Haitiano encara Bolsonaro e vídeo bomba nas redes

sucessivo negacionismo do presidente Jair Bolsonaro sobre a gravidade da pandemia de coronavírus começa a comprometer a redoma em que ele acreditava estar protegido. Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, Bruno Boghossian explica que Bolsonaro tem sido cada vez mais exposto a críticas em ambientes que ele via como confortáveis – a cena mais emblemática a respeito foi o vídeo de um imigrante haitiano gravado em frente ao Palácio do Alvorada, área onde apenas os seguidores mais devotados do governo costumam ficar.

No registro, o homem disse que Bolsonaro representa um risco para a população. “Você não é presidente mais. Precisa desistir. Você está espalhando o vírus e vai matar os brasileiros”, disse. Atônito, Bolsonaro disse que não entendia o que ele falava, mas o homem continuou seu discurso até ser interrompido por apoiadores que ensaiaram uma vaia.

A gravação, feita supostamente na noite de segunda (16), ganhou as redes sociais e grupos de WhatsApp —ironicamente, as ferramentas favoritas do bolsonarismo para espalhar suas versões dos fatos.

O caso sugere que Bolsonaro pode estar diante de uma crise de imagem, com alto potencial de contágio, e os questionamentos sobre as atitudes do presidente tendem se espalhar não só entre os apoiadores. “Se mantiver o discurso de que as reações ao coronavírus são apenas histeria, Bolsonaro será obrigado a enfrentar um desconforto crescente mesmo entre eleitores e aliados”, diz o articulista.

Fifa anuncia que Mundial de Clubes não acontecerá em 2021

Liverpool foi o último campeão mundial interclubes, em 2019

A Fifa anunciou nesta terça-feira (17) que, diante dos adiamentos da Eurocopa e da Copa América para 2021 por conta da pandemia de coronavírus, buscará novas datas para a disputa do remodelado Campeonato Mundial de Clubes, que seria disputado no próximo ano na China.

A entidade divulgou comunicado pouco depois de Uefa e Conmebol divulgarem que as competições continentais de seleções deixariam de ser realizadas neste ano, por causa da pandemia do novo coronavírus.

A própria Fifa admitiu no texto que foi consultada pelas duas confederações e que concordou com as mudanças de data, devido a crise global, por isso, buscará reprogramar o Mundial de Clubes para 2022 ou 2023.

FPF sofre pressão dos clubes e recua: Parazão vai continuar, com portões fechados

FPF volta atrás e Parazão segue com jogos de portões fechados - Crédito: Junior Cunha

Depois de ter anunciado a suspensão do campeonato estadual por 15 dias, a Federação Paraense de Futebol (FPF) aceitou a pressão dos clubes e mudou de posição nesta terça-feira: confirmou que o Parazão vai prosseguir, mas com partidas de portões fechados. A decisão mostrou a força dos clubes, que voltaram por unanimidade na manutenção do torneio.

A restrição à presença de público só foi aprovada devido ao decreto do governo do Estado que proíbe a realização de eventos públicos com a presença de mais de 500 pessoas nos próximos 15 dias. “Vamos seguir o campeonato de portões fechados. A 9ª rodada será neste final de semana e a décima rodada na quarta-feira, 25, às 10h. A Federação vai arcar com os custos dessas duas rodadas”, disse o presidente da FPF, Adelcio Torres.

Quando ficar definida a Com a chegada da fase semifinal, haverá uma reunião com os quatro clubes classificados para definir os jogos de mata-mata. “Vamos reunir com os quatro clubes para decidir o que fazer lá na frente”, disse Adelcio.

“Seria um prejuízo financeiro imenso. Então estamos fazendo o menos pior. Financeiramente é melhor que se encerre a primeira fase. Se o campeonato fosse suspenso, 10 clubes não saberiam pra onde iriam nos próximos dias. Mas a partir de quarta-feira que vem, os clubes vão ter um norte e poderão definir as suas situações. Temos que estar com o olho na evolução da epidemia. Queremos nos antecipar a esse problema”, disse Ricardo Gluck Paul, presidente do Paissandu.

“A gente entende que terminar a primeira fase com portões fechados diminui os problemas. Hoje são 10 equipes com esse problema. Se conseguimos reduzir isso pra quatro equipes, que são os semifinalistas, será melhor. Na quinta ou na sexta que vem terá uma nova reunião pra definir esses pontos. Acredito que após a primeira fase, o campeonato deveria ser paralisado pra saber como vai ser a curva de crescimento do vírus. Aí sim, faríamos semifinais e finais com os portões abertos”, afirmou Fábio Bentes, presidente do Remo.

