A pequenez humana em todo seu esplendor

O taxista Marcio Antônio do Nascimento Silva, de 55 anos, caminhava pela orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na manhã desta quinta-feira, para espairecer. Ele cumpre esse ritual solitário, de máscara, pelo menos uma vez por semana desde que perdeu o filho, Hugo Dutra do Nascimento Silva, aos 25 anos, vítima da Covid-19, no dia 18 de abril. Na praia, se surpreendeu quando viu um homem derrubando, aos berros, cruzes colocadas na areia pela ONG Rio de Paz, simbolizando cem covas rasas, em protesto pelas mortes em decorrência do novo coronavírus. No calçadão, outros homens debochavam da homenagem. Diziam que a praia era um espaço público e que o protesto estaria “criando pânico”. Márcio se revoltou e foi para a areia recolocar as cruzes no lugar. (Do Extra)

A frase do dia

“Quando o sujeito nomeia para ministro o marido da filha de uma das empresas privadas mais influenciadas pela pasta, justificando que este vínculo é o motivo da escolha (dado que ele nao tem experiência alguma no setor), fica até dificil escolher por onde começar a criticar. Caos”.

Eduardo Moreira, escritor

De Frida para Diego

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Trecho de carta de Frida Kahlo para Diego Rivera, em 1953. O tom é indignado e triste, apontando as traições de Diego. A história mostra que a infidelidade era mútua. Considerada um dos maiores símbolos feministas e uma das maiores artistas de seu tempo, Frida viveu um turbulento relacionamento amoroso com o artista e comunista Rivera, 21 anos mais velho do que ela.

Ainda jovem, Frida Kahlo conheceu o artista Diego Rivera enquanto ele pintava um mural em sua escola. Sempre que o via, a jovem ficava o provocando, por conta de suas famosas traições a sua ex-mulher Lupe Marín. Anos mais tarde e mais madura, Frida o reencontrou em sua cidade e lhe apresentou algumas de suas obras. A partir de então, passou a acompanhá-lo em reuniões comunistas.

Em pouco tempo, estavam apaixonados e casaram no dia 21 de agosto de 1929. Frida Kahlo tinha 22 anos, e Diego Rivera, 43. Na cerimônia, a ex-mulher de Diego, Lupe Marín, apareceu bêbada, avisando que Frida estaria cometendo um erro e que não seria capaz de saciar as vontades do marido.

Frida Kahlo e Diego Rivera

O casal permaneceu junto durante 25 anos, mas sob inúmeras traições mútuas, entre elas envolvendo a irmã da artista mexicana. Em 1934, o casal se mudou para o bairro de San Ángel, no México. Naquele mesmo ano, Frida convenceu o marido a contratar sua irmã, Cristina, para posar nua para a obra O Conhecimento e a Pureza.

Um dia, Frida decidiu passar no estúdio para cumprimentá-los, quando os flagrou mantendo relações sexuais. A artista ficou devastada e saiu de casa. O episódio resultou na obra “Umas Facadinhas de Nada”, onde Frida retrata uma mulher nua sendo esfaqueada em sua cama.

Em 1935, Frida decidiu voltar para Diego, mas os casos de traição de ambos lados continuaram até o fim de suas vidas. Em 2007, a escritora mexicana Elena Poniatowska revelou que, durante uma entrevista, Diego afirmou que amava Frida, mas não sabia ser fiel.

“Tive a sorte de amar a mulher mais maravilhosa que já conheci. Ela era poesia e a própria genialidade. Infelizmente, eu não soube amar somente a ela, porque sempre fui incapaz de amar uma única mulher”, confessou Diego Rivera a Elena Poniatowska.

Frida morreu em 1954, de uma embolia pulmonar. Já Rivera faleceu três anos depois, em 1957, vítima de insuficiência cardíaca. (Com informações de Victoria Gearini, no site Aventuras na História)

Santander esquece os anúncios cheios de ternura e demite funcionários em plena pandemia

O banco Santander foi uma das primeiras grandes empresas a aparecer na mídia para apoiar a campanha “não demita”, mas agora é o primeiro a violar o compromisso, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva. A dirigente lembra que o banco fez acordo com os sindicatos de que não iria fazer cortes em plena pandemia, mas, na última sexta-feira (5), mandou embora ao menos 15 trabalhadores sem justa causa, descumprindo o compromisso público que havia assumido de interromper desligamentos durante a crise sanitária.

“Recebe dinheiro do governo, faz propagandas lindas, diz que apoia investimentos… Tudo mentira. É um banco que tem coragem de colocar na rua 15 trabalhadores num momento tão cruel da pandemia, em que essas pessoas não vão conseguir se colocar no mercado de trabalho”, protesta Ivone, que é também da coordenação do Comando Nacional dos Bancários.

