Um imbecil

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Por Fernando Brito

Jair Bolsonaro perdeu o último dos limites: o do respeito à vida de seus próprios simpatizantes.

Leia o relato da Folha, agora há pouco, sobre seu comportamento, apesar e lhe ter sido determinado, pelo médicos, o isolamento até que se afastem ou confirmem as suspeitas de que ele possa ter contraído coronavírus na expedição-moléstia à Flórida, na qual já se confirmaram seis pessoas como portadoras do novo coronavírus:

Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada por volta do meio-dia e seguiu para a Esplanada dos Ministérios, onde um grupo de apoiadores realiza o ato. O presidente não desceu do comboio presidencial e, de carro, passou a ser seguido por veículos com simpatizantes.
O comboio percorreu diferentes pontos de Brasília até entrar no Palácio do Planalto, de onde, do alto da rampa e sob os gritos de ‘mito’, o presidente acenou aos manifestantes por volta das 13h.
O presidente desceu a rampa em seguida e passou a esticar o braço para tocar nos manifestantes, separados por uma grade. Havia cerca de cem simpatizantes diante do Planalto. O presidente também manuseou o celular de alguns manifestantes para fazer selfies. “Isso não tem preço”, disse, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

Não, não tem preço expor a saúde alheia a risco. É inominável.

Jair Bolsonaro não tem de ser impichado, tem de ser interditado psiquiatricamente.

Queria saudar sua matilha? Mandasse para lá o palhaço que usou com os jornalistas, dava no mesmo.

Aquele nem de rir mata.

O ‘covard-38’ é o vírus político mais letal

Por Gustavo Conde

Tem muita gente comemorando o caos global gerado pelo coronavírus. A tendência é que tenhamos um salto gigantesco na audiência da internet, cada vez mais a única via de interação e de informação – boa, ruim ou péssima – a que temos acesso.

Eu lido diretamente com esse bicho. As ações do aplicativo Zoom, que usamos para fazer vídeo-conferência, dispararam.

Sites, blogs, canais de Youtube, terão uma explosão de novos usuários nas próximas semanas – e muitos executivos da cena digital se reposicionam e investem para consolidar suas marcas.

É a corrida digital do coronavírus – com as cifras de oportunismo e desumanidade embutidas. O mundo nunca mais será o mesmo (nem nesse nem em tantos outros aspectos).

Esqueçam em definitivo jornais e revistas de papel. Eles morreram para sempre. Teremos, ademais, de dar um novo significado à experiência social. Valorizar mais a presença do outro. A jornada será longa, meus queridos.

Na quarentena global, seremos obrigados a refletir sobre nós mesmos – e o topo da pirâmide financeira tem verdadeiro pânico em ver sua força escrava de trabalho “pensando”.

Os filmes apocalípticos parecerão brincadeira de criança perto da complexidade real que é uma pandemia biológica associada ao pânico dos mercados. Não porque eles não são suficientemente aterrorizantes, mas justamente porque o terror social que se torna real ganha um ar de normalidade insuportável.

É quase paradoxal, mas o grande horror que nos espreita é a normalização e a institucionalização de um problema criado por nós mesmos: as relações desumanas de trabalho, as aglomerações desestruturadas urbanas, a ganância, o desprezo atávico pela saúde pública, pelo transporte coletivo, pela educação.

Não é a classe média no espelho, mas é a humanidade no espelho.

Nós, no Brasil, temos um ingrediente adicional, o mais letal deles todos. Temos um presidente que se alimenta da propagação de mentiras e da própria possível doença: ele violou a quarentena e saiu às ruas – sem sair do carro – nas manifestações fascistas deste infame dia 15.

Como é da cultura de todos nos brasileiros, deixaremos para a última hora o combate mais importante nessa crise de coronavírus: a retirada do poder do vírus humano que atende pelo nome fantasia de Bolsonaro [o Covard-38].

E não custa comentar: a essa altura do campeonato, tem gente preocupada em não gerar pânico. Em geral, quem pede para não gerar pânico, ‘está’ em pânico. A linguagem é ingrata: ela acaba sempre por revelar o sujeito que habita as profundezas do ‘eu’, basta ter um pouco de atenção.

