Fenaj: mesmo com revogação, MP ataca os direitos dos trabalhadores

Em meio a pandemia do coronavírus, os brasileiros foram superintendidos por Jair Bolsonaro com a medida provisória 927, que ataca os direitos do trabalhadores. O governo afirma que a decisão é uma forma de evitar demissões em massa e Bolsonaro chegou revogar um dos artigos da proposta, que previa a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses. Apesar de toda a ação, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicou nota nesta tarde, 23 de março, repudiando a medida, que continua excluindo os Sindicatos das tratativas em questão: 

FENAJ repudia MP 927

Governo anunciou alteração, mas MP ainda prejudica classe trabalhadora, ao suspender direitos e excluir Sindicatos das tratativas das excepcionalidades

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entidade máxima de representação da categoria, repudia a Medida Provisória nº 927, editada pelo governo Bolsonaro e publicada no Diário Oficial da União, em edição especial, neste domingo, 22 de março. A MP suspende a validade de artigos da CLT, excluindo os Sindicatos de trabalhadores das discussões e autorizando tratativas individuais dos patrões com seus empregados. Também suspende as fiscalizações no mundo do trabalho, informando que o trabalho a ser realizado será de caráter orientativo.

Após ser amplamente criticado, o governo Bolsonaro anunciou no início da tarde desta segunda-feira, 23, a retirada do artigo 18 da MP, que autorizava as empresas a suspender os contratos de trabalho de seus funcionários por até quatro meses, sem nenhuma remuneração. A MP, entretanto, prevê outras medidas excepcionais, como a adoção de bancos de horas com compensação em até 18 meses após o fim do estado da calamidade pública; o não pagamento do 1/3 de férias, a antecipação de feriados e, mais grave ainda, a relativização de normas de saúde e segurança no trabalho.

Para a Fenaj, inequivocamente, o governo de Jair Bolsonaro atua penalizando a classe trabalhadora e, neste momento de crise, continua adotando medidas inadequadas e que não contribuem para tranquilizar o povo brasileiro. Mais uma vez, o governo cobra sacrifícios dos/as trabalhadores/as, já bastante sacrificados com a implementação das contrarreformas trabalhista e previdenciária, com o desemprego e o crescimento vertiginoso da informalidade e com a diminuição da renda.

Em tempos de calamidade pública, é preciso que os esforços sejam coletivos e solidários e é preciso que as medidas, principalmente as governamentais, sejam tomadas para que toda a sociedade possa sobreviver à crise. Não é admissível que o extermínio de parte da população, pela miséria crescente ou por uma convulsão social, seja uma política de governo. Existem alternativas possíveis e viáveis, como a suspensão, ainda que temporária, do pagamento do serviço da dívida pública.

A Fenaj lamenta que o governo federal esteja mais preocupado em garantir a saúde financeira das empresas que a saúde e a sobrevivência do povo brasileiro. Enquanto em vários países do mundo – incluindo os capitalistas – medidas protetivas do emprego e da renda estão sendo tomadas, no Brasil, infelizmente, elas ainda não foram sequer cogitadas.

Do presidente inepto e da equipe econômica que o orienta não é possível esperar muito. Mas precisamos exigir dos demais poderes, em especial do Poder Legislativo,  que assumam suas responsabilidades, diante do caos anunciado.

Brasília, 23 de março de 2020.

Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj

MPT vê com extrema preocupação trechos importantes da MP 927

Em nota, o Ministério Público do Trabalho se posicionou contra a MP 927, baixada pelo governo federal e depois modificada.

“O MPT compreende o estado de calamidade vivido pelo país e pelo mundo e as sérias repercussões que a pandemia tem sobre a economia e sobre a sustentabilidade das empresas e, nesse sentido, se associa à necessidade de medidas emergenciais para esse momento.

Todavia, vê com extrema preocupação medidas que ao reverso de manterem o fluxo econômico em mínimo andamento mesmo em meio à crise, interrompem abruptamente a circulação de recursos e expõe uma gama enorme da população a risco iminente de falta de subsistência.

