Mês: março 2020
Tite cede à pressão e convoca ataque rubro-negro
O técnico Tite convocou hoje a seleção brasileira para os primeiros jogos nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. O treinador chamou três jogadores do Flamengo: Gabigol, Bruno Henrique e Everton Ribeiro. Além de Everton Ribeiro, do Fla, outra novidade é a convocação do volante Bruno Guimarães, do Lyon.

Em entrevista coletiva, o treinador negou qualquer contato com o clube carioca para falar sobre a convocação de três jogadores. “Não (teve negociação) com clubes, com nenhum, clube, como critério, é um início de Copa do Mundo, uma responsabilidade muito grande, um acompanhamento muito grande e de escolhas. [Temos] Autonomia de escolhas dos atletas”, afirmou.
A seleção estreia nas Eliminatórias no dia 27 de março, contra a Bolívia, em Recife. No dia 31, a equipe joga contra o Peru, em Lima. No total, Tite chamou 24 atletas, um a mais do padrão, por conta da suspensão que o atacante Gabriel Jesus tem de cumprir na partida contra os bolivianos, por conta de um cartão vermelho recebido na final da Copa América 2019.
Goleiros – Ederson (Manchester City-ING), Ivan (Ponte Preta), Weverton (Palmeiras).
Laterais – Daniel Alves (São Paulo), Danilo (Juventus-ITA), Alex Sandro (Juventus-ITA), Renan Lodi (Atlético de Madri-ESP).
Zagueiros – Eder Militão (Real Madrid-ESP), Felipe (Atlético de Madri-ESP), Marquinhos (Paris Saint-Germain-FRA), Thiago Silva (Paris Saint-Germain-FRA)
Meio-campistas – Arthur (Barcelona-ESP), Casemiro (Real Madrid-ESP), Bruno Guimarães (Lyon-FRA), Everton Ribeiro (Flamengo), Fabinho (Liverpool-ING), Coutinho (Bayern de Munique-ALE).
Atacantes – Bruno Henrique (Flamengo), Everton (Grêmio), Gabigol (Flamengo), Neymar (Paris Saint-Germain-FRA), Roberto Firmino (Liverpool-ING), Richarlison (Everton-ING), Gabriel Jesus (Manchester City-ING).
As Eliminatórias serão disputadas em 18 rodadas, com a primeira acontecendo no próximo dia 27 de março e a última no dia 16 de novembro de 2021. A competição é disputada pelas dez seleções sul-americanas filiadas à Conmebol: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Elas se enfrentam em dois turnos, em pontos corridos.
Classificam-se para o Mundial as quatro seleções melhores colocadas. A quinta colocada ainda terá a chance de classificação através de um playoff de repescagem intercontinental.
SELEÇÃO OLÍMPICA
O técnico André Jardine convocou hoje a seleção brasileira olímpica para partidas de preparação para os Jogos de Tóquio. Destaque para as presenças de Lucas Paquetá, do Milan, e Vinicius Junior, do Real Madrid. A equipe brasileira, no entanto, não sabe quando e contra quem vai jogar.
As partidas seriam disputadas contra Coreia do Sul e Egito nos Emirados Árabes, mas as partidas foram canceladas devido ao coronavírus. A Confederação Brasileira de Futebol trabalha para encontrar novos rivais.
Rock na madrugada – The Doors, Five to One
Desfalques desafiam Mazola
POR GERSON NOGUEIRA
Poucas vezes um time chegou tão desfalcado a um Re-Pa. Depois da atualização de ontem sobre a quantidade de lesionados, o técnico Mazola Júnior tem o desafio de montar o time para domingo sem contar com sete jogadores importantes – Fredson, Charles, Ronaell, Douglas Packer, Gustavo Ermel, Gelson e Dudu Mandai. E o lateral esquerdo Ronald, que encantou os torcedores no jogo de domingo, sofreu entorse anteontem e também virou dúvida para o clássico.