Em tempo: nós não precisamos nos preocupar com o ‘pânico’, que já existe a despeito do nosso desejo. Nós precisamos enfrentar o desafio inédito de seguir protocolos de segurança que nos garantirão a vida e a coletividade, com pânico, com STF, com tudo.

Como o Brasil tem a elite mais egoísta e sanguinária do planeta, o desafio se estende a também sermos obrigados a lidar com ela.

Eles é que estão em pânico (pânico é um sentimento pequeno-burguês: rico tem pânico, pobre luta – nasce lutando).

Era uma hora boa para resolver essa pendência histórica no Brasil: a hora em que todas as classes estão no mesmo barco da incerteza (quem sabe uma revolução comunista armada?).

Fato é que o Brasil experimenta o coquetel ideal do genocídio assistido, processo de controle social desejado por essas elites milicianas e empresariais que debutam no poder. E nós ainda insistimos em assistir a isso como um show passageiro de horrores.

Trata-se não de erro primário ou estratégico, mas de um gesto suicida.

A epidemia de covardia no Brasil ainda é muito grande. Contra ela, nós não podemos criar anticorpos ou vacina: nós temos de permanecer alérgicos.

O recomendado pelo “infectologia política” é não permitir a aproximação da covardia. Dilma Rousseff nos ensinou isso de maneira quase rudimentar, por duas vezes seguidas na história: uma quando não entregou companheiros sob tortura física, outra quando não aceitou conciliação sob tortura política, judicial e midiática (uma tortura tão hedionda quanto o pau-de-arara).

Dizem os ditados surrados que perambulam como zumbis por aí, ao longo da história: é das crises que nascem os líderes. Talvez, tenha chegado mais essa hora para o nosso destino – que carece de líderes porque chafurda no superávit de covardia.

É bom liderarmos todo esse processo devastador de morte ‘biopolítica’. É liderar primeiro a própria “casa”, a autoestima. Depois, multiplicar esse processo entre os seus.

Esse foi o aprendizado deixado por Lula, por ora e ainda, o único líder ainda em atividade neste país.

CBF suspende competições nacionais por tempo indeterminado

(Foto: Divulgação/CBF)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu suspender, a partir desta segunda-feira, dia 16/3, por prazo indeterminado, as competições nacionais sob sua coordenação que estão em andamento: Copa do Brasil, Campeonatos Brasileiros Femininos A1 e A2, Campeonato Brasileiro Sub-17 e Copa do Brasil Sub-20. “Sabemos e assumimos a responsabilidade do futebol na luta contra a expansão da COVID-19 no Brasil”, afirma o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Em relação aos campeonatos estaduais, as Federações Estaduais de futebol, entidades organizadoras, terão deliberações específicas para cada competição, sendo respeitada a sua autonomia local.

Segundo a comunicação da entidade, a CBF seguirá em permanente contato com o Ministério da Saúde, “unindo esforços para que o país e o esporte superem o grande desafio em relação à pandemia, torcendo para que, o quanto antes, possamos voltar à normalidade”.

Bolsonaro desrespeita isolamento e participa de ato golpista em Brasília

Depois de ter feito pronunciamento em rede nacional de televisão para desestimular os atos deste domingo (15) em função da propagação do novo coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o Palácio da Alvorada de carro na tarde deste domingo e seguiu para a Esplanada dos Ministérios.

O presidente não tinha agenda oficial para este domingo e estava em isolamento no Alvorada depois de ter recebido, na sexta-feira (13), resultado negativo para Covid-19. Segundo a assessoria da Presidência, agenda de hoje do presidente é “pessoal”.

“Manifestação não é minha; é espontânea do povo”, disse Bolsonaro em transmissão ao vivo de dentro do Palácio do Planalto. Separado por duas grades, Bolsonaro cumprimentou manifestantes que se aglomeraram em frente à Praça dos Três Poderes, segura camisas e bandeiras e tira fotos e faz selfies com celulares de apoiadores. Ao seu lado, o presidente da Anvisa.

