Depois de vistoria no Mangueirão, Re-Pa é confirmado para 17h

Depois de vistoria no estádio Mangueirão, que desfez as suspeitas de um problema na estrutura das arquibancadas do Lado B, uma reunião foi realizada entre autoridades da área de segurança, dirigentes da FPF e do clubes e decidiu pela realização do clássico Re-Pa, às 17h deste domingo.

O perfil oficial do Clube do Remo no Twitter havia anunciado, às 14h, a realização do jogo. A mensagem foi confirmada – por telefone – pelo presidente do clube, Fábio Bentes. Ceca de 15 mil ingressos foram vendidos antecipadamente.

Mangueirão passa por vistoria de emergência e Re-Pa pode ser adiado

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Comissão de segurança da FPF e do estádio fazem neste momento vistoria nas arquibancadas e áreas internas do Mangueirão. Um estrondo ouvido no final da manhã pode ter sido causado por um deslocamento de placas de concreto no andar superior. O acesso dos torcedores para o clássico Re-Pa por enquanto está suspenso. Há risco de adiamento do jogo.

Segundo as primeiras informações sobre a vistoria, o problema com as placas seria do lado B do Mangueirão, destinado à torcida do Paysandu.

Embaixador do ‘turismo’, Ronaldinho vai passar aniversário na cadeia

Por Cosme Rímoli

Nada de festas varando a madrugada, em Porto Alegre, Paris ou Barcelona. Nem nos piores pesadelos, Ronaldinho Gaúcho imaginaria onde comemoraria os seus 40 anos. Na cadeia.

É o que a justiça paraguaia acaba de determinar. O homem escolhido por duas vezes, como o melhor jogador do mundo, em 2004 e 2005, terá de pagar caro por haver entrado no Paraguai com passaporte falso.

A juíza Clara Ruiz Díaz ouviu por seis horas as suas desculpas, as do irmão Assis e as explicações dos caros advogados que o defendem. Mas não se convenceu. Pelo contrário, até.

Destacou dois departamentos do Ministério Público para investigar os passaportes falsos dos irmãos. O primeiro tem a missão de descobrir como os documentos chegaram às mãos dos dois antes de chegarem ao Paraguai. 

Há a desconfiança que não foi apenas o empresário Wilmondes Sousa Lira. E qual o motivo que fez o ex-jogador e Assis não usarem seus RGs, que seriam aceitos, no desembarque no país. Ruiz  Díaz foi além.

Destacou que investigadores, especializados em lavagem de dinheiro, dissequem todas as relações de Ronaldinho Gaúcho e os empresários que o levaram para o Paraguai. Há pessoas envolvidas com cassino.

Empresária que levou Ronaldinho ao Paraguai. Presa. Suspeita de lavagem de dinheiro

A juíza acredita que uma peça chave para entender o que está acontecendo é a empresária Dália Lopez (na foto acima com Ronaldinho), responsável direta pela ida do ex-atleta ao Paraguai.

Dália estava no alvo da Receita Federal (Ministério de Tributação). A desconfiança é que ela tenha desviado, no mínimo, 10 milhões de dólares, cerca de R$ 40 milhões. E que a visita de Ronaldinho, paga, seria uma maneira efetiva de burlar o fisco.

A empresária está presa. E ficará assim enquanto durarem as investigações.

Ronaldinho e Assis foram algemados ao Palácio de Justiça de Assunção. E saíram de lá, da mesma maneira. Os dois ficarão presos em uma delegacia especializada em crime organizado, a Agrupación Especializada da Polícia Nacional.

A detenção da dupla pode durar até seis meses. A defesa dos dois tentou, sem sucesso, transformar a detenção em prisão domiciliar. O ex-jogador alugaria uma casa em Assunção. A juíza recusou.

E reforçou que os dois precisam estar em uma cela para evitarem fugas. Os dois têm recursos suficientes para virem ao Brasil. Por isso a negativa.

Como ‘embaixador’ do Turismo do governo Bolsonaro, há a expectativa se a embaixada do Brasil se posicionará em relação ao ex-jogador. A sentença já começou quando os dois deixaram o Palácio da Justiça, no final da tarde de hoje.

