‘Está bem, sempre sorrindo’, diz diretor da prisão onde Ronaldinho está preso

Ronaldinho Gaúcho, ex-astro do Brasil e do Barcelona, está se adaptando rapidamente à vida em uma prisão do Paraguai, disse o chefe da instalação à Reuters nesta segunda-feira, mas seus advogados têm esperança de que ele pode ser posto em prisão domiciliar em breve enquanto a investigação continua.

“Em termos gerais, ele está indo muito bem”, disse o diretor Blas Vera à Reuters em uma entrevista por telefone. “Vejo que ele está bem disposto, do jeito que você o vê na televisão, sempre sorrindo.”

Vera disse que Ronaldinho e seu irmão, Roberto Assis, que foram presos na sexta-feira por usarem um passaporte paraguaio falsificado, irão se apresentar perante um juiz na terça-feira. Seu advogado, Sérgio Queiroz, disse à Reuters que eles pediram à Justiça que os coloque em prisão domiciliar e que ofereceram garantias de que não há risco de fuga.

Vera disse que o ex-meia-atacante do Paris St-Germain e do Milan e seu irmão têm camas, uma televisão e um ventilador em sua cela na prisão situada nos arredores da capital Assunção. Os irmãos usam um banheiro comunitário e têm direito de usar o pátio externo com frequência.

Os advogados da dupla lhes têm proporcionado as refeições, e eles não comeram a comida oferecida pela prisão. A instalação de segurança máxima tem cerca de 195 detentos, entre eles políticos e policiais acusados de corrupção e traficantes de droga renomados.

Os prisioneiros mais perigosos estão em uma ala diferente da de Ronaldinho, explicou Vera, acrescentando que está trabalhando para que a estadia dos irmãos seja “tão confortável quanto possível”.

Carlos Gamarra, ex-capitão da seleção do Paraguai que também jogou em vários times do Brasil, visitou Ronaldinho com um grupo de ex-jogadores no domingo.

Vera disse que outras pessoas presentes para a visita de praxe de domingo fizeram amizade com o brasileiro. “Também havia um grupo de meninos e meninas e ele lhes deu as boas-vindas, abraçou-os e bateu papo com eles”, contou.

Ronaldinho, que no ano passado foi nomeado embaixador do turismo do governo do Brasil, foi convidado ao Paraguai pelo proprietário de um cassino local e chegou na quarta-feira para participar de eventos no país.

Apesar de ter jogado profissionalmente pela última vez em 2015, Ronaldinho, que ainda representou Atlético Mineiro, Flamengo e Fluminense, ainda é imensamente popular entre torcedores de futebol e anunciantes de todo o mundo.

Ele conquistou a Copa do Mundo com o Brasil em 2002 e a Liga dos Campeões com o Barcelona em 2006, e foi eleito Jogador do Ano da Fifa em 2004 e 2005. (Da Reuters)

EUA e a saga das discórdias no Partido Democrata

Por Natália Mello

Os membros do partido Democrata nos Estados Unidos concordam plenamente a respeito de qual a meta para 2020: impedir a reeleição de Donald Trump. Em tudo o mais, multiplicam-se discórdias.

O risco do cenário político atual é palpável. Trump não concedeu aos migrantes nenhum direito mínimo de dignidade, encarcerou até mesmo crianças que cruzaram as fronteiras com os seus pais, naturalizou no debate público a xenofobia, a misoginia, a LGBTfobia, aumentou a desigualdade de um sistema de tributação já profundamente desigual. E o processo que ensejou a abertura de um impeachment do presidente deixou clara sua disposição de abusar do cargo com o intuito de prejudicar os prospectos eleitorais de Joe Biden, seu então provável opositor.

Um dos cientistas políticos que vêm investigando as ameaças atuais à democracia, Yasha Mounk, argumenta que o que está em jogo nas eleições de 2020 é ainda mais preocupante. A história demonstra que os líderes similares a Trump que foram reeleitos para um segundo mandato passaram a colocar as instituições democráticas sob um risco muito mais grave. Quando reconduzido ao poder, o mandatário alcança maior autoridade e consegue assumir um controle mais amplo de instituições independentes, como o Judiciário, o Congresso, as agências executivas, a mídia, impedindo que essas exerçam suas funções democráticas de freio e contrapeso.

