Flamengo quebrou protocolos de segurança, diz MP do Rio

Flamengo venceu o Bangu por 3 a 0 na retomada do Campeonato Carioca durante a pandemia do coronavírus - Thiago Ribeiro/AGIF

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, encaminhou ofício à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), requisitando esclarecimentos quanto à notícia de descumprimento do protocolo “Jogo Seguro” na partida da última quinta-feira (18), entre Flamengo e Bangu, no Maracanã, que marcou a retomada do Campeonato Carioca em meio a pandemia do coronavírus.

Segundo o ofício, o MPRJ recebeu notícia do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informando que o Flamengo não teria cumprido integralmente as diretrizes do protocolo por não ter realizado a concentração dos atletas 48 horas antes do jogo.

A denúncia também traz a notícia de que a Ferj teria lançado nova versão do protocolo Jogo Seguro às vésperas da partida. O Ministério Público questiona também se a federação elaborou um protocolo diferente do enviado ao órgão no último dia 12.

O MPRJ ressalta que eventual descumprimento do protocolo pode caracterizar violação dos termos do ¿art. 6º, III do decreto estadual nº 47.112 que regula a prática de atividades econômicas no atual momento de emergência em saúde devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19). (Com informações do UOL)

Duas pessoas morrem em acidente com carreta e 10 carros na rodovia PA-275

Duas pessoas mortas, cinco feridas, 10 carros destruídos e uma carreta incendiada. Esse foi o saldo de um acidente ocorrido na tarde de ontem, sexta-feira (19), por volta das 17h40, na Rodovia PA-275, no trecho entre Eldorado dos Carajás e Curionópolis.

Um dos acidentados, Paulo Cristino Xavier, que conduzia um automóvel Fiat Weekend e sofreu cortes em uma das mãos e no couro cabeludo, contou que um caminhão com uma carga de melancias tombou na margem da estrada, em trecho onde não há acostamento.

Um condutor parou para apanhar melancias que caíram da carga e, logo, outros motoristas foram chegando e fazendo o mesmo, a ponto de congestionar a pista com filas dos dois lados, tanto no sentido Eldorado—Curionópolis quanto na direção contrária.

Minutos depois, uma carreta carregada de manganês surgiu no alto da ladeira, segundo Xavier, a cerca de 90 km por hora.

O condutor ainda tentou frear e evitar a tragédia, mas sem ter para onde desviar, acabou tombando o veículo que se incendiou no asfalto arrastando no caminho dez carros os quais ficaram destruídos. “O carro ficou destruído, mas, graças a Deus, mesmo ferido, o importante é ter saído vivo”, comentou Paulo Xavier. 

O tenente Joselito Teixeira, do 23º Grupamento Bombeiro Militar, e equipe estiveram no local, mas quase nada mais havia a ser feito, a não ser o levantamento do acidente. As vítimas fatais e os feridos não tiveram os nomes divulgados. (Caetano Silva, no blog do Zé Dudu)

Dupla Gre-Nal também se levanta contra a “MP do Flamengo”

A dupla Gre-Nal está alinhada contra a Medida Provisória 984/2020, que modifica a lógica dos direitos de transmissão no futebol brasileiro. Grêmio e Internacional entendem que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se equivocou ao assinar o texto sem debate prévio. A chamada ‘MP do Flamengo’ foi pauta de reunião de ontem (19) entre os dirigentes gaúchos.

Romildo Bolzan Jr. e Marcelo Medeiros estão unidos em crítica à MP que muda venda de direitos de transmissão - Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Marcelo Medeiros, presidente do Internacional, e Romildo Bolzan Jr., mandatário do Grêmio, falaram sobre a assinatura da MP e os efeitos políticos no futebol verde e amarelo.

