Papão também se reforça

POR GERSON NOGUEIRA

A palavra do diretor de futebol Felipe Albuquerque, disponibilizada ontem na agenda de entrevistas do clube, confirma que o PSC está no mercado em busca de reforços, mesmo sem divulgar posições e nomes dos atletas visados.

É natural que os executivos e diretores se mantenham atentos às opções de mercado. A quarentena pela covid-19 não fechou o mercado do futebol. Pelo contrário, os negócios continuam a acontecer e contratações estão sendo fechadas.

Paysandu x Náutico: veja onde assistir à partida do Brasileirão ...

No caso bicolor, é provável que o clube confirme quatro aquisições nas próximas semanas, assim que a retomada do futebol for efetivada. A lateral direita, ponto crítico da equipe, é um dos setores que certamente terão novidades. Tony é a única alternativa e acabou ficando no clube porque não havia nenhum substituto.

Há também a preocupação com o meio-campo, onde as opções para o setor de criação não se confirmaram até o momento. Nem mesmo o experiente Alex Maranhão conseguiu se consolidar como titular e o novato Luís Felipe também não mostrou a regularidade esperada. Serginho, originalmente volante, segue como o mais acionado pelo técnico Hélio dos Anjos para o setor.

Albuquerque deixou claro que, para o retorno ao Parazão e a preparação para o Brasileiro da Série C, a preocupação é reforçar a equipe, que hoje conta com 27 jogadores no elenco, além da volta de William e Alan Calbergue, que estavam cedidos a outras equipes.  

Um dos méritos da diretoria de futebol do Papão foi a manutenção dos jogadores que participaram da fase inicial do Campeonato Estadual. Ao contrário de outros clubes, não houve nenhum expurgo, o que garante um grupo fortalecido e que depende de reforços pontuais.

A confiança em disputar a Série C na condição de protagonista, manifestada nas declarações do dirigente, deixa claro que o clube vai partir para brigar pelo acesso, que esteve ao alcance da mão na edição do ano passado.

A conquista não veio em função da arbitragem de Leandro Vuaden no jogo decisivo contra o Náutico, mas o Papão parece ter se recomposto até emocionalmente e o período de recolhimento imposto pela quarentena contribuiu ainda mais para garantir o equilíbrio necessário para se mostrar forte quando a pandemia

Por ora, o elenco fazem atividades de treinamento remoto monitoradas em tempo real pela comissão técnica em videoconferência, a exemplo dos demais clubes brasileiros.

Desportistas se engajam na mobilização pró-democracia

A iniciativa deve ser vista como ainda embrionária, mas já constitui uma novidade das mais interessantes. Desportistas de diversas modalidades se mobilizam para criar um movimento pró-democracia. Entre os participantes estão os ex-jogadores de futebol Raí, Casagrande e Grafite e a ex-nadadora Joanna Maranhão.

No fim de semana, personalidades de diversos setores da sociedade assinaram manifesto sob o título #Juntos, publicado nos principais jornais do país. O movimento reúne artistas, intelectuais, jornalistas, profissionais liberais e políticos, mas apenas três ex-atletas assinaram o manifesto: Raí, Tostão e Casagrande.

Diante da carência de uma organização em torno de pautas democráticas, atletas que costumam se posicionar nas redes sociais decidiram se organizar também, tendo como bandeira a luta contra o fascismo e o racismo. Estão no grupo as ex-jogadoras de vôlei Ana Moser, Fabi, Isabel e Fernanda Garay, além do jogador Igor Julião, do Fluminense.

Os rubro-negros Gabigol, Everton Ribeiro, Gerson e Bruno Henrique já se posicionaram sobre racismo. Alex, ex-craque do Palmeiras, também deu seu recado ontem: “Vivi e senti na pele durante anos esse racismo estrutural existente em nosso país. Em terminais de ônibus, em supermercados, em clubes sociais. Maior que o crime de racismo é negar que isso existe e que faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. A intolerância, seja ela qual for, te traz dores muito maiores que dores físicas”.

Até Neymar, cujo descompromisso sempre foi criticado, finalmente se manifestou ontem – de um jeito discreto – sobre os protestos que acontecem no mundo devido à morte de George Floyd. Já é um começo.

Quarentena provoca uma pandemia de lives

A quarentena de prevenção ao novo coronavírus gerou, entre outros transtornos, exageros na produção de lives na internet. Artistas, alguns sem muito a mostrar, inundam YouTube e Facebook com apresentações que insinuam benemerência, mas que, na prática, funcionam como meio de difundir as atividades profissionais de cada um e manter o contato com o grande público.