Evidencia-se plenamente equivocado imaginar um plano de capacitação, na forma do artigo 18 da MP, em que o trabalhador ficará por 4(quatro) meses em capacitação sem receber para tanto qualquer espécie de remuneração ou aporte assistencial por parte do aparato estatal. Em linhas  gerais, tem-se um permissivo geral para a suspensão do contato de trabalho, sem qualquer tipo de remuneração ou indenização para o trabalhador, o que além de tudo, acelera a estagnação econômica.

O Ministério Público do Trabalho também reforça o seu entendimento de que o diálogo social pode conduzir a medidas mais acertadas e, principalmente, que envolvam as classes trabalhistas e empresarial. Por essa razão, também vê com preocupação a não participação das entidades sindicais na concepção de medidas e a permissão de que medidas gravosas sejam feitas sem a sua participação.

Por outro lado, em meio a uma crise de saúde, a instituição entende paradoxal e equivocado excepcionar justamente o cumprimento de normas de saúde e segurança laboral, que ao reverso deveriam ser reforçadas, evitando mais perdas de vidas em um cenário tão adverso.

O Ministério Público do Trabalho reforça a sua integração ao esforço concentrado de instituições em prol do combate à pandemia e a sua ampla e irrestrita disposição para o diálogo para que as medidas trabalhistas possam surtir efeito com o devido efeito, sempre tendo como balizas os  parâmetros constitucionais, de equilíbrio da relações e de cogência das normas internacionais as quais o Brasil é aderente”.

Robôs comandaram ataques acusando a China de provocar pandemia do coronavírus

FAPESP financiará pesquisas para o combate ao coronavírus

Por Ethel Rudnitzki e Laura Scofield, na Agência Pública

A pandemia de coronavírus, que já infectou mais de 250 mil pessoas no mundo, também viralizou nas redes sociais. O assunto ocupa os assuntos mais comentados do Twitter – Trending Topics – há mais de uma semana, entre postagens de atualizações sobre a doença, piadas sobre a quarentena e disseminação de boatos.

Segundo levantamento feito pela Agência Pública, a hashtag #VirusChines, que chegou aos Trending Topics no Twitter ontem (19 de março), contou com o auxílio de robôs e foi coordenada por influenciadores virtuais.

Tudo começou quando, no dia 18 de março, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho zero três do presidente, retuitou postagem de Rodrigo da Silva, fundador do portal Spotniks, que culpa o governo chinês pela pandemia do coronavírus. “A culpa é da China e liberdade seria a solução”, acrescentou.

Menos de 12 horas depois, a Embaixada da China no Brasil repudiou o posicionamento do zero três. “As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares”, respondeu o órgão em sua conta oficial de Twitter.

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, também respondeu ao deputado “Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”, tuitou marcando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a Câmara dos Deputados e o presidente da Casa, Rodrigo Maia.

O ministro das Relações Exteriores se pronunciou em favor do deputado Eduardo Bolsonaro, mas ressaltou que as opiniões do zero três não refletem a posição do governo brasileiro. Para amenizar as tensões, o presidente Jair Bolsonaro tentou entrar em contato com o presidente chinês, mas não foi atendido.

Enquanto o Itamaraty tentava reduzir as tensões com a China, redes bolsonaristas levantaram a #VirusChines. Em questão de horas – durante a madrugada do dia 19 de março – a hashtag chegou aos Trending Topics no Brasil.

A Agência Pública levantou e analisou todas as postagens com a #VirusChines das 9h às 17h50 do dia 19 – período no qual a tag ficou entre os assuntos mais comentados incessantemente. Foram 94 mil tuítes e retuítes – uma média de 3 por segundo –, nos quais foram constatadas evidências de manipulação algorítmicas com o uso de contas automatizadas.

Além disso, a reportagem descobriu que o uso das hashtags também foi organizado pelo Whatsapp. Em pelo menos 16 grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro foram enviadas mensagens pedindo que os membros tuitassem e retuitassem a #VirusChines durante o dia.

