Autori detona falhas do protocolo da Federação e critica volta do futebol

“Um grande absurdo (o decreto que permite o público nos estádios dia 10). Se pararmos para ver, os desencontros já vêm desde que começamos a conviver com o vírus. Deixamos de lado pessoas que estavam conduzindo com clareza a situação e essa decisão da prefeitura nem sei dizer se me pegou de surpresa. Há toda uma lógica por essas tomadas de decisão. O futebol, que é um fenômeno sócio-econômico está sendo usado politicamente. A data para o retorno do público é justamente a data da final do Carioca, então a gente encaixa as coisas. Falaram que eu ofendi as pessoas, mas não ofendi. Os fatos ofendem as pessoas”.

Paulo Autuori, técnico do Botafogo - Vítor Silva/Botafogo

“Eu parto sempre da seguinte premissa: falo de conceitos, não de pessoas. Infelizmente no Brasil, quando você discorda de alguém, imediatamente você vira inimigo pessoal. (…) Passamos por momentos muito difíceis, muitos sofreram, vários perderam a vida e não queremos passar por isso de novo ou prolongar esse momento. E quando eu falo, eu não quero apenas soltar palavras sem sentido. E a minha crítica é o que tem sido a Ferj nos últimos tempos. O Luxemburgo também foi suspenso por ter falado contra. Acho que, na falta de argumentos, usa-se a força. (…) O que eu mais falei na entrevista foi no intuito de salvaguardar a integridade física dos jogadores. Acho que é um descaso enorme aos protagonistas do futebol: jogadores e torcedores. Esse relacionamento faz o futebol ser a magia que é no mundo todo. Não há argumentos para que o Campeonato Carioca volte agora”.

“Dentro deste protocolo, do qual falam maravilhas, três jogadores testaram positivo. Então, eles tiveram contato com os outros. Logicamente que eles não iriam para o jogo, mas em alguns países, o time não poderia ir para o jogo. Um dos argumentos para a volta rápida do futebol carioca era a necessidade dos clubes pequenos dos valores dos contratos televisivos. Mas e os outros estados? Não têm clubes pequenos?”.

Paulo Autuori, técnico do Botafogo, em entrevista ao programa Bem, Amigos

Papão realiza testes físicos na Curuzu após exames de covid-19

Quando chegou à Curuzu no sábado, às 7h, o atacante Nicolas foi recebido logo à entrada pelo enfermeiro Alan Souza, que aguardava os jogadores com um termômetro, para verificar a temperatura corporal. “Esse é o nosso novo normal. Apesar das mudanças e das restrições, estou muito feliz por retornar aos trabalhos”, disse o artilheiro, que, em seguida, usou álcool em gel nas mãos, passou pela cabine de higienização e ainda respondeu a um questionário elaborado pelos médicos.

Depois de cumprir o protocolo de segurança contra a covid-19, os jogadores foram avaliados pelos fisioterapeutas Júnior Furtado e Mário Carvalho em uma área a céu aberto e finalmente liberados para os testes físicos no gramado.

Em grupos separados de quatro atletas, eles realizaram o Yoyo Teste de Recuperação Intermitente, que tem um ritmo progressivo de corrida que aumenta à medida de sinais sonoros. “É um teste específico de campo que nos mostra o nível de aptidão física do atletas”, explicou o fisiologista Thiago Chinelato, que acompanhou os trabalhos com um notebook para marcar os tempos registrados pelos aparelhos GPS usados pelos jogadores.

A primeira equipe foi a campo às 7h30 e a última às 11h30, sempre com distanciamento social durante a atividade. Os jogadores já chegaram vestidos com seu material de trabalho (calção, meia, camiseta e tênis). Todos os profissionais da comissão técnica usaram máscaras e protetor facial. As atividades foram comandas pelo preparador físico André Ferreira e seu auxiliar, Roberto Onety. O técnico Hélio dos Anjos e o auxiliar-técnico Marcelo Rocha observaram a movimentação da arquibancada.

A partir desta segunda-feira (29), os treinos serão retomados na Curuzu, inicialmente em um período, pela manhã, e em cinco horários diferentes, para evitar aglomeração no estádio entre os grupos de atletas, conforme prevê a etapa dois do protocolo do clube.

