Treino é treino, jogo é jogo

POR GERSON NOGUEIRA

A histórica frase de mestre Didi ganha outros contornos em meio às discussões quanto à retomada do futebol no Pará. Tudo porque a ausência de um protocolo específico para treinos motivou uma reclamação do presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul. Com razão, ele cobrou a necessidade de um entendimento quanto aos testes e providências que devem ser adotados por todos os clubes para o retorno das atividades.

Observa que, até por problemas de ordem financeira, nem todos os clubes do Parazão terão condições para arcar com o pagamento dos testes da covid-19, dentro das especificações consideradas seguras, como prazos para a aplicação dos exames e a necessidade de confinamento de atletas.

Ricardo argumenta que os testes rápidos não são confiáveis para verificar contaminação, pois têm uma margem de erro de até 70%. O risco está na falta de um compromisso de todos os clubes com medidas iguais, que sejam cumpridas da mesma forma.

Como referência, citou o exemplo do Campeonato Alemão, onde os jogadores foram submetidos a testes rigorosos e os times seguem protocolo severo, que inclui isolamento em hotéis com saídas permitidas apenas para treinos e jogos.  

A questão é que, ao contrário das principais ligas de futebol do planeta, o Brasil convive com problemas básicos quanto à saúde, agravados pelas consequências da pandemia. No âmbito do futebol, existe um fosso entre os clubes, com profunda desigualdade de recursos e meios.

O problema se reproduz, em escala menor, no Pará. A dupla Re-Pa tem grandes torcidas e, por isso, concentra os recursos provenientes da bilheteria dos jogos e patrocínios. Na pandemia, mesmo sem o dinheiro oriundo da renda dos jogos, os grandes da capital têm maior margem de captação de recursos em comparação com as agremiações interioranas que disputam o campeonato estadual.

Vantagens expressivas em momento de grande crise financeira e dificuldades em todas as áreas de atividade. Quando defende um protocolo de treinos, que é essencialmente um conjunto de normas para o período de preparação dos times, o presidente do Papão manifesta também a preocupação com problemas decorrentes do afrouxamento de protocolo.

Teme, por exemplo, que jogadores acabem infectados em consequência de falhas na prevenção por parte de um ou outro clube. E essa situação, caso ocorra, não significará negligência, mas dificuldade financeira em adquirir os testes e bancar o período de confinamento dos atletas.

A desigualdade entre os clubes pode levar a sérios problemas quando o campeonato for reiniciado, caso a obrigatoriedade de procedimentos não seja igual para todos os envolvidos. E quem, em última instância, precisa se responsabilizar por isso é a Federação Paraense de Futebol.

Em meio a isso, a FPF diz esperar a manifestação dos clubes quanto ao protocolo dos jogos. Eles poderão contribuir com sugestões e críticas ao estudo formulado. No próximo dia 16 de junho, o protocolo será encaminhado para avaliação do Governo do Estado, a fim de balizar a decisão sobre a retomada do futebol.

Uma carreira pontuada pelo individualismo absoluto

Cristiano Ronaldo uniu-se ontem aos principais bilionários do futebol mundial, alcançando o seu primeiro US$ 1 bilhão, dinheiro referente ao faturamento na temporada passada. Chega ao patamar do golfista Tiger Woods, tenistas e astros do pugilismo internacional.

Não quer dizer absolutamente nada aos simples mortais, que não fazem sequer ideia da montanha de dinheiro que 1 bilhão de dólares representam, mas é mais um galardão na carreira vitoriosa do craque português hoje atleta da Juventus de Turim.

CR7 vive, há algum tempo já, da acumulação de recordes pessoais no futebol. Coloca-se, desse modo, acima do primado de coletividade, tão defendido pelos cultores do esporte. Aprendemos desde sempre que futebol é jogo coletivo e que o individualismo não constrói.

Quando o atacante lança aqueles olhares às câmeras durante os jogos, checando se o cabelo está penteado e o visual satisfatório, reforça o lado vaidoso e a preocupação com a própria imagem.

Não é o primeiro e seguramente não será o último a agir assim, mas com certeza é o astro que mais investiu em si mesmo, o que inclui premiações e alto faturamento. Não pode ser julgado por isso. É apenas o exemplo vivo de como o esporte das multidões virou um negócio portentoso.