A mensagem retuitada por Eduardo Bolsonaro que deu origem à polêmica também foi compartilhada em grupos de Whatsapp como forma de corrente.

Influenciadores impõem narrativa

Grande parte das mensagens de Whatsapp que pediam que as pessoas “subissem a tag” estavam acompanhadas de um tuíte de Leandro Ruschel, influenciador bolsonarista que acumula mais de 370 mil seguidores no Twitter.

Ruschel foi um dos primeiros a usar a hashtag ainda no dia 18 de março, menos de 1 hora depois do posicionamento do embaixador chinês. “Vamos aproveitar a liberdade que o Partido Comunista Chinês nega ao seu povo, para reafirmar: #VirusChines!”, publicou. A postagem teve mais de 3,8 mil retuites e 13 mil curtidas.

Ele fez outras 18 publicações com a hashtag – a grande maioria durante a madrugada do dia 19 de março. Às 1h43 da manhã ele comemorou “#VirusChines subindo nos TT’s”. Das 9h às 17h50, período monitorado pela reportagem, Ruschel só publicou 3 vezes com a tag, mas foi mencionado ou retuitado mais de 7,2 mil vezes por perfis que publicaram a #VirusChines.

Além de Ruschel, outros influenciadores digitais que apoiam o presidente Jair Bolsonaro também tiveram grande influência para levantar a hashtag. O youtuber e diretor do portal “Brasil Sem Medo”, Bernardo Küster foi mencionado ou retuitado 5,4 mil vezes em postagens com a #VirusChines.

O perfil Bolsoneas também articulou pessoas em torno da #VirusChines. Em tom de ironia, alertou seus seguidores a não usarem a tag, pois a “extrema-imprensa mundial” ficaria “chateada”. Foi o único post que o perfil fez com a hashtag, mas conseguiu 2,6 mil retuítes e foi o 6º perfil mais mencionado, com 3,3 mil menções ou retuítes.

Robôs engajam

Os 94.243 tuítes feitos com a hashtag dentro do período de 8 horas analisado vieram de 27.982 perfis. A média é de 3,38 tuítes por usuário, mas, na realidade, apenas 187 (0,67%) perfis foram responsáveis por mais de 10% das postagens.

O usuário @aasteixeira foi o mais ativo. A conta tem 5.826 seguidores, 190 mil tuítes, e parece estar ligada a uma pessoa real. Porém, alguns dados indicam comportamentos automatizados.

Às 11h11 do dia 19 de março, Artur, que leva em seu nome de usuário a própria hashtag #VirusChines, seguida pelos emojis da bandeira do Brasil, Israel e Estados Unidos, fez 13 retuítes no mesmo minuto. Ao todo, foram 219 posts com a tag, todos retuítes, alguns postados com menos de 5 segundos de diferença entre eles.

Retuitar muito também é uma prática comum entre os 10 usuários que mais publicaram a hashtag — ao todo, as contas fizeram 1.448 tuítes, dos quais 947 são retuítes, ou seja 65%. @mceliaraujo, @ana_paula_nery e @SammirSouza também estão entre as contas que não produziram nenhum conteúdo original, somente republicaram. Eles foram responsáveis por, respectivamente, 121, 116 e 153 retuítes com a hashtag.

Segundo Sergio Denicoli, o excesso de retuítes e o grande volume de publicações em um curto período de tempo são evidências de automação para interferir no debate público. “Inicialmente os perfis fazem esse volume maior de postagem até que isso vá se dissolvendo e as pessoas vão absorvendo aquela informação”, explica o CEO da AP Exata.

@LIRAXXX, cujo nome de usuário destaca o número 38 — número do recém criado partido de Bolsonaro, o Aliança Pelo Brasil — , também traz evidências de automatização. No período analisado, publicou 200 vezes a frase “#VirusChines Não podemos deixar barato!!!!!!!”.