O cenário é grave, mas as discórdias no interior do Partido Democrata tornam as expectativas ainda mais inquietantes.

A grande aposta do establishment do partido para 2020, Joe Biden, começou a disputa de forma decepcionante. Politicamente experiente, moderado, com uma boa base de apoio entre a classe trabalhadora branca e os afro-americanos, o candidato não parecia ser uma má jogada eleitoral.

A idade avançada de Biden (77 anos) era uma desvantagem. Pior, era a baixa adesão que teria entre os eleitores e movimentos mais propositivos de uma renovação no Partido Democrata. E, como havia sido previsto por alguns analistas, a abertura do impeachment contra Trump, proposto por evidências de suborno e extorsão, também poderia comprometer a imagem do pré-candidato democrata. O problema era que seu nome e o de seu filho ficariam expostos na mídia durante todo processo, junto ao telefonema em que o presidente intimava seu colega na Ucrânia a investigar os negócios de Hunter Biden no país.

Por uma mistura de razões, Biden demorou a decolar. O establishment se dividiu: o ex-prefeito Pete Buttigieg foi um dos principais favorecidos. Amy Klobuchar buscou ao máximo competir os votos disponíveis no centro político, mas pouco se beneficiou dos financiamentos, que preferiram o ex-prefeito. Correndo por fora, Mike Bloomberg, o maior bilionário a concorrer a presidência dos Estados Unidos em toda história, com uma fortuna 18 vezes maior do que a de Trump, investiu mais em publicidade do que todos os outros pré-candidatos combinados (precisamente, duas vezes mais do que todo o resto). O foco das propagandas era justamente os 14 estados que foram às urnas no último dia 3 de março, a chamada “Super Terça”.

O cenário pulverizado da disputa e os resultados oficiais do candidato Joe Biden começaram a mudar com a “Ameaça Bernie”. Bernie Sanders é senador de Vermont, autointitula-se um “socialista democrata” e foi tradicionalmente um político independente, mas se filiou ao Partido Democrata em 2016 e agora novamente em 2020 para concorrer às eleições primárias que decidem o candidato a presidente.

Na disputa contra Hillary Clinton em 2016, Sanders já havia desafiado o establishment partidário e, mesmo não chegando a se tornar uma ameaça real, prolongou a decisão de quem seria o candidato oficial até o fim. Mais do que isso, diversos elementos sugerem que vários dos seus apoiadores se ressentiram do tratamento dado pelo partido, dos indícios de favorecimento a Clinton e que alguns se abstiveram do pleito eleitoral.

Do ponto de vista do establishment, o quadro de 2020 é mais ameaçador. A fragmentação de candidatos ao centro fez com que Sanders vencesse a maioria das disputas primárias até a Super Terça. Seus apoiadores são profundamente mobilizados, com uma estrutura de organização mais avançada do que em 2016 e a enorme exposição que o candidato teve até agora estava criando um impulso em sua campanha que poderia torná-lo irrefreável.

O “centro moderado” e o establishment circundante se reestruturaram. Antes perdendo doadores, a campanha de Biden recebeu US$ 2 milhões nos quatro dias que antecederam a primária na Carolina do Sul e mais US$ 2,5 milhões via SUPER PAC. Um aumento expressivo para quem tinha menos do que a metade das verbas arrecadadas por Sanders em início de fevereiro (o primeiro tinha US$ 7,1 milhões, e o último, US$ 16, 8 milhões).

O investimento deu certo. Biden venceu na Carolina do Sul, com uma larga vantagem sobre Bernie (48,4% x 19,9%). Outros pré-candidatos moderados, especificamente Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, abandonaram a disputa e apoiaram o ex-vice presidente. Poucos observadores notaram, no entanto, que a vitória do candidato do establishment em 2020 foi bem abaixo do que as marcas alcançadas por Hillary Clinton no mesmo estado em 2016 (76,4% x 26%).