Mais cedo, o presidente voltou a endossar as manifestações em suas redes sociais ao divulgar uma série de vídeos dos atos que ocorrem em cidades como Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Ribeirão Preto (SP) e Volta Redonda (RJ).

Nos vídeos, alguns manifestantes de verde e amarelo aparecem usando máscaras. Em algumas capitais, como Rio de Janeiro e Brasília, os governadores proibiram aglomerações com mais de 100 pessoas como medidas preventivas contra a propagação do novo coronavírus. Em todo o país, foram cancelados festivais de música, de cinema e de teatro e outros grandes eventos.

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Deputados federais apoiadores do presidente comparecem aos atos em várias cidades. O deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) esteve em Ribeirão Preto, Eder Mauro (PSD-PA), em Belém e Bia Kicis (PSL-DF), em Brasília.

Na semana passada, em Boa Vista (RR), o presidente incentivou a população a participar dos atos, chamados por ele de “um movimento de rua espontâneo”. Depois, frente ao avanço do coronavírus no Brasil, Bolsonaro recuou e sugeriu a apoiadores que remarcassem os atos para outra data. “Já foi dado um tremendo recado para o Parlamento”, ponderou o presidente.

A frase do dia

“À maneira de Bolsonaro, o padre Marcelo Rossi deu uma banana à ciência. Tocou a programação ‘normal’ com a multidão de sempre na missa matinal transmitida pela Globo. Ele é quadro da ala integralista da igreja católica que se opõe ao papa Francisco”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Sob a marca da incompetência

POR GERSON NOGUEIRA

Não se sabe ainda como (e se) os jogos da 8ª rodada do Parazão irão acontecer neste fim de semana. Na sexta-feira à noite, o prefeito tucano decidiu disparar via redes sociais a informação sobre um decreto proibindo em Belém eventos de grande porte e grande presença popular. A questão é que tal medida só deve vigorar a partir de segunda-feira, mas o circo foi armado – talvez fosse essa a intenção.

Em função disso, a FPF ficou de fazer uma reunião de emergência com os clubes e órgãos de segurança na manhã de sábado, embora os jogos devam ser confirmados. 

Na coluna de sexta-feira, o tema foi abordado, alertando justamente para o risco de medidas de afogadilho, sem planejamento ou discussão. Antes do que se imaginava, o problema chega exatamente como o previsto, criando dúvidas no torcedor, prejudicando os clubes e gerando incertezas sobre o futuro do Parazão.  

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O principal jogo da programação de domingo é PSC e Castanhal. O líder contra o 3º colocado na classificação. Hélio dos Anjos contra Artur Oliveira. A primeira partida entre as duas equipes registrou vitória histórica do Castanhal, por 3 a 2, no Mangueirão, com virada nos minutos finais.

Nos velhos tempos, o jogo seria anunciado como o da forra. É pouco provável que os jogadores vejam dessa forma, mas a torcida espera do Papão uma atitude diferente em relação à fase inicial. O time funciona bem no aspecto ofensivo (tem a segunda melhor artilharia), mesmo sem contar com um meio-campo criativo.  

Há expectativa quanto à utilização de Luiz Felipe como titular. Entrou no final do Re-Pa e mostrou desembaraço. Pode entrar numa função mais adianta, substituindo a Uilliam, de baixo rendimento. Outra opção é Alex Maranhão, que ainda não conseguiu se firmar entre os titulares. Nas demais funções, o time não deve ter mudanças.

O ataque, que se resume a Nicolas e Vinícius Leite, costuma funcionar muito bem, ainda mais dentro da Curuzu com o apoio da Fiel. O Paragominas, goleado impiedosamente (5 a 0), que o diga.

É claro que o Castanhal joga diferente do PFC. Não tem uma defesa tão sólida, mas compensa com um ataque insinuante que marca gols em todas as rodadas. Pecel, artilheiro do campeonato, vive grande fase e tem companheiros de bom nível, como João Leonardo, Keoma e Dioguinho.