A AP Exata está analisando o debate no Twitter a respeito do coronavírus. Segundo a agência, 8,38% dos usuários que mencionaram a doença e usaram a tag #VirusChines são perfis de interferência, ou seja, “robôs ou perfis criados para interferir no debate público”, explica Denicoli. Por mais que pareça uma porcentagem pequena, o pesquisador garante que é uma média alta já que os esses perfis produzem um grande volume de tuítes. A análise também é restrita, pois só considera tuítes originais e geolocalizados, de forma que a presença de perfis de interferência pode ser ainda maior.

As regras de automação do Twitter permitem “retweetar ou comentar o tweet de maneira automatizada para fins de entretenimento, em caráter informativo ou de novidade”. Isso desde que o usuário esteja em conformidade com as outras normas, que incluem proibições a contas em série para o mesmo caso de uso e incitação de abuso, violência e ódio.
Como punição ao descumprimento das regras, a plataforma indica que pode tomar medidas como a suspensão da contagem ou a filtragem dos tuítes nos resultados de buscas.

O perfil de Andrea Paccini (@apaccinifot), por exemplo, não aparece na busca da seção ‘Top’ ou por pessoas no Twitter, o que pode indicar que a conta já foi penalizada. Para encontrar o usuário, é necessário encontrar algum tuíte em que ele foi mencionado ou entrar direto no perfil.

Hashtags bolsonaristas

A hashtag #VirusChines foi utilizada várias vezes acompanhada por outras. As mais frequentes foram #GloboLixo, que apareceu 2.292 vezes, e #VirusdaChina, que foi citada 2.252 vezes. No ranking das cinco principais, as três que se seguem mostram que o movimento de culpabilizar a China e o governo chinês pelo surto não está presente somente no Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é citado em muitos conteúdos compartilhados com a hashtag e também tem chamado o Coronavírus de Vírus Chinês. Como reflexo no Brasil, #ChinaLiedPeopleDied (1.389), #ChineseVirus (1.310) e #ChineseWuhanVirus (895) se destacaram por terem sido usadas em conjunto com a analisada.

Mas essas não as únicas. A #RespeiteOPresidente foi utilizada 583 vezes, evidenciando ainda mais a relação da base bolsonarista com a campanha. #EduardoBolsonaroTemRazao apareceu em 247 tuítes, como uma resposta de defesa direta às críticas que o filho do presidente recebeu depois do posicionamento que deu força ao movimento.

#Respeitem57MilhoesDeEleitores (219 vezes) e #BolsonaroAte2026 (211 vezes) acompanharam frequentemente a hashtag que coloca na China a culpa pelo Vírus. Além de indicar a relação da base bolsonarista e a abrangência internacional do movimento, as hashtags utilizadas juntamente com a #VirusChines também evidenciam o caráter xenofóbico da campanha. Utilizada 321 vezes, a #VirusXingLing é um exemplo.

A expressão Xing Ling, em si, já tem tom preconceituoso e racista e são comuns tuítes de mesmo caráter. Em um deles, que traz a hashtag #EduardoBolsonaroTemRazao e foi retuitado por um dos perfis mais ativos, o vírus é desenhado remetendo à fisionomia chinesa.

Na Inglaterra, toda a pressão do dinheiro sobre a Premier League

O Liverpool de 2019/2020, com o título essencialmente assegurado

Por Sílvio Lancellotti

Os povos das nações da Grã-Bretanha já praticavam o Ludopédio, ou um jogo parecido, quando, na noite de 26 de Outubro de 1863, na vetusta Freemason’s Tavern de Blackheath, Londres, 13 rapazes comandados por um tal Ebenezer Morley esboçaram a base das suas regras. E foi exatamente em 23 de Março de 1888 que, no Anderton Hotel da capital do Império que, sob a liderança de um forasteiro na cidade, William McGregor, diretor de uma agremiação de Birmingham, aquela do Aston Villa, um grupo de seis cartolas tornou formal uma entidade que já se esboçava desde 1884, a Football Association.

Além do Villa, se comprometeram o Blackburn Rovers, o Bolton Wanderers, o Preston North End, o Stoke City e o West Bromwich Albion. A oficialização da FA, com a criação de um campeonato regular, aconteceria logo depois, em 14 de Abril, numa reunião em outro lugar, no Royal Hotel de Manchester.

