Coluna: No rastro da manipulação

Enquanto desconfianças povoavam somente o pensamento do torcedor de arquibancada ainda era possível sustentar a situação. O problema é que a sucessão de resultados esquisitos saiu do terreno das teorias conspiratórias para despertar a atenção das autoridades policiais. Na Alemanha, onde o cerco à máfia de apostas ilegais tem sido mais enérgico, foi anunciado na sexta-feira um inédito processo de investigação sobre 200 jogos de primeira e segunda divisões.
Os jogos investigados valiam pela Liga dos Campeões da Europa, Copa da Uefa e de nove campeonatos nacionais – Suíça, Croácia, Eslovênia, Turquia, Alemanha, Bélgica, Hungria, Bósnia e Áustria – realizados neste ano. Há indícios de que jogadores, dirigentes e árbitros estão enrolados até o fio dos cabelos num mega-esquema de manipulação de resultados.
Mais de 300 policiais participam das diligências e 17 pessoas já foram detidas na Alemanha e Reino Unido, devendo levar aos principais responsáveis pelos crimes. É, desde já, o maior escândalo de manipulação de jogos no futebol mundial.
As dúvidas já rondam até partidas de Copa do Mundo, como as insistentes denúncias sobre o suborno de jogadores de Gana no Mundial da Alemanha, em 2006. Até o jogo vencido pelo Brasil é apontado como “vendido” aos chefões das apostas clandestinas.    
Mesmo ainda fora do raio de investigações, dirigentes, políticos e setores da imprensa russa parecem não ter digerido até agora a surpreendente eliminação da seleção de Guus Hinddink para a Eslovênia na repescagem européia para a Copa 2010.
De nada adiantou a presença de Arshavin, Pavlyuchenko e Zhirkov em campo. Todos são craques respeitados em toda a Europa, mas não renderam o suficiente para salvar a velha Rússia. Mas o que a princípio foi visto apenas como uma jornada inglória já recebe outra avaliação. A apatia do time nos dois confrontos é o que mais alimenta as cismas.
Como a cruzada anticorrupção no futebol é empreendida na Europa não duvido que enquadre os criminosos, mesmo se sabendo que é o tipo da operação que não deixa pegada ou recibo.
No Brasil, só para demarcar a diferença, a mais ruidosa maracutaia do gênero terminou em risível desfecho: a “máfia do apito”, descoberta em 2005 e centrada no ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, ficou livre das grades porque desembargadores entendem que os crimes não lesaram ninguém. Como se o futebol não fosse a vítima maior de toda a sujeira.
 
 
As investigações internacionais talvez acabem batendo em partidas cujo placar desafia a lógica. É o caso daquele estranho Argentina 6, Peru 0, na Copa de 1978. Ou do mais recente França 3, Brasil 0, final da Copa de 1998 marcada indelevelmente pelas convulsões de Ronaldo e profunda letargia dos canarinhos em campo.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)

Bugre, Vovô e Atlético-GO chegam à elite

Atlético-GO, Ceará e Guarani garantiram neste sábado, com uma rodada de antecedência, o objetivo que há tantos anos buscavam e disputarão a Série A em 2010. A espera foi longa para as equipes: somado o jejum das três, foram 45 anos longe da elite do futebol nacional. Os goianos, que ficaram 23 anos fora da primeira divisão, eram os mais ameaçados de sair do G-4 nesse fim de semana. O time entrou em campo para pegar o Juventude, fora de casa, em quarto lugar, com 62 pontos, seguido de perto por Figueirense, com 60, e Portuguesa, com 58.

Mas o Atlético fez sua parte, bateu seu adversário, ameaçado de rebaixamento, por 3 a 1, e contou com o tropeço do Figueirense contra o Duque de Caxias em Florianópolis, por 2 a 1. A Portuguesa conseguiu surpreender o Vasco no Maracanã e carimbar a faixa de campeão dos cariocas com uma vitória por 1 a 0, mas o resultado foi em vão.

Para Ceará e Guarani, a vaga já estava mais próxima. O clube de Fortaleza nem precisaria de um triunfo contra a Ponte Preta fora de casa para subir depois de 16 anos. No entanto, fez questão de bater os donos da casa em Campinas por 2 a 1 e deixar a festa completa. O Guarani perdeu para o Bahia em Salvador por 2 a 0, mas o placar não tirou a alegria dos bugrinos, fora da Série A há seis anos. (Da ESPN)

E pensar que, há dois anos, esse mesmo Guarani estava decidindo vaga na Série C com o Águia de Marabá, lembram? Pois é…

Pensata: O Santos de Marcelo Teixeira

Por Cosme Rímoli

No último instante.