Diante de cenário de terra arrasada, como Mazola pode formatar o time para enfrentar o maior rival? A primeira hipótese: Vinícius; Nininho, Mimica, Neguete e Jansen; Xaves (Lailson), Djalma, Lukinha e Robinho (Eduardo Ramos); Jackson e Hélio Borges. Há uma versão mais alternativa, no 3-5-2: Vinícius; Neguete, Mimica e Jansen; Djalma, Xaves, Lailson, Eduardo Ramos e Lukinha (Robinho); Jackson e Wesley.
Mazola certamente trabalha com vários formatos para compensar a carência de opções logo em seu segundo compromisso à frente do Remo. A lateral-esquerda, sempre problemática, perdeu o titular Ronaell na partida contra o Carajás e corre sério risco de ficar também sem o substituto Ronald, que teve atuação bastante elogiada. Com contusão grau 1, o jogador será submetido a testes no sábado.
Outra consequência dessa impressionante onda de desfalques é que as baixas forçam o aproveitamento de jogadores que não cumprem um bom começo de temporada, alguns até afastados do time titular.
Caso, por exemplo, do lateral Nininho, muito criticado pelas más apresentações conta Águia, Brusque e Carajás, jogo no qual falhou no lance do gol adversário. Robinho também não apareceu bem ao jogar como titular da meia-cancha. E o contestado volante Xaves, que foi barrado por Mazola após atuações fracas no Parazão e na Copa do Brasil, tem a chance de voltar ao time, embora Lailson e Warley também possam atuar na função de primeiro volante.
Por outro lado, da forma como os problemas musculares têm se repetido no elenco azulino já há quem critique a carga de exercícios no período de pré-temporada. Lesões são ocorrências normais em início de temporada, mas quando ocorrem em larga escala justificam questionamentos.
Momentos assim reforçam a convicção de que o futebol depende cada vez mais dos jogadores polivalentes. O Remo tem Djalma, Jansen, Lukinha, Neguete e Hélio Borges como curingas, mas ainda é pouco.
Galinho defende Gabigol e vê Seleção burocrática
Como ilustre aniversariante da semana e grande personagem do futebol brasileiro, Zico se manifestou nesta semana defendendo a presença de Gabriel Barbosa na Seleção. O raciocínio é simples: como principal artilheiro do país, o atacante não pode mais ser ignorado por Tite. O Galinho foi além: outros rubro-negros deveriam ser chamados. Referia-se a Bruno Henrique, Gerson, Everton Ribeiro e Rafinha.
“Sempre defendi que deve ir para a Seleção quem está melhor no momento. Acho que no Brasil ninguém está melhor que o Gabigol. Então, não seria nada de mais se ele assumisse logo a titularidade. Hoje, você tem o Gabriel Jesus, reserva do City, e o Firmino, que é titular do Liverpool, mas joga com outra característica na seleção”, justificou.
Quanto ao aproveitamento de outros jogadores do Flamengo, Zico compara com os anos dourados do futebol no Brasil quando Santos e Botafogo constituíam a base da Seleção. O melhor time deve ser a referência.
Sobre o estágio atual da Seleção, a opinião não é das mais simpáticas. Segundo ele, o escrete perdeu a magia e a identificação com o torcedor. A crítica é semelhante à da imensa maioria da torcida brasileira, mas saindo da boca de Zico adquire outro peso.
“Precisamos de um futebol mais alegre, audacioso. A seleção brasileira parece jogar por obrigação, parece que os jogadores não estão muito felizes por estar lá. E isso repercute dentro de campo, com um futebol burocrático, sem vibração. O começo do Tite foi muito bom, mas quando os adversários começaram a se preparar melhor, parece que nós não tínhamos um Plano B e o rendimento caiu”, disse o Galinho, prenhe de razão.
Embaixador desonra imagem do craque fora-de-série
Ronaldinho Gaúcho foi eleito duas vezes o troféu de melhor do mundo (2004 e 2005), virou ídolo do Barcelona e glorificado como o melhor driblador da Europa quando no auge da carreira, comparado até a Mané Garrincha. É o único craque a ter conquistado a Champions League, a Libertadores, a Copa do Mundo e o troféu Fifa de Melhor do Mundo.
