Copa do Brasil aceita qualquer pasto

Como nem todos os promotores do Brasil são tão rigorosos quanto os daqui, a Copa do Brasil tem sido disputada em qualquer estádio, até naqueles que só têm um pasto para servir de campo de jogo. É o caso do estádio de Roraima, onde o Remo enfrentou o Progresso na Série C de 2008. No lance acima (arquivo do Bola), o meia-atacante Ratinho disputa bola pelo alto no manguezal roraimense. Em meio à lama e ao caos, o Remo ainda venceu por 1 a 0, gol de Ratinho.

Para a Copa do Brasil deste ano, o Paissandu vai jogar no estádio de Currais Novos contra o Potiguar (RN). As arquibancadas foram vetadas parcialmente e só existem 2.200 lugares disponíveis para o torcedor. O Barbalhão, em Santarém, que vai sediar S. Raimundo x Botafogo, esteve interditado até segunda-feira, por apresentar uma série de irregularidades. Misteriosamente, de uma hora para outra, foi liberado para o jogo. Coisas do futebol, paraense e brasileiro.

Parazinho corre o risco de ser paralisado

O adiamento do Re-Pa pode provocar a paralisação do Campeonato Paraense. Foi o que cogitou o presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, o primeiro a sair da reunião entre os dirigentes do clube, representantes dos órgãos de segurança e a Promotoria de defesa do consumidor, na sede do Ministério Público do Estado, na manhã desta quarta-feira. A reunião de ontem seria para contornar a situação. Contudo, após um encontro com cerca de três horas de duração, Osmar Nascimento, da Polícia Militar, Daniel Rosas, do Corpo de Bombeiros, além de Helena Muniz, Promotora do MP, mantiveram-se inflexíveis, apesar das pressões. Luiz Omar, diante da negativa, admitiu escassez de recursos financeiros para cumprir as exigências do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), inclusive, no estádio da Curuzu, cuja vistoria está programada para esta quinta-feira.

“Eu não tiro a razão do Ministério, mas acredito que eles estão sendo rigorosos. Pelo Brasil, há estádios piores”, disse LOP. “A Curuzu caminha, a passos largos, para ser fechada também”, continuou. ”Não sei como vão ficar os jogos, porque não vai ter estádio nenhum. Eu penso que o Paissandu pode jogar pela Copa do Brasil em Currais Novos”, finalizou, referindo-se ao interior do Rio Grande do Norte.  

Por volta de 12h30, a promotora Helena Muniz deu entrevista e reafirmou o veto. “Não é possível o jogo ser realizado no Mangueirão. Não haverá o jogo porque o Ministério Público precisa dos termos de ajustamento de conduta firmados e por questões de segurança”, assegurou. Segundo Muniz, a hipótese da recomendação ser contornada é nula. Inclusive, o Mangueirão não será liberado com restrições de público. “Não tem como realizar. Não será liberado com restrições. O documento assinado é improrrogável, era a última data”, esclareceu, referindo-se ao terceiro aditivo do TAC, assinado em 4 de dezembro por representantes da PM, MP, Corpo de Bombeiros e Seel, com relação às adaptações do estádio Edgar Proença. “A situação ficou insustentável, os estádios têm que acatar as exigências dos órgãos de segurança, em respeito ao consumidor”, disse a promotora. (Com informações de Nilson Cortinhas/Bola)

Vender também é perder

Por João Lopes Junior (englopesjr@gmail.com)

