Bolsonaro usa humorista para falar de economia em entrevista coletiva

Parte dos jornalistas que fazem a cobertura diária da saída de Jair Bolsonaro do Palácio da Alvorada virou as costas e deixaram o local na manhã desta quarta-feira (4) após o capitão escalar o humorista Márvio Lúcio, o Carioca, vestido de presidente, para comentar o crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) e distribuir bananas aos repórteres.

Questionado sobre o desempenho do PIB, Bolsonaro olhou para o humorista, que fazia uma performance para quadro do Domingo Espetacular, da TV Record, e afirmou: “O que é PIB? Pergunta o que é PIB”. Em seguida, completou: “[Pergunta para] Paulo Guedes, Paulo Guedes”.‌‌‌

Diante da negativa do presidente da República em responder às perguntas, os jornalistas viraram as costas e deixaram o local enquanto o humorista continuava com provocações, gritando “outra pergunta”, “não tem retaliação”. (Da revista Fórum)

O trunfo precioso do Papão

POR GERSON NOGUEIRA

O sucesso de Nicolas, artilheiro e principal figura do time, deixa às vezes em segundo plano outro jogador de importância fundamental no Papão. Vinícius Leite, que marca poucos e decisivos gols, despreza o marketing e quase não abre a boca, firma-se a cada jogo pela incrível regularidade.

Resultado de imagem para Vinícius Leite jogador do PSC fotos

É fato que o atacante não costuma ter atuações ruins. Joga sempre em bom nível, é solidário, disciplinado taticamente e dono da melhor média de assistência do time. Com Hélio dos Anjos, ganhou mais liberdade para atuar no lado esquerdo do ataque, o que é um trunfo precioso pela fina sintonia que tem com Nicolas.

Quando a situação exige, principalmente agora que o time é montado com três volantes, Vinícius costuma voltar para recompor e participar da criação de jogadas no meio. No cenário ideal, deveria se ater apenas às tramas ofensiva, até para se preservar e suportar os dois tempos em alta intensidade.

(É bom dizer que Nicolas vive essa mesma situação especial tentando se dividi ente as funções de ataque, ajuda ao meio-campo e aparecendo até como defensor em determinadas situações).

Vinícius, apesar dessa carga extra, tem se destacado pela presença sempre marcante e a capacidade de surpreender. Dribles, chutes certeiros e passes na medida. O repertório do extrema se ajusta à atual formatação do time, superando a limitação natural de um time que não conta com jogadores criativos na meia-cancha.

Para quem chegou sem cartaz, como contratação para compor elenco, Vinícius evoluiu, sobreviveu a mudanças de comando e é hoje peça indispensável na equipe, no mesmo nível de qualidade de Nicolas. Ambos respondem pela produção ofensiva do Papão e não têm substitutos à altura no elenco.

Prevenção e proteção aos torcedores no Re-Pa

O programa Esporte com Justiça estará presente no clássico Re-Pa pela sétima rodada do Campeonato Estadual, no estádio Jornalista Edgar Augusto Proença. A iniciativa promove ações de pacificação em eventos esportivos de grande concentração popular, com expectativa de público acima de 10 mil pessoas. 

Uma equipe formada por servidores do Juizado Especial Itinerante estará de plantão para o atendimento das demandas. Entre as ocorrências mais registradas pelo Esporte com Justiça aparecem a venda de ingressos acima da tabela e atos de vandalismo provocado principalmente por gangues.

O Poder Judiciário desenvolve o projeto em parceria com as Polícias Civil e Militar, o Ministério Público e a Defensoria Pública. O projeto, implantado há sete anos e executado com sucesso, é mantido pela Coordenadoria dos Juizados Especiais, à frente a desembargadora Maria de Nazaré Gouveia dos Santos.

Jesualdo vence, mas sofre com o rigor da mídia

O Santos estreou muito bem na Copa Libertadores, ontem, com vitória de virada sobre o Defensa y Justicia, na província de Buenos Aires, na Argentina. Juan Rodríguez abriu o placar para os donos da casa. Robson e o garoto Kaio Jorge asseguraram o triunfo no 2º tempo em jogadas que nasceram de ações de Soteldo.

Depois de ficar atrás no placar, o Santos se apoiou na velocidade de Soteldo para reverter a desvantagem. Aos 26 minutos do tempo final, o lépido camisa 10 fez um cruzamento para Jobson marcar de cabeça. Aos 39’, em nova intervenção de Soteldo, a bola chegou a Kaio Jorge, que tocou para o gol.

