Em editorial, Band chama Eduardo de 'irresponsável' e Araújo de 'idiota'

Um editorial da Band, lido hoje por Eduardo Oinegue no principal telejornal da emissora, chamou Eduardo Bolsonaro (sem partido) de “deputado irresponsável” e disse que Ernesto Araújo é um chanceler “idiota” e “idiotizado”. A crítica se refere à crise diplomática vivida com a China desde que o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou — sem provas — o país asiático de ter omitido informações sobre o novo coronavírus.

“A provocação desnecessária de um deputado irresponsável, seguida por um chanceler idiotizado, uma espécie de avesso do Barão de Rio Branco, colocou o Brasil em conflito com seu maior parceiro comercial. Pura inépcia. O chefe da diplomacia, que teria como missão zelar pelos interesses do país, torna-se, assim, um obstáculo. Talvez o maior no caminho de nossas relações com a China”, diz o editorial (que pode ser visto no vídeo abaixo).

Ópera bufa em meio à angústia dos confinados (nós)

Bolsonaro tem coronavírus e está escondendo?

O sujeito fez testes no dia 12 e no dia 17 e contou nas redes que ambos deram negativo.

Não mostrou, no entanto, nenhuma comprovação oficial — ao contrário de Trump, por exemplo, que divulgou documento assinado por seu médico.

A comitiva que foi aos EUA para um jantar com o presidente dos EUA tem, até agora, 22 infectados.

O mais recente é Filipe G. Martins, assessor olavista cosplay de templário.

No total, o DF registra 42 casos. Ou seja, mais da metade dos doentes vem do Planalto.

O número também é mais alto do que o que se verifica em 18 estados do Brasil.

Bolsonaro é tóxico e a falta de transparência não ajuda.

O triunfo do bom senso

POR GERSON NOGUEIRA

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Quase virou uma novelinha, mas no fim das contas prevaleceu a sensatez. O Campeonato Paraense foi suspenso por tempo indeterminado. Com o endosso público dos presidentes de Remo e PSC, a decisão que tinha sido tomada na véspera caiu por terra, fulminada pela necessidade de medidas mais efetivas de prevenção contra o novo coronavírus.

A proposta de continuidade do campeonato com portões fechados foi superada pelo surgimento do primeiro caso de contaminação pela Covid-19, registro feito na tarde de quarta-feira pelas autoridades da Secretaria Estadual de Saúde e pelo governador Helder Barbalho.

O papel desempenhado por Helder foi decisivo no processo. Como de hábito, mesmo com o posicionamento dos presidentes de Remo e PSC em favor da suspensão dos jogos, a Federação Paraense de Futebol custou a formalizar a decisão. O governador foi então às redes sociais informar que o Parazão estava mesmo suspenso.

Ao longo do dia, os demais clubes se manifestaram, nem sempre de maneira coerente. Alguns tentaram até se opor à paralisação, por mais incrível que pareça. Foi o caso da diretoria do Águia de Marabá, que chegou a apresentar a sugestão de cancelamento da competição, juntamente com uma lista de imposições, como se o cenário criado pela pandemia comportasse esse tipo de atitude exclusivista.

O Águia argumentou que não foi consultado sobre o adiamento dos jogos e sugeriu que o Parazão fosse anulado. Não haveria campeão, nem vice e os representantes nas competições nacionais seriam definidos em 2021. Mais ainda: sem rebaixamento. Tudo, no fim das contas, conveniente para o clube marabaense, que faz campanha abaixo do esperado.

Já o Castanhal, terceiro colocado no campeonato, foi mais coerente. Apoiou a paralisação unindo-se à dupla da capital, mostrando sensibilidade em relação ao drama provocado pela Covid-19. Firmou posição, porém, contra qualquer movimento no sentido de cancelar o campeonato.

Aliás, esse ponto é considerado pacífico. O Parazão será retomado quando forem abolidas as restrições a eventos de grande concentração popular. Será normalizado quando não houver mais risco à saúde de torcedores e jogadores. Por enquanto, diante dos últimos acontecimentos, a retomada da competição ainda é incerta.

É importante destacar que, mesmo diante da inevitável crise financeira que irá recair sobre PSC e Remo, as diretorias marcaram um golaço aliando-se ao esforço geral da população em relação à pandemia. A estimativa de prejuízos iniciais é de R$ 800 mil para cada um dos grandes, valor que aumentará caso a suspensão se prolongue.