Do primeiro título, abiscoitado pelo Preston, temporada de 1888/89, até hoje, a FA fermentou o suficiente para ostentar 72 clubes profissionais, 69 na Inglaterra e três no País de Gales. Ostenta três divisões e supervisiona o mais antigo certame de todo o planeta. Desde 1992 batizada de Premier League, a mais importante dessas divisões ocorre por pontos e em turno e returno.

A entidade ainda realiza a FA Cup, inclusive com agremiações de diletantes, 736 no total em 2018/2019, obviamente no sistema de mata-matas. E mais o EFL Trophy, com 64 clubes, igualmente em duelos eliminatórios. Trata-se de contendas que, só com os direitos de TV, puderam acumular, na sua última temporada, a preciosa bagatela em torno de R$ 15bi. Os patrocinadores, que anteciparam uma parte considerável desse montante, já ameaçaram romper o seu volumosérrimo contrato. O caos dentro do caos.

Neste dia 23 de Março de 2020, tão formidável portento pretendia celebrar com festanças o seu 132º aniversário. Acaba de ser assolado, todavia, por um microrganismo ultra-insidioso, um novo coronavírus, o causador de uma pandemia, a Covid-19. Não interessa, neste texto, quantos britânicos já se contagiaram – afinal, o volume se altera minuto a minuto. Muito mais significativo afirmar que o governo de Sua Majestade interrompeu até mesmo a solene, tradicional troca de guarda diante dos portões do Palácio de Buckingham. E o Futebol? Por enquanto, em recesso integral.

Apenas duas vezes, no passado, a FA suspendeu o seu campeonato. De 1915 a 1919, conseqüência da I Guerra Mundial. De 1939 a 1945, por causa da II. Infortúnio do Liverpool, 82 pontos em 87 possíveis, o absurdo de 25 à frente do Manchester City. Estupidamente injusto, caso o certame não acabe, a FA não entregar a taça aos “Reds”. Pela pressão dos patrocinadores, porém, se especula que o campeonato ressuscite em 1º de Junho, sem platéias.

Dossiê revela ganhos de Neymar e causa polêmica na França

Neymar recebe bem mais do que o dobro de Mbappé por ano. Justo?

Por Cosme Rímoli

Enquanto no país, a crise do coronavírus possibilita, legalmente, que os clubes diminuam em até 50% os salários dos jogadores, Neymar não tem motivos de preocupação.

A respeitada revista France Football, responsável pela premiação Bola de Ouro para o melhor do mundo, divulgará seu tradicional dossiê anual sobre os maiores salários do futebol. O que já antecipou, incomodou os franceses.

Com o singelo nome “Salário de Estrelas”, revelará o abismo financeiro entre Neymar e Mbappé.

A revista garante que na sua terceira temporada, o jogador nascido em Mogi das Cruzes receberá nada menos do que 48,9 milhões de euros brutos, entre salários e bônus. São cerca de R$ 264,5 milhões. São R$ 22 milhões a cada trinta dias.

A revista deixa, nas entrelinhas, que é um disparate.

Porque é o mais do que o dobro do maior ídolo atual do futebol francês: Mbappé. O atacante campeão do mundo na Copa da Rússia recebe “apenas” 21,2 milhões de euros, cerca de R$ 114 milhões. Ou R$ 9,5 milhões por mês.

O uruguaio Cavani, maior artilheiro da história do PSG, 18,4 milhões de euros, R$ 99,5 milhões. Ou R$ 8,2 milhões.

Essa diferença a mais para Neymar não é aceita pela imprensa francesa. 

O brasileiro e seu pai sabem disso e, por isso, seguem sonhando com a volta para o Barcelona, apesar de mais dois anos de contrato.PublicidadeFechar anúncio

De acordo com a France Football, se for acrescentada a publicidade, Neymar chegará ao final desta temporada com 95 milhões de euros, cerca de R$ 514 milhões.

Será o terceiro jogador a mais receber no mundo.

