O “histórico de atleta” e por que ele está imune ao coronavírus

Em pronunciamento na noite desta terça (24), Bolsonaro minimizou a crise do novo coronavírus, afirmando que a pandemia só está afetando pessoas idosas e que a grande mídia está fazendo um estardalhaço. Bolsonaro ainda exaltou “seu histórico de atleta”, e disse que não precisaria se preocupar caso fosse infectado pelo covid-19.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado, não precisaria me preocupar. Eu nada sentiria, ou seria acometido por uma gripezinha”, disse. Como a internet não perdoa, várias imagens do presidente esbanjando sua habilidade nos esportes viralizaram.

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Panelaço volta a agitar a noite em protesto conta Bolsonaro

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alvo de novos protestos durante um pronunciamento feito na noite de hoje sobre a pandemia do novo coronavírus. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém e Florianópolis, moradores foram às janelas para bater panelas e pedir a saída de Bolsonaro da Presidência.

No discurso, Bolsonaro disse que a rotina do país deve retornar à realidade e que a imprensa brasileira ajudou a iniciar o pânico em torno da covid-19. Ele também criticou governadores e voltou a se referir à doença, que já deixou 46 mortos no Brasil, como “gripezinha”.

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Discurso desvairado de Bolsonaro foi montado com ajuda do gabinete do ódio

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, 24,  pegou de surpresa integrantes do Palácio do Planalto. O discurso, em que pediu o fim do “confinamento em massa” diante da escalada da pandemia do coronavírus, foi preparado no gabinete do presidente com a participação de poucas pessoas e em segredo. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), considerado o mais radical do clã, participou da elaboração do pronunciamento.

Também estavam presentes, segundo o Estado apurou, integrantes do chamado “gabinete do ódio”, onde atuam assessores responsáveis pelas redes sociais pessoais do presidente e ligados a Carlos.

Até o final da tarde, poucos auxiliares sabiam que Bolsonaro preparava uma declaração em cadeia de rádio e televisão. A decisão de falar à nação foi tomada após as reuniões com os governadores do Sul e do Centro-Oeste. A gravação foi feita à tarde.

O presidente vinha sendo elogiado dentro do próprio governo por se abrir ao diálogo com os governadores e sinalizar uma mudança de postura sobre os efeitos da covid-19, que já matou 46 pessoas no país. O pronunciamento, no entanto, surpreendeu negativamente auxiliares do Planalto que viram um retrocesso na posição de Bolsonaro. (…)

Bolsonaro pediu, em pronunciamento em rede nacional de televisão e rádio exibido na noite desta terça-feira, a reabertura do comércio e das escolas e o fim do “confinamento em massa”. As medidas têm sido utilizadas no combate ao novo coronavírus, que já deixou 46 mortos no país. Durante o pronunciamento, houve panelaço em todas as regiões do país. E logo em seguida, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rebateu Bolsonaro: ‘Brasil precisa de liderança séria, responsável e comprometida com vida e saúde da população’

— Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas? — questionou Bolsonaro.

O presidente afirmou que o coronavírus “brevemente passará” e afirmou que a vida “tem que continuar”:

— O vírus chegou. Está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade.

Maldini critica precauções tardias na Itália e relata dores fortes no peito

O ex-zagueiro Paolo Maldini, lenda do futebol italiano e responsável por parar diversos craques, não conseguiu se defender do novo coronavírus (COVID-19). O ídolo do Milan, que atualmente é diretor-técnico do clube, fez duras críticas sobre as precauções tardias na Itália e defendeu a teoria que o jogo da Atalanta na Liga dos Campeões foi determinante para a disseminação do vírus na Itália, um dos países mais afetados pela doença.

Lance

– O futebol deveria ter parado muito antes. Jogar de portões fechados é um atentado aos jogadores e à própria torcida. Ter portões abertos na partida entre Liverpool e Atlético de Madrid pela Liga dos Campeões, com quatro mil torcedores chegando na Inglaterra da Espanha, país que já era uma zona de foco do vírus, foi uma loucura. O mesmo vale para Atalanta x Valencia, que foi uma das causas para o surto em Bérgamo – afirmou o ex-jogador.