Soteldo exerceu papel decisivo, mas Carlos Sánchéz teve atuação irrepreensível. Capitão do time, ele ditou o ritmo da partida, com técnica e visão tática do jogo. Apesar do bom resultado, o técnico Jesualdo Feeira vai provavelmente enfrentar de novo a má vontade da mídia esportiva paulistana, que pega no seu pé a cada partida do Peixe.  

Numa comparação direta, o Corinthians do incensado Tiago Nunes, que está na lanterna de seu grupo no Paulistão e foi eliminado pelo Guaraní paraguaio na Libertadores, fica sempre a salvo de comentários mais ácidos. Jesualdo, ao contrário, parece condenado por adotar um sistema de jogo diferente do que Jorge Sampaoli utilizava.

Em BH, vitória da liberdade de manifestação

O clássico mineiro Atlético x Cruzeiro, marcado para sábado (7), será menos chato e enfadonho, pelo menos fora de campo. Depois de muita polêmica, o Ministério Público emitiu um comunicado ontem e acabou com qualquer restrição a críticas à condição do Cruzeiro de rebaixado à Série B.

“O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte, em entendimento estabelecido com a Polícia Militar, no final da tarde de hoje, informa que serão permitidas livremente todas as manifestações desportivas no interior do Mineirão”, diz a nota.

Como de praxe, ficam “proibidos apenas o ingresso de objetos que coloquem em risco a integridade física das pessoas, assim como também a ostentação de materiais com mensagens de caráter ofensivo, que incitem a xenofobia e o racismo”.

A questão surgiu porque o Cruzeiro havia se manifestado contra as provocações pelo rebaixamento. Com a decisão, correta sob todos os pontos de vista, restou à Raposa engolir as provocações atleticanas.

O vice-presidente do Galo, Lásaro Cândido da Cunha, festejou no Twitter com uma provocação direta ao rival com o uso da letra B: “A vitória da liberdade e da ironia. …B. Horizonte, B rasil!”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

Persecução penal contra artistas do Pará foi requisitada por Sergio Moro

Por Rafa Santos, no ConJur

A notícia de que o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, havia pedido abertura de inquérito para investigar um grupo de músicos punks do Pará ganhou espaço no debate público.

A informação da abertura de inquérito contra os organizadores do “Facada Fest”, em Marabá, foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na última quinta-feira (27/2). Segundo o jornal, Moro “requisitou a abertura de inquérito” contra quatro artistas.

Mas, no mesmo dia, o ministro tentou desmentir a informação, por meio do seu perfil oficial no Twitter. “A iniciativa do inquérito não foi minha, como diz a Folha de SPaulo, mas poderia ter sido.Publicar cartazes ou anúncios com o PR ou qualquer cidadão empalado ou esfaqueado não pode ser considerado liberdade de expressão.É apologia a crime, além de ofensivo (sic)”, escreveu o ministro.

Os organizadores do evento, no entanto, divulgaram documento por meio do qual se pediu a abertura do inquérito, em que consta a assinatura do ministro.

Em resposta, o Ministério da Justiça divulgou na íntegra toda tramitação do caso. A ConJur avaliou o documento e consultou especialistas para verificar quem, ao fim e ao cabo, solicitou a abertura do inquérito.

E também para verificar se as manifestações dos organizadores do festival de fato configurariam crime e justificariam abertura de inquérito.

Passo a passo
O despacho pedindo providências sobre o festival punk foi enviado ao Ministério Público Federal pelo Instituto Conservador de São Paulo. A entidade foi formada a partir do Movimento Direita São Paulo e tem como presidente Edson Pires Salomão; como vice, Douglas Garcia Bispo do Santos.

Douglas Garcia (PSL) é deputado estadual por São Paulo e ganhou fama nas redes sociais por ser um dos idealizadores do bloco de Carnaval Porão do Dops, que tinha como símbolo a imagem do torturador  da ditadura Carlos Alberto Brilhante Ustra. O bloco foi impedido de desfilar no Carnaval paulista pela Justiça.

O documento tem 62 páginas e aponta suposto crime contra a honra do presidente, apologia ao crime. Também reúne um verdadeiro dossiê com postagens de protesto no Facebook contra o atual governo.

As mensagens foram elaboradas por Eloi Martins, Tainah Chaves, Jayme Catarro e Rafael Garganta — os quatro artistas apontados como organizadores do festival.