Até hoje é recepcionado com honras em qualquer país do mundo, despertando reverência e respeito. Problema é que o próprio Ronaldinho não parece se respeitar. Na quarta-feira, abalou o mundo do futebol ao ser preso no Paraguai com um passaporte grosseiramente falsificado.
Derrapada terrível, até mesmo para quem vive flertando com o lado mais sombrio do mundo dos negócios. Nos últimos tempos, visita o noticiário policial com incômoda frequência. Teve o passaporte retido por prática de crime ambiental no Rio Grande do Sul. Logo depois, foi denunciado por envolvimento no golpe da pirâmide.
Como apoiador de Bolsonaro, ganhou credenciais de embaixador turístico do Brasil, para divulgar a imagem do país pelo mundo. A trapalhada paraguaia mostra que o embaixador não está à altura do cracaço que encantou o mundo no começo da década de 2000. Uma pena.
Direto do blog campeão
“Eu vivi para ver paraguaio prender brasileiro por falsificação”.
Por Hélio Mairata, economista e professor
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 06)
A frase do dia
“Eu vivi para ver paraguaio prender brasileiro por falsificação”.
Por Hélio Mairata, economista e professor
Bye bye, Miami: Dólar já é vendido a R$ 5,16 em casas de câmbio

Do Metrópoles:
Pela 12ª sessão consecutiva, o dólar opera em alta nesta quinta-feira (05/03), superando pela primeira vez o patamar de R$ 4,60, em meio às crises relacionadas ao coronavírus. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá em 17 e 18 de março para deliberar sobre a taxa de juros, que está em patamar mínimo recorde de 4,25% ao ano.
Apoiadas pela alta da moeda norte-americana, as casas de câmbio chegam a negociar o dólar a R$ 5,16, considerando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no cartão pré-pago. Esse valor foi encontrado em uma empresa de São Paulo. Agora, se pago em espécie, o preço fica na média de R$ 4,87.
Os 35 anos de Calvin & Haroldo
Por André Forastieri
Em 2020, celebramos os 35 anos da criação de Calvin e Haroldo, e um quarto de século do seu fim. A tira foi lançada nos EUA no dia 19 de novembro de 1985.
Bill Watterson produziu essas histórias encantadoras por um pouquinho mais que uma década. Começou aos 27 anos, parou aos 37.
Nunca mais publicou nada. Nunca mais deu as caras ou entrevistas. Vive tranquilo, em Ohio, pintando e, imagino, matutando – 60 anos completos.
As tiras clássicas são repetidas desde então, nos poucos jornais que ainda publicam tiras, nos poucos jornais que ainda restam. As páginas coloridas, dominicais, só nos álbuns.
Foi o último gênio desta arte tão poderosa e popular no século que passou. Combinação única, escrevia com a delicadeza dos melhores, como seu ídolo Charles Schulz; ilustrava com a expressividade dos maiores da HQ.
Peça rara, Bill proibiu todo tipo de merchandising e extensão de marca. Nada de boneco, lancheira, desenho animado ou game do Calvin. Nem autógrafo dava. Não queria desvalorizar os personagens, nem culto à personalidade.
Rasgou dinheiro. Conquistou com isso uma aura muito pura e exclusiva para seus heróis. Se você quer ter um pedacinho do menino e seu tigre, a única coisa a comprar são os livros, poucos.
Estão por aí e são obrigatórios. As edições brasileiras trazem o selo da Conrad, que tenho orgulho de ter co-fundado. Negociávamos os direitos quando eu deixei a editora, em 2005. O primeiro volume é este aqui.
Ou você pode comprar a coleção completa do Calvin em inglês.