Preocupado com os contratos firmados, os dirigentes tomaram a decisão na contramão do que ocorre em todo o país. Esqueceram de resguardar a integridade de jogadores, técnicos e profissionais de arbitragem.

Caso Ronaldinho: empresária denunciada alega receio do coronavírus para faltar a audiência

Ronaldinho Gaúcho com Dália López (E) na chegada dele em Assunção, no dia 4 de março

Desde a prisão de Ronaldinho Gaúcho e o irmão, Roberto Assis, no Paraguai, a polícia procura pela empresária Dalia López, que seria a pessoa responsável pela emissão dos documentos falsos apresentados por ambos ao entrarem no país. A Justiça marcou para amanhã mais uma audiência com Dalia, que é considerada foragida, mas por meio de seus advogados, ela argumentou que a sessão deveria ser suspensa por conta do risco de contaminação do novo coronavírus. Segundo Dalia, ela tem diabetes e hipertensão, o que a incluiria no grupo de pessoas mais vulneráveis à doença.

O governo do Paraguai já confirmou seis casos de Covid-19 e determinou no último dia 10 medidas para restringir a circulação de pessoas. O promotor do Ministério Público Marcelo Pecci informou, porém, que o MP adotou medidas que serviriam como garantia para que a audiência fosse realizada. Entre elas, a redução do expediente e do número de funcionários que conduzem os procedimentos jurídicos, adoção de precauções em relação à distância entre as pessoas e cuidados com a higiene.

— A atitude dela demonstra a falta de submissão à Justiça. Existem elementos suficientes de suspeita que motivam a imputação. Minha expectativa é de que o judiciário realmente valorize isso e submeta o processo o mais rápido possível, com a medida de prisão preventiva que já era necessária. Se ela continuar foragida, vamos continuar trabalhando e investigando baseados nessa atitude — disse à “ABC Color”.

As investigações apontam que a falsificação de documentos seria apenas a ponta de um iceberg que envolve um esquema de evasão cambial e lavagem de dinheiro, que teria Dalia como uma das líderes. Até o momento, 16 pessoas são investigados no caso.

Segundo o Ministério Público, a Fundação Fraternidade Angelical — da qual Dalia é presidente e que lançaria o Programa Saúde Móvel para Meninos e Meninas com Ronaldinho como garoto-propaganda — teria sido criada justamente para fazer parte do esquema. Assim como a Brasil Paraguai Investimentos, empresa criada por Wilmondes Sousa Lira (empresário e amigo de Assis) em 2019 em nome de sua mulher Paula Lira. É através dela que os irmãos Assis entrariam como sócios no negócio, que ao todo movimentaria US$ 400 milhões (R$1,8 bilhão). Por isso o interesse em se naturalizar e obter os documentos paraguaios.

Copa América é adiada para 2021 por causa do coronavírus

Seleção brasileira foi campeã da edição do ano passado que foi no Brasil

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) decidiu nesta terça-feira (17) o adiamento da Copa América para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus. O torneio aconteceria de 12 de junho a 12 de julho, na Argentina e na Colômbia. Os dirigentes definiram a mudança após decisão da Uefa de transferir a data da Copa da Uefa. 

A competição continental seguirá com sede na Argentina e na Colômbia e será disputado entre 11 de junho e 11 de julho. O sorteio dos grupos será mantido. O Brasil está no Grupo B, com Qatar, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. 

Antes tarde do que nunca

POR GERSON NOGUEIRA

Com a exceção óbvia do seleto time de terraplanistas e lunáticos de plantão, todo mundo está de acordo com a decisão de paralisar o Campeonato Paraense, como ato preventivo contra a pandemia do coronavírus. Forçada pelas circunstâncias, a FPF finalmente reuniu ontem dirigentes de clubes e patrocinadora (Funtelpa) da competição para fechar uma posição sobre o futuro do Parazão.

Ainda há forte resistência por parte da dupla Re-Pa, que ainda defende o plano de antecipação das rodadas, uma fuga de ideia justificada pela preocupação de ordem financeira. É verdade que a situação dos clubes é aflitiva. Como se sabe, não têm fontes abundantes de receita, os patrocínios pagam pouco e há uma forte dependência da bilheteria dos jogos.

Mas, no dia em que até o técnico Jorge Jesus (Flamengo) testou “positivo fraco”, sabe-se lá o que seja isso, o choque de realidade parece ter falado mais alto. O empurrão final para que a paralisação seja aprovada veio com o decreto anunciado pelo governador Helder Barbalho no começo da tarde de ontem.  

Depois de reuniões sucessivas, o governador tomou a decisão de proibir por 15 dias (em todo o Estado) eventos com a presença de mais de 500 pessoas. Medida civilizada, responsável e sensata no âmbito do esforço para evitar a contaminação pelo vírus que assola o mundo.

