Mundico pode perder pontos do jogo com o Bota

A histórica vitória do São Raimundo contra o Botafogo (RJ) pode não ter efeito prático. Por conta de uma denúncia da Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o resultado de 1 a 0, favorável aos paraenses, corre o sério risco de ser anulado. O recurso da Procuradoria será julgado nesta sexta-feira, 26. Três jogadores do Mundico – Beto (volante), João Pedro (lateral-esquerdo) e Hallace (atacante) – não tiveram seus nomes incluídos no BID (Boletim Informativo Diário) um dia útil antes do jogo, como manda o regulamento da Copa do Brasil.

Contudo, de acordo com o advogado André Cavalcante, a defesa já está preparada: o S. Raimundo vai alegar que o erro foi da Federação Paraense de Futebol (FPF). “Vamos provar que com 20, 15 dias de antecedência, registramos tudo na FPF. Então, foi falha no registro lá. Tanto que, para nós, foi uma surpresa”, disse André, garantindo que pedirá documentos, via FPF, para confirmar sua tese. O problema será convencer o STJD. O Mundico pode perder os pontos da partida – três por jogador, perdendo a condição de permanecer na Copa do Brasil. (Com informações de Nilson Cortinhas/Bola)

Reação espetacular põe Independente em 2º

O Independente bateu o Águia de Marabá por 4 a 3, no Zinho Oliveira, e chegou ao segundo lugar na classificação do campeonato, passando o Paissandu no saldo de vitórias. Depois de estar perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo, a equipe de Samuel Cândido reagiu e acabou virando o placar na etapa final. 

O Águia abriu o placar com Samuel Lopes, de cabeça, aos 22 minutos do primeiro tempo. Já nos acréscimos, aos 46 minutos, o zagueiro Bernardo ampliou para 2 a 0. No segundo tempo, Euller diminuiu aos 8 minutos, cobrando pênalti. Ró, de cabeça, aos 15, empatou. Diego Silva, aos 16, e Jean Carlos, aos 27, completaram. O Águia ainda diminuiu através de Soares, que converteu pênalti aos 34 minutos. 

O resultado excepcional fez com que o Independente alcançasse a vice-liderança do campeonato, afastando o Águia da disputa e deixando o Paissandu em situação desconfortável e com a obrigação de derrotar o S. Raimundo em Santarém na rodada final. Além disso, o resultado pode mudar a configuração das semifinais do turno. A renda foi de R$ 27.748,00 , para um público de 1.917 pagantes, com 259 credenciados e 2.176 torcedores no total. 

Classificação:        

1º Remo, 16 pontos 
2º Independente, 10 (3 vitórias) 
3º Paissandu, 10 (2 vitórias) 
4º Santa Rosa, 8 
5º Cametá, 7 
6º Águia, 5 (saldo: -1) 
7º São Raimundo, 5 (saldo: -2) 
8º Ananindeua, 3

Ex-xerife remista pode defender o Paissandu

Zagueiro Diego Barros, que fez sucesso defendendo o Remo há dois anos, está acertando seu retorno ao futebol paraense para jogar justamente pelo maior rival, o Paissandu. Para os que estranham sua opção, o jogador diz que foi melhor tratado pelos bicolores do que pela diretoria do Remo depois que deixou o Baenão, com vários meses de salários atrasados.

Santa Rosa bate tartaruga e entra no G-4

O Santa Rosa derrotou, de virada, o Ananindeua por 3 a 2, na tarde desta terça-feira, no estádio Baenão, em jogo válido pela sexta rodada do campeonato. O Ananindeua abriu o placar com Júnior Belém, aos 12 minutos do primeiro tempo. O empate do Santa Rosa veio através de Marclésio, aos 33 minutos. No segundo tempo, Kevson pôs o Santa Rosa em vantagem logo a 1 minuto e o empate do Ananindeua veio em cima do lance, aos 3 minutos, com Marituba, de cabeça. O gol da vitória do Santa Rosa aconteceu aos 20 minutos, marcado por Marclésio.

O resultado tirou o Santa Rosa da sétima colocação e o colocou no G-4, assumindo agora a terceira posição, com 8 pontos conquistados. A renda foi de R$ 515,00 , para um público de 60 pagantes, com 135 credenciados – 195 torcedores no total.

Fifa admite atraso em obra de estádio africano

A Fifa admite, pela primeira vez, que a construção do principal estádio da Copa, localizado em Joanesburgo, está atrasada. Há possibilidade de que a inauguração ocorra em maio, mas o mais provável é que o estádio seja entregue no dia 11 de junho, data do jogo inicial, entre África do Sul e México, sem que seja submetido a qualquer evento-teste.