  • Ficando atrás só de Messi, o primeiro, com 131 milhões de euros, cerca de R$ 708 milhões. E Cristiano Ronaldo, 118 milhões de euros, cerca de R$ 638,4 milhões.

Os números são impressionantes.

Mas a diferença entre Neymar e Mbappé é gritante. E incomoda jornalistas e torcedores franceses. O país vive sob um governo nacionalista. Além de cobrar atitudes irresponsáveis de Neymar.

A pouca vontade em aprender a falar francês, que é vista como descaso, depois de três anos. Além da obsessão por voltar ao Barcelona.

A revelação que ele recebe mais do que o dobro de Mbappé traz desconforto. E mais cobranças ainda ao brasileiro…

Por que a Rússia, que faz fronteira com a China, conseguiu controlar a Covid-19?

O presidente russo Vladimir Putin, disse nesta semana que seu país conseguiu impedir a disseminação em massa de coronavírus – e que a situação estava “sob controle”, graças a medidas precoces e agressivas para impedir que mais pessoas sofram da doença. Este é o tema de extensa reportagem de Mary Ilyushina, da CNN.

A Rússia tem coronavírus sob controle? Segundo informações divulgadas pelas autoridades russas, a estratégia de Putin parece ter funcionado. O número de casos confirmados de coronavírus russo é surpreendentemente baixo, apesar da Rússia compartilhar uma longa fronteira com a China e registrar seu primeiro caso em janeiro.

Os números estão aumentando, mas a Rússia – um país de 146 milhões de pessoas – tem menos casos confirmados que o Luxemburgo, com apenas 253 pessoas infectadas. Luxemburgo, por outro lado, tem uma população de apenas 628.000 habitantes, de acordo com o CIA World Factbook, e no sábado havia registrado 670 casos de coronavírus com oito mortes.

As medidas de resposta antecipada da Rússia – como o fechamento de sua fronteira de 2.600 milhas com a China em 30 de janeiro e a criação de zonas de quarentena – podem ter contribuído para o atraso de um surto total, dizem alguns especialistas.

Segundo a dra. Melita Vujnovic, representante da Organização Mundial de Saúde na Rússia, o país entendeu muito bem a recomendação da OMS quanto à necessidade de teste, e começou a realizá-los no final de janeiro. Além disso, a Rússia tomou um conjunto mais amplo de medidas, além dos testes.

“Testes e identificação de casos, rastreamento de contatos, isolamento, essas são todas as medidas que a OMS propõe e recomenda, e estavam em vigor o tempo todo”, disse ela. “E o distanciamento social é o segundo componente que também começou relativamente cedo”.

Na outra ponta, os Estados Unidos só aceleraram os testes no início de março, enquanto a Rússia diz que vem testando em massa desde o início de fevereiro, inclusive nos aeroportos, concentrando-se em viajantes do Irã, China e Coréia do Sul.

Isso não significa que o país saiu ileso. A Rússia não começou a testar imediatamente aqueles que chegavam da Itália e outros países da União Europeia, limitando seus controles. A maioria dos casos relatados na Rússia foram trazidos da Itália, segundo as autoridades de saúde.

Mesmo assim, a Rússia enfrenta o ceticismo público, legado de seu passado soviético. Os russos levantaram questões referentes ao fraco histórico de transparência de seu país, como no caso de Chernobyl em 1986 e o fracasso do país na epidemia de HIV/Aids na década de 1980.

Ao ceticismo, as autoridades agiram rapidamente para combater o que consideram desinformação. No início de março, o Serviço de Segurança Federal da Rússia, que monitora a internet, se mobilizou para derrubar um post viral que dizia ser 20 mil o número de casos no país e que o governo estaria encobrindo. Ato contínuo, os usuários do Facebook e Instagram na Rússia começaram a ver alertas de conscientização sobre coronavírus com links para o site oficial de saúde.

Outras notícias, como escassez de equipamentos de proteção, passaram a alimentar o ceticismo. Além de dúvidas sobre a confiabilidade do sistema de testes da Rússia, que depende de um único laboratório.