Calvin foi a última tira que aguardávamos em massa, mundo afora, mais de 2.400 jornais. Hoje a cultura popular não tem mais um centro, tem infinitas dimensões. Ganhamos mais que perdemos. As perdas doem.
Calvin vive. E com ele Haroldo, que nome simpático… mas adotemos o original, Hobbes. Porque Bill Watterson o batizou assim em homenagem ao filósofo, que tinha “uma visão pouco otimista do ser humano.” Confira estas descrições que ele faz dos personagens, no seu antiquadão site oficial.
Siga no Twitter o perfil @Calvinn_Hobbes. Ele reproduz tiras e páginas de Calvin. É um segundinho de alegria, todo dia. Sugiro que te dês o mesmo presente.
Mas antes, vou te dar outros três.
Esta homenagem foi feita por dois grandes talentos dos quadrinhos.
O escritor Brian Azzarello e o ilustrador Lee Bermejo, conhecidos por suas violentas recriações de super-heróis clássicos, acertaram exatamente no ponto ao recriar Calvin e Hobbes como Lex Luthor e Coringa.
A história foi feita para um gibi da DC Comics, por enquanto publicado só nos EUA. Milagrosamente, Brian consegue capturar os espíritos do menino e seu tigre, e também os dos arquiinimigos de Batman e Super-Homem.
E Lee, bem, se Bill quiser passar o nanquim para alguém, já achou herdeiro… mas não vai. E é melhor que seja assim.
Mais um presentinho…
Gavin Aung Tham criou este site, o Zen Pencils. Transforma frases de outros, famosos ou nem tanto, em pequenos cartuns, ou às vezes histórias em quadrinhos.
Esta é do Bill Watterson. Combina bem com a primeira semana do ano. Gavin não é gênio, mas sabe reconhecer e homenagear um. É uma história singelinha? Uma frase meio piegas? É lição muito difícil de seguir.
E esta é a tira de despedida de Calvin e Hobbes. Foi publicada no dia 31 de dezembro de 1995, último dia desta dupla querida e de um distante ano.
É, o ontem se foi, só nos resta este momento mágico – este instante de decisão, de prazer, de poder.
Vamos juntos?
Lula é destaque na mídia francesa

Lula em total liberdade
Visitando Paris, o ex-presidente do Brasil, libertado no dia 8 de novembro, após 580 dias de prisão, conta à l’Humanité suas lutas pela democracia e contra as desigualdades.
Imprensa que aguenta humilhação diária no Planalto gosta de apanhar

Por Kiko Nogueira, no DCM
Os jornalistas e seus patrões são responsáveis pela humilhação que lhes é imposta pelo presidente da República nas coletivas do Planalto. Para haver um sádico, é necessário um masoquista.
Os profissionais normalizaram o comportamento de um vagabundo que se compraz em humilhá-los. Nesta terça, um passo adiante foi dado rumo ao lixo. Como ninguém diz “basta”, não será o último.
O humorista Carioca, fantasiado do palhaço que ocupa o cargo de presidente, distribuiu bananas aos repórteres. Ele saiu de um carro junto com o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, e tocou uma corneta.
“Foi o presidente Jair Bolsonaro que pediu para distribuir banana?”, questionou alguém. “Não vem com esse papo não, foi ideia minha, isso aqui se chama humorista”, respondeu o sujeito.
Parte disso era para Jair Bolsonaro fugir de questões sobre o pibinho de 1,1% em 2019. O comediante vai usar as imagens em seu programa de domingo na Record, emissora amiga do regime.
Daniel Gullino, do Globo, conta que seus colegas viraram as costas para Bolsonaro quando ele surgiu com Carioca, como se isso fosse grande coisa.
Muito pouco, tarde demais. Amanhã tem mais.
Bolsonaro tem um relacionamento abusivo com o reportariado, que engole bovinamente suas ofensas, voltando para ser subjugado. Por que topam essa parada? Que informação preciosa poderia lhes dar o energúmeno? Nenhuma.