Fox elege Papão de todos os tempos quase perfeito

A Fox acaba de montar o esquadrão bicolor de todos os tempos, com Castilho; Pikachu, Gino, Maurício e Paulo Tavares; Sandro Goiano, Quarenta e Iarley; Robgol, Vandick e Bené. O lado positivo é qu ficou bem melhor escolhido do que o “Remo de todos os tempos” eleito pela torcida azulina na internet.

Apesar de alguns torcedores mais tradicionalistas terem observado a ausência de jogadores importantes, como Omar, Aldo, João Tavares, Ércio, Lupercínio, Paulo Robson, Roberto Bacuri, Chico Spina e Vila, é inegável que o time escalado faz jus à relevância dos atletas votados.

Fazer a escolha de nomes para definir um time histórico, atravessando décadas de existência do clube, é uma missão das mais complicadas, sujeita a erros e muitas injustiças.

Por sorte, na lista da Fox estão nomes inquestionáveis, como Castilho (foto), Quarenta, Paulo Tavares, Iarley, Bené e Vandick. O próprio Iarley, de curta passagem pelo PSC, tem a escalação justificada pelo gol mítico na Bombonera, historicamente o mais valioso de todos os tempos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)

Rock na madrugada – John Fogerty & Bruce Springsteen, Fortunate Son

Duas autarquias do rock’n’roll.

Carta dos Corintianos

Tens razão, Jair Bolsonaro: o Corinthians é oposição a você.
O Corinthians foi fundado por operários, esses que você e sua turma estão roubando os direitos mais básicos como a aposentadoria e a dignidade.
O Corinthians foi o primeiro clube paulista a aceitar negros em seu elenco, os negros que você manda pesar por arroba como se fossem bois.
O Corinthians foi o primeiro clube no Brasil a ter uma mulher presidentA, essas que você trata como vagabunda, fraquejada e ser humano inferior.
A torcida do Corinthians foi a primeira a apoiar a Anistia e a falar em Democracia quando o país vivia uma plena ditadura. Isso mesmo, DITADURA! Aquele terror mesmo que gente sem caráter como você apóia até hoje, exaltando assassino e torturador, chamando golpe de Revolução.
O Corinthians nasceu de um sentimento popular. Surgiu para enfrentar clube de elite e vencê-los, um a um, dentro do campo. Sim, há uma questão de classe. E viemos para derrotar essa mesma elite que hoje lhe bajula por interesses próprios e mesquinhos.
O Corinthians sempre foi o time da festa, da Democracia, da Revolução, da Luta, da VIRADA!
Presta atenção, Bolsonaro: somos totalmente o oposto de você, que ganha eleição com facada mentirosa, com fakenews, pregando divisão do povo brasileiro, fazendo uso espúrio até da fé da nossa gente.
Enquanto outros clubes queriam se isolar em colônias, o Corinthians sempre recebeu bem todas elas, do carroceiro espanhol ao alfaiate italiano.
Recebemos de braços abertos o nordestino que veio a São Paulo e se sentiu acolhido no meio da Fiel. Somos o time com o maior número de torcedores nordestinos do Brasil. Com orgulho!
Queremos conosco aquele refugiado africano, árabe, haitiano ou latino-americano que sobreviveu a mais uma luta pela vida e decidiu empunhar orgulhoso nosso manto sagrado. Refugiados que você chamou de escória.
Jair Bolsonaro, ainda que você tenha votos entre alguns de nossos torcedores e torcedoras, explicamos: eles e elas ainda não compreenderam a real dimensão e os valores do que é o Corinthians.
Enfim, você está certo Bolsonaro: historicamente nós somos seus opositores, porque a História ninguém muda. A nossa é de LUTA.
E é um imenso prazer sermos seus opositores. Mas não pára por aí: nós já somos seu pior pesadelo. Vai Corinthians! FORAbolsonaro, presidente minúsculo.

Governo tira R$ 84 milhões dos pobres do Nordeste para reforçar propaganda

Em plena pandemia de coronavírus e aprofundamento da recessão econômica, o governo Bolsonaro decidiu retirar R$ 83,4 milhões do fundo que combate a pobreza e extrema pobreza no Nordeste e repassar o dinheiro para a SECOM, a Secretaria Especial de Comunicação Social.

