenciais deste ano. Depois disso, viriam à tona os detalhes de um acordo comercial envolvendo a distribuição de revistas do grupo Abril na rede escolar do DF. 

Época, do grupo Globo, fez jornalismo: abriu capa e mais seis páginas internas para desnudar o esquema do mensalão do DEM em Brasília, com direito a infográfico revelador de todas as peças da engrenagem de Arruda. Logo na abertura, o título “Acabou a folia de Arruda” não deixa margem a dúvidas. A revista assinala, corretamente, o aspecto histórico da prisão do governador em pleno exercício do mandato.

Apesar da velha prática de amaciar em relação às patifarias de aliados seus, como a enrolada governadora tucana Yeda Crusius (RS) ou o senador Artur Virgílio (PSDB), que se locupletou de verbas do Senado em passeio a Paris, o espantoso é que, em pleno feriadão do carnaval, quando o noticiário é rarefeito, um assunto dessa magnitude tenha sido quase ignorado por Veja, que ainda procurou comparar as falcatruas de Arruda a outros episódios da vida política brasileira, com o mal disfarçado objetivo de atenuar o peso das bandalheiras do panetone no DF.

Como costuma dizer a conservadora revista dos Civita, Veja (mais uma vez) errou – e feio.