Adoro futebol. Mesmo sem nem saber direito chutar uma bola, sei direitinho as regras de impedimento, dos cartões, dos goleiros jogarem com as mãos e mais algumas, mas não todas, as regras do esporte que são dezessete. Tenho até um time do coração, o Clube do Remo, uns ídolos inesquecíveis, como Belterra, Agnaldo, Chico Monte Alegre, Artur e Gian. Embora tenha trinta anos de idade, lembro-me ainda de Varela, Alencar, Papelin, Edil e Ageu Sabiá, só pra citar alguns. Ia ao Baenão de vez em quando berrar, esgoelar-me e sair de lá sem voz só pra ter o prazer de assistir uns marmanjos jogarem bola e voltar de lá feliz com a vitória, ou aborrecido com uma derrota ou empate. São atos de torcedor. E como isso tudo significa torcer, eu sou um torcedor. Paraense por ter nascido aqui, e azulino desde antes de nascer. Mas, nem agora que o campeonato paraense tem se mostrado mais competitivo, equilibrado, um claro sinal de evolução, não vejo tantas razões para prestigiar o futebol parauara, sobretudo o dos times da capital. Mas também não tenho vontade de abandonar o time do Evandro Almeida e nem a rivalidade do Re-Pa. Nem o próprio Evandro Almeida. O goleiro confiável, a defesa segura, a criatividade do meio campo, a beleza e a construção das jogadas de ataque são o futebol em si, além da vibração da torcida, é claro. Somos bons, muito bons nisso. As maiores torcidas do Pará são chamadas de fenômeno azul e fiel bicolor não à toa. O esporte bretão é não só um orgulho nacional, como local também. E observando atentamente a linha do tempo da história é possível deduzir, não induzir, o que acontece de errado com esse nosso futebol. Analisando a circunstância financeira de Remo e Paissandu, fica muito claro ou que houve ineficiência na gestão desses clubes, ou corrupção, ou ainda um misto das duas coisas. Não é possível, sob hipótese nenhuma, afirmar que o futebol paraense não gera receitas e lucros. A deficiência real dos clubes é de competência e responsabilidade, não de mercado. E nem de caixa. O futebol é uma forte expressão da cultura popular do Pará. Esporte preferido da grande maioria dos paraenses consolidou-se por aqui como forte segmento econômico e político, sendo escolhido por muitos jovens da periferia que sonham em deixar pra trás a vida difícil da periferia como o meio de realizar desejos e projetos de vida num futuro como atleta profissional. Este caminho trilhado para o sucesso desde a infância e de poucas oportunidades é de alto risco para o investidor porque os atletas nativos não são desprezados somente quando alcançam a idade para debutar no profissional, mas desde quando chegam ao clube. Muitos cartolas ignoram que investir em jovens das categorias de base é uma atitude que traz lucros. Enquanto isso, as oportunidades vão surgindo para atletas oriundos de outras regiões do país, muito mais dispendiosos para o clube. Assim se dá o desperdício do patrimônio dos clubes. Um velho provérbio árabe diz que “quem compra o que não precisa, venderá o que precisa”. O Clube do Remo, que não precisara de tantos gastos para auferir lucros com o futebol, mas gastou mesmo assim, agora terá que vender o ainda tão necessário estádio do Baenão. A paixão do torcedor e a crescente qualidade do futebol paraense, com a tradição Remo e Paissandu, e agora acrescida pela valorosa contribuição de Águia e São Raimundo, torna os dirigentes responsáveis não somente pela qualidade técnica dos jogadores contratados, mas também pela qualidade do serviço de atendimento prestado ao torcedor. Nestes tempos de crescimento, o futebol do Pará deve se agigantar, e não recuar. A decisão de vender ou não o Evandro Almeida para que os sócios não tenham que passar pela vergonhosa situação de ver este patrimônio leiloado por valor irrisório tornou-se meramente uma questão contábil. Não leva em conta o amor e o carinho da torcida e nem o seu valor histórico. A possível venda do Baenão é até simbólica. Ilustra bem o total desprezo pelo trabalho, pelos sonhos e pela responsabilidade.

http://lopesjunior.wordpress.com/

MPE mantém o veto ao Mangueirão

Reunião entre representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros termina sem acordo no Ministério Público Estadual e o adiamento do clássicoRe-Pa está mantido. Presidentes de Remo e Paissandu reúnem nesta tarde de quarta-feira para avaliar a utilização do Baenão como palco do clássico, mas a confirmação vai depender do parecer da PM. Se o Comando do Policiamento garantir a segurança dentro e fora do estádio há chance de o jogo acontecer neste domingo. O problema é que, no ano passado, uma decisão de sub-20 terminou em batalha campal envolvendo torcidas organizadas, fora do Evandro Almeida.

Musa do basquete perde aposta e tira a roupa

Uma das mais badaladas musas do basquete europeu, Milica Dabovic finalmente topou fazer um ensaio sensual para uma revista masculina. Segundo a sérvia de 28 anos, as fotos só foram feitas devido a uma aposta perdida para um amigo.