Tudo absolutamente legítimo, não fosse pelo excesso, que atravancam a grade de infinitas opções da internet. Algumas inicialmente são realmente interessantes e agradáveis, outras pecam pela irrelevância. O perigo é a banalização, cujo preço imediato é o desinteresse do público. Afinal, nada mais entediante do que ouvir platitudes e conversas repetitivas.  

A profusão de shows musicais na web acabou gerando muitos filhotes, como papos on-line de especialistas em autoajuda, economia doméstica, cursos, religião, receitas culinárias, análises e conselhos de toda ordem. Respeito quem se arrisca, mas passo longe. Prefiro continuar fiel às orientações da OMS, preservando a saúde mental.

(Coluna publicada na edição do Bola nesta quarta-feira, 03)

Bilionários assinam manifesto “Juntos pela Democracia e pela Vida”

Um novo manifesto, chamado Juntos pela Democracia e pela Vida, foi divulgado ontem. O texto é de responsabilidade de uma organização chamada Pacto pela Democracia, que tem como patronos alguns bilionários, como a Fundação Lemann, de Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, Maria Alice Setúbal, herdeira do Itaú, e Beatriz Bracher, mãe de Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco. Além disso, entre os apoiadores do movimento está também uma ONG dos Estados Unidos ligada às chamadas guerras híbridas ou “revoluções coloridas”, a National Endownment for Democracy.

Inicialmente, 247 publicou que os bilionários eram os patronos do manifesto Estamos Juntos.  Segundo os organizadores do Estamos Juntos, os anúncios publicitários nos jornais sobre o movimento foram pagos por pessoas físicas, e não por empresas. Maria Alice Setúbal e Beatriz Bracher também apoiam o Estamos Juntos.

Confira abaixo o texto:

Brasil, 2 de junho de 2020

Ao longo dos últimos anos o Brasil vem flertando com a tragédia de forma crescente. Nossos profundos desafios éticos e políticos, sociais e econômicos, ambientais e humanos, de desigualdades e discriminações, são notórios e conhecidos nacional e internacionalmente. Poder superá-los pressupõe a retomada do caminho de uma sociedade efetivamente democrática, em que a pluralidade de vozes e agendas públicas seja parte plena da vida coletiva e revele nossas virtudes, nossos valores e jamais represente uma fragilidade.

O Pacto pela Democracia surgiu há dois anos para reafirmar o compromisso com esses princípios e promover ação conjunta pela defesa e pelo aprofundamento da democracia no país. Desde então, reúne mais de 150 organizações e movimentos de diferentes segmentos da sociedade em dedicação permanente a essa construção, movidos pela convicção de que só a união do campo democrático poderá enfrentar e conter a espiral de degradação da arena política que vivemos na última década.

Democracia é valor, caminho e condição de êxito coletivo. ​Sem ela, ao lado da liberdade, da integridade e do exercício da cidadania plena, instala-se o espaço para o obscurantismo, a manipulação, o arbítrio e a beligerância permanentes como definidores da vida comum.

Conhecemos esse percurso que, inevitavelmente, provoca corrosão do tecido social e leva a uma trilha inexoravelmente trágica. Incontáveis experiências autoritárias pelo mundo, dos regimes nazifascistas às ditaduras comunistas ou capitalistas do século XX, passando pelo apelo de populistas autoritários também de diferentes orientações políticas ao longo da história. Distintos em muitos aspectos, todos têm em comum o fato de terem sido perversos para o conjunto da sociedade, provocando esgarçamento social e ruína institucional, econômica e humana.

Causa inquietação e repúdio notar a semelhança de muitas dessas trajetórias com o que vivemos no Brasil hoje. Portanto, é urgente o chamado para conter esta marcha de ruptura do Estado Democrático de Direito.

Combinando esforços comuns, nós, do Pacto pela Democracia, temos nos empenhado para contrapor esse cenário. De forma cotidiana, afirmamos e exercitamos o pluralismo diante da fragmentação crescente, defendemos o aprimoramento do sistema político dentro dos marcos democráticos e mobilizamos respostas institucionais para frear os ímpetos autoritários governamentais e a desconstrução dos meios de transparência e controle da ação política.

Fazemos isso por ser esse o papel da cidadania e pela consciência de que sem a democracia estaremos condenados ao fracasso em todas as demais tarefas na construção coletiva do país – na saúde e na educação, na segurança e na justiça, na conservação ambiental e na infraestrutura, na cultura e na ciência, e na promoção de uma sociedade antirracista que supere desigualdades e promova desenvolvimento econômico.

