Filhos de imigrantes garantem triunfo francês

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Uma França miscigenada levantou neste domingo a Taça Fifa, ganhando o segundo título mundial de sua história. A exemplo do que aconteceu há 20 anos, a ótima campanha e o placar elástico da final premiaram uma seleção baseada na diversidade. Onze dos 32 convocados são filhos de imigrantes, a maioria com raízes na África Sub-Saariana.

Pogba tem raízes na Guiné. Mbappé é filho de mãe camaronesa e pai argelino. A ancestralidade africana fez a diferença mais uma vez, tal qual em 1998. Uma oportunidade a mais para se repensar a exclusão social a que são submetidos os imigrantes e refugiados nos subúrbios da França.

Com a vitória, o técnico francês Didier Deschamps se tornou o terceiro ex-atleta a conquistar uma Copa do Mundo de futebol como jogador e treinador. Antes dele, só o brasileiro Zagallo e o alemão Franz Beckenbauer.

Luka Modric é o craque do Mundial

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Prêmios individuais da Copa do Mundo 2018:
Melhor jogador jovem – Mbappé 
Artilheiro – Harry Kane 
Melhor jogador – Modric
2º melhor jogador – Hazard
3º melhor jogador – Griezmann
Melhor goleiro – Courtois

Prêmio merecidíssimo. 

França vence Croácia e conquista o bi

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A França tornou-se bicampeã mundial neste domingo, após vencer a Croácia por 4 a 2 na final da Copa do Mundo da Rússia. A partida foi disputada no estádio Luzhniki, em Moscou. Marcaram para os franceses Mandzukic (contra), Griezmann, Pogba e Mbappé. Já os croatas fizeram com Perisic e Mandzukic.

O placar foi construído aos poucos pelos Bleus, que se aproveitaram do desgaste físico do adversário, atrapalhado pelo cansaço das três prorrogações disputadas no mundial.

Foi o segundo título da França, campeã em 1998 no torneio disputado no próprio país há 20 anos atrás. Já o vice-campeonato representou para a Croácia o melhor resultado em Copas do Mundo. Antes, o melhor ano dos europeus também foi 98, quando perderam pra os franceses na semifinal.

A história do jogo – O primeiro tempo começou nervoso, com muitas faltas no meio do campo e diversas roubadas de bola. Mais ofensiva, a Croácia chegava com mais perigo, abusando dos cruzamentos na área. Enquanto a defesa francesa se virava como podia, o ataque estava bem marcado, com Mbappé sem ter como avançar e tentar as jogadas.

Coube a Griezmann a missão de encontrar espaços na defesa croata. O primeiro gol surgiu de falta cavada pelo camisa 7 na intermediária. Na cobrança, pelo próprio Griezman, a bola desviou em Mandzukic e foi às redes.

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Não demorou muito para que os croatas reagissem. Em boa jogada trabalhada na área, Vida ajeitou para Perisic ajeitar, limpar o lance e soltar um chute no canto esquerdo de LLoris, sem chances para o goleiro francês. Um golaço.

Quando o primeiro tempo encaminhava-se para um empate, um lance polêmico fez o árbitro de vídeo (VAR) entrar em ação. Após bola lançada na área, Perisic acabou colocando a mão na bola. Após consulta ao VAR, o árbitro argentino Nestor Pitana entendeu como lance não natural e marcou o pênalti. Griezmann converteu deslocando Subasic e deixando os franceses em vantagem novamente.

No segundo tempo, o time da França continuou com o ímpeto ofensivo, com Mbappé explorando os espaços deixados pela Croácia, que tentava a todo custo o empate. Em uma das subidas do camisa 10 dos Bleus, a bola sobrou para Griezmann ajeitar para Pogba. O craque teve que bater duas vezes para furar o bloqueio e fazer o terceiro.