Colorado aposta em arqueiros veteranos

Pato Abbondanzieri não é uma aposta qualquer da diretoria do Internacional. O histórico dos grandes títulos do Colorado mostra que os goleiros experientes sempre estiverem em destaque nas grandes conquistas do clube. Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, ex-ídolo do Botafogo nos anos 60, participou do bicampeonato brasileiro em 1975/76. O arqueiro tinha 38 e 39 anos, respectivamente, em cada uma das taças. E ele não parou por aí: atuou depois por Operário-MS, Coritiba, no rival Grêmio e no Equador, quando encerrou a carreira no Barcelona com 45 anos. Clêmer (ex-Remo) era o titular nas históricas conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2006: o goleiro maranhense ganhou o torneio continental com 37 anos e o mundial com 38. Jogou pelo Internacional até o ano passado, quando se aposentou com 40 anos. O argentino Roberto Abbondanzieri tem 37 anos. Sua passagem mais marcante foi pelo Boca Juniors, quando ganhou duas Libertadores e dois Mundiais (2000, na reserva, e 2003, como titular), chegando a defender a seleção argentina na Copa de 2006 como titular. Depois de atuar pelo Getafe, da Espanha, retornou ao time argentino, mas não teve o mesmo sucesso e parou na reserva. (Da ESPN) 

Copa 2010: na defensiva, africanos atacam Brasil

A África do Sul é injustamente considerada o país mais violento do mundo e o Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, tem problemas maiores com a criminalidade, disse nesta segunda-feira o principal chefe de polícia do país anfitrião do Mundial da Fifa deste ano. “Eu diria que o crime no Brasil é pior… acho que lá é o único país do mundo onde um helicóptero foi derrubado por criminosos”, disse em entrevista à Reuters o comissário de polícia do país Bheki Cele nesta segunda-feira. “Normalmente um helicóptero é alvejado em campos de batalha.”

“Quando as pessoas dizem que a África do Sul lidera (as estatísticas de criminalidade), com que base elas dizem isso se não existe uma estatística internacional sobre crimes?”, questionou. O comissário referiu-se ao ataque de supostos traficantes a um helicóptero da polícia do Rio de Janeiro em outubro de 2009, quando a aeronave foi derrubada por disparos dos suspeitos durante operação numa favela da cidade.

Críticos afirmam que os altos índices de criminalidade são uma grande preocupação para torcedores estrangeiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo da África do Sul entre junho e julho. Estatísticas oficiais do governo sul-africano mostram que mais de 18.000 pessoas foram assassinadas no país em 12 meses até março de 2009. Isso significa quase 50 assassinatos por dia, mais do que nos Estados Unidos, que têm população seis vezes maior. (Da Reuters)

Dois jogos complementam 6ª rodada do campeonato

Dois jogos complementam hoje a sexta rodada do Campeonato Paraense. Em Marabá, no Zinho Oliveira, às 20h, o Águia recebe o Independente precisando vencer para manter as chances de classificação à semifinal do turno. Antes, em Belém, às 15h30, o confronto será entre Santa Rosa e Ananindeua. Na mesma posição da equipe marabaense, o Santa Rosa ainda sonha com o G-4.  

Classificação atualizada:

1º Remo, 16 pontos 
2º Paissandu, 10 
3º Independente, 7 (2 vitórias) 
4º Cametá, 7 (1 vitória) 
5º Águia, 5 (saldo: 0) 
6º São Raimundo, 5 (saldo: -2) 
7º Santa Rosa, 5 (saldo: -3) 
8º Ananindeua, 3

Enfim, uma pesquisa da maior relevância

Chega a alvissareira notícia sobre uma nova pesquisa feita no Reino Unido. Desta feita, o tema é a chamada protuberância física. Os britânicos elegeram a cantora Beyoncé e a atriz Megan Fox (franquia Transformers), ambas norte-americanas, como donas dos “melhores corpos” entre as celebridades, segundo o site especializado em futilidades Pop Crunch. O estudo foi encomendado pela Twentieth Century Fox. Beyoncé recebeu 24% dos votos entre as mulheres ouvidas na pesquisa, enquanto Fox foi a preferida de 20% dos homens. De acordo com o site bisbilhoteiro, os homens também elegeram a atriz como a mulher com a qual gostariam de dormir caso tivessem a autorização de suas parceiras – ou não.

Trata-se obviamente de uma evolução no gosto dos ingleses, que antes viviam endeusando Angelina Jolie e suas canelas de lápis.

Pensata: Quantos Haitis?