A imprensa não poderá acompanhar as primeiras semanas de atividade. O acesso desses profissionais ao estádio será retomado somente após a quarta etapa do protocolo. Enquanto isso, as entrevistas coletivas diárias serão realizadas por meio de videoconferência.

O atacante Marco Antônio retornou para o time sub-20. Já o meio-campista Alan Calbergue, que estava emprestado, foi reintegrado ao elenco.

EXAMES NO PORTO DIAS

Antes dos testes físicos, jogadores, integrantes da comissão técnica, diretoria e funcionários realizaram exames de covid-19 no Hospital Porto Dias, nos dias 24 e 25 de junho. Familiares dos profissionais também são monitorados pelo clube por meio de questionário epidemiológico. Dos 70 profissionais que fizeram os exames, 27 estão possivelmente imunizados, 42 não tiveram contato com o vírus e um está infectado.

IGG positivo ou reagente: 11 atletas, 11 funcionários da Curuzu, quatro integrantes da comissão técnica e um membro da diretoria. Todos estão aptos para trabalhar presencialmente; IGM positivo ou reagente: um atleta que já encontra-se em isolamento domiciliar.

IGG e IGM negativos: 16 atletas, 14 integrantes da comissão técnica, nove funcionários da Curuzu e três membros da diretoria. Todos estão aptos para trabalhar presencialmente.

Apenas um atleta, que já estava em isolamento domiciliar com sintomas leves da doença, não realizou exames. Ele fará os testes no 15º dia de confinamento, enquanto é monitorado pelos médicos. (Com informações da Ascom PSC – texto: Jorge Luís Totti; imagens Jorge Luiz)

Em bateria de exames da covid-19, um funcionário do Remo testa positivo

Remo anuncia que uma pessoa do clube testou positivo para o novo coronavírus - Crédito: Samara Miranda/Ascom Remo

Em comunicado à imprensa, o Remo divulgou no início da tarde desta segunda-feira, 29, os resultados dos testes para o novo coronavírus realizados no último sábado. Ao todo, 50 profissionais do clube, entre jogadores, comissão técnica e funcionários do Baenão, foram testados para a doença.

Os testes apontaram que 24 pessoas já tiveram contato com a Covid-19 e estão com IGG positivo. Outras 25 pessoas testaram negativo para a doença. E apenas uma pessoa testou positivo para o vírus. O clube não revelou a identidade do funcionário, mas informou que ela já se encontra em isolamento.

Nesta terça-feira, 30, será iniciada as avaliações físicas. Os jogadores serão divididos em dois grupos para realizarem os trabalhos durante a manhã.

Barcelona confirma valores da negociação com a Juve

Arthur, do Barcelona, vai para a Juventus em acordo já oficializado - Albert Gea/Reuters

O Barcelona anunciou, no fim da manhã de hoje, a venda de Arthur para a Juventus. O clube italiano pagará 72 milhões de euros (R$ 442,5 milhões na cotação atual) e mais 10 milhões de euros (R$ 61,4 milhões na cotação atual) em variáveis, de acordo com comunicado.

O anúncio não cita o caminho contrário feito pelo bósnio Pjanic, que deve deixar a Juve e assinar com o Barça na mesma negociação. O meio-campista brasileiro de 23 anos já havia feito exames médicos pelo clube italiano neste final de semana. O contrato com a Juventus, ainda não oficializado, mas deve ser de cinco anos.

Protesto contra a insanidade

POR GERSON NOGUEIRA

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Aos 2 minutos da reestreia do Botafogo no Campeonato Carioca, os atletas alvinegros ajoelharam-se por alguns instantes para protestar contra o racismo. A Cabofriense respeitou o gesto e também parou, embora sem aderir ao protesto. Foi a segunda manifestação botafoguense no jogo realizado na manhã de ontem, no estádio Nilton Santos.

Ao entrar em campo, os jogadores carregavam a faixa com os dizeres “Protocolo bom é o que respeita”, uma alusão direta ao documento “Jogo Seguro”, utilizado pela Federação do Rio para apressar o recomeço da competição.