Exaustos, os jogadores da Croácia continuaram tentando a reação, ampliando a presença no campo defensivo da França. Foi assim que surgiu o quarto gol francês. Em contragolpe fulminante, Mbappé achou um vazio na entrada da área, teve calma para dominar e bater no canto de Subasic.

A vitória francesa desenhava-se com tranquilidade até o goleiro Lloris cometer uma lambança. O arqueiro vacilou ao tentar fintar o atacante Mandzukic, que o desarmou e fez a bola ir direto para as redes francesas. Apesar da vontade, os croatas continuaram a pressionar, dominando o jogo, mas sem efetividade.

Vitória do time mais regular da Copa e que foi quase sempre pragmático, jogando atrás e explorando o contra-ataque.

A seleção que não desiste nunca

 

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POR GERSON NOGUEIRA

Com perdão do trocadilho de pé quebrado, não caio na infantilidade de considerar a Copa russa como a melhor de todas, como fez o presidente da Fifa, em gesto de empolgação marqueteira. Penso que os mundiais do Brasil e a da Alemanha, em organização e qualidade, foram superiores.

O decantado domínio europeu, com quatro seleções semifinalistas, precisa ser analisado ao longo dos próximos anos para se ter ideia mais clara do que seria uma nova ordem estabelecida no futebol, longe disso.

Na verdade, a competição que acontece de quatro em quatro anos é uma fotografia do momento, às vezes tendo a felicidade de captar pequenas revoluções em campo (Holanda de 1974), gênios indomáveis (Maradona em 1986) ou fenômenos em ação (Ronaldo em 2002), mas em geral não registra nada de importante pelo simples fato de que nada está ocorrendo. E é justamente o que acontece neste ano da graça de 2018.

O futebol não vai evoluir um centímetro em relação ao que era antes da Copa. Os times continuarão, no mundo inteiro, a investir na força bruta e a lançar 400 bolas na área em busca de um cabeceio ou desvio acidental.

De todos os jogos que pude ver – passei batido apenas nas peladas entre Bélgica e Tunísia e Inglaterra x Panamá -, o que merece de fato destaque é a incrível bravura dos croatas, seguidos de perto pelos próprios russos nesse esforço muito mais físico do que cerebral.

A chegada da Croácia à primeira decisão de sua história é um acontecimento a ser enaltecido. Afinal, representa o triunfo de um país que emergiu de intrincada divisão territorial e política, merecedor de todo respeito pelo esforço de seus jogadores. A seleção veio da repescagem nas eliminatórias e transformou a caminhada na Rússia em algo épico.

Pode-se (e deve-se) discordar das cantorias com tintas fascistas de alguns de seus jogadores, mas é admirável a determinação com que se lançou aos confrontos eliminatórios, superando oponentes difíceis como Dinamarca, Rússia e Inglaterra.

Os puristas podem reclamar, mas Modric e seus companheiros têm sido o ponto fora da curva de uma Copa bastante enfraquecida no aspecto da tradição por ausências importantes – Itália e Holanda nem se classificaram; Argentina, Alemanha e Espanha dançaram logo de cara.

A França de Mbappe e Griezman conseguiu representar o lado da “normalidade” tradicional, mas não jogou o suficiente para que seja vista como favorita absoluta na grande final deste domingo.

Se Modric, Rakitic e Subasic brilham intensamente, algumas estrelas de primeira grandeza saíram apagadas da Rússia. Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar não fizeram a diferença, como se esperava.

O que fez a diferença, no fim das contas, foi a velha gana de vencer e a capacidade indomável de não desistir nunca. Por esse quesito, a Croácia já pode ser considerada a melhor das seleções que passaram por esta Copa.

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Thiago e Coutinho incluem Brasil na lista dos melhores

Não poderia fugir à tradição de eleger a seleção da Copa. Ao contrário da Fifa, que vai escolher os melhores em cima das semifinais e finais, o escrete da coluna foi em busca de talentos que saíram mais cedo do torneio.