Maldini, assim como seu filho Daniel, jogador do atual elenco rossonero, foram diagnosticados com COVID-19 e entraram para a lista de infectados pelo vírus na Itália, país com maior número de vítimas mortais da doença no mundo. O ex-jogador relatou os sintomas, revelou que sente fortes dores no peito, e que o seu filho teve sintomas fracos.

– Como todos os atletas, eu conheço meu corpo. As dores são particularmente fortes, sentimos um aperto no peito. É um novo vírus, as lutas físicas contra um inimigo que não conhece. Tive os primeiros sintomas em 5 de março, dor nas articulações e músculos, 38,5 ° de febre, não fiz o teste até terça-feira e o veredicto de positividade chegou dois dias depois. Idem para o meu filho Daniel, que teve uma forma mais fraca – contou. (Do Lance)

Guardiola doa R$ 5,4 milhões para ajudar no combate ao coronavírus

Técnico do Manchester City está preocupado com efeitos da pandemia

O técnico do Manchester City , Pep Guardiola, doou 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões) nesta terça-feira (24) para comprar suprimentos médicos na luta contra a pandemia do novo coronavírus, segundo a ‘EFE’.

O dinheiro foi direcionado para a Fundação Ángel Soler Daniel, que administra a Faculdade de Medicina de Barcelona. A quantia é para a compra e produção de materiais e equipamentos de saúde. Além disso, também servirá para financiar a produção alternativa de respiradores e outros elementos de proteção para os profissionais de saúde.

Guardiola também se envolveu em projetos de pesquisa para obter medicamentos que impedem a transmissão do Covid-19, como a vacina contra o vírus, na qual estão trabalhando o médico Bonaventura Clotet e o pesquisador Oriol Mitjà.

Nomes sonegados por hospital de pacientes que testaram positivo para coronavírus podem ser de Bolsonaro e Michelle

Do Correio Braziliense:

Integrantes do Palácio do Planalto admitem que os dois nomes dos pacientes com testes positivos para o novo coronavírus sonegados à Justiça pelo Hospital das Forças Armadas (HFA) podem ser os do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama, Michele.

Esses servidores dizem que a lista do HFA virou tabu dentro do Planalto. A ordem é não passar qualquer informação sobre os exames do presidente e da mulher dele “por questão de segurança nacional”. Mas o incômodo é grande, uma vez que o Palácio de tornou uma das principais fontes de contaminação pelo coronavírus em Brasília.

O último a ser contaminado foi um dos motoristas que atendem o presidente da República. Ele deu entrada em um hospital de Brasília alegando estar com problemas respiratórios, sintomas característicos da Covid-19.

Coronavírus pode contagiar mais de uma vez

Não basta que uma pessoa saudável seja contagiada pelo novo coronavírus, se recupere e crie a imunidade para estar efetivamente protegida. A doença do Covid-19 pode infectar mais de uma vez uma mesma pessoa. O cenário já foi visto na China.

Especialistas então analisam que a única forma para conter gradualmente a pandemia não será por meio da chamada “heard immunity”, que é a imunidade de grupo ou, literalmente, “imunidade de rebanho”. E a vacina estará disponível entre 12 a 18 meses para os países aplicarem na população. Enquanto isso, cientistas apostam nas quarentenas e antivirais com medicamentos para a imunidade, até que a vacina possa ser disponibilizada.

Fim da pandemia? Não num futuro próximo

O mundo está tomado pelo pânico do coronavírus com a pergunta persistente: Quando isso vai acabar? Obviamente, não há respostas definidas, mas há probabilidades de respostas, pois a situação ainda não está sob controle. Certamente, isso não vai acabar logo, pelo menos por um ano, já que a vacina provavelmente levaria muito tempo, afirmam especialistas.

Os cientistas dizem que o COVID-19 diminuiria a velocidade quando aqueles que estão infectados não o transmitem a outros. “Basicamente, se eu infectar outra pessoa ou mais, então a epidemia pode decolar. Se eu infectar menos de uma pessoa e todo mundo infectar menos de uma pessoa, a epidemia diminuirá”, disse Elizabeth Halloran, pesquisadora da Universidade de Washington, relata Associated Press.