Neymar responde em campo e PSG avança

Tretas fazem parte da história do futebol desde tempos ancestrais. Hoje, porém, em tempos de redes sociais e informações disparadas a cada segundos, os efeitos são mais devastadores. O Borussia Dortmund que o diga. Bastou uma postagem do artilheiro Erling Haaland, ao desembarcar em Paris para o confronto contra o PSG pela Liga dos Campeões, pegando no pé dos rivais parisienses para que a guerra fosse declarada.

Haaland, sensação na Europa pelos muitos gols marcados, mandou um recado direto para o PSG: “Minha cidade, não a de vocês”, escreveu, ao lado de uma foto-carranca de meter medo. A ideia era mostrar destemor. O recado foi recebido como desrespeito.

Entalados com a audácia do jovem norueguês, Neymar e seus companheiros reagiram em campo. Quando fez o primeiro gol, correu para as câmeras, sentou no gramado e imitou a comemoração em pose de meditação que o jogador do Borussia costuma fazer.

Tudo nasceu da disseminação da postagem de Haaland nos grupos de WhatsApp do elenco do PSG. Depois do jogo, no vestiário em festa, o time francês continuou a responder à provocação e Kylian Mbappé ficou transmitindo tudo através das redes sociais.

Nunca antes, desde a chegada de Neymar, o PSG havia demonstrado tanta união em torno de uma causa. Parte da imprensa francesa viu no episódio a alavanca para que o time avance rumo à melhor colocação de sua história na liga mais importante do mundo.  

Neymar ganhou muito com o incidente. Além de jogar como nunca e fazer um gol importante, acertou ao decidir responder em campo, sem cair na tentação de discutir ou brigar. A melhor resposta é sempre na bola.

Tudo parece meio bobo e infantil – e é – mas, afinal de contas, o que seria do futebol sem o apelo primitivo das brincadeiras de criança?

Bola na Torre

O programa começa excepcionalmente às 21h30, em função da suspensão dos jogos da NBA. Guilherme Guerreiro apresenta, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, gols e melhores momentos da 8ª rodada do Parazão.

Espaço Família amplia funcionalidades do Baenão

O Remo lançou uma inovação interessante, ontem, no jogo contra o Independente, o Espaço Família do Baenão, destinado a crianças que precisem de cuidados durante os passeios com pais e responsáveis. Haverá fraldário e banheiro, tudo ainda em caráter experimental, com o espaço no setor Almirante. Poucos estádios no país têm essas dependências destinadas a bebês e crianças de até 10 anos.

A área não fica dentro de um banheiro feminino, pois a diretoria de Patrimônio entendeu que homens e mulheres possuem responsabilidade com seus filhos. Por essa razão, o espaço é unissex, com banheiro exclusivo para crianças acompanhadas dos pais, trocador, berço e cadeira de alimentação. A humanização dos estádios é uma grande conquista do público torcedor.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

Filmes incríveis, filmes horríveis

Por André Forastieri

Quando Bertrand Russell fez 90 anos, a entrevistadora perguntou pra ele: o senhor teve uma vida tão variada, tão plena, viu quase um século se passar, tantas mudanças, do que o senhor sente mais falta? “De contemporâneos”, respondeu. Entendo perfeitamente. A sua turma é a sua turma. A sua geração é a sua geração. São duas coisas diferentes. Alguns dos meus melhores amigos têm dez, quinze anos a mais ou a menos que eu.Mas eles não imaginam o que eu vi.

Entre 1983 e, sei lá, 1990 e alguma coisa, eu assisti pelo menos dez filmes por semana. Menu variado. As locadoras de então viviam repletas de filmes gringos, VHS (eu tinha) e Betamax, e algumas cheias de pirataria. 

A Video Factory, na avenida Rebouças, era meu caminho para a faculdade, e tinha o diabo, da era de ouro de Hollywood a programas de TV gravados por algum primo do dono nos Estados Unidos, com comerciais e tudo. E especiais de videoclipes! 

Os anos 80 foram a época da explosão do vídeo, e muitas produtoras começaram a fazer filmes diretamente para vídeo, coisas que um cinema respeitável jamais exibiria, e a esta altura os drive-ins e cinemas podres, estilo grindhouse, já tinham ido para o saco nos EUA. 