Botafogo e Fluminense se posicionaram formalmente contra a volta do torneio em meio ao pico da pandemia, ainda em abril, nas primeiras reuniões convocadas pela federação. Por pressão de Flamengo e Vasco, a entidade autorizou a volta antes do período inicialmente previsto e a bola rolou no dia 18 de junho, com a partida entre Flamengo e Bangu, no Maracanã, 15 dias depois do pico da pandemia no Estado.

A manifestação alvinegra, importante pelo simbolismo, reafirma o posicionamento público contra o retorno dos jogos. Além dos jogadores, o técnico Paulo Autuori recusou-se a ficar à beira do gramado. Ele foi suspenso pelo TJD após criticar “o jogo de cartas marcadas” da Ferj. O Botafogo recorreu e garantiu sua participação, mas ele fez questão de cumprir a punição, como forma de mostrar insatisfação.  

Na sexta-feira, atestando que Flu e Bota têm razão em questionar a sanidade dos dirigentes da federação e da Prefeitura do Rio, foi sacramentado um estrupício pior ainda: foi decretada a autorização para que o campeonato tenha um terço de público nos estádios a partir de 10 de julho. Como se o Brasil e o Rio estivessem livres da pandemia.

Caso a ordem de Crivella seja cumprida, o Maracanã (capacidade de 78.838) passará a receber 26 mil pagantes; o estádio Nilton Santos (46.831) poderá ter público de 15.600 pessoas; e S. Januário (21.880) pode ter 7.250 torcedores.

O cenário é o pior possível no Estado, que já alcançou a trágica marca de 10 mil óbitos, o que torna ainda mais escabrosa a medida determinada pelo prefeito Marcelo Crivella, em perfeita sintonia com a vontade de Jair Bolsonaro e dos dirigentes de Flamengo e Vasco.

Vale lembrar que, na Europa, os principais campeonatos foram reiniciados somente 60 dias após o pico da covid por lá. Nenhum deles, porém, sequer admite a ideia de jogos com torcida presente. Nem a Liga dos Campeões, que ainda não recomeçou, terá plateia.

O completo desapreço pela segurança das pessoas e o desamor pela vida são marcas cruéis de certas autoridades que infelicitam o país. Antes, desconfiávamos que houvesse gente assim; agora, temos certeza.

Bruno Veiga abre temporada de embates judiciais para o PSC

Bruno Veiga passou um chuvisco no PSC. Acabou premiado com uma renovação de contrato por três anos apenas – que nem grandes craques conseguem no cenário atual – pela lembrança de três bons jogos durante a campanha do acesso à Série B em 2014. Agora, findos os vínculos com o clube, apelou à Justiça do Trabalho e ganhou R$ 500 mil a título de indenização por direitos não honrados pelo Papão.

O caso é passível de recurso e o PSC vai brigar na Justiça, mas a situação é emblemática dos muitos problemas decorrentes de contratos mal amarrados entre clubes e atletas. Situações mal definidas e pouco claras quanto a compromissos e deveres de parte a parte.

Ronaldo Passarinho, que foi diretor jurídico do Remo durante vários anos, sempre pregou a necessidade da presença dos advogados do clube no momento da assinatura de contratos, e não apenas quando a situação descamba para litígios na Justiça e se torna quase irreversível.  

Para o Papão, a situação é mais preocupante porque existem outras ações em curso, como a de R$ 114 mil para o lateral Cáceres, que passou pelo clube há três anos. Outras pendências envolvem o zagueiro Diego Ivo, o lateral Bruno Oliveira, o meia Leandro Lima e os volantes Nando Carandina e Renato Augusto (R$ 328 mil).

Mais problemático, ainda, é o litígio com Marcelo Costa, que cobra R$ 1,5 milhão, por uma questão de saúde. Alega que o clube teria negligenciado no tratamento da hemodiálise. A audiência inicial ainda não ocorreu.

Terrível desperdício do sagrado direito ao silêncio

Renê Simões saiu da habitual retórica de autoajuda nas redes sociais para meter o bedelho na discussão sobre a volta do futebol e soltou a seguinte pérola: “Vamos discutir o futebol como fator social para ajudar as pessoas que estão em casa enlouquecendo. Eu tenho amigos aqui que já se separaram, outros já bateram na mulher, outros batem nos filhos, estão enlouquecendo. Então se colocar futebol, pode ser que ajude em alguma coisa”.

