Bolsonaro libera fuzis do Exército para seguidores enquanto há recorde de mortes pela covid no Brasil

Da Coluna de Reinaldo Azevedo no UOL

Num dia trágico para a saúde dos brasileiros como esta quinta-feira, não se diga que o presidente Jair Bolsonaro não está preocupado com a morte. Está, sim. Ele decidiu que a Imbel, a indústria de armas subordinada ao Exército brasileiro, pode vender para privados fuzis 5.56 e 7.62. Até agora, tais armas eram privativas das Forças Armadas e das polícias. Em tese, e só em tese, eles só podem ser comprados para caça, treino e proteção da propriedade rural.

Quem garante que a arma fica com o comprador? Ninguém. Por intermédio da Portaria 62, Bolsonaro revogou o rastreamento de armas e munições no país. Caso continue em vigor — há uma ação do PSOL no STF contra a medida —. fuzis vendidos pelo Exército Brasileiro poderão cair nas mãos das milícias e do narcotráfico sem qualquer controle. Em outra portaria, do dia 23 de abril, o presidente multiplicou por 33 a quantidade de munição, também não rastreável, que pode ser comprada por civis: de 200 unidades por ano para 550 por mês.

Na famosa reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro deixou claro que tem a intenção de armar a população para uma eventual guerra civil em nome do que ele chama “liberdade”. Seu plano subversivo está em curso. Nesse caso, parte das armas com que pretende que brasileiros façam correr o sangue de brasileiros terá origem no Exército.

Treino é treino, jogo é jogo

POR GERSON NOGUEIRA

A histórica frase de mestre Didi ganha outros contornos em meio às discussões quanto à retomada do futebol no Pará. Tudo porque a ausência de um protocolo específico para treinos motivou uma reclamação do presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul. Com razão, ele cobrou a necessidade de um entendimento quanto aos testes e providências que devem ser adotados por todos os clubes para o retorno das atividades.

Observa que, até por problemas de ordem financeira, nem todos os clubes do Parazão terão condições para arcar com o pagamento dos testes da covid-19, dentro das especificações consideradas seguras, como prazos para a aplicação dos exames e a necessidade de confinamento de atletas.

Ricardo argumenta que os testes rápidos não são confiáveis para verificar contaminação, pois têm uma margem de erro de até 70%. O risco está na falta de um compromisso de todos os clubes com medidas iguais, que sejam cumpridas da mesma forma.

Como referência, citou o exemplo do Campeonato Alemão, onde os jogadores foram submetidos a testes rigorosos e os times seguem protocolo severo, que inclui isolamento em hotéis com saídas permitidas apenas para treinos e jogos.  

A questão é que, ao contrário das principais ligas de futebol do planeta, o Brasil convive com problemas básicos quanto à saúde, agravados pelas consequências da pandemia. No âmbito do futebol, existe um fosso entre os clubes, com profunda desigualdade de recursos e meios.

O problema se reproduz, em escala menor, no Pará. A dupla Re-Pa tem grandes torcidas e, por isso, concentra os recursos provenientes da bilheteria dos jogos e patrocínios. Na pandemia, mesmo sem o dinheiro oriundo da renda dos jogos, os grandes da capital têm maior margem de captação de recursos em comparação com as agremiações interioranas que disputam o campeonato estadual.

Vantagens expressivas em momento de grande crise financeira e dificuldades em todas as áreas de atividade. Quando defende um protocolo de treinos, que é essencialmente um conjunto de normas para o período de preparação dos times, o presidente do Papão manifesta também a preocupação com problemas decorrentes do afrouxamento de protocolo.

Teme, por exemplo, que jogadores acabem infectados em consequência de falhas na prevenção por parte de um ou outro clube. E essa situação, caso ocorra, não significará negligência, mas dificuldade financeira em adquirir os testes e bancar o período de confinamento dos atletas.

A desigualdade entre os clubes pode levar a sérios problemas quando o campeonato for reiniciado, caso a obrigatoriedade de procedimentos não seja igual para todos os envolvidos. E quem, em última instância, precisa se responsabilizar por isso é a Federação Paraense de Futebol.

Em meio a isso, a FPF diz esperar a manifestação dos clubes quanto ao protocolo dos jogos. Eles poderão contribuir com sugestões e críticas ao estudo formulado. No próximo dia 16 de junho, o protocolo será encaminhado para avaliação do Governo do Estado, a fim de balizar a decisão sobre a retomada do futebol.

Uma carreira pontuada pelo individualismo absoluto

Cristiano Ronaldo uniu-se ontem aos principais bilionários do futebol mundial, alcançando o seu primeiro US$ 1 bilhão, dinheiro referente ao faturamento na temporada passada. Chega ao patamar do golfista Tiger Woods, tenistas e astros do pugilismo internacional.

