A hora do comprometimento

POR GERSON NOGUEIRA

O modelo desenvolvido há quase 20 anos, de subvenção estatal ao campeonato paraense de futebol, é uma honrosa exceção no país. Nenhum outro Estado injeta tantos recursos em sua competição oficial. Federações e clubes trabalham duro para arranjar patrocínios que garantam a realização dos torneios. A maioria vive à míngua.

A maioria das competições estaduais está entregue à falência quase absoluta, dependente de bilheteria, que nem sempre dá para sustentar todos os clubes participantes. Alguns Estados se beneficiam de contratos de transmissão com a TV Globo, o que permite uma sobrevida.

Parazão 2020: começa o espetáculo do futebol paraense

Neste grupo privilegiado ficam os certames mais tradicionais – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará e alguns poucos outros –, o que não deixa sem qualquer salvaguarda Estados que não despertam interesse e audiência.

Diante desse quadro, os clubes paraenses podem se considerar afortunados por receber anualmente um patrocínio que lhes permite contratar atletas e manter as contas em dia no período de disputa do campeonato.

Graças a esse incentivo, alguns conseguem dar um salto maior, a partir da participação em campeonatos nacionais e na Copa do Brasil. O Independente, o Águia e o Abaeté se beneficiaram com participações lucrativas em torneios bancados pela CBF, com gratificações interessantes.

Apesar dessa vantagem expressiva, nesta fase de incertezas impostas pela pandemia do novo coronavírus, alguns clubes resistem à ideia de cumprir o acordo celebrado com o Estado, que consiste apenas de participar dignamente do certame estadual, cumprindo a tabela e o regulamento.   

Chegou o momento de o governo do Estado reavaliar os termos do contrato estabelecido com os clubes, garantindo repasse de verbas através da Funtelpa e do Banpará. Talvez seja necessário exigir comprometimento e respeito à palavra empenhada.

Pode ser a oportunidade para que o contrato inclua uma versão mais severa, embora justa, que inclua contrapartida. O que os clubes podem dar em troca das benesses financeiras? Penso que os representantes do interior, deveriam ficar obrigados a formar atletas, passando a estruturar divisões de base. Ficam também responsáveis por estádios em condições decentes de uso, para evitar a promíscua troca de mando de campo.

É o mínimo a ser feito diante de tanta boa vontade por parte do governo. Quem não se mostrar apto a cumprir os termos do contrato fica automaticamente impedido de participar da competição seguinte. Em relação à edição deste ano, apesar da situação atípica criada pela covid-19, seria justo e legítimo estabelecer sanções a quem se recusar a disputar as fases restantes do campeonato. Uma questão de comprometimento.

Direto do Twitter

“Por mais interessantes que sejam os debates a partir da MP das transmissões dos jogos, a verdade é que hoje ela só existe com uma intenção: o Flamengo ganhar dinheiro no Carioca. Por isso é MP. Para atender um clube por 60 dias. É o único que pode ser beneficiado neste momento. O ‘depois’ não cabe na MP. O ‘depois’ trará várias e necessárias discussões. Como deveria desde o início do processo e só não aconteceu porque Flamengo e Bolsonaro se uniram em torno de um alvo comum e de necessidades urgentes para os dois. A MP é fruto de um jogo sujo absurdo”.

Fred Figueroa, jornalista

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o programa a partir das 21h15, na RBATV, com Mariana Malato e Saulo Zaire na bancada. Participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense, no sistema home office. Em discussão, os próximos passos do futebol regional.

Camisa azulina é a mais bonita do país, diz enquete do EI

A enquete promovida pelo canal Esporte Interativo na internet deu ao Remo um título inusitado neste período de quarentena: o clube azulino saiu vencedor na eleição da camisa mais bonita do país.

Como havia ocorrido há dois anos, quando o uniforme oficial do Remo foi incluído entre os 10 mais bonitos do mundo, a escolha foi definida nas redes sociais (Twitter, Facebook, Instagram), atestando a força das torcidas.

Na final, o Remo derrotou o Ceará Sporting, clube muito popular e de torcida extremamente engajada. Para chegar à decisão, o Leão passou por Corinthians, Bahia e Fluminense.

Rádio Clube discute a retomada do Campeonato Estadual

Um programa de discussão aberta, com representantes dos clubes e presença do vice-presidente da FPF, Paulo Romano, é a atração da tarde deste domingo, na Rádio Clube do Pará. Em pauta, a partir das 15h30, os preparativos para a retomada do Parazão. Todas as dúvidas sobre o processo de reinício da competição, previsto para o final de julho, estarão postas na mesa de debates.

No dia em que o país ultrapassa a casa de 50 mil óbitos pela covid-19, um dos pontos mais polêmicos do atual momento é a preocupação dos clubes com as despesas decorrentes de jogos sem bilheteria e referentes aos testes e cuidados obrigatórios referentes à pandemia. A apresentação é de Valmir Rodrigues. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 21)

Bomba-relógio: celular de Gustavo Bebianno já foi recuperado

O telefone celular em que Gustavo Bebianno registrou um ano e meio de conversas com Jair Bolsonaro retornou ao Brasil e está “muito bem guardado”, afirmou um amigo do ex-ministro morto por infarto em março deste ano.

O aparelho estava nos Estados Unidos aos cuidados da irmã de Bebianno. Em entrevista dada três meses antes de morrer ao programa 3 em 1, da Jovem Pan, o ex-aliado de primeira hora de Bolsonaro, mais tarde transformado em inimigo pelo presidente e sua família, revelou ter guardado “um material, inclusive fora do Brasil” para o caso de algo lhe acontecer.

Depois de seu rompimento com Bolsonaro, Bebianno chegou a deletar o conteúdo do celular, segundo esse amigo, “num acesso de raiva”. Mais tarde, arrependeu-se e conseguiu restaurar os diálogos — a maioria em forma de áudio por Whatsapp.

Uma pessoa que conhece o teor das conversas afirma não ter identificado nelas indícios de crimes. Mas diz considerar que a revelação dos diálogos seria “destruidora” para o presidente. “Há lá questões morais muito pesadas”.