Além do conceito enviesado sobre relações humanas, vendo o futebol como um escapismo para a insanidade, Renê dá a entender que foi conivente com agressores. Se é verdade que sabia de atos de violência em família, o único caminho era denunciar aos órgãos competentes.

Sobre a destrambelhada afirmação, o melhor comentário veio da professora Márcia Tiburi: “Violência dos homens tratada como uma lacuna de futebol esconde a lacuna de ética, de respeito e de dignidade dos agressores e dos sujeitos coniventes”.

Pode-se dizer que o problema maior aqui não é exatamente a quarentena, mas os tais amigos de Renê Simões. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 29)

Arthur troca Barcelona pela Juve e vai ter salário de R$ 5 milhões

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O volante brasileiro Arthur assinou contrato de cinco anos e é o novo reforço da Juventus, time Italiano. O jogador finalizou os últimos detalhes da transferência, que envolverá também a ida de Pjanic para o Barcelona. Segundo o jornal espanhol Marca confirmou o valor da transação: 80 milhões de euros (R$ 492 milhões na cotação atual, sendo 70 milhões pela cessão de Pjanic, mais 10 milhões de diferença).

O Grêmio, como clube formador, terá direito a 3,50% desse valor – cerca de R$ 17 milhões. O Goiás também espera lucrar quase R$ 4 milhões com o negócio, pois o volante jogou pelo clube dos 12 aos 14 anos.

O salário de Arthur também chama atenção: será de 840 mil euros por mês, em torno de R$ 5 milhões. No sábado, 27, o atleta viajou após o empate do Barcelona com Celta para realizar os exames médicos em Turim. O vínculo será válido a partir de setembro, quando deve ter início a próxima temporada na Europa.

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Com Pjanic seguindo pelo mesmo caminho junto ao Barça, tudo indica no momento que bastam os anúncios oficiais de contratação para que as transações se concretizem. Algo que, diante da necessidade de prestação de contas referentes à temporada europeia 2019/2020, precisa ocorrer até a próxima terça-feira, 30.

Pelo time da Catalunha, Arthur fez 72 jogos e marcou quatro gols. Aos 23 anos, ele jogou ao lado de Lionel Messi no Barcelona, de Neymar na Seleção e agora será companheiro de time do português Cristiano Ronaldo. No caso do atleta bósnio de 30 anos de idade, foram 171 compromissos com 22 tentos assinalados.

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A nova (e milionária) lambança dos militares

Por Leandro Demori – The Intercept_Brasil

O governo de Jair Bolsonaro escancara diariamente como era bravata quando nos contavam sobre os militares serem preparados, moderados e imunes à corrupção. Já nos acostumamos a ver os generais palacianos baixarem a cabeça para os delírios do presidente e silenciarem diante dos casos suspeitos de corrupção da primeira-família. O general que ocupa interinamente o Ministério da Saúde também demonstrou não ter vergonha de omitir dados com a finalidade de preservar a imagem do governo. 

Em meio à pandemia, o Exército censurou o termo ‘isolamento social’ em suas comunicações, estimulou surto de coronavírus em abrigo de refugiados para ‘imunizar a tropa’ e, de moderado, passou a cúmplice do extremismo de Jair Bolsonaro

Em mais um capítulo sobre como funciona a relação entre as Forças Armadas e a política, o Intercept mostra hoje com exclusividade como o TCU prepara a absolvição de oficiais do Exército que jogaram no lixo R$ 273 milhões do dinheiro público. 

O escândalo envolve quatro militares que respondem a processo: os generais Fernando Sérgio Galvão, Sinclair James Mayer e Guilherme Theophilo e o tenente-coronel Ângelo José Penna Machado. São eles os responsáveis pelo que os técnicos do tribunal chamaram de “erros grosseiros” na condução de contrato de mais de R$ 5 bilhões para a compra de blindados. 

É, no mínimo, uma sucessão de bobagens e erros que se arrasta há anos e envergonharia o Sargento Pincel, aquele dos Trapalhões. O TCU já definiu que o prejuízo não pode ser recuperado. Resta à sociedade cobrar para que os responsáveis sejam punidos. A depender das relações que os fardados mantêm em Brasília, esta é mais uma história que caminha para acabar em pizza. O repórter Rafael Neves descobriu e conta essa história.