Já os apoiadores de Sanders logo captaram e denunciaram em redes sociais como, em todas as primárias antecedentes, houve demora no anúncio do vencedor, exceto na Carolina do Sul. O resultado final de Iowa levou mais de 20 dias, mas mesmos os demais estados anunciaram o vencedor apenas madrugada adentro, quando todos os eleitores já dormiam. Já o sucesso de Biden na Carolina do Sul foi proclamado pela mídia em poucos minutos, com base em um survey com os eleitores e foi amplamente analisado durante toda noite. A larga vantagem entre um pré-candidato e outro permitia o anúncio antecipado, antes dos resultados oficiais. De qualquer forma, a “denúncia” de eleitores de Bernie de um complô da mídia e do establishment para diminuir o impacto de toda vitória do senador “radical” tinha raízes reais. Raízes que possuem bases profundas e históricas no Partido Democrata.

Há pouco mais de 50 anos, o partido de Roosevelt, que havia sido hegemônico na política estadunidense entre 1932 e 1968, sofreu uma grande derrota, cujos efeitos ainda podem ser sentidos. Dois pré-candidatos conectados à juventude e aos movimentos mais à esquerda do partido disputavam com o presidente Johnson e, logo a seguir, com seu vice e candidato substituto (Hubert Humphrey). Eugene McCarthy e Bob Kennedy (que acabou sendo assassinado antes do fim das primárias) desafiaram o vice-presidente especialmente por causa do descrédito da Guerra do Vietnã. A principal base destas campanhas advinha dos movimentos antiguerra. Embora McCarthy e Kennedy tenham colecionado mais vitórias nas primárias que Humphrey, os chefes locais partidários (os bosses) participaram de todo o tipo de negociatas e de trocas de favores e asseguraram a nomeação do candidato do establishment. Estavam dados todos os componentes que levaram ao desastre da Convenção Nacional do Partido em Chicago em 1968, quando Humphrey foi anunciado como o representante do partido nas eleições, ao mesmo tempo que manifestantes contrários à Guerra do Vietnã eram violentamente reprimidos pela polícia em cenas televisionadas e transmitidas para todo o país.

Depois deste momento trágico, o partido que até então era o hegemônico elegeu apenas três presidentes dos Estados Unidos: Carter, Clinton e Obama. Mas 1968 é apenas uma face da saga dos conflitos internos ao partido Democrata. A outra face aconteceu em 1972 e pode ser vista como a história de 1968 invertida.

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Entre 1968 e 1972, a disputa eleitoral intrapartidária se transformou em batalhas sobre a melhor maneira de reformar a estrutura partidária, especialmente, o método de condução das primárias. A “nova esquerda” se organizou em torno de um movimento (conhecido como New Politics) que buscou garantir a realização de primárias em todos os estados e tentou promover um aumento de participação e influência dos militantes na agenda política partidária. Além disso, buscou adotar medidas para o recrutamento afirmativo de minorias e de jovens como delegados nas convenções do partido.

Apesar das reações do establishment, um dos líderes na condução destas reformas, George McGovern, foi nomeado o candidato a presidente na eleição de 1972. Os democratas foram às eleições extremamente divididos, porém, e McGovern sofreu, primeiro de tudo, a oposição de seu próprio partido. Esta campanha foi criticada por seu “excesso de radicalismo”, sendo que alguns políticos e grupos da base do próprio Partido Democrata se recusaram a anunciar apoio a McGovern, incluindo, o presidente da federação dos sindicatos AFL-CIO (George Meany).