É famosa a cena de 1984 dos fotógrafos de braços cruzados na rampa do Planalto diante do general João Figueiredo, em protesto a uma relação que se desgastava. O único a empunhar sua máquina, José de Maria França, foi escolhido para fazer o registro e distribuir para os jornais.
Figueiredo, uma cavalgadura, nunca chegou aos pés do bunda-suja Bolsonaro. Estávamos nos estertores de uma ditadura, hoje estamos nos estertores de uma democracia. Você não trata como gente quem te trata como cachorro. A não ser que você queira.
Aqueles que desafiaram o ditador Figueiredo eram homens.
Estes são meninos.
Benfica prepara proposta para tirar Jesus do Flamengo

O Benfica vai fazer uma proposta tentadora para tirar o técnico Jorge Jesus do Flamengo em maio de 2020, quando termina o contrato do treinador com o time carioca. Conforme a rede de TV do “Correio da Manhã”, de Portugal, o presidente Luís Filipe Vieira quer o regresso do comandante e está disposto a oferecer 5 milhões de euros líquidos (R$ 25 milhões) por ano ao técnico do Flamengo.
Conforme o canal, o investimento total do Benfica seria de 10 milhões de euros anuais (cerca de R$ 50 milhões), que seria o valor bruto do contrato do treinador. A única indefinição está relacionada com a duração do vínculo, que pode ser de duas ou três temporadas.
Ainda segundo a “CMTV”, o mandatário do Benfica e Jesus se falam diariamente por telefone. A relação de amizade que os une sempre foi forte e ainda permanece. No entanto, segundo a emissora, a vontade do presidente Luís Filipe Vieira não é unânime entre a diretoria e conselheiros, sobretudo em ano de eleições. Mesmo assim, o cartola não irá ceder às pressões internas quando tiver de tomar uma decisão, algo que já aconteceu em situações anteriores.
Jesus, de 65 anos, ainda não aceitou uma renovação de contrato com o Rubro-Negro e prometeu dar uma resposta em breve. Se deixar o Flamengo e aceitar ir para o Benfica, o treinador vai substituir Bruno Lage, que tem sido muito contestado pela torcida e pela imprensa, depois de ter deixado escapar uma vantagem de sete pontos para o Porto, que é agora o líder do Campeonato Português. (Do Extra)
Ronaldinho ficará detido no Paraguai por tempo indeterminado

Ronaldinho Gaúcho e Roberto de Assis Moreira ficarão à disposição da Justiça do Paraguai por tempo indeterminado, segundo afirmou nesta quinta-feira o promotor Federico Delfino, responsável pela investigação contra os dois ex-jogadores por porte de documentos falsos. O astro do futebol e o irmão, que gerencia sua carreira, foram detidos nesta quarta-feira e passaram toda a noite sob custódia das autoridades paraguais após operação policial na suíte presidencial do Hotel Resort Yacht y Golf Club em Lambaré, vizinho a Assunção.
Nesta quinta-feira pela manhã, ambos prestaram depoimento na sede do Ministério Público paraguaio, localizada em Assunção. Em seguida, os ex-jogadores foram encaminhados para o Departamento de Crime Organizado do país, onde também terão que dar explicações.

“Foi checada a documentação, que chamou a atenção. Para ter a nacionalidade paraguaia, ser paraguaio naturalizado, tem que estar vivendo há algum tempo no país e ter um trabalho, essas coisas. Ronaldinho é uma pessoa de fama mundial… Estou igual a vocês. Já verificamos que os números de passaporte pertencem a outras pessoas. São passaportes originais, mas com dados apócrifos. Esses passaportes foram tirados em janeiro deste ano”, disse Federico Delfino.
Os documentos adulterados teriam sido entregues pelos responsáveis do evento. De acordo com a polícia paraguaia, os dois deixaram o Brasil, via Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com a documentação brasileira e só em solo paraguaio apresentaram os passaportes suspeitos.