Todos os setores da economia serão atingidos pelos efeitos colaterais das restrições impostas nestes tempos de coronavírus. O confinamento social, item básico de todos os planos de combate à pandemia, conflita com a natureza de um esporte tão popular quanto o futebol.

As perdas mais significativas talvez não possam ser medidas em dinheiro. O ponto mais traumático é o jejum forçado a que o público será submetido, privando-se de acompanhar o esporte mais popular do país.

Donos do espetáculo ficam sem opinar

No embate entre a posição conservadora dos clubes e a conhecida indecisão da FPF quanto ao futuro do Campeonato Paraense ficou evidenciada a fragilidade de um dos segmentos mais importantes do processo todo. A classe dos atletas profissionais não foi ouvida em nenhum momento, praticamente abstendo-se da forte discussão que permitiu até manifestações da torcida através das redes sociais e nos programas de rádio.

Ontem pela manhã, diante do fato consumado, o Sindicato de Jogadores de Futebol Profissional finalmente marcou presença, ainda que de forma tímida, apenas para aplaudir, referendar e concordar com o acerto já sacramentado entre clubes e federação.

Através do presidente Oberdan Bendelac de Menezes, o Sinjop apresentou sugestões aos clubes no sentido de preservar a integridade dos atletas nos treinamentos da semana, com turnos alternados e exercícios que não incluam a totalidade dos elencos, a fim de diminuir os riscos de contágio.

Propõe, também, a flexibilização de horários e a distribuição dos atletas em turnos diferentes de treinos. Posição tecnicamente elogiável, mas de pouco efeito prático na vida interna de cada clube.

O fato é que o episódio vem confirmar a quase invisível presença do sindicato, incapaz de se fazer presente (e influente) nas tomadas de decisão referentes aos atletas. A pouca representatividade ficou patente desde as primeiras discussões sobre a realidade instaurada pelo coronavírus.

Não que seja culpa exclusiva da entidade que deveria falar em nome dos boleiros. O problema é bem mais amplo, estende-se pelo país. Historicamente, jogadores sempre foram pouco participativos e sem consciência de classe, justamente o oposto dos vizinhos sul-americanos, que até paralisam campeonatos quando têm seus interesses desrespeitados.

Sem força de mobilização, os atletas entregam-se a ações de natureza individualista que só beneficiam os mais famosos. A imensa maioria permanece silente, sem voto e arredia a qualquer iniciativa reivindicatória.  De resto, um mal que aflige praticamente todo o sindicalismo brasileiro.

Tempos de bonança para a poderosa CBF

Em meio ao maior abalo na vida dos clubes brasileiros, com futuro incerto em meio aos solavancos gerados pela Covid-19, a CBF festeja números auspiciosos. Os lucros quase bilionários da entidade mostram a constrangedora realidade do futebol no Brasil.

De um lado, os clubes arcando com o ônus do negócio. Na outra ponta, a entidade que ostenta o fabuloso faturamento decorrente do controle da máquina registradora, capitaneando acordos nababescos com uma infinidade de fortes parceiros.

Quando o sufoco passar, os clubes pelo menos terão a quem estender o pires implorando socorro para sanar os inevitáveis rombos nas contas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 20)

Governo do Pará amplia medidas de prevenção ao coronavírus

Um conjunto de medidas foi anunciado nesta sexta-feira pelo governador Helder Barbalho como prevenção ao avanço do coronavírus:

Bares, restaurantes e similares (casas de show) fechados a partir de zero hora de sábado. Serviço de delivery liberado.
Shopping centers de todo o Estado fechados a partir das 20h de hoje (20).
Exceção para supermercados e farmácias que funcionem dentro dos estabelecimentos.
Todos os supermercados abertos e estabelecimentos que vendam comidas.
Suspensas visitas nas unidades prisionais a partir de sábado (21).
Transporte coletivo interestadual rodoviário e hidroviário suspensos a partir de domingo (22).
Aeroporto: fechamento depende do governo federal. Estado não pode interferir no funcionamento. A Sespa em apoio à Anvisa mantém equipes de orientação em Val-de-Cans.
Suspensos todo e qualquer prazo de licenciamento do Detran por 15 dias. Licenças vencidas não serão punidas.
Agências bancárias abertas. Estado e bancos vão estimular o uso de transações bancárias por aplicativo.
No dia 25 sai a antecipação do salário de março dos servidores. Banpará vai dispor mecanismos para que servidores não precisem ir ao banco.
Transporte coletivo terrestre e aquaviário deve dispor de álcool gel para os usuários.
A partir de zero hora de sábado, todos os equipamentos públicos fechados de lazer não vão mais funcionar, como o Hangar e a Estação das Docas.
Parque do Utinga, por exemplo, por ser área aberta, vai continuar funcionando.
Área externa da Estação das Docas continua aberta (orla). Fica fechada a área interna, com restaurantes, bares e choperia.