Paulo Fonteles: a permanência das ideias, 33 anos após sua morte

Por José Marcos de Lima Araujo

Jorge Panzera: 30 anos sem Paulo Fonteles, 30 anos com Paulo ...

“Tiram minha vida, não minhas ideias!
O importante é a luta do povo!”
(Paulo Fonteles)

O jovem Paulo Fonteles, inicia sua militância estudantil nas atividades da UNE. Com o endurecimento do regime militar, fechamento das entidades estudantis, ele, que estava casado com Hecilda Veiga, ambos militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), mudam-se para Brasília, onde avaliavam tem melhor possibilidade de buscar a reorganização do movimento estudantil e a luta em defesa do ensino público de qualidade e livre dos acordos MEC-USAID, implantado pela ditadura militar no Brasil, que visava implantar o modelo norte americano nas universidades brasileiras.

Paulo reunia os estudantes, na UNB – Brasília, em torno de cursinho de História e clube de xadrez, já que as entidades estudantis tinham sido fechadas e suas lideranças presas, torturadas e assassinadas. E, entre as partidas conversava sobre a conjuntura nacional, necessidade de resistir e de reorganizar o movimento estudantil.

Campo: Há 31 anos morria Paulo Fonteles

Por esse motivo, acusado de buscar reconstruir a UNE, Paulo, então com 22 anos, é preso em Brasília, junto com a esposa grávida, são levados para salas de tortura, até Pelotão de Investigações Militares (PIC) e até dentro das instalações do Ministério do Exército.

Ainda preso, em Brasília, tem contato com militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), onde passa a militar.

Mudando a canção Pesadelo, do Paulo César Pinheiro, que Paulo tanto gostava:

“Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco…”

Biografia de Paulo Fonteles: a Justiça tem lado no Brasil, o dos ...

Paulo estava marcado para ser morto pelo regime militar, mas consegue escapar vivo das masmorras. A família, avisada da condição do filho amado, parte para a Capital federal em busca de mudar o destino de Paulo.

Após mais dois anos de cárcere, que incluiu o Presídio São José e Batalhão da PM, ambos em Belem (PA), aquele jovem escapou vivo.
Paulo entra menino na cadeia e no mundo dos horrores do fascismo e sai, sem ser vencido, mantendo o sorriso no rosto, a esperança no socialismo e na certeza que mais forte é a luta do povo. Paulo, dentro da cadeia, se torna pai de Paulo Cezar Fonteles Filho e, ainda preso, gera mais um filho, o Ronaldo Fonteles.

Na liberdade Paulo, de forma clandestina, pois ainda vivíamos em ditadura, junto com outros jovens, como Hecilda, Iza e Humberto, Luiz Macklouf, Raimundo Jinkings, Rui Barata, Manoel Alexandre, em agosto/1977, fundam a Sociedade Paraense em Defesa dos Direitos Humanos, que foi o saldo da luta contra a poeira nas ruas da Pedreira, cuja condição de abandono levava a vários acidentes, inclusive fatais, contra os moradores.

Paulo Fonteles, o teu sangue será honrado – Janete Capiberibe

A SPDDH logo se transforma em ferramenta de união da militância por direitos humanos, liberdades e democracia. Nela nascem o Comitê Paraense pela Anistia e o jornal Resistência.

Nesse período Paulo retoma os estudos na Faculdade de Direito, ajuda no movimento estudantil, através do denominado grupo Alternativa, que buscava se contrapor ao controle da extrema direita que dominava as entidades estudantis, por determinação da ditadura.

Formado em advogado (UFPA), Paulo toma contato na luta em defesa dos posseiros da Fazenda Capaz, que viviam na área de cerca de 250 mil hectares, no Baixo Araguaia. Centenas de famílias que viviam na área há dezenas de anos e que o coronel John Davis, da Força Aérea dos Estados Unidos, depois pastor, na violência e até assassinatos queria expulsar os camponeses brasileiros da área, de onde apenas retirava e comercializava madeira, chegando a proibir acesso até a única fonte de água na região.

Nessa primeira atividade na luta pela terra, Paulo Fonteles, aceita o convite de Rui Barata, político, professor, poeta e advogado, para defender os camponeses.
Após esse contato e, com a SPDDH consolidada, Paulo aceita convite da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização da Igreja Católica, para defender os posseiros no Sul do Pará, que buscavam a retomada dos Sindicatos rurais e na busca de realizar a luta pela Reforma Agrária. Uma região que também atraia Paulo pela história da guerrilha travada pelo PCdoB, na região.