O resultado foi a maior derrota eleitoral do partido desde o New Deal de Roosevelt. Nixon arrancou votos até mesmo de bases que eram, então, tradicionalmente democratas (como os dos trabalhadores de baixa escolaridade e os estados do Sul), e McGovern venceu apenas em Massachusetts e no Distrito de Columbia. Entre os grupos da coalizão democrata, apenas os negros se mantiveram fiéis e não votaram nos republicanos. Esta foi a última vez que um candidato mais à esquerda e em contato com os movimentos sociais conseguiu alcançar a nomeação do partido. Algumas campanhas tiveram, no entanto, repercussões significativas, como as de Jesse Jackson, em 1984 e 1988, e a de Bernie Sanders, em 2016.

O impacto da derrota massiva de McGovern pode ser sentido até hoje. Durante as eleições de 2016, por exemplo, um comentarista do Wall Street Journal comparava aquela eleição à de 1972 e chegava mesmo a “culpar” McGovern pelo fenômeno Trump.

Em 2020, é comum o comentário entre membros do establishment, da mídia e de analistas de diferentes posições políticas do quanto é arriscada a escolha de Sanders como candidato oficial do partido, já que seu radicalismo afastaria os setores majoritários do partido. Apesar de atrair ativistas e a juventude, não atrai a maioria e compromete assustadoramente a eleição para o Congresso, especialmente nos swing states (que ora dão vitória aos democratas, ora aos republicanos), o que potencialmente pode levar a que Trump conquiste novamente maioria nas duas casas legislativas.

De fato, por um lado, existem argumentos razoáveis que permitem sustentar tal precaução. Por outro, um olhar atento à história permite levantar um outro risco igualmente plausível. Um partido dividido como é o Democrata, cujo dissenso vem crescendo nos últimos anos, precisa tanto de sua base moderada, quanto de sua base mais progressista e à esquerda. Em meio ao crescimento da desigualdade nos Estados Unidos, da evolução de dívidas com saúde e com financiamento da universidade, parece ainda mais problemático imaginar que é possível não satisfazer a ala mais à esquerda do partido e conquistar uma vitória nas eleições presidenciais.

O pronunciamento de Bernie Sanders na noite do dia 3 de março, logo após a divulgação dos primeiros resultados da Super Terça, denunciava claramente como o outro pré-candidato apoiou a Guerra do Iraque e ratificou o polêmico resgate aos bancos, entre outras pautas que o movimento que ele lidera rejeita. Outros temas, não mencionados por Bernie, também já se transformaram em controvérsias eleitorais, como o apoio de Biden à lei de Clinton contra o crime (1994), considerada por muitos como responsável pelo aumento do encarceramento em massa nos Estados Unidos. O debate sobre cada um desses pontos vem sendo desenvolvido nos últimos meses e não é de pouca importância para os grupos mais progressistas.Leia também:  EUA e a redefinição dos Direitos Humanos, por Hannah de Gregório Leão

O discurso de Biden na última terça, por sua vez, denunciou novamente que uma campanha divisiva, radical, distanciada da ala moderada do partido não conseguiria unir a base dos democratas e derrotar Trump.

É possível reconhecer, no entanto, que os três candidatos democratas que tiveram sucesso em ser eleitos presidentes depois de 1972 foram justamente aqueles que conseguiam atrair e aproximar tanto a ala mais progressista do partido, quanto a mais centrista, fabricando uma imagem de si perfeitamente ajustada a estas duas paixões.

Jimmy Carter surgiu em meio à crise do Vietnã e do Watergate, prometendo resgatar a moralidade na política estadunidense, abraçou os direitos humanos, escolheu assessores representativos de minorias, mas tinha também um discurso fortemente associado aos princípios do ajuste fiscal e controle das finanças e ainda era um candidato religioso da região sul do país.

Bill Clinton é atualmente lembrado pelo amplo compromisso com o neoliberalismo e por um discurso criminal punitivista, mas naquele período ele também apelava claramente para uma ideia de um “novo sul” e de modernidade. O ex-presidente prometeu “acabar com a assistência social como a conhecemos”, mas sua “mão esquerda” se comprometeu com o crescimento econômico, com a expansão de empregos e com uma maior estabilidade. Tudo isso, permitindo algo que a direita conservadora republicana não admitia: o respeito aos direitos das mulheres, aos direitos civis e à defesa do meio ambiente, pautas que atraíam suburbanos de classe média mais liberais.