Mas chegamos agora a um contexto em que é preciso reconhecer que tais esforços já não bastam.

Isso porque a Presidência da República age em ataques graves e sistemáticos aos próprios fundamentos da vida democrática; pois em lugar de união e paz na construção conjunta do país, dedica-se a afirmar a cisão, a discriminação, o racismo e o caos como pilares de seu projeto de poder; porque o governo incita abertamente movimentos golpistas na sociedade, enquanto alicia as Forças Armadas e atores políticos corruptos para o avanço de um horizonte autocrático; e busca sistematicamente capturar as instituições de aplicação da lei para seus fins particulares, fazendo da intimidação a vozes dissonantes um padrão de atuação; além de renunciar até mesmo à tarefa mais elementar: a preservação da vida humana.

É preciso reconhecer de forma inequívoca que a ameaça fundamental à ordem democrática e ao bem-estar do país reside na própria Presidência da República.

Tal constatação precisa passar a guiar os esforços prioritários de todos que têm compromisso com a democracia, a ruptura das desigualdades e a construção ética, humanista e civilizatória na nossa história. Cabe, portanto, a todos os setores sociais e políticos no espaço democrático serem capazes de colocar a defesa desse legado comum definitivamente acima de diferenças, preferências ou objetivos particulares, para estar à altura do momento.

Este manifesto é um chamado nessa direção, somando-se a vários outros que felizmente já se multiplicam na sociedade brasileira. Precisamos de todas as vozes para afirmar a coesão da vasta maioria do país que, plural e distinta entre si, converge na recusa do arbítrio, do obscurantismo e da desumanidade como definidores da nossa existência pública. A partir desse sentido comum, é dever cerrar esforços para barrar a marcha bolsonarista, mobilizando a sociedade e as instituições para fazer falar essa maioria e trazer o presidente e seu governo à contenção e à responsabilidade por todos os meios legais disponíveis, existentes precisamente para prover os anticorpos necessários na proteção da democracia e da Constituição.

Embora se trate de uma tarefa mais simples de propor do que de realizar, ela é imprescindível. Que o horizonte de um país justo, dinâmico, generoso, humano e livre de discriminação em todas as suas formas, realizado como a construção comum que precisa ser, possa impor-se às fissuras dos últimos anos e guiar-nos à superação dos desafios presentes, como ocorreu em outros momentos cruciais de nossa história. E que possamos, pela força da convergência e de um objetivo maior, reavivar as bases de um Brasil possível, construído a partir dos direitos e da cidadania de toda sua população, afirmando, no vigor de sua diversidade e pluralidade, o caminho para o futuro compartilhado que precisamos.

Esta é, claramente, a nossa tarefa primordial agora. Trabalharemos ao lado de todas e todos dispostos a abraçá-la.

Tempos de SeleFogo: craques, surra histórica no rival e hegemonia no Rio

Imagem

Por Plínio Perrota, no Twitter

Muito se fala das duas gerações que o Botafogo teve nos anos 60: antes com Garrincha, NS, Didi e depois com Jair, PC, Roberto e cia. Mas mt gente se esquece do esquadrão do início dos anos 70 que ficou conhecido como Selefogo.

Em 1971, o Botafogo liderava o carioca tranquilo há 4 jogos do fim. O título tanto era questão de tempo que PC até chegou a pousar com a faixa de campeão. Mas dois empates contra América e Bonsucesso e uma derrota para o CRF fez com que a diferença caísse para apenas 1 ponto.

Imagem
Imagem

Com isso, o jogo final contra o Flu serviu como decisão. O Botafogo, que tinha um time melhor, jogava por um empate. Mas aos 44 do 2T, o Flu marcou o gol da vitória com Lula após falta clara do lateral Marco Antonio em cima do goleiro Ubirajara. O juiz José Marçal confirmou o gol.

Na disputa do Brasileiro, o time parece ter sentido o baque da perda do título carioca e fez uma campanha inicial regular. Mas os 10 empates e apenas 5 vitórias em 19 jogos da Primeira Fase foram suficientes para avançar em 5º lugar do Grupo B.

Imagem

Já na Segunda Fase, o Botafogo foi líder do Grupo C com Grêmio, Palmeiras e Coritiba. Após derrotar a equipe paranaense por 3-0 no Maracanā, a Selefogo chegava ao Triangular Final junto com São Paulo e Atlético-MG.

