Baenão: Carepa vai à Justiça contra venda

O terceiro voto desfavorável à venda do Baenão foi de Artur Carepa, que é grande benemérito do Clube do Remo. Carepa se juntou a Licínio Carvalho, ex-presidente do Conselho Diretor, e a Israel Vasconcelos, conselheiro. Até agora, foram as três vozes dissonantes de quase um consenso dos votantes sobre a negociação.  O voto de Carepa foi um dos últimos desta segunda-feira. Vestindo a camisa do clube e com dificuldades para se locomover, explicou que se ausentou dos primeiros dias de votação devido a uma lesão na perna.

Após votar, avisou que entrará com um mandato de segurança junto à Justiça para impedir o início das negociações de repasse da área do Baenão. “Farei isso, sem dúvida. A ação baseia-se no fato de o estádio ser um patrimônio da cidade”, explicou, lembrando que já usou do expediente para evitar a perda da área social azulina.

Artur Carepa não poupou a administração atual. “Isso é coisa de quem não quer trabalhar. Quem quer trabalhar, vai por outro caminho. Tudo isso aqui (apontando para a área da sede social), foi construído com trabalho”, argumentou. Indagado se acredita que a torcida do Leão se deslocará para apoiar o time numa área da periferia da Região Metropolitana, Carepa foi seco: “Acho que não. Será difícil”. (Com informações de Nilson Cortinhas/Bola)

Tribuna do torcedor

Por Ricardo Von Grapp (ricovongrapp@hotmail.com)

Não fui ao estádio no sábado por motivo de doença, mas acompanhei pela TV Cultura todo o jogo, por isso queria mandar um recado para o Labilá. Pelo jogo que vi, principalmente o 2º tempo, não dava pro Labilá se manifestar da maneira que ele fez ao comentar que o Remo teve pura sorte em ter ganho o jogo nos minutos finais da partida. Na verdade, o Remo massacrou o S. Mundico do início ao fim do 2º tempo, sem contar no gol mal anuldo pelo juiz (só ele viu falta no goleiro). Mas tudo isso não foi suficiente para tirar a vontade do Remo em querer ganhar o jogo, mesmo sendo um kamikase, como dizia o queridissimo João Cunha nos seus comentários. O goleiro simplesmente esqueceu de um detalhe: que quem teve que se desdobrar foi ele, o tempo todo quase sem trégua, enquanto que o ataque do Mundico só arriscava as bolas chutadas de fora da área, sem muitas dificuldades para o Adriano. Só lamento pelo goleiro Labilá, que, pela sua prepotência e falta de humildade, vai terminar sua carreira no S. Raimundo mesmo. Aliás, lembra o que ele falou quando acabou o jogo contra o Botafogo? Pois é, está faltando alguém orientar esse rapaz para ele não morder a lingua qualquer dia desses.

Venda do Baenão aprovada pelo Condel remista

A proposta de venda do estádio Evandro Almeida por R$ 33 milhões foi finalmente aprovada, às 18h desta segunda-feira, na sede social do Remo, quando se completaram 98 votos favoráveis à negociação com as empresas Agra Incorporadora e Leal Moreiraluída por volta de 18h. O voto final foi o do vice-presidente do Conselho Deliberativo, Altemar Paes, revelado às 17h. A votação continua amanhã (23), embora já tenha sido atingida a porcentagem de votos que garante a venda: dois terços dos 136 conselheiros aptos a votar. 
Autorizada a transação, serão instituídas comissões para fiscalizar as análises técnicas e financeiras sobre a futura Arena do Leão, cuja localização ainda é incerta. Entre os grandes beneméritos remistas, devem compor as comissões os conselheiros Sérgio Cabeça Braz, José Brito,  e Manoel Ribeiro. Há uma forte especulação de que a área do Tapanã onde fica o ex-Teleclube (que já foi utilizado pelo Paissandu) seria o local escolhido para construção da Arena. 
Três conselheiros votaram contra o negócio defendido pelo presidente Amaro Klautau: José Licínio Carvalho, Israel Vasconcelos e Artur Carepa. Houve uma abstenção, do conselheiro Adilson Monteiro de Jesus. (Fotos: MARCO SANTOS/Bola)

Copa 2010: Fifa de olho no doping

A Fifa anunciou nesta segunda-feira que vai realizar exames antidoping aleatoriamente a partir de abril entre prováveis jogadores que vão disputar a Copa do Mundo da África do Sul. A Fifa informou que exames de sangue e urina serão realizados sem aviso prévio aos atletas. Os testes vão começar em 10 de abril e serão conduzidos até a véspera do começo do Mundial, em 11 de junho. Foi solicitado às 32 seleções classificadas para a Copa que enviem à Fifa onde farão seus treinamentos para o Mundial até o dia 22 de março.