O goleiro é o croata Subasic, que agarrou até pensamento e foi decisivo nas partidas de mata-mata, batendo recorde de penalidades defendidas.

Escolhi três zagueiros levando em conta o deserto criativo nas laterais: o francês Varane, o uruguaio Godin e o brasileiro Thiago Silva.

O meio-campo começa por Pogba, que se consolida definitivamente como o principal médio do mundo, superando o brasileiro Casemiro.

Os meias Modric, Griezman e Philippe Coutinho complementam o quadrado. O croata é o mais regular da Copa. Liderou, criou e assumiu a responsabilidade criativa de sua seleção. Só perde o troféu de melhor do Mundial se o menino Mbappe estraçalhar na decisão.

Griezman trafegou numa faixa diferente daquela que ocupava na seleção francesa da Euro 2016 e no Atlético de Madrid. Recuou alguns metros para render mais, funcionando como o motor criativo da França.

Coutinho foi uma das vítimas da derrocada brasileira. Não fez um mundial perfeito, mas encantou com seus toques refinados e com participações minimalistas na formação ofensiva do time de Tite.

O ataque vai de Hazard, Cavani e Mbappe. Cavani saiu logo, mas deixou assinalada sua participação com grande atuação diante de Portugal. Hazard foi o mais efetivo da badalada Bélgica. Mbappe assombra pela velocidade, pela fúria definidora e os dribles à brasileira. Vai longe.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 15)

Um canalha culpa as vítimas pelo massacre de Eldorado dos Carajás

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Por Leonardo Sakamoto, no UOL

O deputado federal e pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, defendeu os policiais que participaram do Massacre de Eldorado dos Carajás no exato local dos 19 assassinatos nesta sexta (13). ”Quem tinha que estar preso era o pessoal do MST, gente canalha e vagabunda. Os policiais reagiram para não morrer”, disse Bolsonaro no registro do repórter Leonencio Nossa, do jornal O Estado de S.Paulo.

O Brasil desmemoriado talvez não se lembre do que foi o massacre, o horror sentido país afora e a vergonha internacional que isso nos causou. Para quem se lembra, a imagem de um político atacando os sem-terra mortos em seu memorial como parte de e uma estratégia de campanha para ganhar espaço na mídia, buscar votos de certos fazendeiros e policiais e receber chuvas de likes de gente desinformada soa como ignomínia.

Visitei o memorial pelos mortos diversas vezes. Deveria ser um local de reflexão sobre nossa ignorância, não um espaço para que ela aflorasse. Dito isso, não vale perder tempo criticando marketing eleitoral de mau gosto. Mas sim explicar o que foi Eldorado dos Carajás e suas consequências à população para a qual Eldorado dos Carajás não significa nada. Pois a certeza da impunidade deixada pelo massacre segue produzindo filhos em toda a Amazônia. Por exemplo, em maio do ano passado, não muito longe dali, dez trabalhadores rurais sem-terra foram executados pela polícia no que ficou conhecido como o Massacre de Pau d’Arco.

O que foi o massacre?

O massacre de Eldorado dos Carajás foi o palco da execução de 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos em uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, no Sudeste do Pará, no dia 17 de abril de 1996. Um mês antes, a fazenda Macaxeira, em Curionópolis (PA), havia sido ocupada por mais de 1,2 mil famílias sem-terra.

No mês seguinte, um grupo com mais de mil pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começa uma marcha para Belém a fim de pedir a desapropriação da área e sua destinação à reforma agrária, obstruindo a rodovia. Duas pessoas foram condenadas por reprimir com morte a manifestação: o coronel Mario Colares Pantoja (a 228 anos) e o major José Maria Pereira Oliveira (a 154 anos), que estavam à frente dos policiais.

O massacre se fez apenas com duas pessoas?

