Além da bandidagem institucional, expressa na execução de um homem por uma dupla de policiais militares da Rotam, no sábado à noite, no bairro de Canudos, um tenente da Polícia Militar, identificado como Sullivan, da Companhia de Policiamento Escolar (Cipoe), cometeu outra arbitrariedade durante a apresentação dos presos na Seccional de São Brás, no final da tarde de domingo.
Descontrolado, Sullivan partiu para cima da equipe de reportagem do DIÁRIO, que cobria a prisão dos policiais criminosos, ameaçando com palavrões e dedo em riste a repórter Adriana Oliveira. Tudo sob a vista complacente dos demais oficiais, policiais e delegados presentes.
O tal tenente, veja só, queria impedir que a repórter anotasse informações sobre o crime praticado pela dupla de PMs. “Tu não vai escrever nada. Se tu escrever qualquer coisa, vais ver o que te acontece”, ameaçou, aos gritos. Alterado, gritava em defesa da dupla: “Eles não são bandidos”, baseado na lógica caolha que distingue bandidos fardados de criminosos comuns.
Sullivan deveria saber que bandido é quem pratica crime e os dois militares estão inseridos nessa prática, pois saíram à paisana para executar um civil. Usavam armamento de uso exclusivo da PM e coletes à prova de balas – aliás, essa providência evitou que morressem no confronto com a própria Polícia Militar.
Os dois acusados são o cabo Francisco Canindé da Paixão Ribeiro e o soldado Alberto Araújo Fausto, ambos da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam). Eles mataram Bruno Ricardo Bezerra Gomes, 23 anos, e balearam outras duas pessoas. Na hora do crime, passou pelo local uma viatura da PM e os acusados trocaram tiros com os próprios colegas de farda. É bandidagem pura e simples ou não é?
O tal Sullivan precisa urgentemente ser informado sobre o que é crime. E cabe à corporação tomar as providências cabíveis para punir o tenente despreparado, pela agressão verbal e tentativa de intimidação aos repórteres do DIÁRIO. Queixa nesse sentido já foi devidamente encaminhada à Corregedoria da Polícia Militar (cujo titular, aliás, testemunhou as diatribes do tenente), ao comandante geral da PM e ao secretário de Segurança Pública.
Informações surgidas na manhã desta segunda-feira indicam que o soldado Araújo, baleado na perna durante o tiroteio com a guarnição da PM, seria motorista do próprio comandante geral da PM. Estaria de folga no sábado, quando foi ao bairro de Canudos acompanhar o cabo Canindé no “serviço” que vitimou Bruno Gomes.
A mulher de um dos militares acusados pelo crime, estimulada pelos chiliques do tenente Sullivan, também investiu contra a repórter e o fotógrafo, tentando impedir que os dois criminosos fossem fotografados ao chegarem à Seccional de São Brás.