“Da maneira que foi encaminhada, me parece que a demanda atendeu a interesse específico. É um ato muito pequeno e de enorme problema, enorme consequência. Consequência que pode ser boa ou ruim. O cerne de tudo está a forma como foi encaminhado: completamente sem debate prévio. É de imaturidade política, que… Bom, nem vou adjetivar. Mas nos joga no centro de um problema que é discussão da Globo com o governo federal. É tudo que não precisávamos agora. O que vai acontecer, no mérito, não posso dizer. Mas a forma como isso tudo foi encaminhado, de maneira solitária por um clube, sem a mínima preocupação de debate…”, disse Romildo Bolzan Jr., presidente gremista, em entrevista à Rádio Gaúcha.

A insatisfação é justamente pelo fato de a revisão de regras não ser tema urgente. O Grêmio tem contrato com a Globo para todas as plataformas até 2024. O Inter possui vínculo de TV fechada com o Grupo Turner até dezembro e compromisso nas outras modalidades com a Globo, igualmente até o fim de 2024. Bolzan revelou conversa com Medeiros e disse que os dirigentes estão ‘muito alinhados’ sobre o tema. Integrante da Primeira Liga, o presidente gremista chegou a dizer que os clubes ficam com construção política fragilizada pela publicação do texto.

“Tem clubes que acham boa a medida. Alguns se manifestaram publicamente achando interessante a MP. Como não discutimos nada, estamos divididos mais uma vez. E nos dividiram para atender uma situação especifica, vamos combinar que é bem especifica”, declarou o dirigente do Grêmio.

Pelo Twitter, o presidente da República, Jair Bolsonaro, comentou a MP e disse que está democratizando o futebol brasileiro ao dar ao clube mandante o direito de comercializar os direitos das partidas. “Se fosse democratizar, ouviria a todos”, comentou Bolzan.

“Os clubes deveriam se posicionar para não serem engolidos por um debate que não provocaram. Estamos com 70% dos contratos de TV suspensos e não sabemos o que vem pela frente. A que serve essa MP? O que está por trás disso? Tenho muitas preocupações e temos que reagir. Reagir devolvendo a MP ao governo e abrindo debate. Temos mais três anos e meio de contrato pela frente. Então, de repente se acha um bom termo negocial para todos. Mas em meio à crise se gera esse problema. Não entro no mérito, mas no âmbito político”, acrescentou.

Superfaturamento: Laboratório do Exército gastou 1,5 milhão para produzir cloroquina

O Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército já gastou mais de R$ 1,5 milhão para produzir cloroquina em meio à pandemia do coronavírus. Segundo cálculos feitos pela Repórter Brasil, a produção já foi ampliada em mais de 100 vezes. O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga mau uso de recurso público.

O Exército teria firmado ao menos 18 acordos para aquisição de cloroquina em pó e outros insumos de produção, gastando um valor total de R$ 1.587.549,81. Na última quarta-feira (17), foi divulgado que o Ministério da Defesa já teria investido ao menos R$ 472,5 mil para produzir 2,25 milhões de comprimidos de cloroquina 150mg desde março, quando Jair Bolsonaro ordenou a produção.

O investimento seria para utilização do medicamento no tratamento de Covid-19. Contudo, a eficácia da droga nunca teve comprovação científica, e os testes para uso da cloroquina para tratar pacientes infectados com o coronavírus foram suspensos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta semana. Os especialistas temem que a utilização da droga piore o estado dos pacientes devido aos efeitos colaterais, como problemas cardíacos.

Cerca de 95% do valor gasto pelo Exército na produção foi direcionado para a compra de 1.414 kg de cloroquina em pó, em processo sem licitação. Também foram adquiridos outros insumos de produção, como papel alumínio e material de impressão.

O TCU irá instaurar investigação sobre o assunto nas próximas semanas para confirmar de onde partiu a ordem para a produção em alta escala. A situação indica que Bolsonaro, junto à cúpula militar do governo, teria ordenado a produção sem autorização do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O ex-ministro foi exonerado por discordar do presidente em relação ao uso do medicamento e à necessidade de medidas de isolamento social.