O bizarro baile de máscaras (dançou, Bolsonaro)

Por Ruth de Aquino – O Globo

Ele dançou para uma plateia planetária no seu baile de máscaras. A pantomima encenada na entrevista coletiva rodou o mundo e ficará para a História. O chefe da nação expôs de maneira incontestável seu despreparo e sua ignorância, sua falta de liderança e de senhoridade. Com um figurino coletivo que, esse sim, sugere suprema histeria, o desfile dos mascarados revelou que Bolsonaro testou negativo para presidente. A contraprova foi o panelaço da classe média.

A máscara branca que Bolsonaro manuseava, sem saber onde estavam o nariz, as orelhas, a boca e os olhos, diante de câmeras de televisão, é apenas detalhe alegórico de um atabalhoado que parecia imitar o humorista Marcelo Adnet.

Lembrei-me dos exames, no consultório do neurologista, em que fechamos os olhos e levamos o dedo ao nariz, para testar coordenação motora, equilíbrio e saúde mental. Mais uma vez, Bolsonaro mentiu, culpou a imprensa e ensinou tudo errado ao povo brasileiro. Mas o povo não é bobo.

Não sei quem teve a brilhante ideia de tentar passar seriedade e calma ao Brasil com aqueles 10 homens brancos mascarados de terno. Isso é esquete de comédia de terror. Se acreditarmos na OMS e no Ministério da Saúde, só os infectados, os imunocomprometidos, os suspeitos graves e os profissionais de saúde devem usar máscaras para não arriscar contaminação. Bolsonaro mirou sua arminha no próprio pé. E acertou! Virou pato manco.

Nenhum outro presidente de nenhuma outra nação teve ideia tão surreal. O baile sentado de máscaras foi a tradução do coronavírus dos trópicos com um incompetente no poder. Acabou o carnaval, Bolsonaro. Não tem mais futebol, samba nem selfie com seguidores. Metrôs lotados são um crime contra a população e não um lugar para fazer média política. Quem quer proteger a família brasileira não endossa manifestações ao ar livre. Bolsonaro não está nem aí para a ciência e a verdade. Nunca esteve. Anunciou dois dias de “festinha” de seu aniversário e da mulher.

Deveria ter palavras para as famílias dos que já morreram. Solidariedade, empatia e compaixão. Deveria se mostrar apreensivo com a falta de água nas populações carentes, que não têm condições de se proteger adequadamente e lavar as mãos. Muitos estão há 15 dias sem uma gota d’água. Essa é nossa maior tragédia no combate à pandemia. E o presidente afirma que o Brasil está “ganhando de goleada” do coronavírus? Quando poderemos pedir responsabilidade aos milhões de pobres sem nos sentirmos hipócritas?

Um mascarado improvável surgiu na coletiva. O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Até então nos encantava por sua articulação, clareza, competência, firmeza e cooperação com os outros poderes. Mas se rendeu ao puxa-saquismo explícito a Bolsonaro. Mandetta foi claramente enquadrado pelo presidente, enciumado de seu poder de liderança e mobilização. Afaste de si essa máscara, ministro. Não caia na esparrela política. Assuma seu protagonismo técnico. Ignore as intrigas palacianas. Continue a defender “a galhardia” da China, combata o preconceito e a xenofobia. O oposto da família Bolsonaro.

O panelaço ensurdecedor me emocionou. Que prova de vitalidade e autodeterminação! Na Itália, as óperas nas varandas expressam solidariedade. Música e canto aliviam o isolamento em um país com uma escalada trágica de mortos por coronavírus. No Brasil, as janelas exibem panelas e gritos vindos da alma, contra o presidente. Dançou, Bolsonaro!