Mas a OMS no país, no entanto, informou à CNN que recebeu as especificações para os kits de teste e o laboratório foi colocado na lista de instituições aprovadas dentre as usadas para confirmar o coronavírus.

O próprio Putin abordou as preocupações com as estatísticas na última quarta-feira, dizendo que o governo pode não ter uma visão completa, mas não está encobrindo os números.

“A questão é a seguinte: as autoridades podem não possuir a informação completa, porque as pessoas a) às vezes não a denunciam, b) elas próprias não sabem que estão doentes e o período latente é muito longo”, disse ele em uma reunião televisionada. “Mas tudo o que é emitido … pelo Ministério da Saúde são todas informações objetivas”.

Nesta semana, os números aumentaram, com a Rússia adicionando de 30 a 50 casos por dia, e a contagem provavelmente continuará sua trajetória ascendente à medida que a Rússia expande seus testes. No entanto, o representante local da OMS diz que a Rússia ainda está relativamente bem, pois o país acompanha casos com ligações epidemiológicas a viagens ou transmissão familiar. Na manhã de sábado, o Rospotrebnadzor divulgou um número potencialmente mais preocupante do que o número de casos confirmados – 36.540 pessoas estão sendo monitoradas para um possível coronavírus.

Enquanto isso, o governo passou a impor medidas mais amplas, cancelando eventos públicos e fechando as fronteiras da Rússia para estrangeiros, com algumas exceções. Mas a política, como sempre, continua sob Putin: o presidente assinou um decreto agendando um referendo nacional sobre emendas constitucionais que o levaria ao poder até 2036 em 22 de abril. As autoridades prometeram monitorar os desenvolvimentos dos coronavírus, mas até agora não mudaram a data.

O mal em estado puro

Por Carlos Motta

A Medida Provisória editada na noite de domingo pelo governo (?) Bolsonaro, permitindo que as empresas suspendam, por quatro meses, o contrato de trabalho de seus funcionários, sem nenhuma obrigação de pagá-los, é o ápice da interminável lista de maldades que vêm sendo despejadas sobre os brasileiros desde o golpe de 2016.

A medida, anticonstitucional, certamente foi sugerida pelos empresários que levaram os milicianos ao poder, como aquele desprezível ser humano alcunhado “Véio da Havan” – há vários outros do mesmo naipe espalhados pelo Brasil.

Com ela, tais “homens de bens” pretendem ganhar um fôlego em seus negócios, muitos à beira da falência por causa do empobrecimento geral da população e mera incompetência administrativa.

Pessoas sem nenhuma visão estratégica, de inteligência limítrofe, sem traços mínimos de educação e cultura, eles – milicianos no poder incluídos – não se ativeram ao mais básico princípio lógico, o de que sem dinheiro circulando não há consumo.

E sem consumo, como as suas empresas vão sobreviver? Os efeitos da MP genocida serão múltiplos: empobrecimento da população, falência fiscal do Estado, explosão social, aumento do número de mortos pela pandemia do covid-19…

Países do mundo inteiro estão fazendo esforços tremendos para preservar, nestes dias trágicos, a saúde financeira de empresas e empregados e da população mais fragilizada – desempregados, sem-teto, trabalhadores informais…

É o Estado no seu papel de prover o bem-estar dos cidadãos. No nosso país se dá justamente o contrário. O ultraliberalismo, essa praga que destrói o planeta, faz tudo para tornar ainda pior a vida dos brasileiros e ainda mais desgraçada a sorte dos desassistidos e miseráveis.

A edição da MP revela ainda que os milicianos estão absolutamente perdidos nesta crise, sem nenhuma noção do que devem fazer para ao menos dar a impressão de que se dispõem a enfrentá-la.

Mostra também a urgência de se afastar, de qualquer maneira, esse bando de psicopatas criminosos que assumiu o poder graças a uma eleição fraudada e à cumplicidade de parte de vários setores da nação – Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas, polícias, imprensa…

Com eles no poder, o Brasil caminha rapidamente rumo a uma tragédia de proporções inimagináveis.

