Panelaço contra Bolsonaro invade a noite em todo o Brasil

Várias cidades do país registram protestos na noite desta quarta-feira, 18, contra Jair Bolsonaro. Pelo segundo dia seguido, brasileiros e brasileiras de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Goiânia, Belém e Florianópolis protestam com panelaços e pedem a saída de Jair Bolsonaro, que tem minimizado os riscos da pandemia de coronavírus.

Em meio a intensa crise internacional causada pelo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está tendo que lidar com mais uma situação desconfortante: manifestações contrárias ao seu governo. Depois do panelaço de terça-feira (17), críticos ao presidente foram, às 19h30, para as janelas de suas casas e apartamentos e fizeram um novo ato contra o chefe do Executivo.

O ato aconteceu uma hora antes do previsto e foi até depois das 21h. Bolsonaristas tentaram fazer um ato semelhante, em apoio ao presidente, mas não durou muito. Na Asa Sul, em Brasília, a tentativa dos apoiadores de Jair Bolsonaro foi abafada pelos gritos de “fora Bolsonaro”.

Embedded video

Dentre as pautas de reivindicação estão: defesa da educação, das estatais, do serviço público e contra a carteira de trabalho verde e amarela. O ato estava marcado para acontecer nas ruas, mas com a pandemia causada pelo covid-19, os manifestantes optaram por não fazer aglomerações.

As ações se ampliaram após o presidente da República desobedecer as orientações do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), incentivando e participando de manifestações no último domingo (15), mesmo estando em quarentena. Além dos riscos à saúde pública que a aglomeração causou, os atos pediram fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pará registra primeiro caso de Covid-19

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado hoje no Pará. O Governo do Estado e a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) confirmam o registro do primeiro caso do novo Coronavírus (Covid-19) no Pará.

O paciente é um homem de iniciais P.R.O., 37 anos. Ele está em isolamento domiciliar. Ele apresentou sintomas desde que retornou do Rio de Janeiro, após o Carnaval. O estado de saúde é estável.

Desde o início da semana, por meio de decretos governamentais, Helder Barbalho vem determinando medidas no sentido de proteger a população e evitar a proliferação da doença em todo o Estado.

“Estamos tratando de um caso que não é de circulação interna, comunitária. A transmissão foi em outro Estado. Eu conversei com ele por telefone, e me disse que está absolutamente tranquilo. Recebeu alta hoje de manhã (quarta-feira, 18), mas continua isolado em casa. E vamos ficar monitorando a família”, informou o governador Helder Barbalho, na tarde de hoje, sobre o primeiro caso confirmado de Covid-19 no Pará.

O governador participou da transmissão ao vivo, pelas redes do Ministério da Saúde, da entrevista coletiva que atualizou os dados sobre o Coronavírus no Brasil. Helder Barbalho abriu a coletiva abordando a confirmação do primeiro caso de Covid-19 em território paraense.

O paciente mora em Belém e regressou do Rio de Janeiro (RJ), onde passou o Carnaval. O paciente apresentou um quadro de síndrome aguda respiratória, procurou atendimento em uma unidade particular, ficou em isolamento hospitalar por 14 dias, e agora segue em isolado em casa, onde apresenta condição de saúde estável.

Ambiente favorece aventuras autoritárias

Jair Bolsonaro subiu o tom contra os demais poderes e deve usar a crise do coronavírus para preparar um golpe que pode ter o apoio de militares. É o que avalia o jornalista Kennedy Alencar. Em artigo divulgado na noite de terça (17), Kennedy alertou: “Uma pandemia como a do coronavírus cai como uma luva para líderes xenófobos e autoritários despreparados.”

“Só não vê quem não quer. Bolsonaro prepara o ambiente para uma tentativa de golpe na qual dirá que o Congresso e o STF, atacados por ele no domingo, não o deixam governar. Vai sobrar para a imprensa também, que será acusada de sabotá-lo.”

O jornalista fez um apelo: “Se os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo optarem pelos punhos de renda para lidar com os crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro ao longo do mandato em geral e no último domingo em particular, podem se preparar para dialogar com as baionetas.”

Em sua visão, “os sinais que vêm da caserna são no sentido de passar a mão na cabeça de um golpista despreparado, desqualificado, mentiroso e ignorante como Bolsonaro.”