Ronaldinho Gaúcho completará 40 anos no dia 21 de março. Restam apenas três semanas. As chances de sair do cárcere, até essa data, são remotas.

A pressão para que o trabalho policial seja bem feito é imensa no país vizinho. A começar pelo presidente do Paraguaii, Mario Abdo Benítez. Ele assumiu com a bandeira anticorrupção. E contra a lavagem de dinheiro.

A situação de Ronaldinho se complicou de vez…

Luta das mulheres é pela verdadeira democracia

Por Maria Lúcia Fattorelli

Não foi por um ato de bondade que um dia decidiram que nós mulheres também poderíamos votar e ser votadas, ocupar cargos públicos e exercer a nossa cidadania. Tudo foi conquistado às custas de muita luta de nossas antepassadas, escravizadas e desrespeitadas em sua inteligência, capacidades e liberdade. Rendemos a nossa imensa gratidão a todas que nos antecederam.

Ainda falta muito para conquistar: ainda existe muita discriminação e violência contra as mulheres. Seguimos marchando, tecendo a história com cada ponto que cada uma contribui em seu espaço de atuação.

Temos avançado. É preciso reconhecer isso para seguirmos cada dia mais animadas, especialmente nos dias atuais, marcados pela financeirização selvagem que se alimenta do Sistema da Dívida, sangra os orçamentos públicos e impede o atendimento aos direitos sociais básicos da população.

Precisamos seguir lutando pelos direitos das mulheres, mas também pela mudança desse modelo econômico que idolatra o dinheiro, abandona seres humanos e desrespeita o ambiente, comprometendo a vida no planeta.

A luta das mulheres de hoje é uma luta pela verdadeira democracia, que só existirá de fato quando houver igualdade de oportunidades, respeito aos direitos e garantia de vida digna em abundância para todas as pessoas.

Muita força e coragem para todas nós!

Por mais diversão e arte

POR GERSON NOGUEIRA 

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Com dificuldades óbvias para lidar com o fenômeno que é o Flamengo atual, sucesso de público e crítica, Tite fez na sexta-feira a convocação para os jogos das eliminatórias sul-americanas. Tentou apelar para aquele discurso patrioteiro de que este é o pontapé inicial para a Copa de 2022, para atiçar um nacionalismo que já aflora como antes – por culpa, dentre outros, do próprio técnico.

Não há comoção em relação às convocações porque todo mundo sabe que restam quase três anos para o Mundial e que muita coisa vai acontecer até lá. É possível até que ocorra a substituição do técnico, dependendo do que ocorrer nas eliminatórias e na Copa América. Ninguém liga mais para a lista de convocados porque fica claro que algo além da qualidade técnica influencia na chamada deste ou daquele jogador.  

Mas o ponto mais curioso do ritual de convocação foi uma historinha que Tite resolveu revelar, a título de justificar as dificuldades que a Seleção enfrentou durante o torneio continental de 2019.

Sem que ninguém perguntasse, citou conversa com a imprensa espanhola sobre a façanha de ganhar a Copa América mesmo sem ter o seu principal jogador – Neymar estava lesionado. Observou, para reforçar, que a Argentina trouxe Messi e o Uruguai tinha Suarez e Cavani.

A ideia era valorizar a conquista de um torneio tecnicamente fraco, que o Brasil ganhou às duras penas, beneficiado por erros de arbitragem no jogo contra a Argentina. Que alguém elogiasse aquela campanha fuleira, tudo bem. Fica feio, porém, ver o técnico praticando a auto-louvação, como que pirangando reconhecimento.

Foi como aquele amigo chato que vive enchendo a bola dos próprios feitos, principalmente quando nota que alguém está chamando mais atenção. O “alguém”, no caso específico de Tite, é Jorge Jesus. Campeão de quase tudo pelo Flamengo e formulador de um modelo de jogo que agrada a gregos e baianos, JJ é o preferido da torcida para assumir a Seleção.

Seria uma novidade e tanto, que quebraria o secular preconceito nacional contra técnicos estrangeiros. A CBF dificilmente abraçaria a causa, mas é inegável que o clamor popular existe. Com o Fla de Jesus, o povo percebeu que aquela velha e modorrenta maneira de jogar para trás pode, sim, ser substituída por esquemas mais ofensivos e desassombrados.   