Os exames antidoping também serão realizados durante a competição, disse o chefe médico da Fifa, Jiri Dvorak. “Levamos muito a sério a luta contra o doping e estamos comprometidos a continuar totalmente de acordo com o código da Wada (Agência Mundial Antidoping)”, disse ele em entrevista coletiva em Sun City, onde a Fifa encerrou uma conferência médica de três duas nesta segunda-feira. Dvorak disse que a Fifa já realizou mais de 33.000 exames antidoping “nos últimos anos”, com apenas 0,03 por cento de casos positivos.

Pensata: Lagartixa

Por Tony Bellotto

Não sou dos foliões mais animados. Já dei minhas voltas no salão do clube Recreativo de Assis, os braços estendidos aos céus, os cabelos – outrora bastos e encaracolados – salpicados de confete, cantando: “A estrela dalva, no céu desponta…”. Já molhei os pés na avenida, como alguém que não sabe nadar, uma vez na Vai-Vai, em São Paulo, outra na Mangueira, no Rio. Sim, eu vi a Mangueira entrar, se me permitem o trocadilho infame. Vi também o chão deslocar-se até minha cabeça, vitimado por inalações exageradas de lança perfume (exagero do chão, não meu).

Teve um carnaval em que me embrenhei pelas dantescas antesalas do inferno conhecidas como camarotes de cervejarias famosas. Lembro de ver o Millôr Fernandes cochilando no sofá de um desses camarotes enquanto o sol raiava lá fora. Grande Millôr. Quem sabe, sabe. Com tantas mulheres gostosas saltitando daqui pra lá e eu me lembro logo do Millôr roncando no sofá como um Cérbero extenuado. Se dependesse de mim, o carnaval seria tão popular quanto o dia internacional da meditação transcendental. Sabe que dia é esse? Nem eu.

Esse último carnaval passei em retiro espiritual – e etílico – numa casa de campo. Estava mais preocupado com a repercussão da nota que anunciava que Charles Gavin, baterista dos Titãs – minha banda -, decidira deixar o grupo por “motivos pessoais”. Existe alegação mais impessoal do que “motivos pessoais”? Bem, pelo que sei, o querido Charlão deixou a banda porque é difícil envelhecer num grupo de rock. O Jethro Tull, uma banda inglesa dos anos setenta, tem um disco chamado Too Old to Rock and Roll, Too Young To Die (muito velho pro rock, muito jovem pra morrer, numa tradução apressada). O título, irônico, expressa um conflito imperioso para um roqueiro. Como envelhecer – ok, amadurecer, se você prefere um eufemismo – numa banda de rock, se o rock é, acima de tudo, a celebração máxima da juventude e da irresponsabilidade?

Qualquer roqueiro que se preze, qual Hamlet, já passou por esse questionamento fundamental: to be or not to be? Imagine Elvis Presley, gordo e inchado, com um crânio nas mãos, proferindo a frase de Shakespeare num banheiro cheio de espelhos na suíte de um hotel em Las Vegas. Isso é rock’n roll.

Os Rolling Stones estão aí pra provar que toda a regra tem várias exceções. E olha que eles já perderam um baixista, Bill Wyman, que decidiu – como o Charles – se afastar da banda por estar cansado da estrada e de todo o desgaste proporcionado por excursões intermináveis, paradoxalmente cansativas e divertidésimas. Eu, do alto de meus quase cinquenta irresponsáveis anos, prefiro pensar como Keith Richards – o guitarrista dos Stones – que, ao observar a platéia em êxtase ensandecido enquanto ele dedilha as três notas que compõe o imortal riff (frase de guitarra) de Satisfaction, conclui: e ainda me pagam pra isso!

Nós, os Titãs remanescentes – Eu, Paulo Miklos, Branco Mello e Sérgio Britto – continuaremos a poluir sonoramente os céus brasileiros com nossa música. Sinto-me, apesar de tudo, ainda muito jovem para me aposentar. E àqueles que imaginam – ou comemoram – que a cada perda ou impasse nos enfraquecemos, um segredo: as adversidades nos fortalecem. Como uma lagartixa, quando nos decepam um membro, ele renasce com força e vigor renovados.

Dúvidas e impasses rondam a Curuzu

O Paissandu descartou finalmente o meio-campista Adônis, o zagueiro André Rancharia e o meia Bruno Agnelo. Adônis passou cerca de três meses na Curuzu e não conseguiu fazer sua transferência para o clube. André Rancharia foi contratado dias antes do anúncio do acerto entre o clube e o técnico Luiz Carlos Barbieri. E Bruno foi trazido pela empresa do ex-capitão da Seleção Cafu, como moeda de troca.

Já o atacante Tiago Potiguar e o lateral-esquerdo Álvaro, que o presidente Luiz Omar Pinheiro anunciou como contratados juntos ao Potiguar de Currais Novos, estão praticamente descartados. O preço da transferência teria aumentado porque os dois passaram a ser empresariados por Túlio Maravilha. 