A informação é do site Metrópoles, que informou constar no Diário Oficial da União desta quinta (4) a decisão que transfere R$ 83.904.162 dos cofres da Transferência de Renda Diretamente às Famílias em Condição de Pobreza e Extrema Pobreza para a SECOM.

Nesta semana, a SECOM ganhou os holofotes da mídia depois que o jornal O Globo revelou que a secretaria pagou 2 milhões de anúncios do Google (mídia programática) em sites de extrema-direita que propagam fake news e outros portais e aplicativos que veiculam conteúdo impróprio.

A SECOM também envolve-se em polêmica no final de maio, quando o secretário Fabio Wajngarten, saiu indiretamente em defesa de sites de direita, como o Conexão Política e o Jornal Cidade Online, que vem sendo denunciados pelo movimento Sleeping Giants Brasil, que alertam empresas e marcas sobre os anúncios automáticos nesses tipos de portais.

Outro troféu para o choque-rei

POR GERSON NOGUEIRA

Com ou sem suspensos pelo TJD-PA, Remo e Paysandu decidem título ...

Em tempo de pandemia, com competições esportivas paralisadas, até uma disputa de votos na internet traz alento e alegria às torcidas mais vibrantes da Região Norte. Ao longo das últimas duas semanas, uma eleição em âmbito nacional promovida pelo canal Esporte Interativo escolheu o maior clássico do Brasil: deu Re-Pa em primeiro lugar com vitória na finalíssima sobre o tradicional confronto baiano Ba-Vi.

A disputa foi estruturada inicialmente por chaveamentos que envolveram 16 grandes clássicos nacionais. A escolha mobilizou as torcidas e contabilizou diariamente milhares de votos nas redes sociais Facebook, Instagram e Twitter. É a primeira vez que o choque-rei da Amazônia vence uma disputa desse gênero.

O Re-Pa começou superando os clássicos potiguar (América x ABC), pernambucano (Santa Cruz x Sport). Depois, na semifinal, suplantou o duelo paulista Corinthians x São Paulo.

Enquanto isso, na outra chave, o Ba-Vi conquistou vitórias sobre outro grande duelo paulista (Corinthians x Palmeiras), além do cearense (Ceará x Fortaleza) e do gaúcho (Grêmio x Internacional).

Finalistas, Re-Pa e Ba-Vi protagonizaram uma semana palpitante e dramática de disputa voto a voto nas três redes sociais. Finalizada a consulta popular, o clássico mais disputado no mundo (753 vezes) levou a melhor.

A disputa centenária entre os arquirrivais contabiliza 261 vitórias do Remo, 256 empates e 236 triunfos do Paysandu. No próximo dia 14 de junho, a rivalidade comemora mais um aniversário.

Nessa data, 106 anos atrás, leoninos e alvicelestes entraram em campo pela primeira vez na história. O Leão Azul triunfou no primeiro clássico marcando 2 a 1, com gols de Rubilar e Bayma (contra), enquanto Matheus descontou para o Papão.

Fiz aqui na coluna comentários sobre escolhas via internet, sempre sujeitas às faixas etárias com mais acesso à grande rede, como ocorreu com a recente eleição do time do “Remo de todos os tempos”, visivelmente influenciada pelo voto maciço de jovens internautas.

De todo modo, o centenário clássico paraense é conhecido em todo o país e certamente recebeu votos de todas as regiões. Famoso pelo fervor e pelas multidões que mobiliza, o Re-Pa tem colecionado elogios apaixonados de comentaristas, técnicos e jogadores de grandes clubes, todos impressionados com o gigantismo do duelo.

A vitória na votação feita pelo canal EI é, portanto, justa e meritória.

Papão solicita à Globo exibição de jogos históricos

A diretoria do PSC enviou à Globo ontem uma lista de jogos marcantes do time alviceleste transmitidos pela emissora nos últimos anos junto com a solicitação para que sejam reexibidos para o Estado do Pará, nos próximos fins de semana, como vem ocorrendo em outras praças regionais. São partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa dos Campeões e Copa do Brasil. A emissora ficou de avaliar o pedido.