Entenda

Como o COVID-19 pode se espalhar depende de dados sobre a dinâmica populacional, demografia, capacidade de assistência à saúde e outros fatores, disse Rebecca Katz, especialista em saúde pública da Universidade de Georgetown. Os cientistas dizem que se cada pessoa infectada contagiar cerca de 2 ou 3 outras pessoas, isso levaria a um crescimento exponencial do vírus. Antivirais e medicamentos para imunidade podem parar o crescimento exponencial.

Assumindo que nada foi feito para interromper essa transmissão e se o vírus saltar para uma nova pessoa a cada dois a cinco dias, os cientistas calculam que uma única pessoa infectada pode levar a 4.142 infecções totais em um mês. As estimativas dizem que entre 40 e 80% da população global pode ser infectada dessa maneira.

Outras descobertas dizem que a maioria das novas infecções é transmitida por pessoas com sintomas leves ou por pessoas assintomáticas – aquelas que nem sabem que estão doentes. Se a maioria das pessoas se recuperar, como na China, os cientistas estimam que cerca de 14% dos infectados necessitam de hospitalizações, mesmo assim, isso sobrecarregaria todo o sistema de saúde.

Os médicos então teriam que decidir quem deveria viver, como aconteceu na Itália. Quebrar a corrente, então, significaria que estamos na direção de controlar a situação.

O fim

Mark Jit, pesquisador de doenças da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse: “Não é como um filme de Hollywood com um final claro, onde todos são salvos ou todos morrem rapidamente … O melhor cenário é que temos vacina em 12 ou 18 meses e, em seguida, nossas vidas voltam ao normal “, disse Jit.

“No pior cenário, leva muito tempo para que uma vacina seja desenvolvida, e o mundo realmente mudou e nossas vidas não são as mesmas novamente”, observou ele, relata a AP

Uma teoria diz que, uma vez que o número de casos chegue a um limiar, escolas, escritórios e restaurantes poderão reabrir. Se os casos ocorrerem, as restrições serão restabelecidas. China tem visto uma queda nos casos diários, essa teoria pode ser posta à prova lá. Mas não é uma solução final, mas adia até que uma solução seja encontrada.

Assim, se uma vacina for desenvolvida, ela deve envolver até mesmo aqueles que são espalhadores assintomáticos, o que significa que todos os países afetados devem receber a vacina após um ano. Ou então, em outro cenário, as pessoas devem desenvolver imunidade natural ao coronavírus. Isso significa que todos devem pegar o vírus antes de se tornarem imunes. Essa “imunidade de rebanho” está a quase dois anos, se for possível. Mas o novo coronavírus pode se infectar novamente, como aconteceu na China.

Os antivirais e os medicamentos para imunidade – que podem vir antes da vacina – por enquanto podem ser a escolha certa para conter gradualmente o vírus até que a vacina seja encontrada. (Do Jornal GGN)

Sindicato dos Atletas cobra ajuda da CBF e rejeita redução salarial: “Inegociável”

Marco Favero / Agencia RBS

A ideia apresentada por alguns clubes brasileiros de reduzir em 50% o salário dos jogadores de futebol durante a pandemia de coronavírus enfrenta forte oposição por parte do Sindicato dos Atletas do Rio Grande do Sul (SIAPERGS). Segundo o presidente da entidade, Paulo Mocelin, os profissionais até admitem receber os seus vencimentos de forma parcelada, mas rejeitam qualquer tipo de redução salarial.

“Essa proposta é totalmente rechaçada pela categoria. Redução salarial é algo inegociável. Os atletas até podem aceitar um parcelamento dos vencimentos e aceitam discutir também a antecipação das férias. Mas o ‘perdão salarial’ é algo inegociável”, disse Mocelin à GaúchaZH.

O dirigente afirma que tem conversado com lideranças da dupla Gre-Nal e também de  clubes do interior, da primeira divisão e da Divisão de Acesso. Ele garante que os atletas estão fechados com a entidade. Logo, não acredita que possam ocorrer negociações diretamente entre os clubes e os jogadores, sem a mediação da entidade representativa de classe.