Os responsáveis políticos na época, o então governador Almir Gabriel (que ordenou a desobstrução da rodovia) e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara (que autorizou o uso da força policial), nunca foram processados. Outros 142 policiais militares que participaram da matança foram absolvidos. Isso sem contar que as denúncias de fazendeiros locais que teriam dado apoio para a ação policial ficaram por isso mesmo.

O massacre foi algo novo no Pará?

Se fossemos contar todos os casos anteriores de sindicalistas, trabalhadores rurais, camponeses, indígenas cujos carrascos nunca foram punidos no Pará, teríamos o maior post de todos os tempos. Por exemplo, na década de 80 e 90, os fazendeiros resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará, e assassinaram uma série de lideranças. Foram a julgamentos, houve condenações, fuga de pistoleiros, mandantes que viveram em paz até a sua morte natural.

A certeza da impunidade pavimenta a tortura e a violência contra trabalhadores e populações tradicionais no Pará. Periodicamente, lideranças sociais são agredidas e mortas na Amazônia. Alguns casos são mais conhecidos e ganham mídia nacional e internacional – como as mortes da irmã Dorothy Stang (em fevereiro de 2005, em Anapu) e das lideranças extrativistas Maria e Zé Cláudio (em maio de 2011, em Nova Ipixuna). Mas a esmagadora maioria passa como anônima e é velada apenas por seus companheiros.

Mudanças positivas têm acontecido na Justiça no Pará graças à sociedade civil, à imprensa e a promotores, procuradores e juízes que têm a coragem de fazer o seu trabalho, mesmo com o risco de uma bala atravessar o seu caminho. Mas tudo isso é muito pouco diante do notório fracasso em garantir a dignidade daqueles que lutam com melhores condições de vida até o presente momento.

Um massacre gera filhos?

Muitos. Por exemplo, uma ação conjunta das Polícias Militar e Civil do Pará, em maio do ano passado, levou à morte de nove homens e uma mulher no município de Pau d’Arco. Segundo o governo do Estado, os policiais estariam cumprindo mandados de prisão de acusados de assassinar um segurança de uma fazenda, mas a Comissão Pastoral da Terra afirma que foi uma execução em uma ação de despejo. Os policiais tem sido soltos e presos em uma gangorra judicial desde então.

Pau d’Arco tem o mesmo cheiro e gosto que Eldorado dos Carajás. Mas repercutiu bem menos dentro e fora do país. Não por conta dos nove mortos a menos, mas pelo massacre de 1996, que não recebeu devida Justiça, ter aberto uma porteira para outras ocorrências. Como as nove pessoas que foram assassinadas em uma área próxima a um assentamento em Colniza (MT), município que faz divisa com os Estados do Amazonas e Rondônia, em abril de 2017. Dois foram mortos a facadas e sete com tiros de calibre 12 por pessoas encapuzadas, de acordo com sobreviventes.

Pegue diferentes matérias sobre os assassinatos no campo. Verá que é só trocar o nome dos mortos, do município (às vezes, nem isso) e onde foi a emboscada para serem a mesma matéria. As mesmas desculpas do governo, os mesmos planos de ação parecidos, as mesmas reclamações da sociedade civil, os mesmos grupos sendo criados para debater e encontrar soluções. Pode-se prender um ou dois. Mas as condições que fizeram Eldorado dos Carajás estão aí produzindo vítimas. De novo. E de novo. E de novo.

O massacre foi algo isolado?

As mortes no campo são resultado de um modelo de desenvolvimento concentrador e excludente, que fomenta a grilagem de terras e a especulação fundiária. E está pouco se importando com o respeito às leis ambientais, por que acredita que o país tem que crescer rápido, passando por cima do que for.

Esse modelo explora mão de obra, chegando a usar trabalho escravo a fim de facilitar a concorrência (desleal) e o dumping social em cadeias produtivas cada vez mais globalizadas (o Pará é o Estado com maior incidência de trabalhado escravo: dos 52.766 libertados, entre 1995 e 2017, 13.211 (25%) estavam lá, a maior parte na pecuária bovina).