Então a gente via tudo que não tinha podido ver antes, inclusive um monte de super clássicos do cinema. E muita podreira da boa. Muito terror radical.

Quem não viu Re-Animator, não viu uma cabeça sem corpo fazendo cunilingus numa mocinha acorrentada em uma mesa, e atenção, é uma comédia. Foi quando a pornografia chegou ao aconchego do seu lar. Pornô direct to video, cores berrantes, edição maluca, mulheres lindas.

Ginger Lynn – linda, sapeca, e topava tudo. Entre 1985 e 1988 ou um pouco mais, toda segunda-feira tinha sessão dupla tripla na minha casa. É, tripla. Presenças obrigatórias, minha namorada e meu compadre Ronnie. Ana e Beto, dois amigos queridos, apareciam sempre.

Outros convidados eram bem-vindos, claro. Eu não trabalhava e meio que não estudava também. Então a gente começava cedo a tomar cerveja – empilhando todas as latinhas que já emborquei dá pra fazer uma Torre Eiffel. Quando minha namorada chegava, pizza do Babbo Giovanni, e um filme que parecia bom. 

Lá pra meia noite, minha namorada tinha que se picar para a casa dos pais, que era início de semana e a moça trabalhava pesado. 

Outros dias da semana, às vezes a gente ia jogar sinuca e comer misto quente lá na Rui Barbosa, em um bilhar 24 horas. Sábado sessão dupla de cinema na Paulista, Astor + Bristol / Liberty / Cinearte. Puxa, faz tempo.Mas voltemos à nossa segunda-feira: depois da meia noite começavam as sessões lo que quieras.

O segundo filme, mezzo, entrava lá pela uma, e o terceiro, trasheira, geralmente só o Ronnie e eu, lá pelas três. De vez em quando já saíamos direto para a padaria do quarteirão, pegar o primeiro pãozinho do dia, na chapa, para rebater os dez mil cigarros tragados na madruga. Ê saúde… 

Vimos filmes incríveis, vimos filmes horríveis. E, claro, vimos no fim da noite muitos filmes de macho. Milhões de versões geralmente pioradas de Rambo e Cobra e Predador e Duro de Matar e Mad Max. Comando para Matar, acho que até hoje sei de cor as falas. Se não tivesse nada melhor para assistir, rolava Comando Para Matar.

“I lied”, grune o Schwarza, e lá se vai o bandidão de Warriors morro abaixo. Hoje tem aí The Rock e Jason Statham nos cinemas, legítimos herdeiros da truculência despreocupada dos 80.

Hoje a vida é outra e, aviso os jovenitos, bem melhor. E de vez em quando, dá um banzo de outras épocas e outros Andrés.

Mas antes disso

Antes dos 80 teve os 70. Teve a Sessão da Tarde. E o leitor atento Glauber Gorski me escreveu, comentando meu texto de outro dia sobre os Monkees, e lembrando de outros clássicos vespertinos da nossa geração. Respondi: se você fizer uma lista dos filmes desta época, publico na newsletter. Ele fez, fez melhor do que eu faria, a lista derreteu meu coração, e está aí abaixo.

O texto do Glauber

“Eu sempre tive em minha mente e coração cinematográficos referências vivas, tanto de obras inteiras como de cenas isoladas. Tudo isso sempre enxerguei como insumos e substratos para o que, um dia, poderia ser material de referência, mesmo que mental, caso não tivesse a oportunidade de estudar mais formalmente a linguagem cinematográfica. As oportunidades vieram (sou formado em Comunicação Social/Publicidade, com pós-graduação em Cinema) e o trabalho aconteceu e é vivo em minha carreira, como roteirista e diretor de cena, tanto em publicidade, que é o que paga minhas contas, como em ficção em curtas metragens, conteúdo em tv e web, e teledramaturgia, em emissoras locais da capital paranaense. E magicamente tenho a oportunidade, mesmo que sazonalmente, de poder compartilhar estes meus aprendizados, em sala de aula – e em breve na web, de forma aberta.