RECUO APÓS REAÇÃO

Jair Bolsonaro postou em seu Twitter, recuando:

– Determinei a revogacao do art.18 da MP 927 que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até 4 meses sem salário.

Com a mensagem, o presidente anunciou que revogou o trecho da medida provisória que previa, como combate aos efeitos da pandemia do coronavírus na economia, a suspensão dos contratos de trabalho por 4 meses. A medida foi publicada pelo governo federal nesta segunda no “Diário Oficial da União”. O trecho revogado pelo presidente é o artigo 18. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, partidos políticos e entidades já haviam se manifestado contra pontos da MP editada pelo governo e defenderam aperfeiçoamento do texto.

Mangueirão está equipado para receber moradores de rua

Resultado de imagem para Mangueirão fotos

O governador do Pará, Helder Barbalho, visitou na manhã deste domingo (22) as instalações do estádio Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, que já está recebendo pessoas em situação de rua da Região Metropolitana de Belém. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster) e Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), foi uma das medidas anunciadas pelo governador no último sábado (21) para prevenir novos contágios pelo novo coronavírus no Pará. O objetivo é adotar a mesma estratégia, em espaços semelhantes, em municípios-polos do interior, nos próximos dias.

Helder anunciou que a mesma providência já está confirmada nos municípios de Marabá e Santarém. “Nós escolhemos o Mangueirão pela sua amplitude, que permite que tenhamos a utilização dos espaços existentes no estádio, bem como , áreas de circulação, para que não haja concentração em áreas fechadas. Quero agradecer a todos os servidores do Estado e voluntários que estão nos ajudando neste momento. E, não menos importante, agradeço ao povo do Pará, que atendeu ao nosso apelo e já está doando colchões, travesseiros e materiais de higiene”, destacou Helder Barbalho.

Acompanhado pelo titular da Seaster, Inocêncio Gasparin, e da primeira-dama, Daniela Barbalho, o governador percorreu as instalações do Mangueirão e verificou a adequação dos locais que receberão as pessoas em situação de rua, que começaram a chegar ao local ainda neste domingo. No espaço, o governo do Estado montou uma grande estrutura para receber até mil moradores, que terão assistência médica, ambulatorial e odontológica.

Cadastro – “Todos os moradores que chegarem aqui serão cadastrados, mas previamente já temos um cadastro de quantas pessoas estão morando nas ruas em Belém, e vamos usar esses dados para fazer isso. Nós já sabemos onde essas pessoas estão e se alimentam. Importante ressaltar que nós pretendemos alcançar o Estado todo nesta ação, mas vamos começar por Belém. Os secretários regionais de Santarém e Marabá já foram contatados, e vamos ver como desenvolvemos isso da melhor forma possível”, disse pela manhã Inocêncio Gasparin.

Desde as primeiras horas deste domingo, a Seaster começou a receber as doações de moradores de Belém, a maioria roupas, calçados, lençóis e materiais de higiene pessoal. As doações podem ser feitas todos os dias, das 8 as 18 h, no portão B2 do Mangueirão, ou na sede da Seaster.

A rede de lojas Magazine Luiza doou mil colchões e mil travesseiros, enquanto a rede + Barato ofereceu mil cestas básicas, e também vai disponibilizar espaço em duas lojas para receber doações.

Vacinas – Também na tarde deste domingo (22), o governador Helder Barbalho esteve na Central Estadual de Imunobiológicos da Sespa, onde estão as 140 mil doses de vacina que o Estado recebeu do Ministério da Saúde para a 22ª Campanha Nacional de Vacinação contra o Influenza (vírus causador de gripe), que começa nesta segunda-feira (23), inicialmente priorizando idosos acima de 60 anos e profissionais de saúde.

Serão distribuídas 140 mil doses em Unidades Básicas de Saúde e 32 novos postos, instalados em farmácias, supermercados e estacionamentos de shoppings. Os locais já foram divulgados pelo governo do Estado. A vacina é totalmente gratuita e necessária para evitar o agravamento de doenças respiratórias provocadas pelo Influenza. (Da Agência Pará)