Comissão reúne e só programa a entrega de protocolo

A única deliberação da reunião de terça-feira (2) da Comissão de Elaboração do Protocolo de Segurança foi a data em que será entregue ao governo estadual o protocolo sobre a volta do futebol no Pará, após consulta aos 10 clubes participantes do Campeonato Paraense. Só depois disso será feito o encaminhamento às autoridades e, caso os termos do estudo sejam aprovados, a comissão avançará para a etapa de marcação de treinos e retomada dos jogos.

Ficou claro, porém, que continua válida à projeção de retorno do futebol para o final de julho ou começo de agosto, conforme antecipou a coluna no mês passado. O protocolo trata apenas das providências para dias de jogos. A parte referente a treinos fica a cargo dos clubes.

A FPF continua sem responder a questões relacionadas aos custos com testes obrigatórios de covid-19 e às despesas com a realização de jogos. Esses pontos são tão importantes quanto a definição das datas.

Cavalieri e a necessidade de consciência antirracista

Em meio aos protestos antirracistas que invadem as grandes capitais do mundo, a coluna destaca manifestações de atletas e representantes dos esportes no Brasil. Ontem, o goleiro Diego Cavalieri (foto), do Botafogo, posicionou-se com uma nota em tons fortes nas redes sociais. Criticou as ações dos órgãos de segurança no tratamento dirigido a pessoas negras. E relembrou casos recentes (e impunes) de negros mortos no país e questionou se tudo é mesmo apenas coincidência:

“Oitenta tiros disparados em direção a um veículo familiar, eliminando um pai de família e um catador que estava ali apenas tentando ajudar. Setenta e dois tiros mais granadas lançadas pelo ar, você pode até achar que é alguma ação de filme, pique lá em Bagdá. Mas, na real, uma criança de 14 anos acabaram de matar. Seu B.O.? Estar cumprindo a quarentena no aconchego do seu lar! Dor demais para um pai suportar? Soma tudo isso e imagina que ele por horas e mais horas, de hospital em hospital teve que seu filho procurar. 111 tiros a esmo, jovens que saíram para comemorar o primeiro salário de um recém contratado. O resultado? Cinco jovens assassinados dentro de um pálio! Jovens e mais jovens negros, pobres e periféricos continuam morrendo em vão. Vidas interrompidas, famílias dilaceradas e a vida sendo banalizada. Analise tudo e coloque a mão na consciência, você ainda acredita mesmo que tudo isso é pura coincidência? O Sistema sempre esteve ‘com os 2 joelhos’ na jugular pronto pra matar, oprimindo, asfixiando lentamente, diariamente, toda essa parte da sociedade. #vidasnegrasimportam #poderparaopovopreto #liberdade #igualdade #justiça #osistemaéfalho”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 04)

Rock na madrugada – Kaiser Chiefs, Everyday I Love You Less and Less

Governo não descarta novo lockdown na Grande Belém

Governo do Estado não descarta novo lockdown na Grande Belém após atingir pior índice em ranking nacional - Crédito: Agência Pará

“Não é hora de libera geral”, disse o governador do Pará, Helder Barbalho, mostrando preocupação com a 18ª posição do Pará no ranking de isolamento social na terça-feira, 02. Apenas 39,81% dos paraenses ficaram em casa, divulgou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).

Em vídeo nas redes sociais, Helder afirmou que, se esse percentual de isolamento se mantiver, não está descartada a possibilidade de um novo lockdown. “Se isso representar um novo problema em saúde vamos voltar para isolamentos mais acentuados, inclusive, se for necessário, até um novo lockdown. A vida tem que estar em primeiro lugar”.  

O Pará entrou em isolamento social no dia 16 de março, adotando o fechamento total em maio. No dia 24 de maio, o decreto que determinava o fechamento total chegou ao fim. Uma semana após o fim do lockdown, o Estado manteve média de 44,33% do isolamento.

A capital paraense, que já liderou o ranking nacional, também está na 18ª posição, com 40,76%. É reflexo do segundo dia de reabertura do comércio, após decreto estadual que estabelece a retomada econômica no Pará.