Bem, essa coisa de carregar referências, vem desde minha infância, quando assistia Os 3 Patetas, Carga Pesada, O Bem-Amado, O Gordo e o Magro e Vila Sésamo, minhas lembranças televisivas mais antigas que minha mente consegue se recordar.
Depois vieram os filmes, longas metragens, com suas exibições em Supercine, Sessão da Tarde, Sessão Karatê, Sessão Especial, Sessão Disney, Sessão Bang Bang, Sessão de Gala, entre outras – além das semanas temáticas, durante as férias escolares, que exibiam filmes de Jerry Lewis, Trapalhões, Abbot e Costello.
Minha memória afetiva tem muito a agradecer aos programadores das tvs, anônimos, que sequer imaginariam da importância daquilo que iria ao ar, mesmo que sendo “enlatados da tv” – vale sempre aquela reflexão recorrente sobre a força da mídia.
Enfim, uma vida de uma média infância de classe média, onde dividia meu tempo com escola, gibis, bicicleta, enciclopédias, pega-pega Trol, rádio AM, jogos de tabuleiro e muito LP – felizmente com uma diversificação muito grande e rica na vitrola… A lista, que compreende filmes que assisti provavelmente de 1974 até 1984, exclusivamente na tv, na era pré-VHS, pré-rato-de-cinema, cobrindo a infância/adolescência, onde consegui descobrir o nome de alguns filmes ao longo dos anos, já na vida adulta, que quase chamo de “a lista dos filmes que-acho-que-só-eu-vi-na-tv”, mas alguns foram ressuscitados em dvd, alguns em youtube, ripados de vhs gravadas na televisão, e poucos em torrent:

O Leão, a Bruxa e o Guarda-Roupa (The Lyon, The Witch and the Wardrobe – 1979)
O Magnífico (Le Magnifique – 1973)
Os Monkees estão Soltos (Head – 1968)
O Demônio dos Seis Séculos (Gargoyles – 1972)
O Incrível Mr. Limpet (The Incredible Mr. Limpet – 1964); O Menino que Falava com Fantasmas (Child of Glass – 1978)
As Sete Maldições de Lodac (The Magic Sword – 1962) O Horror de Frankenstein (The Horror of Frankenstein – 1970) A Noite em que o Sol Brilhou (Watermelon Man – 1970) A Lenda do Revólver Dourado (The Legend of the Golden Gun – 1979) O Vingador Anônimo (Street Law – 1974)
Armadilha Para Turistas (Tourist Trap – 1979)
As Trapaças do Tio Falcão (Flight of the Doves – 1971) Mothra, a Deusa Selvagem (Mothra – 1961) Os 5.000 Dedos do Dr. T. (The 5.000 Fingers of Dr. T – 1953)
Regresso ao Mundo Maravilhoso de Oz (Journey Back to Oz – 1972)
Operação Dragão Gordo (Enter the Fat Dragon – 1978)
No Coração da Terra (At The Earth’s Core – 1976) Sinbad e a Princesa (The Seventh Voyage of Sinbad – 1958)
A Volta ao Mundo Pré-Histórico (Dinosaurus – 1960)
Os Primeiros Homens na Lua (First Men in the Moon – 1961)
O Incrível Homem que Derreteu (The Incredible Melting Man – 1977)
E também curtas de animação, que devo ter assistido na TV Globinho:Castelos de Areia (um curta de animação stop-motion, da National Film Board of Canada – The Sand Castle – 1977) Gerald McBoing-Boing (curta de animação da UPA, de 1950)
Vizinhos (Neigbours , também da National Film Board of Canada – 1952)

Alguns filmes ainda fazem eco forte em meus estudos sobre narrativa audiovisual, mesmo sendo mais conhecidos do grande público, e acabei por nunca colocar nesta lista – mas são contemporâneos em influência e entram numa lista mais “premium”: A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971), Meu Nome é Ninguém (1973), As 7 Faces do Dr. Lao (1964), A Sentinela dos Malditos (1977), O Monstro da Lagoa Negra (1954), O Destino do Poseidon (1972), A Dança dos Vampiros (1967), Viagem Fantástica (1966), Westworld (1973) e O Pequeno Polegar (1958).”