“Estamos montando uma proposta e em breve vamos apresentá-la aos atletas. Entendemos também que é hora de a CBF se coçar. Ela é a entidade maior e ela até agora não se pronunciou sobre dar um auxílio aos clubes”, completa Mocelin.

Os 40 clubes das Séries A e B estão reunidos por videoconferência nesta segunda (23) com a direção da CBF com o objetivo de formular uma proposta de consenso a ser apresentada aos jogadores. 

Olimpíada de Tóquio é adiada para 2021

Shinzo Abe falando ao Parlamento em 2019 — Foto: AP Photo/Eugene Hoshiko

O primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, confirmou nesta terça-feira (24) que pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento de um ano dos Jogos Olímpicos, que estavam programados para o dia 24 de julho. A autoridade esportiva aceitou, e a competição foi postergada para 2021.

Abe fez o anúncio a jornalistas depois de uma conversa telefônica com o presidente do COI, Thomas Bach. Segundo ele, o COI aceitou o pedido.

O COI, então, confirmou em um comunicado o adiamento assinado em conjunto com o governo japonês:

“Na circunstância presente, e baseados na informação providenciada pela Organização Mundial da Saúde, o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos da 32ª Olimpíada em Tóquio devem ser reagendados para uma data para além de 2020, mas não depois do verão de 2021, para garantir a saúde de atletas, todos envolvidos nos Jogos e a comunidade internacional.”

As Olimpíadas, portanto, deverão ser realizadas em 2021. Mesmo assim, o nome oficial do evento será Tóquio 2020, de acordo com o governador de Tóquio, Yuriko Koike. Os Jogos Olímpicos foram adiados por causa da pandemia do Covid-19, que impactou a organização do evento e também a preparação dos atletas.

A conversa telefônica incluiu, além de Abe e de Bach, o governador de Tóquio, Yuriko Koike, e o líder da organização dos Jogos, Yoshiro Mori. Abe pediu para que Bach tomasse uma decisão o mais rápido possível, segundo a NHK.

Essa é a primeira vez, na era moderna, que os Jogos Olímpicos são adiados. Eles foram cancelados em três ocasiões: 1916, 1940 e 1944, por causa da Primeira e Segunda Guerras mundiais.

O Comitê Olímpico do Canadá havia publicado uma carta na segunda-feira (23) na qual informou que ia boicotar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos se eles fossem realizados em 2020. A Austrália também informou que não enviaria seus atletas.

Noruega e Grã-Bretanha pressionaram o COI e ameaçaram não participar dos Jogos. Os comitês do Brasil, Eslovênia, Alemanha haviam pedido o adiamento, assim como as equipes norte-americanas de natação e corrida. (Da G1)

Debandada ameaça o Parazão

POR GERSON NOGUEIRA

Mais de 90 testes de vacina são desenvolvidos em vários países, mas é incerto projetar um prazo para que o novo coronavírus seja neutralizado em larga escala. Enquanto a ciência não descobre um antídoto eficaz, o mundo precisa se adequar a um período de espera, mais ou menos longo, com potencial para comprometer planos e frustrar sonhos.

No plano local, não é diferente. O futebol segue sem perspectivas. A ideia de prosseguimento do Parazão ainda no 1º semestre depende do avanço da doença no Estado. Por enquanto, os números não permitem uma certeza. O Pará contabiliza cinco pessoas contaminadas.  

Dupla Re-Pa pediu a suspensão imediata do Parazão — Foto: Jorge Luiz/Paysandu

Quanto ao futuro do Parazão, um movimento iniciado por cinco clubes disputantes pode apressar uma definição por parte da FPF. Águia e Itupiranga liberaram jogadores, preferindo desistir da competição a sofrer com as despesas de folha salarial extra durante a quarentena.

Ontem, mais três clubes tomaram a mesma decisão. Independente, Carajás e Bragantino também encerraram atividades, liberando atletas. O clube de Bragança pagou os salários de março e dispensou todo o elenco. Outros participantes estariam ensaiando o mesmo movimento.