Um outro impasse diz respeito ao meia Fabrício, cuja liberação pelo Boa Vista continua travada. Surgiu agora a informação, através da própria diretoria, que a questão envolve a quantia de R$ 40 mil, valor estabelecido pelo empresário do jogador para liberá-lo.

Gangues semeiam barbárie e insanidade

Mais uma vítima da insanidade nos estádios de futebol. O Hospital São Vicente de Paula, em S. Pauo, informou que o torcedor do Palmeiras Rafael Vinícius Moura, 26 anos, que perdeu a mão vitimado por uma bomba caseira durante confronto com torcedores do São Paulo no final da noite de domingo, em Jundiaí (SP), tem saúde estável e está consciente. A confusão de ontem deixou uma pessoa morta e 12 feridas na rodovia dos Bandeirantes. Segundo o hospital, o torcedor palmeirense Alex Furlan Santana, 29 anos, morreu após ser baleado na cabeça. Outros três torcedores do Palmeiras também foram baleados no confronto, mas nenhum deles corre risco de morrer.
 
Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, cerca de 200 torcedores do Palmeiras e do São Paulo que tomavam o rumo do interior se encontraram na rodovia dos Bandeirantes, em um local próximo a um posto de gasolina, por volta das 23h30 de domingo. O confronto interditou a rodovia dos Bandeirantes por cerca de 20 minutos, à altura do km 58, até a chegada da polícia.

Barbárie pura, por conta dos atos aloprados de gangues que se travestem de torcedores para levar violência e horror aos estádios. Essa gente, digo sempre, é inimiga do futebol. Torcedor de verdade não precisa se “organizar” para torcer. Quem faz isso não pertence a torcidas, mas ao crime organizado.

Coluna: O Papão jogou a toalha?

Na entrevista do Luiz Carlos Barbieri à TV RBA, depois do jogo com o Cametá, ficou claro o desconforto do técnico em relação à diretoria do Paissandu. A não ser que estivesse delirando, Barbieri disse que precisava de apoio nos momentos difíceis. Disse, ainda, que na hora dos maus resultados com a torcida fungando no cangote “ninguém aparece” nos vestiários. O recado foi claro.
Direto e claro, sem escamotear o fato de que a equipe voltou a jogar mal, tropeçando no Cametá e merecendo plenamente os apupos do torcedor, o treinador reafirmou que tem o grupo sob controle e que confia no potencial dos jogadores que indicou para o elenco. Mas, obviamente, precisa sentir segurança para que o trabalho possa ser desempenhado com tranqüilidade.
Pela reação dos torcedores, indignados com a fraca produção do time, ficou a impressão de que o torcedor não terá tanta paciência para aturar novos tropeços depois da sequência de quatro empates – jogos contra o Remo, Potiguar, Águia e Cametá. Nesse aspecto, Barbieri parece ter se apressado a alertar que está sozinho e que os problemas não envolvem seu grupo de jogadores. E se existem problemas, como ele sugeriu, só podem envolver a relação entre dirigentes e comissão técnica.
Estaria a diretoria do Paissandu jogando a toalha no primeiro turno, conformada com a baixa produção apresentada até aqui e se guardando para o returno? Se for esse o caso, talvez a intenção de reagir na segunda metade do campeonato não seja confiada ao mesmo comandante, o que explica o posicionamento de Barbieri.
De qualquer maneira, com a bola rolando, o time não deu motivos para o torcedor se sentir tranqüilo. O primeiro tempo foi patético, com erros infantis de posicionamento e incontáveis chutões dos zagueiros Leandro Camilo e Paulão em direção a área adversária. Moisés, o mais efetivo do time, era obrigado a voltar até o meio-campo, desempenhando o papel de meia que não se molda às suas características.
O time só melhorou no segundo tempo, já com Zé Augusto e Eanes em campo, mas ainda assim ficou exposto a sustos seguidos – como no gol legítimo de Rodrigo que o árbitro anulou. Claro que a ausência de Sandro é um ponto a considerar, pela capacidade de liderança e organização que o volante tem. No entanto, parece óbvio que o Paissandu não pode depender de apenas um jogador se quiser mesmo chegar ao tricampeonato.
 
 
O sábado à noite teve um surpreendente espetáculo de futebol no Baenão. O horário era o menos indicado, mas a torcida compareceu e viu Remo e S. Raimundo se apresentarem muito bem. O primeiro tempo já foi interessante, com ampla movimentação e jogadas de qualidade, mas foi na etapa final que a partida ficou eletrizante. A partir dos 10 minutos, os ataques se sucediam em alta velocidade, com chances de lado a lado. O desequilíbrio foi estabelecido por Samir, que substituiu Gian e comandou a busca remista pela vitória. Acabou recompensado, com méritos, marcando os dois gols que desempataram a partida.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda, 22)