Segundo o Governo do Estado, o programa “Retoma Pará” foi baseado em pesquisas da Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e técnicos da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Estado (Sespa), que apontaram uma tendência de queda no número de casos de covid-19 na Região Metropolitana de Belém (RMB).  

O Pará contabilizou até a noite desta quarta-feira 3, 46.473 casos e 3.245 óbitos por covid-19. Os dados divulgados pela Sespa apontam ainda mais 1.699 pacientes infectados e 52 mortes pela doença no Estado. 

A frase do dia

“A gente percebe as reais e cruéis intenções de um governo quando ele nomeia uma mulher machista para as mulheres, um negro racista para os negros, uma atriz inculta para a cultura, um ecocida para o meio-ambiente e um ignorante para a educação”.

Antonio Tabet, do Porta dos Fundos

Papão também se reforça

POR GERSON NOGUEIRA

A palavra do diretor de futebol Felipe Albuquerque, disponibilizada ontem na agenda de entrevistas do clube, confirma que o PSC está no mercado em busca de reforços, mesmo sem divulgar posições e nomes dos atletas visados.

É natural que os executivos e diretores se mantenham atentos às opções de mercado. A quarentena pela covid-19 não fechou o mercado do futebol. Pelo contrário, os negócios continuam a acontecer e contratações estão sendo fechadas.

Paysandu x Náutico: veja onde assistir à partida do Brasileirão ...

No caso bicolor, é provável que o clube confirme quatro aquisições nas próximas semanas, assim que a retomada do futebol for efetivada. A lateral direita, ponto crítico da equipe, é um dos setores que certamente terão novidades. Tony é a única alternativa e acabou ficando no clube porque não havia nenhum substituto.

Há também a preocupação com o meio-campo, onde as opções para o setor de criação não se confirmaram até o momento. Nem mesmo o experiente Alex Maranhão conseguiu se consolidar como titular e o novato Luís Felipe também não mostrou a regularidade esperada. Serginho, originalmente volante, segue como o mais acionado pelo técnico Hélio dos Anjos para o setor.

Albuquerque deixou claro que, para o retorno ao Parazão e a preparação para o Brasileiro da Série C, a preocupação é reforçar a equipe, que hoje conta com 27 jogadores no elenco, além da volta de William e Alan Calbergue, que estavam cedidos a outras equipes.  

Um dos méritos da diretoria de futebol do Papão foi a manutenção dos jogadores que participaram da fase inicial do Campeonato Estadual. Ao contrário de outros clubes, não houve nenhum expurgo, o que garante um grupo fortalecido e que depende de reforços pontuais.

A confiança em disputar a Série C na condição de protagonista, manifestada nas declarações do dirigente, deixa claro que o clube vai partir para brigar pelo acesso, que esteve ao alcance da mão na edição do ano passado.

A conquista não veio em função da arbitragem de Leandro Vuaden no jogo decisivo contra o Náutico, mas o Papão parece ter se recomposto até emocionalmente e o período de recolhimento imposto pela quarentena contribuiu ainda mais para garantir o equilíbrio necessário para se mostrar forte quando a pandemia

Por ora, o elenco fazem atividades de treinamento remoto monitoradas em tempo real pela comissão técnica em videoconferência, a exemplo dos demais clubes brasileiros.

Desportistas se engajam na mobilização pró-democracia

A iniciativa deve ser vista como ainda embrionária, mas já constitui uma novidade das mais interessantes. Desportistas de diversas modalidades se mobilizam para criar um movimento pró-democracia. Entre os participantes estão os ex-jogadores de futebol Raí, Casagrande e Grafite e a ex-nadadora Joanna Maranhão.

No fim de semana, personalidades de diversos setores da sociedade assinaram manifesto sob o título #Juntos, publicado nos principais jornais do país. O movimento reúne artistas, intelectuais, jornalistas, profissionais liberais e políticos, mas apenas três ex-atletas assinaram o manifesto: Raí, Tostão e Casagrande.

Diante da carência de uma organização em torno de pautas democráticas, atletas que costumam se posicionar nas redes sociais decidiram se organizar também, tendo como bandeira a luta contra o fascismo e o racismo. Estão no grupo as ex-jogadoras de vôlei Ana Moser, Fabi, Isabel e Fernanda Garay, além do jogador Igor Julião, do Fluminense.