Apesar da insistência dos fãs, Dabovic não quis revelar os detalhes da tal aposta, mas fez questão de explicar direitinho o significado de suas tatuagens: “Representam a força, o amor e a felicidade. O golfinho representa a inteligência e a bondade”, destacou a talentosa atleta.

Não sei por vocês, amigos do blog, mas não fiquei nem um pouco curioso em saber os motivos da aposta em que a Milica se meteu. O importante mesmo é que ela perdeu… E ainda bem que nem todo mundo é bom de jogo. (Do GloboEsporte)

Robinho terá proteção de oito seguranças

O Manchester City aceitou liberar o atacante Robinho por empréstimo ao Santos, mas exige toda segurança para o jogador em terras brasileiras. Segundo o jornal Estado de S. Paulo, o clube inglês irá bancar oito seguranças particulares para Robinho e sua família. A preocupação do Manchester tem um motivo: em 2004, a mãe de Robinho, Marina, foi sequestrada. O curioso é que o número de seguranças do craque no Brasil dobrou. Na Inglaterra, o clube inglês financiava quatro profissionais desta área para proteger o então camisa 10 da equipe. Segundo o Estadão, a rotina do jogador também mudou. Antes baladeiro, Robinho tem evitado a trepidante noite santista. Até agora, se limita a ir ao treino e voltar para casa. 

Lá em Baião esse negócio de oito homens por trás do cabra tem outro nome…

Coluna: Campeonato Parazinho

Depois da trapalhada envolvendo o convite ao Cametá para participar da primeira fase, que quase inviabilizou a abertura do campeonato e ainda aguarda decisão judicial, o adiamento do clássico entre Remo e Paissandu estoura como uma bomba sobre a frágil credibilidade de clubes, federação e governo estadual.
Confirma de vez a vocação para o desastre demonstrada por grande parte dos atuais dirigentes do futebol paraense. A cinco dias do jogo, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer reconhece publicamente que não cumpriu o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado em 2008, para reforma do estádio Edgar Proença. Com isso, o Ministério Público Estadual decidiu adiar a partida para 7 de março.
Curiosamente, a decisão não se ampara em riscos diretos para o torcedor. Segundo funcionários do estádio, mais de 80% das obras previstas no TAC já foram concluídos. Faltam serviços de limpeza, pintura, instalação de grade nas valetas em torno do Mangueirão e telas de proteção nas rampas de acesso às arquibancadas. Segundo o secretário Jorge Panzera, apesar das restrições técnicas, não haveria problema para realizar o jogo neste domingo, como previsto. Mas o MPE não entendeu assim.
E que ninguém culpe a comissão de vistoria dos estádios pelo rigor quanto às condições de seguranças. Na semana passada, abordei aqui a situação surrealista das praças esportivas (coluna “Em defesa do torcedor”). Simplesmente nenhum dos estádios está apto a receber jogos. Curuzu, Baenão, Zinho Oliveira, Navegantão e Parque do Bacurau são utilizados sob licença especial, carecendo ainda de obras complementares.
O estádio Barbalhão, de Santarém, foi liberado às pressas, anteontem, a tempo de ser confirmado pela CBF como palco de S. Raimundo x Botafogo pela Copa do Brasil. A realidade, nua e crua, é que a Federação Paraense de Futebol organiza campeonatos, mas não dá a mínima para as normas do Estatuto do Torcedor. Como se lei fosse potoca.
 
 
O descrédito que ronda o campeonato atinge níveis alarmantes e inspira teorias conspiratórias dos mais diversos matizes e intenções. Alastra-se, por exemplo, na internet, a tese de que o clássico teria sido adiado por pressão do Paissandu. As suspeitas se baseiam na proposta feita pelo clube, há duas semanas, de adiamento do Re-Pa para 28 de fevereiro, alegando justamente o atraso na reforma do estádio. Todas essas especulações, tisnadas pela paixão das torcidas, não se sustentariam se as autoridades do futebol merecessem crédito e respeito. Hoje, infelizmente, depois de tantos gestos irresponsáveis, o desalento do torcedor caminha rapidamente para o desinteresse total e definitivo pela principal competição oficial.
 
 
Reunião marcada para hoje, no MPE, pode reverter a decisão do adiamento. A repercussão negativa parece ter pesado na balança, mas o estrago do anti-marketing já está feito. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 03)