Barack Obama é um grande retrato dessa dupla face. Subiu nas pesquisas anunciando a mudança, ele próprio representando um grande avanço, em um país que enfrentou o racismo a ponto de estar apto a eleger seu primeiro presidente negro. Embora tenha sido eleito durante a crise de 2008, nunca usou a oportunidade, no entanto, para assumir uma batalha contra o sistema financeiro. Decepcionou, com isso, alguns eleitores mais à esquerda.

Com base em uma perspectiva histórica, é difícil, sim, imaginar que Sanders consiga conquistar o restante da base do Partido Democrata. Mesmo que convencesse, a eleição poderia repetir a derrota de 1972 para a campanha ao Congresso, uma vez que haveria uma grande chance de o partido se voltar contra o nomeado, assim como fez com McGovern. Alternativamente, o outro lado também apresenta fraquezas consideráveis que nos fazem perguntar qual será o alcance deste novo impulso de Biden. Vencer as primárias é uma possibilidade provável, mas poderá ele conseguir uma vitória contra Trump sem a base progressista do partido?

O desenrolar das eleições de 2020 nos darão estas respostas. Por enquanto, podemos esperar que, nos próximos meses, cada um dos pré-candidatos continuará a denunciar o outro como inelegível. Existem grandes chances de que o bordão mais repetido ao longo desta campanha continue a ser o típico início de frase que vem sendo usado para acusar o adversário de excesso de radicalismo, ou sob outro ponto de vista, de um exagerado compromisso com o sistema atual. Refiro-me à sentença tão reproduzida que já é um clássico: “We are not going to beat Donald Trump, if we…”.

Natália Mello é professora de Relações Internacionais da PUC- SP e pesquisadora do INCT-INEU.

** Este texto é uma republicação da análise publicada pela autora no Boletim Lua Nova, em 5 mar. 2020. A versão original está disponível aqui.

De Cidade das Mangueiras a capital do caos

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Belém volta a ficar sob o domínio da água, entregue à força dos elementos e ao poder destruidor de seu gestor tucano, legítimo continuador do descalabro de Duciomar Costa. A resistência da cidade chega a se heoica, após 15 anos de demsnados, inépcia e incompetência adminitativa.

Não é mole, não. Foram oito anos sob a regência de Dudu. Agora, são sete anos já sob o desgoverno tucano. Curiosamente, dois des-prefeitos que têm o amarelo (palidez) como cor preferencial.

Valha-nos quem?

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Na TV, o prefeito argumenta que o caos tem origem nas ações de São Pedro. Tudo cai do céu, segundo o energúmeno, que ainda teve a pachorra de chamar o apresentador de banana – logo ele, o próprio néscio em figura de gente.

A coincidência de maré alta com saneamento mal feito é a razão maior das desditas do povo de Belém, que sofre a cada novo dia debaixo d’água.

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Até quando esperar?

Com a palavra, o Legislativo municipal, o Ministério Público Estadual e a Justiça – será que existe? – deste fim de mundo.

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CNN estréia no dia de manifestações golpistas com entrevista de Bolsonaro

Da Folha:

Uma das atrações anunciadas para a estreia da CNN Brasil, marcada para o domingo (15), às 20h, é uma entrevista exclusiva com o presidente Jair Bolsonaro, que já declarou esperar que o canal seja diferente da Globo, emissora tratada por ele como sua inimiga.

O novo canal também prevê uma plataforma de streaming, a CNN Brasil GO, a princípio só para os assinantes que já dispõem do acesso ao canal pela TV paga. O endereço deverá ser lançado poucos dias depois do canal, segundo o seu presidente e cofundador, Douglas Tavolaro, em entrevista à Folha, por email.

Sócio de Rubens Menin, empresário do ramo da construção civil, Tavolaro só aceitou responder às perguntas da entrevista por e-mail, alegando tempo escasso para honrar todas as tarefas até a estreia do canal.