No último minuto para a inscrição da chapa, eis que rojões anunciam o que todos já estavam cansados de saber. A novidade? Marcelo Teixeira candidato ao sexto mandato consecutivo no Santos. Ele é dono de rádio, televisão e faculdade. É milionário…

Sua maneira moderna de administração permite até empréstimos do próprio bolso ao clube. Empréstimos é empréstimo e ele sempre pegou de volta. No cinco mandatos sempre procurou entregar o futebol para um treinador fazer o que quisesse no departamento. Nunca quis discussões. Preferia delegar. Foi assim que Leão e Luxemburgo se revezaram, mandando em tudo.

Desde a contratação de jogadores, construção do CT, do hotel dentro do CT, da mudança da posição do banco de reservas na Vila Belmiro. O pré-candidato ao Senado por Tocantins, Luxemburgo, se coloca como principal cabo eleitoral de Teixeira. E aponta com grupos de investidores dispostos a gastar muito dinheiro com o time. Desde que o treinador seja ele e o presidente Marcelo. Se não forem os dois no comando, o Santos não interessa…

Quem reclama pela continuidade de Marcelo Teixeira não deve criticá-lo. O problema é de quem vota. E também os seus adversários. Nunca conseguiram se articular, convencer os eleitores. E sempre se defenderam acusando Marcelo de utilizar a máquina eleitoral e de tratar o Santos como o quintal de sua casa.

Profundamente religioso, várias vezes permitiu que pais de santo benzessem a Vila Belmiro antes de partidas importantes. As suas convicções religiosas sempre foram respeitadas até por ser presidente do Santos. Só que jogadores evangélicos nunca tiveram vida boa no clube. Pelo contrário. Ainda mais com Luxemburgo. O volante e pastor Roberto Brum, adorado pelos companheiros, que o diga.

Marcelo é filho do empresário Milton Teixeira, presidente uma vez e vice outras três. Mas mesmo vice era ele quem mandava. Ou seja: na prática já são nove mandatos dos Teixeira.

Nove mandatos da família. Nove.

Com o atual presidente, o clube foi campeão do Brasil, de São Paulo, vice da Libertadores. E também quase foi rebaixado. Outra vez ele é favorito à reeleição. O candidato de oposição, o sociólogo Luís Alvaro de Oliveira sabe que suas chances são reduzidas. E protesta, acusa Marcelo de comandar uma ditadura, de continuísmo…

Mas o Santos não é exceção. Com a conveniência das leis brasileiras, os estatutos dos clubes são manipulados para permitir reeleições até o infinito… Não por acaso, os dirigentes passam a acreditar que o clube é apenas mais uma de suas várias posses…

França é espinha atravessada na garganta

A França é a única seleção das 32 classificadas para a Copa do Mundo de 2010 que leva vantagem contra o Brasil no confronto direto. Os franceses venceram cinco vezes, perderam quatro e empataram outras quatro contra a seleção brasileira. A última vitória do Brasil foi em 1992, em um amistoso entre as duas equipes em Paris (França). Os brasileiros venceram por 2 a 0. Curiosamente, a equipe era a base da seleção campeã de 1994, mas Dunga não estava em campo.

Desde então, os franceses mantém um tabu de cinco jogos sem perder, com direito a duas vitórias em fases decisivas das Copas de 1998 (final) e 2006 (quartas de final). O Brasil venceu apenas uma vez os franceses em competições internacionais: 5 a 2 no Mundial de1958. Fora o “bicho papão” francês, o Brasil tem vantagem contra todas as outras seleções consideradas favoritas. Os alemães, desde a reunificação do país, bateram o Brasil apenas uma vez. Espanha e Inglaterra derrotaram os brasileiros duas e três vezes, respectivamente, mas perderam quatro e 11 partidas. A Itália, arquirrival brasileira em Copas, venceu cinco jogos e perdeu sete.

Os duelos mais equilibrados são contra os argentinos e holandeses. Contra os hermanos, o Brasil venceu 37 jogos e perdeu 33, com 23 empates. A Holanda encarou a Seleção Brasileira nove vezes, com três vitórias da equipe verde-amarela, quatro empates e duas derrotas. Entre as seleções classificadas, o Brasil nunca enfrentou quatro delas: Coreia do Norte, Costa do Marfim, Eslovênia e Sérvia. Entre as equipes que já enfrentaram os brasileiros, oito não têm nenhum vitória no duelo direto: Eslováquia, Grécia, Gana, Nigéria, Argélia, África do Sul, Japão e Nova Zelândia. (Do R7)

Estive lá e vi de perto o último embate contra os franceses, naquela triste noite em Frankfurt, na Copa de 2006. Antes do jogo ainda no comitê de imprensa do belíssimo estádio, apesar de ninguém admitir, todo mundo estava tenso, temendo o pior. Durante a partida, depois de um início confuso (com direito a aviãozinho de Zidane em Ronaldo), o Brasil deu sinais de que poderia arrancar uma vitória, mas o gol de Thierry Henry foi um golpe duríssimo. Sem capacidade de reação, o Brasil viu os minutos passarem e os franceses cozinharem o galo até a vitória. Não tive dúvida de aquela batalha foi decisiva para conduzir, emocionalmente, a França de Zidane à finalíssima contra a Itália.