A CPT convidara diversos advogados, sem que nenhum tivesse aceitado a tarefa de defender os trabalhadores rurais no Sul do Pará, onde imperava o ódio e de forte presença militar, em virtude da Guerrilha do Araguaia (1967/1974). Baseado em Conceição do Araguaia, que abrangia diversos municípios hoje como Rio Maria, Xinguara e Redenção, o advogado Paulo Fonteles se torna o advogado dos posseiros, ou advogado do Mato, como era chamado pelos camponeses.

Por sua atuação classista e, ao mesmo tempo pelo crescimento da violência do latifúndio, organizados na União Democrática Ruralista (UDR), sob direção de Ronaldo Caiado, o atual governador de Goiás, começam a circular listas de pessoas marcadas para morrer. Paulo é atacado também pela busca da organização dos posseiros e retomada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, na época dirigido pelo representante do Sebastião Curió, o Bertoldo Lira Siqueira.

Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos | Memória, Verdade ...

Nessa luta é assassinado o Raimundo Ferreira Lima, o “Gringo”, que foi candidato à presidência da oposição sindical e se torna a primeira liderança assassinada no Sul do Pará. A chapa dos camponeses vence a eleição, apesar de toda a violência e estrutura da situação, que chegou a usar helicópteros militares para fazer campanha para a situação.

O resultado eleitoral não é aceito e o Ministério do Trabalho impede a posse da diretoria eleita que, tinha em sua composição João Canuto, Belchior e Expedito Ribeiro de Souza, que nos anos seguintes foram todos igualmente assassinados pelo latifúndio.

Vendo limitação na ação como advogado e no crescimento da luta democrática, Paulo Fonteles (1982) é candidato e eleito Deputado Estadual sob a consigna de “Terra, Trabalho e Independência Nacional”, onde tem um mandato marcado na defesa dos direitos do povo.

Em 1986, inspirado pela possibilidade de defender os direitos dos trabalhadores do campo e da cidade, na eleição para a elaboração da nova Constituição Federal, Paulo Fonteles é candidato à Deputado Federal, sem conseguir sucesso no processo eleitoral, condição que não o retira da luta. Em seguida cria o Centro de Apoio ao Trabalhador Rural e Urbano (CEATRU), onde seriam estruturadas ações em apoio às lutas classistas.

Na condição de advogado, ajuda a luta dos trabalhadores da construção civil, pela retomada do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que servia aos interesses patronais, abandonando a categoria.

Na manhã de 11 de junho de 1987 as ameaças da União Democrática Ruralista (UDR) são levadas a efeito, com o assassinato de Paulo Fonteles, em Ananindeua (PA), quando se votava, no Congresso Nacional Constituinte, em Brasília, o capítulo da Terra.

Um assassinato tramado na Fazenda Bamerindus, hoje “Palmares”, entre Xinguara e Parauapebas e que teve intermediários e executores gente do antigo regime militar que vieram para a Amazônia organizar milícias para o latifúndio e afastar a luta camponesa. Um dos intermediários foi o James Vita Lopes, julgado e condenado como intermediário da ação que vitimou Fonteles, que pertenceu aos quadros da Operação Bandeirantes de São Paulo como também do Serviço Nacional de Informações (SNI).

Até hoje os mandantes do assassinato de Paulo Fonteles não foram levados a julgamento e permanecem impunes, com dez volumes de processo, parados na burocracia da Justiça. Nenhum dos mandantes do crime foi sequer citado pelo Ministério Público, várias linhas de investigações foram desvirtuadas para confundir e assegurar a impunidade.

Paulo não se submeteu ao cárcere, tortura ou a ditadura, nem aos limites do Decreto 477/69, onde a ditadura tentava impedir de seguir os estudos, não calou ante a violência do latifúndio e nem aos interesses entreguistas da ditadura militar.

Paulo era lutador e poeta, amante da liberdade, gostava de escutar Chico, MPB4 e Mercedes Sosa, lia Pablo Neruda e Graciliano Ramos. Era um jovem maduro, que não se cansava de ensinar o significado da liberdade, da democracia e do respeito aos que pensavam diferentes.

Paulo teria ainda mais 3 filhos: João Carlos Hass, Juliana e Pedro Fonteles, todos igualmente amados pelo Paulo, que também era um apaixonado torcedor do Paysandu.

Na atual quadra política, onde a cadela do nazismo está no cio, chocando o ovo da serpente do fascismo, é importante resgatar a vida, a luta e o legado de Paulo Fonteles.

A luta por um projeto de Brasil soberano e democrático, baseado em um projeto de desenvolvimento e do progresso do Brasil, com valorização do ser humano e do trabalho, da terra para quem nela trabalha.

A vida de Paulo e seu legado inspira, ainda hoje, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, dos jovens e das mulheres pela emancipação social e pelo socialismo.

Paulo Fonteles, Presente !

José Marcos de Lima Araujo
bancário, diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)