O despacho ainda passou pela Procuradoria Regional da República antes de ser enviado ao ministro da Justiça, que, apesar de não ter tido a iniciativa, assinou o requerimento de abertura de inquérito para Polícia Federal.

Requisição de Moro
Para o professor adjunto de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná, Francisco Monteiro Rocha Júnior, o inquérito só poderia ser aberto por ordem do ministro da Justiça, ou seja, Sergio Moro.

“Cabe a nota de que crimes contra a honra do presidente da República só são investigados e processados, por força do parágrafo único do artigo 145 do Código Penal, ‘mediante requisição do Ministro da Justiça’. Ou seja, houve uma deliberação explícita por parte do governo no sentido de que eventuais crimes deveriam ser investigados. Não se tratou de um ‘mero despacho de seguimento do procedimento’, ao contrário das manifestações do ministro quando veio a público explicar o que fez. Foi uma requisição explícita”, diz.

Na requisição assinada por Moro em 12 de dezembro de 2019, o ministro pede ao Ministério Público o prosseguimento da ação penal contra os artistas.

“De fato, os elementos coligidos aos autos indicam estarem presentes as condições que fundamentam a expedição de requisição para o prosseguimento da persecução penal visando apurar a prática da conduta criminosa capitulada nos artigos 138, 139 e 140 do Código Penal, contra o Sr. Presidente da República”, diz o documento.

E prossegue: “Por estas razões, e à vista dos demais elementos que constam dos autos, requisito, com fundamento no artigo 145, parágrafo único, do Código Penal, o prosseguimento, por parte do Ministério Público, de persecução penal voltada à apuração dos fatos apontados na Notícia de Fato nº 1.23.000.001909/2019-43, que indicam, em tese, a prática de crime contra a honra do Sr. Presidente da República”. Os grifos são da ConJur.

Objeto do inquérito
Para Lenio Streck, jurista e colunista da ConJur , o inquérito sequer deveria ser aberto. “Penso que o problema é a estigmatização do punk. Como no passado do samba, do rock, do hip-hop etc. Há que se cuidar e separar bem as coisas. Não misturar ovos com caixa de ovos. Sob pretexto de punir uma eventual ofensa à uma autoridade, não se deve usar o direito para criminalizar a arte, estigmatizando a manifestação”, diz.

Rocha Júnior também critica os pressupostos que ensejaram a abertura do inquérito. “O que ocorre é que, nem em tese se pode cogitar de crime. Em primeiro lugar, porque a apologia a crime (artigo 287 do CP) nem em tese ocorreu. Não se verifica em qualquer imagem ou texto alguém elogiando a facada ou a suposta tentativa de homicídio, como imagina o Instituto que assina a notícia de fato. Em segundo lugar, imputa-se aos organizadores um abstrato crime contra a honra (sem definir se é injúria, calúnia ou difamação). Contudo, há que se ter noção de que críticas contundentes, e principalmente as satíricas — como parece ser o caso — são usuais e inclusive esperadas em um regime democrático”, explica.

Liberdade de expressão
Para o doutor em Direito pela USP Marco Antonio dos Anjos, os cartazes usados para divulgação do “Facada Fest” não podem ser enquadrados como crimes. “Os desenhos diretamente se referem ao presidente da República e o fazem de maneira agressiva. O que se deve indagar é: o objetivo do autor foi o de ofender a imagem da pessoa retratada e incentivar a violência ou, por outro lado, tecer críticas à atuação do Presidente? Esses desenhos são manifestação do pensamento e do direito de crítica que, quando se dirigem a ocupantes de cargos públicos, podem ser exteriorizados de forma mais veemente. Atende ao interesse público existir maior liberdade de crítica quando ela se refere a pessoa cuja conduta naturalmente se submete ao crivo mais forte das pessoas”, explica.

O advogado Ricardo Cerqueira Leite lembra que, em tese, todos podem falar o que desejam. “É vedado o anonimato, mas devem ser responsáveis por aquilo que produzem, seja no aspecto cível, seja no aspecto penal. Nesse caso em específico, eu acredito que estamos mais próximo de uma indenização do que de uma figura penal”, comenta.

Professor de Direito da UnB e sócio de Marcelo Leal Advogados, Benedito Cerezzo Pereira Filho também acredita que não houve nenhum cometimento de crime na divulgação dos cartazes do festival punk. “Isso deve ser visto como uma crítica. Uma forma de manifestação do pensamento sobre determinado assunto. Não existe motivo para uso do Direito Penal. Por sinal, o Direito Penal deve ser resguardado apenas para questões mais agudas”, explica.