Após uma derrota de virada para o São Paulo no Morumbi por 4-1, o time acabou sendo derrotado pelo Galo no Maracanã por 1-0 e, além da perda do título, perdeu também a vaga na Libertadores do ano seguinte, terminando o campeonato na 3ª colocação geral.

Imagem

No ano seguinte, o Botafogo voltou forte para a disputa do Brasileirão. Com a ida de Paulo Cézar para o CRF, o argentino Fischer chegou para formar dupla com Jair. O Botafogo se classificou para a Segunda Fase como 3º colocado do Grupo C com 7 vitórias, 11 empates e 7 derrotas.

Foi neste campeonato, em 15/11, que o Botafogo goleou o CRF por 6-0 no dia do aniversário do rival. Com três gols, Jairzinho foi o encarregado do “presente”. Fischer, duas vezes, e Ferretti completaram o placar histórico que criaria a célebre frase: “Nós gostamos de vo6”.

Imagem

Na Segunda Fase, o Botafogo se classificou com 2 vitórias e 1 empate em 3 jogos. O time foi líder do Grupo 4 que contava com Grêmio, Santos e Santa Cruz. Na semifinal, a equipe derrotou o Corinthians em jogo único no Maracanã por 2-1 com os paulistas tendo a vantagem do empate.

O rival na final seria o Palmeiras que, como dono da melhor campanha, seria o mandante do jogo único e ainda jogaria pelo empate. O Botafogo foi desfalcado para SP: o goleiro Wendel, contundido, nem viajou e Jair, com um problema na coxa, foi apenas na manhã do dia do jogo.

Imagem

Debaixo de forte chuva no Morumbi, os times empataram em 0-0 e o título acabou ficando com os paulistas. Mesmo com Jair não estando 100%, o Botafogo foi melhor e por pouco não marcou: Fischer, ao bater o goleiro Leão, teve a bola tirada em cima da linha por Luís Pereira.

Jairzinho, com uma “bisonha” atuação segundo o Jornal dos Sports, foi eleito o melhor alvinegro pelo Jornal do Brasil, que jogou para Fischer a culpa da derrota. De qualquer maneira, o vice campeonato classificava o Botafogo para a disputa da Libertadores de 1973.

No grupo com Palmeiras, Peñarol e Nacional, o Botafogo estreou com derrota em SP e emendou duas vitórias no Rio contra os dois uruguaios. Em Montevideo, um empate diante do Peñarol e uma vitória contra o Nacional antecederam a vitória contra o Palmeiras que forçou um desempate.

Imagem

Pelo Botafogo ter vantagem no saldo, o jogo foi no Maracanã. Após Fischer abrir 1-0, Ademir da Guia empatou em posição irregular. Nos minutos finais, Jairzinho recebeu livre pela ponta direita e decidiu: 2-1 e Fogão na semifinal para loucura dos quase 90 mil presentes.

Imagem

Na semi, o Botafogo entrou no grupo triangular com Cerro Porteño e Colo-Colo. Derrota já na estreia: 2-1 para os chilenos em pleno Maracanã. No Paraguai, nova derrota, agora por 3-2. Ainda assim o Botafogo dependia só de si para chegar na final.

O time então foi ao Chile precisando vencer mas foi para o intervalo perdendo por 2-0. No 2T, dois rápidos gols recolocaram o Botafogo na disputa. Dirceu com um golaço de fora virou e manteve o sonho vivo. Mas aos 44 minutos, Véliz empatou e eliminou o Botafogo da competição.

O Botafogo ainda venceu o Cerro no Maracanã num jogo que só serviu para confirmar a vaga do Colo-Colo para a final contra o Independiente. O gol ao final da partida em Santiago não só eliminou o Botafogo como o tirou da decisão. Assim como em 63, voltávamos a cair na semi…

Imagem

Uma excelente geração de craques que acabou ficando marcada pelo “o que poderia ter sido”. Passando perto de ganhar tudo, acabou sem nada.

Para reflexão

“Nunca deixe que eles te convençam que vidro quebrado ou saques é violência. Fome é violência. Morar na rua é violência. Guerra é violência. Jogar bomba nas pessoas é violência. Racismo é violência. Supremacia branca é violência. Nenhum cuidado de saúde é violência. Pobreza é violência. Contaminar fontes de água para obter lucro é violência. Uma propriedade pode ser recuperada, vidas não”.

Marc Jacobs, estilista que teve loja saqueada nos protestos em NY