A debandada geral pode criar um fato consumado: a FPF ficaria forçada a encerrar o campeonato sem vencedores ou rebaixados. Ou, ainda, teria que encarar a possibilidade de um Parazão esvaziado, com jogos decididos por W.O. nas duas rodadas que restam da etapa de classificação.

A entidade, através do vice Maurício Bororó, afirma que a CBF dará prioridade aos estaduais, descartando (por enquanto) o cancelamento. Para a dupla Re-Pa, que tem o Brasileiro da Série C para disputar, antecipar férias dos atletas pode ser uma solução de curto prazo.

O papel da FPF vai além de esperar ordens e humores da CBF. Tem por obrigação reunir os clubes para deliberações ou, pelo menos, buscando estabelecer cenários, até para dar respostas aos trabalhadores envolvidos – atletas, técnicos, profissionais de apoio. Caso demore muito a agir, corre o risco de ser atropelada pelos fatos.

Por enquanto, ninguém tem certeza sobre nada. Os clubes da capital silenciam sobre seus planos imediatos. O Remo optou por aguardar mais alguns dias, para avaliar o que poderá ser feito quanto ao elenco e sobre os planos para o Brasileiro. O PSC trabalha com vários cenários, mas, obviamente, sem nada conclusivo.

Com o prejuízo de R$ 1 milhão pela parada do campeonato e contabilizando mais perdas, o PSC antevê as dificuldades pós-pandemia e pretende investir em marketing agressivo para compensar o déficit acumulado. Vai reagir com atitude.

De maneira geral, a situação dos clubes soa até exagerada em relação ao drama da população, em confinamento social e sem expectativa de sair da quarentena. Durante o debate especial da Rádio Clube, no domingo, várias opiniões foram expostas por analistas e ouvintes.

Chamou atenção a fala de um torcedor remista observando, com razão, que o futebol não é o segmento mais impactado neste momento. Em primeiro lugar, disse – elogiando as providências adotadas pelo governador Helder Barbalho em defesa da população –, está o bem-estar das pessoas. Os problemas do futebol podem ficar para depois, acrescentou. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

A estranha resistência do COI em suspender a Olimpíada

O mundo clama pelo adiamento ou cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Na contramão da sensatez, o Comitê Olímpico Internacional insiste em manter a competição nas datas previstas. Ontem, surgiu um fato novo: o governo do Japão manifestou a preocupação com os rumos da situação e defendeu que a realização do evento seja reavaliada.

A menos de quatro meses para os Jogos, os comitês olímpicos dos países pressionam pela suspensão, alegando prejuízo na preparação dos atletas e o risco a que todos estarão submetidos caso a Olimpíada aconteça.

Para uma entidade que sempre primou pela preocupação com a segurança dos atletas, o COI tem vacilado em relação aos Jogos de Tóquio. A demora em decidir flerta com irresponsabilidade. A maioria dos atletas de ponta tem se manifestado pelo adiamento para dezembro ou para 2021.

A solução talvez ainda dependa da aprovação dos patrocinadores, suporte básico de toda e qualquer competição, mesmo a que diz celebrar os princípios olímpicos. Membros do COI já admitem o adiamento como hipótese mais provável, posição reforçada pelas últimas declarações do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. 

Astros brazucas endinheirados não exercitam solidariedade

Alguns astros de primeira grandeza do esporte têm se mostrado generosos e sensibilizados com os efeitos devastadores da pandemia. Cristiano Ronaldo decidiu franquear sua rede de hotéis para abrigar famílias desabrigadas e para servir de estrutura hospitalar.

Ibrahimovic, o polêmico atacante sueco, abriu campanha de arrecadação doando meio milhão de dólares para ajudar as vítimas da doença na Itália. Michael Jordan seguiu a mesma trilha nos EUA. Atitudes cidadãs de homens que acumularam riqueza com o esporte.

Como de hábito, nenhum dos ricos endinheirados brasileiros do esporte teve a coragem de se coçar para doar algum dinheiro. Neymar, Ronaldo Fenômeno e outros são pródigos em gastar com farra e autopromoção. Olhar para os menos afortunados, nem pensar. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 24)