Não quer dizer absolutamente nada aos simples mortais, que não fazem sequer ideia da montanha de dinheiro que 1 bilhão de dólares representam, mas é mais um galardão na carreira vitoriosa do craque português hoje atleta da Juventus de Turim.

CR7 vive, há algum tempo já, da acumulação de recordes pessoais no futebol. Coloca-se, desse modo, acima do primado de coletividade, tão defendido pelos cultores do esporte. Aprendemos desde sempre que futebol é jogo coletivo e que o individualismo não constrói.

Quando o atacante lança aqueles olhares às câmeras durante os jogos, checando se o cabelo está penteado e o visual satisfatório, reforça o lado vaidoso e a preocupação com a própria imagem.

Não é o primeiro e seguramente não será o último a agir assim, mas com certeza é o astro que mais investiu em si mesmo, o que inclui premiações e alto faturamento. Não pode ser julgado por isso. É apenas o exemplo vivo de como o esporte das multidões virou um negócio portentoso.

Fox elege Papão de todos os tempos quase perfeito

A Fox acaba de montar o esquadrão bicolor de todos os tempos, com Castilho; Pikachu, Gino, Maurício e Paulo Tavares; Sandro Goiano, Quarenta e Iarley; Robgol, Vandick e Bené. O lado positivo é qu ficou bem melhor escolhido do que o “Remo de todos os tempos” eleito pela torcida azulina na internet.

Apesar de alguns torcedores mais tradicionalistas terem observado a ausência de jogadores importantes, como Omar, Aldo, João Tavares, Ércio, Lupercínio, Paulo Robson, Roberto Bacuri, Chico Spina e Vila, é inegável que o time escalado faz jus à relevância dos atletas votados.

Fazer a escolha de nomes para definir um time histórico, atravessando décadas de existência do clube, é uma missão das mais complicadas, sujeita a erros e muitas injustiças.

Por sorte, na lista da Fox estão nomes inquestionáveis, como Castilho (foto), Quarenta, Paulo Tavares, Iarley, Bené e Vandick. O próprio Iarley, de curta passagem pelo PSC, tem a escalação justificada pelo gol mítico na Bombonera, historicamente o mais valioso de todos os tempos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)

Carta dos Corintianos

Tens razão, Jair Bolsonaro: o Corinthians é oposição a você.
O Corinthians foi fundado por operários, esses que você e sua turma estão roubando os direitos mais básicos como a aposentadoria e a dignidade.
O Corinthians foi o primeiro clube paulista a aceitar negros em seu elenco, os negros que você manda pesar por arroba como se fossem bois.
O Corinthians foi o primeiro clube no Brasil a ter uma mulher presidentA, essas que você trata como vagabunda, fraquejada e ser humano inferior.
A torcida do Corinthians foi a primeira a apoiar a Anistia e a falar em Democracia quando o país vivia uma plena ditadura. Isso mesmo, DITADURA! Aquele terror mesmo que gente sem caráter como você apóia até hoje, exaltando assassino e torturador, chamando golpe de Revolução.
O Corinthians nasceu de um sentimento popular. Surgiu para enfrentar clube de elite e vencê-los, um a um, dentro do campo. Sim, há uma questão de classe. E viemos para derrotar essa mesma elite que hoje lhe bajula por interesses próprios e mesquinhos.
O Corinthians sempre foi o time da festa, da Democracia, da Revolução, da Luta, da VIRADA!
Presta atenção, Bolsonaro: somos totalmente o oposto de você, que ganha eleição com facada mentirosa, com fakenews, pregando divisão do povo brasileiro, fazendo uso espúrio até da fé da nossa gente.
Enquanto outros clubes queriam se isolar em colônias, o Corinthians sempre recebeu bem todas elas, do carroceiro espanhol ao alfaiate italiano.
Recebemos de braços abertos o nordestino que veio a São Paulo e se sentiu acolhido no meio da Fiel. Somos o time com o maior número de torcedores nordestinos do Brasil. Com orgulho!
Queremos conosco aquele refugiado africano, árabe, haitiano ou latino-americano que sobreviveu a mais uma luta pela vida e decidiu empunhar orgulhoso nosso manto sagrado. Refugiados que você chamou de escória.
Jair Bolsonaro, ainda que você tenha votos entre alguns de nossos torcedores e torcedoras, explicamos: eles e elas ainda não compreenderam a real dimensão e os valores do que é o Corinthians.
Enfim, você está certo Bolsonaro: historicamente nós somos seus opositores, porque a História ninguém muda. A nossa é de LUTA.
E é um imenso prazer sermos seus opositores. Mas não pára por aí: nós já somos seu pior pesadelo. Vai Corinthians! FORAbolsonaro, presidente minúsculo.