Situação de Ronaldinho se complica: passaportes falsos foram pedidos

Por Cosme Rímoli

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A situação de Ronaldinho Gaúcho e Assis se complicou de vez. O advogado da empresária Dália Lopez, Marcos Estigarribia, acaba de afirmar que os passaportes falsificados não foram ingênuos presentes ao ex-jogador e ao empresário, para que pudessem lançar a biografia de Ronaldinho.

Os documentos seriam necessários para a criação de uma empresa. E com Ronaldinho e Assis ‘naturalizados’, tudo seria facilitado. Os documentos falsos seriam uma maneira de apressar a criação dessa casa de investimentos.

O trâmite legal da naturalização levaria muito tempo. Ou seja, nada teria sido ‘por acaso’. Mero ‘agrado’ ao ex-atleta que foi duas vezes melhor jogador do mundo. Tanto que a Corte Suprema de Justiça do Paraguai garante: jamais houve pedido de naturalização de Ronaldinho Gaúcho ou Assis.

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Apesar de o advogado negar, a TV ABC Color, principal do Paraguai, assegura que a empresa teria como principal sócia Dália, que levou Ronaldinho e Assis a Assunção. Ela está com a prisão decretada. Dália está foragida da justiça.

O ministro Anticorrupção, René Fernández, tomou à frente do caso. E o quer fazer simbólico. Mostrar que o país vizinho não tolera mais falcatruas. As investigações estão sendo sérias e rápidas.

Elas já indicaram que houve uma articulação criminosa para a obtenção dos passaportes. E que teria à frente, ela mesma. Dália.

Ela é presidente da ONG Fundação Fraternidade Angelical. Fundada no ano passado, a FFA teria como principal missão levar hospitais móveis à população carente, no interior do Paraguai. Só que o MP paraguaio chegou à conclusão que ela usava a ONG para lavar dinheiro e sonegar impostos.

Dália sempre se cercou de celebridades para seu eventos, buscando dinheiro de milionários para a ONG e apoio de políticos. A Miss Paraguai já esteve ao lado da empresária buscando dinheiro para a Fundação Fraternidade.

Quanto a Ronaldinho Gaúcho e Assis, o caminho da falsificação dos passaportes parece já estar traçado. Graças ao depoimento da mulher do empresário Wilmondes Sousa, Paula Regina Oliveira.

Nesta manhã, a situação ficou mais clara. De acordo com Regina, Dália articulou o esquema de corrupção que conseguiu que duas mulheres tirassem seus passaportes e os entregassem à empresária, para que fossem violados.

Os números dos documentos foram mantidos. Apenas as identificações foram mudadas. Passaram a ter Ronaldinho e Assis como ‘donos dos documentos’.

Uma falsificação tola ou arrogante, dependendo do ponto de vista. Idiota porque uma mera checagem, por computador, mostraria que os documentos pertenciam a duas mulheres. Ou arrogante, se a empresária acreditasse que pela importância de Ronaldinho Gaúcho, ninguém teria coragem de checar, de verdade, seus documentos.

A verdade é que as mensagens de Dália no celular de Regina são devastadoras. A empresária manteve a brasileira informada porque os documentos falsos foram enviados a Wilmondes Sousa, que os repassou ao ex-jogador e seu irmão e empresário, Assis.

Dália, ao lado de Ronaldinho. Arquitetou os passaportes falsas. Está foragida

A defesa de Ronaldinho entrou com um óbvio recurso. O pedido de prisão domiciliar. Para que ele e seu irmão possam sair da cadeia, a Agrupación Especializada da Polícia Nacional, onde estão desde sábado.

E passar a responder ao processo em um imóvel em Assunção. Alugado ou comprado, tanto faz. A resposta será dada pela justiça em 48 horas. Se conseguirem a transferência, seria um movimento certo para o segundo passo da defesa. O  pedido para que ambos respondam pela falsificação no Brasil.