Vencer é importante, mas a massa agora quer diversão e arte. Sacou, de certa forma, que era ludibriada pelos retranqueiros que dominam o futebol no país. É improvável que Adenor não tenha captado essas mensagens.

Antes de JJ era possível manter a mesmice tática como estratégia na Seleção, sem riscos de substituição imediata, afinal as alternativas eram sempre iguais ou piores – Luxemburgo, Felipão, Carille, Renato, Tiago Nunes etc.

Por essa razão, o tema não declarado da convocatória foi um só: o Flamengo de JJ. Esperava-se que Tite abdicasse do orgulho e chamasse rubro-negros. Ele convocou três – Bruno Henrique, Gabriel Barbosa e Everton Ribeiro. Sinal de respeito pelo trabalho exitoso do português?

Há controvérsias. O trio pode ter sido convocado para não jogar. O histórico aponta para o aproveitamento maciço dos “europeus”. Os rubro-negros só entrarão no time principal se a galera engrossar o coro.

A barração pode vir por duas razões: se atuarem bem, os méritos serão também de JJ, que apostou primeiro neles; se fracassarem, haverá sempre alguém a lembrar que no Flamengo o técnico faz com que eles rendam.

Tite optou por ficar cima do muro ao chamar o trio de jogadores de Jesus. Cedeu à pressão, mas também não deu asa para que o clube rubro-negro vire a base do selecionado – como Santos e Botafogo no passado.

O problema, que Tite finge não levar em conta, é que se a Seleção não deslanchar nas fracas eliminatórias a grita geral será não por atletas do Flamengo no time, mas pela presença do Mister na direção. Os ventos da mudança já estão soprando e é fácil identificá-los.

Aliás, JJ fez questão de registrar que sabe dos obstáculos para vir a ser treinador do Brasil. A declaração revela o alcance de suas ambições.    

No mundo da catimba, o clássico já começou

Mimica e Wesley

Pela primeira vez desde que voltou ao Pará, Hélio dos Anjos tem como oponente um técnico tão ardiloso quanto ele. Não tão cascudo, pois Hélio tem mais estrada, mas igualmente afeito a truques e catimbas. São característica que se aplicam aos chamados técnicos raiz, que adotam o estilo linha-dura no comando das equipes e acostumados a lançar mão de todos os truques (lícitos) disponíveis no tabuleiro do futebol.

Por isso mesmo, adoram lançar cortinas de fumaça, trocar jogadores na escalação sempre distribuída à última hora. No primeiro Re-Pa do ano, Hélio deitou e rolou em cima do inexperiente Rafael Jaques.

Mudou a composição da defesa, lançando o zagueiro Perema na lateral direita, e o segredo foi tão bem guardado que o técnico remista só se deu conta disso no final do primeiro tempo.

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O treinador do Papão também se deu bem em cima de Márcio Fernandes, que via o Re-Pa como um jogo qualquer. Hélio sabe que não é. A diferença é que agora enfrenta alguém que também sabe da importância do clássico.

Pela atmosfera reinante, o clássico começou muito antes das 16h deste domingo. Com o clima de suspense no ar, a única certeza possível é quanto aos goleiros (Vinícius e Gabriel Leite) que estarão em campo. A torcida é para que tanta malandragem resulte num grande jogo. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo; Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa na RBATV, às 22h30, depois do jogo da NBA. Participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, a 7ª rodada do Parazão, com destaque para o Re-Pa. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 08)

Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Protestos das sufragistas pelo direito de votar nos Estados Unidos em 1913

Muitas pessoas consideram o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativas, ela não foi criada pelo comércio – e tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo – aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos – as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época.

A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (naa maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.

Marcha das mulheres na Rússia em 1917
Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem
ao Dia Internacional da Mulher

Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho – na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher” americano.

Enquanto isso, também crescia na Europa o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.

“Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres”, explicou à BBC News Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

“A situação da mulher era muito diferente e pior que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época”, disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres.

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se tem hoje, era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo – 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heróica e trabalhadora”.

Data foi oficializada em 1975

O chamado Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais. “Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou Eva Blay.

“Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental.” (Da BBC Brasil)