– Se checou a documentação, que chamou a atenção. Para ter a nacionalidade paraguaia, ser paraguaio naturalizado, tem que estar vivendo há algum tempo no país e ter um trabalho, essas coisas. Ronaldinho é uma pessoa de fama mundial… Estou igual a vocês. Já verificamos que os números de passaporte pertencem a outras pessoas. São passaportes originais, mas com dados apócrifos. Esses passaportes foram tirados em janeiro deste ano – disse Federico Delfino.
Ex-craque culpa empresário
Ronaldinho responsabilizou o empresário Wilmondes Sousa Lira, de 45 anos, que o representa no país vizinho, por portar o documento adulterado. Tanto o craque quanto o irmão e agente dele, Ronaldo de Assis Moreira, foram levados pelos agentes. Apontado como o autor dos documentos falsos, Lira também foi detido pelas autoridades.
O empresário estava jantando com Ronaldinho e o irmão na suíte presidencial do hotel Yatch e Golf Club, onde estão hospedados. Ronaldinho e Roberto Assis usaram passaportes falsos para entrar no Paraguai, e isso chamou da atenção da polícia, que já sabia desde a manhã de quarta-feira sobre a situação, mas só pegou os dois irmãos à noite.
“É uma pena que um ídolo mundial tenha acontecido isso (…) Estamos diante de um evento punível, principalmente quando se trata de um documento oficial (…) Nas primeiras horas da manhã, quando havia uma convicção de que essas pessoas entraram com documentos paraguaios, além do passaporte, foi relatado que eles nunca entraram no registro do Departamento de Investigações”, explicou o comissário da polícia Gilberto Fleitas, diretor de Investigação de Fatos Puníveis da Polícia Nacional.
O comissário comentou que Ronaldinho disse que foi convidado pela primeira vez para ir ao Paraguai por um compatriota para comparecer a inauguração de um cassino chamado Il Palazzo. No entanto, ele foi contatado por Sousa Lira, que aproveitaria sua presença no país para promover atividades de caridade de uma fundação chamada Angelic Fraternity, representada por uma política de San Pedro Colorado chamada Dalia López.
Ronaldinho e seu irmão foram presos sob custódia policial no hotel onde estão hospedados e devem testemunhar às 9h na sede da Promotoria contra o Crime Organizado. O ex-craque informou à polícia que os documentos falsos foram levados por Sousa Lira para a casa de Ronaldinho no Brasil.
“Há um técnico trabalhando nisso. As investigações continuarão, verificará quem ou quem está atrasado no Brasil e no Paraguai”, concluiu Fleitas.
O Brasil que deu certo está na França

Por Gustavo Conde
A miséria intelectual, a gente lamenta.
A aversão ao intelecto, o preconceito de si, a certeza da insignificância, a conformidade com as coisas postas, com as leis, com os significados chãos das palavras… Tudo isso é o que nos torna tão vitais para o ‘sistema’.
A moeda não é o dólar, o real, o iene. A moeda somos nós. Nós fazemos funcionar o sistema com a nossa força de trabalho associada a nossa ignorância.
Nós somos moeda e mercadoria. Somos commodity. A carne, o gado têm mais direitos do que nós. Têm mais assistência médica, sanitária. No Brasil, são até livres (andam pelo pasto).
Por isso Lula é essa ‘ameaça’ toda. Ao colocar um pouco de dinheiro na mão dos pobres ele reinventou a economia. Colocou valor monetário no seu hospedeiro sistêmico, o indivíduo.
O passo seguinte seria libertar o ser humano dessa condição de ‘moeda de troca’. Os brasileiros estávamos indo nessa direção, mas as notas maiores (as notas de cem, a classe média, os acumuladores monetários compulsivos) fizeram a revolta de 2013 e devolveram o sistema para a casinha do bom comportamento opressor.
Não sou ingrato. Foi bom experimentar a liberdade. Não durou muito, mas poucas pessoas na história tiveram a chance de ter esse gosto.
Eu me lembro de como era ter um país. Como era ter essa segurança em minha existência para pensar em outras coisas, na literatura, na arte, na teoria, no futuro.