Os rubro-negros Gabigol, Everton Ribeiro, Gerson e Bruno Henrique já se posicionaram sobre racismo. Alex, ex-craque do Palmeiras, também deu seu recado ontem: “Vivi e senti na pele durante anos esse racismo estrutural existente em nosso país. Em terminais de ônibus, em supermercados, em clubes sociais. Maior que o crime de racismo é negar que isso existe e que faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. A intolerância, seja ela qual for, te traz dores muito maiores que dores físicas”.

Até Neymar, cujo descompromisso sempre foi criticado, finalmente se manifestou ontem – de um jeito discreto – sobre os protestos que acontecem no mundo devido à morte de George Floyd. Já é um começo.

Quarentena provoca uma pandemia de lives

A quarentena de prevenção ao novo coronavírus gerou, entre outros transtornos, exageros na produção de lives na internet. Artistas, alguns sem muito a mostrar, inundam YouTube e Facebook com apresentações que insinuam benemerência, mas que, na prática, funcionam como meio de difundir as atividades profissionais de cada um e manter o contato com o grande público.

Tudo absolutamente legítimo, não fosse pelo excesso, que atravancam a grade de infinitas opções da internet. Algumas inicialmente são realmente interessantes e agradáveis, outras pecam pela irrelevância. O perigo é a banalização, cujo preço imediato é o desinteresse do público. Afinal, nada mais entediante do que ouvir platitudes e conversas repetitivas.  

A profusão de shows musicais na web acabou gerando muitos filhotes, como papos on-line de especialistas em autoajuda, economia doméstica, cursos, religião, receitas culinárias, análises e conselhos de toda ordem. Respeito quem se arrisca, mas passo longe. Prefiro continuar fiel às orientações da OMS, preservando a saúde mental.

(Coluna publicada na edição do Bola nesta quarta-feira, 03)

Bilionários assinam manifesto “Juntos pela Democracia e pela Vida”

Um novo manifesto, chamado Juntos pela Democracia e pela Vida, foi divulgado ontem. O texto é de responsabilidade de uma organização chamada Pacto pela Democracia, que tem como patronos alguns bilionários, como a Fundação Lemann, de Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, Maria Alice Setúbal, herdeira do Itaú, e Beatriz Bracher, mãe de Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco. Além disso, entre os apoiadores do movimento está também uma ONG dos Estados Unidos ligada às chamadas guerras híbridas ou “revoluções coloridas”, a National Endownment for Democracy.

Inicialmente, 247 publicou que os bilionários eram os patronos do manifesto Estamos Juntos.  Segundo os organizadores do Estamos Juntos, os anúncios publicitários nos jornais sobre o movimento foram pagos por pessoas físicas, e não por empresas. Maria Alice Setúbal e Beatriz Bracher também apoiam o Estamos Juntos.

Confira abaixo o texto:

Brasil, 2 de junho de 2020

Ao longo dos últimos anos o Brasil vem flertando com a tragédia de forma crescente. Nossos profundos desafios éticos e políticos, sociais e econômicos, ambientais e humanos, de desigualdades e discriminações, são notórios e conhecidos nacional e internacionalmente. Poder superá-los pressupõe a retomada do caminho de uma sociedade efetivamente democrática, em que a pluralidade de vozes e agendas públicas seja parte plena da vida coletiva e revele nossas virtudes, nossos valores e jamais represente uma fragilidade.

O Pacto pela Democracia surgiu há dois anos para reafirmar o compromisso com esses princípios e promover ação conjunta pela defesa e pelo aprofundamento da democracia no país. Desde então, reúne mais de 150 organizações e movimentos de diferentes segmentos da sociedade em dedicação permanente a essa construção, movidos pela convicção de que só a união do campo democrático poderá enfrentar e conter a espiral de degradação da arena política que vivemos na última década.

Democracia é valor, caminho e condição de êxito coletivo. ​Sem ela, ao lado da liberdade, da integridade e do exercício da cidadania plena, instala-se o espaço para o obscurantismo, a manipulação, o arbítrio e a beligerância permanentes como definidores da vida comum.