Há enorme pressão da opinião pública e do próprio Ministério Anticorrupção. Para que não seja dada a regalia da prisão domiciliar aos brasileiros. E que eles sigam cumprindo a ordem da juíza Clara Ruiz Diaz.

Ela determinou que os dois seguissem presos, atrás das grades, enquanto durassem as investigações. Até o final. Ruiz Diaz não aceitou a tese de prisão domiciliar, já levantada pela defesa, por conta da possibilidade de os dois fugirem para o Brasil.

Como não há extradição para nascidos aqui, se ficar comprovado crime no Paraguai, os dois poderiam não ser punidos. As investigações podem levar seis meses.

E se ficar comprovada a culpa dos dois, enfrentarão julgamento no Paraguai. Ronaldinho Gaúcho e Assis seguem sem querer dar declarações.

O domingo era dia de visitas. Ronaldinho conversou muito com o ex-jogador Gamarra. O paraguaio disse que o ídolo brasileiro está ‘revoltado’ com a situação e diz ser ‘inocente’.

O ex-jogador foi para o pátio tomar sol. E deu inúmeros autógrafos para visitantes dos presos. Enquanto isso, sua situação se complica a cada instante.

Já há um motivo para a falsificação dos passaportes. A criação de uma empresa paraguaio/brasileira.

Isso é muito grave…

Ronaldinho Gaúcho está preso no Paraguai desde a última sexta-feira (6), por conta da falsificação de um passaporte, assim como seu irmão e empresário Assis. No entanto, sua vida extracampo sempre foi recheada de polêmicas. Relembre alguns destes casos

Clássico dos gols bonitos

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu saiu na frente e Remo foi atrás do empate

Foi o Re-Pa mais equilibrado da temporada e com resultado mais justo – se é que se pode falar em justiça quando o assunto é futebol. O placar de 1 a 1 define bem a partida dura, de marcação forte no meio-campo e velocidade no ataque, coisa que quase não se viu no primeiro clássico. Com a rapidez dos homens de meio e ataque, o jogo se tornou interessante.

O começo teve predomínio remista, com movimentação interna de Lukinha e com Djalma sendo o homem de referência no meio. O Leão surpreendeu pela intensidade, em contraposição à lentidão do Papão. Nem parecia um time desfalcado de oito jogadores importantes. 

Dois chutes bem colocados de Eduardo Ramos e um de Lukinha mostraram que o Remo tinha mais pressa em chegar ao gol. O PSC se preservava, aceitando a pressão remista. Reflexo disso é que, até os 15 minutos, o atacante Nicolas só tocou na bola duas vezes.

Nicolas acertou o ângulo no gol marcado para o Paysandu

Como Eduardo Ramo abria espaço e lançava os companheiros, aproveitando as arrancadas de Lukinha, o mais produtivo atacante do Remo, os volantes do Papão não tinham outra opção a não ser cuidar de fazer a cobertura. Raramente tentavam criar jogadas, problema que prejudicava o trabalho dos atacantes Vinícius Leite e Nicolas.

Quando o time conseguiu finalmente sair de seu campo, aproveitando que o Remo arrefeceu um pouco o jogo de pressão, os espaços (e a fragilidade) defensiva começam a aparecer do lado azulino. Depois de uma tentativa tímida, aos 15 minutos, Vinícius Leite fintou Nininho e tocou com o lado do pé para Nicolas finalizar, de curva, aos 18’, abrindo o placar.

Parecia que ia se repetir a narrativa do primeiro Re-Pa, quando o PSC chegou ao gol quando o Remo era melhor em campo. Desta vez, porém, o Remo manteve as rédeas do confronto, fazendo aproximação e pressionando sempre, mas sem criatividade para colocar Jackson em condições de finalizar dentro da área.

A opção era Lukinha, que recorria aos dribles para abrir caminho, errando às vezes, mas sempre levando incômodo à zaga bicolor. Foi justamente Lukinha que sofreu a falta que devolveria a igualdade ao placar. Ele foi derrubado por Uchoa junto à área e Eduardo Ramos acertou uma bomba, pelo alto, sem defesa para Gabriel Leite, aos 34 minutos.