Para Pereira Filho, o governo deveria dar o exemplo e ter mais tolerância com qualquer tipo de arte. “Eu não posso sufocar a manifestação de pensamento baseado no singelo argumento de incitação a qualquer tipo de deslize ou crime”, finaliza.

Sobre drogas

Por André Forastieri

Desregramento dos sentidos não é obrigatório para fazer Arte, mas ajuda. Sem substâncias que alteram a consciência, boa parte da cultura que me interessou e entreteve esses anos todos – rock, pra começar – nem existiria.

Drogas recreativas ajudam a perceber outros mundos, a enfrentar o assustador, a conectar com energias extremas, a acordar de manhã. Tomou seu cafezinho hoje? Café já foi droga ilegal e cocaína, legal. 

A definição de Droga depende da década e da geografia. Em boa parte do mundo consumir álcool, que é a minha cachaça, poderia me botar na cadeia. 

Mas falemos de Cocaína. 

Calcula-se o consumo anual atual em 600 toneladas métricas de cocaína, metade nos Estados Unidos, um quarto na Europa, outro quarto no restante do mundo.

É droga cara, como se vê pela distribuição geográfica do seu consumo. Tem que ganhar razoavelmente bem para consumir. 36 milhões de americanos já usaram. Dois milhões de americanos usam.

Pó é a droga recreativa por definição, desde seu primeiro grande defensor, Sigmund Freud, que adorava – dizia que “é bem estimulante na genitália”.

Seu contemporâneo Robert Louis Stevenson era chegado. Retratou bem a divisão entre o médico polido e medroso, Dr. Jekyll, e a besta do id libertada pela coca, Mr. Hyde. 

Um século depois, Stephen King, o mais bem-sucedido escritor dos EUA, aspirou os primeiros 12 anos de sua carreira, e garante que isso o salvou de morrer de tanto beber. Mas hoje está careta. 

Convivi com algumas pessoas que cheiravam. A maioria seguiu funcionando perfeitamente em sociedade. Não é prova científica de nada. É minha observação.

Cocaína é particularmente útil para o popstar, porque popstar se acha demais, e tem que subir ao palco e se provar diariamente.

Não é mole para o espírito, viver cercado de puxa-sacos dizendo que você é um gênio, e sexy, e única… E ter que provar ao vivo que é tudo isso mesmo, noite após noite.

No rock, não dá nem para começar uma lista de cheiradores famosos. É mais fácil fazer uma lista dos famosos por serem caretas, porque é pequenita.

Sobre isso é difícil bater “Wired”, a biografia do John Belushi. Foi escrita pelo Bob Woodward, de “Todos os Homens do Presidente”, em 84, pouco depois da morte de Belushi em 82.

É meio moralistão. Mas captura a energia da época, Nova York anos 70, movida a cocaína. Retrata John se despedaçando, e explica os porquês, que são bem anteriores ao seu vício.

De cara limpa, ele era um filho de imigrantes albaneses durango, gordinho, inseguro, gordinho. Cheirado, era uma força da natureza.

John Belushi cheirou para ter coragem, cheirou para ter carreira, cheirou quando ficou famoso, e morreu tomando um speedball – injeção misturando cocaína e heroína.

Vejo John imitando Joe Cocker, “I get high with a little help from my friends”. É engraçado e emocionante, triste, visceral.

Cinco anos depois estava morto, com só 33 anos. Ficamos sem Belushi. 

Também fomos poupados de assistir a sua lenta decomposição e eventual volta por cima, renegando o passado, em forma, modelo de superação. Como um Robert Downey Jr., também ex-SNL, famoso junkie, hoje Tony Stark e Dr. Dolittle, conversando com bichinhos fofos, ídolo das criancinhas. 

Será? Jamais saberemos. Ficou de John seus momentos de gênio, no Saturday Night Live, no filme Animal House, e como Joliet Jake, à frente dos Blues Brothers. Sempre trincadaço de pó. 

Drogas desinibem e inspiram. Coca também pode te tornar uma besta ególatra, ou um trapo. Há quem cheire e torne a vida da família um inferno. Há quem se mate.

Não, não recomendo. Também não demonizo. Dá pena de Belushi e de tantos que afundam. Mas existem muitos outros artistas que enfiam o pé na jaca, criam coisas maravilhosas, e seguem vivendo suas vidas normalmente. 

Uma olhada na minha velha coleção de discos, na estante aqui ao lado, e não consigo deixar de pensar: obrigado pelas drogas, obrigado pela cocaína.