Conhecemos esse percurso que, inevitavelmente, provoca corrosão do tecido social e leva a uma trilha inexoravelmente trágica. Incontáveis experiências autoritárias pelo mundo, dos regimes nazifascistas às ditaduras comunistas ou capitalistas do século XX, passando pelo apelo de populistas autoritários também de diferentes orientações políticas ao longo da história. Distintos em muitos aspectos, todos têm em comum o fato de terem sido perversos para o conjunto da sociedade, provocando esgarçamento social e ruína institucional, econômica e humana.

Causa inquietação e repúdio notar a semelhança de muitas dessas trajetórias com o que vivemos no Brasil hoje. Portanto, é urgente o chamado para conter esta marcha de ruptura do Estado Democrático de Direito.

Combinando esforços comuns, nós, do Pacto pela Democracia, temos nos empenhado para contrapor esse cenário. De forma cotidiana, afirmamos e exercitamos o pluralismo diante da fragmentação crescente, defendemos o aprimoramento do sistema político dentro dos marcos democráticos e mobilizamos respostas institucionais para frear os ímpetos autoritários governamentais e a desconstrução dos meios de transparência e controle da ação política.

Fazemos isso por ser esse o papel da cidadania e pela consciência de que sem a democracia estaremos condenados ao fracasso em todas as demais tarefas na construção coletiva do país – na saúde e na educação, na segurança e na justiça, na conservação ambiental e na infraestrutura, na cultura e na ciência, e na promoção de uma sociedade antirracista que supere desigualdades e promova desenvolvimento econômico.

Mas chegamos agora a um contexto em que é preciso reconhecer que tais esforços já não bastam.

Isso porque a Presidência da República age em ataques graves e sistemáticos aos próprios fundamentos da vida democrática; pois em lugar de união e paz na construção conjunta do país, dedica-se a afirmar a cisão, a discriminação, o racismo e o caos como pilares de seu projeto de poder; porque o governo incita abertamente movimentos golpistas na sociedade, enquanto alicia as Forças Armadas e atores políticos corruptos para o avanço de um horizonte autocrático; e busca sistematicamente capturar as instituições de aplicação da lei para seus fins particulares, fazendo da intimidação a vozes dissonantes um padrão de atuação; além de renunciar até mesmo à tarefa mais elementar: a preservação da vida humana.

É preciso reconhecer de forma inequívoca que a ameaça fundamental à ordem democrática e ao bem-estar do país reside na própria Presidência da República.

Tal constatação precisa passar a guiar os esforços prioritários de todos que têm compromisso com a democracia, a ruptura das desigualdades e a construção ética, humanista e civilizatória na nossa história. Cabe, portanto, a todos os setores sociais e políticos no espaço democrático serem capazes de colocar a defesa desse legado comum definitivamente acima de diferenças, preferências ou objetivos particulares, para estar à altura do momento.

Este manifesto é um chamado nessa direção, somando-se a vários outros que felizmente já se multiplicam na sociedade brasileira. Precisamos de todas as vozes para afirmar a coesão da vasta maioria do país que, plural e distinta entre si, converge na recusa do arbítrio, do obscurantismo e da desumanidade como definidores da nossa existência pública. A partir desse sentido comum, é dever cerrar esforços para barrar a marcha bolsonarista, mobilizando a sociedade e as instituições para fazer falar essa maioria e trazer o presidente e seu governo à contenção e à responsabilidade por todos os meios legais disponíveis, existentes precisamente para prover os anticorpos necessários na proteção da democracia e da Constituição.

Embora se trate de uma tarefa mais simples de propor do que de realizar, ela é imprescindível. Que o horizonte de um país justo, dinâmico, generoso, humano e livre de discriminação em todas as suas formas, realizado como a construção comum que precisa ser, possa impor-se às fissuras dos últimos anos e guiar-nos à superação dos desafios presentes, como ocorreu em outros momentos cruciais de nossa história. E que possamos, pela força da convergência e de um objetivo maior, reavivar as bases de um Brasil possível, construído a partir dos direitos e da cidadania de toda sua população, afirmando, no vigor de sua diversidade e pluralidade, o caminho para o futuro compartilhado que precisamos.

Esta é, claramente, a nossa tarefa primordial agora. Trabalharemos ao lado de todas e todos dispostos a abraçá-la.