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Impossível não observar a grande diferença de postura dos remistas em relação ao que a equipe mostrava sob o comando de Rafael Jaques. Vibrante, o time agora toma iniciativa, agride e não se intimida, valoriza a posse de bola e não se limita a esperar o adversário em seu campo.

O Papão jogou como se estivesse travado. Com os volantes Caíque e Uchoa na marcação e Serginho mais à frente, faltava dinamismo e foco. Nos lados, Collaço e Vinícius atuaram bem. Tony também fez boa partida, tarefa facilitada pela ausência de pressão remista por aquela faixa de campo.

O Remo estancou o ritmo, acusando cansaço, e o PSC equilibrou o jogo, principalmente quando o meia Alex Maranhão entrou, substituindo a Serginho. PH já havia entrado no lugar de Caíque. Luiz Felipe apareceu substituindo ao improdutivo Uilliam.

Ainda assim, a bola do jogo pertenceu ao Remo, aos 24’. Precisamente, nos pés de Eduardo Ramos, que recebeu assistência perfeita de Jackson e avançou até a área. O meia bateu rasteiro, mas a bola saiu caprichosamente à direita da trave de Gabriel Leite.

Já sem forças, Ramos foi substituído por Gelson. Jackson ainda fez grande jogada pela direita, aos 33’, cruzando na medida para Wesley, que não alcançou a bola na pequena área. Laílson foi expulso aos 39’, por falta providencial em Maranhão à entrada da área.

Técnico resgata ER e Nicolas mantém escrita

Mazola Jr. havia estreado contra o Carajás, mas esperou o clássico para apresentar suas credenciais: a forma destemida de atacar e o estilo ruidoso, jogando com o time. O Remo vinha de técnicos introspectivos, que acompanham o jogo como se estivessem em sala de aula. Com o novo comandante, o time mudou. Partiu para cima e chegou a encurralar o rival.

Além da boa atuação coletiva, o Remo deve ao novo treinador a recuperação do futebol de Eduardo Ramos. Dado por muitos como descartável, o camisa 10 voltou a desfilar a categoria no trato da bola e o conhecido talento nas bolas paradas. Atuou na faixa de campo onde se faz respeitar, seja com passes curtos ou lançamentos.

Do lado alviceleste, em jogo sem maior brilho e bem marcado, Nicolas aproveitou a única oportunidade para deixar sua marca. Passe na medida de Vinícius Leite, que ele usou de toda a conhecida categoria, para bater tirando dos zagueiros e vencendo o Vinícius do Remo. 

Paragominas surpreende e Bragantino afunda

Depois de levar uma surra na Curuzu, perdendo por 5 a 0 para o PSC, o Paragominas parecia ter perdido fôlego no campeonato. Com Robson Melo no comando, o Jacaré goleou o Independente, em Tucuruí, por 4 a 1, e volta à condição de candidato sério à classificação.

A grande vitória do Tapajós sobre o Bragantino recupera o time santareno, que conseguiu dar um salto para fora da zona do rebaixamento, e empurra para a penúltima posição o time que ficou em 3º lugar no Parazão 2019. 

Sob o comando de Cacaio, o time de Bragança parece que esmoreceu de vez e fica agora ameaçadíssimo de queda. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 09)

“EUA colocaram um chefe de quadrilha no comando do Brasil”, diz Jessé Souza

O escritor e sociólogo Jessé Souza, que está lançando o livro “A guerra contra o Brasil”, sobre como os Estados Unidos passaram a controlar o Brasil a partir da Lava Jato, afirma que Washington colocou um chefe de quadrilha no comando do Brasil. Confira seu tweet

“O corte do bolsa família, por razões de mera perversidade patológica, a quem mais precisa, mostra o monstro que temos na presidência. Desta vez os EUA se superaram: puseram um chefe de quadrilha asqueroso no maior país latino-americano”.