Resultado de imagem para Fotos Re-Pa

Há quem argumente que o golpe será duríssimo para a vida dos clubes. Sim, possivelmente será. Mas será igualmente cruel com indústria, comércio, turismo, finanças, educação, artes e espetáculos. Todo mundo está contabilizando perdas e déficits. Assim é a vida. A crise tem proporções planetárias, ninguém pode ficar indiferente a ela.

O futebol não tem como passar ao largo disso, como se fosse segmento isolado, conforme defendiam até ontem autoridades ditas competentes. No fundo, a questão preponderante é a valorização da vida. Nada é mais importante que o bem-estar e a sobrevivência das pessoas. O futebol é menor diante disso.

A urgência médica tem prevalência absoluta sobre todo o resto. Não basta fechar portões de estádios, preservando a saúde dos torcedores. Atletas, técnicos e árbitros também têm direito a reivindicar condições seguras e plenas para exercer suas atividades.  

A FPF, mesmo com a clássica lerdeza para tomar decisões, acabou acertando o passo pegando carona no decreto do governador, que passa a vigorar a partir de hoje. As diretorias de Remo e PSC demonstram oposição à ideia, mas o bom senso deve prevalecer e a paralisação certamente será confirmada na reunião de hoje (15h), tomando por base em declarações do presidente da FPF, Adelson Torres, à Rádio Clube.

A coluna de sexta-feira (13) abordou a necessidade de um firme posicionamento dos envolvidos, tecendo críticas à lentidão em torno de um desfecho que todos sabiam ser inevitável diante do avanço da doença e da consequente necessidade de prevenção.

Os dirigentes de Remo e PSC têm a missão de pensar no coletivo, concordando com a suspensão temporária da competição, apesar do óbvio prejuízo que isso vai acarretar ao caixa das agremiações. É compreensível que estejam receosos – afinal, até o endinheirado Flamengo está brigando pela continuidade do Campeonato Carioca, por mais bizarro que possa parecer.

Ao mesmo tempo, não se deve ignorar a própria reação das torcidas, que nos jogos de sábado e domingo já se mostraram arredias, produzindo rendas pífias tanto na Curuzu quanto no Baenão. Todos se preocupam com o alcance da Covid-19 e dificilmente esse clima de angústia vai passar de uma hora para outra. Os clubes precisam ser sensíveis ao legítimo sentimento de medo que domina a população.  

Situações excepcionais – decorrentes da propagação extremamente rápida de uma doença que pode ser letal – exigem decisões atípicas. Daqui a duas semanas talvez tudo esteja serenado e com a população fora de perigo; mas, até lá, prudência e bom senso são moedas indispensáveis.

A estreia animadora de Honda no Botafogo

O meia Honda jogou por 60 minutos contra o Bangu. Sem o calor da torcida, no estádio Nilton Santos, ele marcou o gol alvinegro, de pênalti, e foi substituído aos 16 minutos do segundo tempo, dando a pinta de que não queria sair do jogo. Ótima notícia para o torcedor botafoguense: fica claro que o maior reforço do clube na temporada não veio a passeio.

Durante a partida, Honda se posicionou na meia-cancha, distribuindo lançamentos e passes perfeitos. Organizou o jogo como um maestro, fazendo lembrar Seedorf. Deu uma tropeçada na bola, mas nada que desabone suas credenciais de jogador de fama internacional.

Honda, obviamente, não tem as características que geraram encantamento geral pelo futebol de Seedorf. O holandês era um fenômeno de condicionamento físico e um médio avançado que fazia muitos gols.

O japonês é mais contido, nos gestos e nas ações com a bola. Dispõe, porém, de um repertório admirável de passes, que podem vir a contribuir para que o Botafogo de Paulo Autuori ganhe mais consistência técnica.

Para isso, porém, será necessário que o time evolua muito para se tornar digno merecedor das contribuições de Honda. E o técnico deve também rever as atitudes em relação ao futuro ídolo.

Na hora de substituí-lo, poderia ter sido mais gentil. As imagens da TV mostraram um quê de indiferença, sem ao menos lançar um olhar ao estreante que deixava o gramado. De certa maneira, tratou Honda como se fosse um jogador comum, coisa que ele não é.  

Há muita história acerca de técnicos enciumados com o sucesso de jogadores junto à torcida. O inefável Oswaldinho da Cuíca, por exemplo, dedicou fria perseguição a Sebastian Loco Abreu, um dos maiores ídolos da história recente do Botafogo. Que não seja o caso de Autuori, cuja imagem pública sempre foi a de um gentleman.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 17)