Por José Saramago

Quantos Haitis? No Dia de Todos os Santos de 1755 Lisboa foi Haiti. A terra tremeu quando faltavam poucos minutos para as dez da manhã. As igrejas estavam repletas de fiéis, os sermões e as missas no auge… Depois do primeiro abalo, cuja magnitude os geólogos calculam hoje ter atingido o grau 9 na escala de Richter, as réplicas, também elas de grande potência destrutiva, prolongaram-se pela eternidade de duas horas e meia, deixando 85% das construções da cidade reduzidas a escombros. Segundo testemunhos da época, a altura da vaga do tsunami resultante do sismo foi de vinte metros, causando 600 vítimas mortais entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Os incêndios durariam cinco dias. Os grandes edifícios, palácios, conventos, recheados de riquezas artísticas, bibliotecas, galerias de pinturas, o teatro da ópera recentemente inaugurado, que, melhor ou pior, haviam aguentado os primeiros embates do terramoto, foram devorados pelo fogo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. Conta-se que à pergunta inevitável “E agora, que fazer?”, o secretário de Estrangeiros Sebastião José de Carvalho e Melo, que mais tarde viria a ser nomeado primeiro-ministro, teria respondido “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos”. Estas palavras, que logo entraram na História, foram efectivamente pronunciadas, mas não por ele. Disse-as um oficial superior do exército, desta maneira espoliado do seu haver, como tantas vezes acontece, em favor de alguém mais poderoso.

A enterrar os seus cento e vinte mil ou mais mortos anda agora o Haiti, enquanto a comunidade internacional se esforça por acudir aos vivos, no meio do caos e da desorganização múltipla de um país que mesmo antes do sismo, desde gerações, já se encontrava em estado de catástrofe lenta, de calamidade permanente. Lisboa foi reconstruída, o Haiti também o será. A questão, no que toca ao Haiti, reside em como se há-de reconstruir eficazmente a comunidade do seu povo, reduzido não só à mais extrema das pobrezas como historicamente alheio a um sentimento de consciência nacional que lhe permitisse alcançar por si mesmo, com tempo e com trabalho, um grau razoável de homogeneidade social. De todo o mundo, de distintas proveniências, milhões e milhões de euros e de dólares estão sendo encaminhados para o Haiti. Os abastecimentos começaram a chegar a uma ilha onde tudo faltava, fosse porque se perdeu no terramoto, fosse porque nunca lá existiu. Como por acção de uma divindade particular, os bairros ricos, em comparação com o resto da cidade de Porto Príncipe, foram pouco afectados pelo sismo. Diz-se, e à vista do que aconteceu no Haiti parece certo, que os desígnios de Deus são inescrutáveis. Em Lisboa as orações dos fiéis não puderam impedir que o tecto e e os muros das igrejas lhes caíssem em cima e os esmagassem. No Haiti, nem mesmo a simples gratidão por haverem salvo vidas e bens sem nada terem feito para isso, moveu os corações dos ricos a acudir à desgraça de milhões de homens e mulheres que não podem sequer presumir do nome unificador de compatriotas porque pertencem ao mais ínfimo da escala social, aos não-ser, aos vivos que sempre estiveram mortos porque a vida plena lhes foi negada, escravos que foram de senhores, escravos que são da necessidade. Não há notícia de que um único haitiano rico tenha aberto os cordões ou aliviado as suas contas bancárias para socorrer os sinistrados. O coração do rico é a chave do seu cofre-forte.

Haverá outros terramotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenómenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais. Não será para amanhã, podemos viver e morrer tranquilos. Mas, di-lo quem sabe, as sete eras glaciais por que o planeta passou até hoje não foram as únicas, outras haverá. Entretanto, olhemos para este Haiti e para os outros mil Haitis que existem no mundo, não só para aqueles que praticamente estão sentados em cima de instáveis falhas tectónicas para as quais não se vê solução possível, mas também para os que vivem no fio da navalha da fome, da falta de assistência sanitária, da ausência de uma instrução pública satisfatória, onde os factores propícios ao desenvolvimento são praticamente nulos e os conflitos armados, as guerras entre etnias separadas por diferenças religiosas ou por rancores históricos cuja origem acabou por se perder da memória em muitos casos, mas que os interesses de agora se obstinam em alimentar. O antigo colonialismo não desapareceu, multiplicou-se numa diversidade de versões locais, e não são poucos os casos em que os seus herdeiros imediatos foram as próprias elites locais, antigos guerrilheiros transformados em novos exploradores do seu povo, a mesma cobiça, a crueldade de sempre. Esses são os Haitis que há que salvar. Há quem diga que a crise económica veio corrigir o rumo suicida da humanidade. Não estou muito certo disso, mas ao menos que a lição do Haiti possa aproveitar-nos a todos. Os mortos de Porto Príncipe foram fazer companhia aos mortos de Lisboa. Já não podemos fazer nada por eles. Agora, como sempre, a nossa obrigação é cuidar dos vivos.