As amizades eram mais leves, menos atravessadas pela desconfiança, pelo medo. Dava orgulho pensar que meu filho teria direito a uma universidade pública de qualidade, a um emprego, a assistência médica.
Hoje, a gente vê o país aos pedaços, as pessoas se matando para ganhar um centavo nas ruas.
Legiões religiosas fanáticas se agrupando em igrejas fraudulentas, focos de crimes e violência… Polícias assumindo sua face assassina e homicida sem mais nenhum tipo de pudores institucionais (já que a institucionalidade do país foi retorcida, moída e incendiada).
A lógica das classes covardes que destruíram o país maravilhoso que ia nascendo é, hoje, mandar seus filhos para o exterior.
Eles detestam o Brasil, sempre detestaram. Não são capazes de conviver com quem ama este país. Desconhecem o sentimento de amor, não só pela pátria, mas pela vida e por si próprios.
Gastam seu tempo assistindo novelas, assistindo o telejornalismo da Globo. Passam os dias lavando calçadas (lavam até paredes), trocam de carro (afundam-se em dívidas para manter um status que é pura falsidade), instalam portões eletrônicos, cercas elétricas, alarmes.
Muitos desses já tombaram com os governos Temer e Bolsonaro. Alguns estão morando nas ruas. Os que sobraram ainda não se desvencilharam de suas vidas miseráveis, regadas a mais profunda ignorância e a ausência completa de consciência política.
São assassinos. Eu não tenho pena, tenho ódio. E meu ódio não é ódio de classe. É ódio de sangue.
O tempo adicional de lazer que nos foi ofertado pelo país maravilhoso do passado recente – pelos governos civis de Lula e Dilma – foi mal aproveitado por todos nós, mas foi muito bem aproveitado por essa legião boçalizada que massacra tudo que vive ou anda.
Na ausência de intelecto para fazer brotar inovações e arte, o tempo lhes foi tóxico. Eles só conseguiam… Trocar de carro, lavar a calçada, instalar alarmes e edificar cercas elétricas…
E detestar os governos civis que lhes empurraram garganta adentro direitos trabalhistas para as ‘domésticas’.
Francamente? Eu me sinto feliz em não ser um deles. Isso me basta. Eu abro o sorriso e aproveito a vida, esquivando desses antissujeitos que potencializam minha percepção política de mundo e de ser.
A vida simples de jogar conversa fora é boa, ativa a memória, atávica e afetiva. Mas a responsabilidade em não se viver apenas para que o topo da pirâmide se alimente de minhas vísceras e trabalho é a condição básica para não se jogar toda uma existência no lixo.
É quase a diferença romântica entre homens e animais – com todo o respeito aos animais, que têm uma relação com o meio muito mais verdadeira e inteligente do que todos nós. Se for viver para procriar e predar, que seja para predar sentidos e procriar sonhos.
É assim que os donos do dinheiro nos veem a todos, intelectualizados ou não: como animais.
Esse Brasil que deu certo, hoje, está na França. É quase uma consagração, tardia e dolorosa, do mundo civilizado àquilo que nós, ‘selvagens’, construímos em tempos recentes: uma sociedade democrática, vibrante, inclusiva, criativa e alegre.
O retorno à selvageria é nosso pesadelo de turno. Mata-se mais indígenas hoje do que na época do descobrimento (mata-se simbólica e biologicamente). Perto desse governo, Martin Afonso de Souza era um ‘democrata’.
A memória, no entanto, é ingrata e insidiosa. É aquele comichão histórico que jamais vai se desprender dos sonhos dos justos e dos pesadelos do boçais: está cravado na história que todos nós, justos e boçais, fomos felizes um dia.
Para o indivíduo de uma espécie biológica que se acostumou, ao longo dos séculos, em organizar sentidos através da fala e da palavra escrita, não é pouca coisa.
Pode inclusive acionar um significante muito expressivo e exclusivo: a palavra ‘saudade’.