A investigação sobre uso inadequado de dinheiro público aborda tanto o gasto com produção mesmo sem comprovação científica da eficácia da droga, quanto o superfaturamento. Na primeira compra feita pelo Exército, em março, foram comprados 414 kg de cloroquina em pó a R$ 488 o quilo. Já em maio, foram adquiridos 1.000 kg do insumo por R$ 1.304 o quilo. Em 2019, o mesmo distribuidor havia comercializado o produto por R$ 220 o quilo, o que indica um aumento de seis vezes no último valor pago pelo exército. (Transcrito da Revista Fórum)

Livro de John Bolton torna imoral qualquer ataque à Venezuela

Por José Renaldo Carvalho, do Jornalistas pela Democracia 

John Bolton e Nicolás Maduro

John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos entre abril de 2018 e setembro de 2019, acaba de jogar na Casa Branca uma bomba cujos estilhaços podem acarretar efeitos devastadores neste final de mandato do presidente Donald Trump, comprometendo não só diferentes aspectos da política doméstica, como principalmente as relações exteriores daquela que, embora decadente, ainda é a maior superpotência do mundo. 

No livro “The Room Where It Happened: A White House Memoir” (“A Sala Onde Aconteceu: Uma Memória da Casa Branca”, em tradução livre), o ex- assessor presidencial revela entre outras coisas que Donald Trump, cogitou invadir a Venezuela. O titular da Casa Branca considerava “legal” ocupar o país sul-americano, torná-lo uma colônia, por considerá-lo “realmente parte dos Estados Unidos”, segundo a narrativa de John Bolton. 

O Departamento de Justiça entrou com uma ação contra o autor, alegando que o livro contém “informações classificadas” e sua publicação “comprometeria a segurança nacional”, razão pela qual o lançamento da obra foi adiado para julho, o que ainda é incerto. Os trechos que vieram à luz são vazamentos publicados por veículos da imprensa corporativa estadunidense.  

As razões de Bolton para fazer as revelações comprometedoras decerto não se devem a posições políticas e ideológicas distantes da do ex-chefe, porquanto o ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump é ultraconsevador e defensor extremado da supremacia estadunidense no mundo. Serviu aos governos também reacionários de George H. W. Bush (2001-2009), o verdugo do povo iraquiano, e de Ronald Reagan (1981-1989), expoente histórico da direita norte-americana. Bolton foi demitido em setembro de 2019 por razões táticas conjunturais, depois de se chocar com Trump por causa da recusa do presidente em bombardear o Irã em represália à derrubada de um drone espião dos EUA no Golfo Pérsico.

No governo, Bolton esposava a política de intervenção na Venezuela, de intensificação do bloqueio a Cuba e multiplicação das sanções sobre o Irã. Um ortodoxo da tese de que as sanções econômicas, ao estrangular um país, têm o condão de levantar o povo contra os governos que os Estados Unidos pretendem derrubar via golpe ou intervenção militar.  

As revelações de Bolton comprometem e desmascaram imensamente Donald Trump e o círculo de poder da Casa Branca, até pela proverbial ignorância do presidente que não sabia sobre a capacidade nuclear do Reino Unido nem que a Finlândia não fazia parte da Rússia. Não se descarte a hipótese de amanhã algum outro assessor revelar que Trump também desconheça que a União Soviética foi extinta e a Guerra Fria acabou há 30 anos. 

Quanto à Venezuela, sempre foram indisfarçáveis as pretensões de Trump, que o livro de Bolton corrobora. 

Seu mandato tem sido marcado pelo mantra de que “todas as opções estão na mesa” para a Venezuela. Aplicou meticulosa e constantemente a política de sanções, sempre duras, mas, durante algum tempo, parciais. Em agosto de 2019, proclamou as sanções totais, o bloqueio do país bolivariano. Ao longo dos anos de 2018 e 2019, os agentes e espiões dos Estados Unidos fomentaram as “guarimbas”, ações violentas que visavam a desencadear a guerra civil no país.

A opção do golpe de Estado foi tomada em janeiro de 2019, quando o deputado Juan Guaidó se autoproclamou “presidente interino”, logo reconhecido pelos Estados Unidos e alguns outros países.