Tudo com a nossa anuência, uma vez que consumimos os produtos de lá alegres e felizes com nossa ignorância, elogiando algumas marcas e empresas que – ao contrário de nós – não estão imersas em ignorância.

O massacre feito por policiais é apenas culpa do poder público?

A pergunta é: quem comanda o quê? Há uma relação carnal que se estabelece entre o público e o privado na região amazônica. O detentor da terra exerce o poder político, através de influência econômica e da coerção física. É frequente, por exemplo, encontrar policiais que fazem bicos como seguranças de fazendas por conta da baixa remuneração de sua atividade. Em outros casos, as tropas públicas ficam diretamente a serviço de particulares.

Sabe qual a chance de trabalhadores rurais que solicitam a destinação de terras griladas para a reforma agrária ou de comunidades tradicionais que exijam a devolução de terras roubadas terem o mesmo sucesso que grandes proprietários que pedirem a desocupação de terras? Anos atrás, grandes proprietários rurais e suas entidades patronais chegaram a demandar intervenção federal no Pará uma vez que o poder público local não estava sendo célere – em sua opinião, claro – para garantir reintegrações de posse de terras (muitas das quais, com sérios indícios de grilagem). Se fossem trabalhadores pedindo isso, o ato seria encarado como um levante e reprimido à bala.

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A quem interessa que massacres no campo continuem acontecendo?

Não é de hoje que as regiões de expansão agropecuária e extrativista da Amazônia e do Cerrado vivem uma situação de conflito deflagrado. O Estado brasileiro tem sido incompetente para prevenir e solucionar crimes contra a vida no campo e há uma situação clara de conflito deflagrado. Mortes no campo não são de hoje, mas há muitos produtores rurais e extrativistas gananciosos que estão com sangue nos olhos. Sentem-se fortalecidos por verem no atual governo federal um aliado para suas demandas.

Tem sido um bom negócio para ambas as partes: eles garantem a manutenção de Michel Temer (inclusive com a concessão de votos para livrar seu pescoço das denúncias de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça) e, em troca, ganham perdões bilionários e apoio para sua pauta de retorno ao feudalismo.

Querem mudar as regras da demarcação de territórios indígenas, suprimir ainda mais a proteção ambiental, ”flexibilizar” as regras para a implantação de grandes empreendimentos, enfraquecer o conceito de trabalho escravo contemporâneo, atenuar a punição para as piores formas de trabalho infantil. E, principalmente, desejam manter sob seu domínio a terra que, muitas vezes, grilaram da coletividade ou roubaram de comunidades tradicionais. Passando bala em quem estiver no meio do caminho, em alguns casos.

Qual o município mais violento do Brasil? Rio de Janeiro, com seus 40 mortos por 100 mil habitantes? Não, Altamira, no Pará, com seus 107 mortos por 100 mil habitantes. Em tempo: um grupo de homens armados atacou um acampamento com dez famílias de trabalhadores rurais no município de São João do Araguaia, próximo à Marabá, no Estado do Pará, em maio deste ano.

Encapuzados, chegaram às margens do rio Araguaia, onde elas estavam acampadas, em duas caminhonetes com pistolas, revólveres e escopetas. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, adultos e até bebês foram vítimas de uma sessão de tortura por quase uma hora. ”Os adultos foram espancados a golpes de paus, facões e coronhadas. As marcas ficaram espalhadas pelos corpos dos trabalhadores.

Os pistoleiros dispararam suas armas próximo do ouvido de duas crianças gêmeas de três meses de idade para aterrorizar sua mãe. Atiraram em redes com crianças dentro, além de derrubarem e pisotearem crianças no chão. Uma das mães que estava grávida, que também foi pisoteada e teve sangramento”, afirma nota da Comissão Pastoral da Terra. No acampamento, havia crianças entre três meses e dez anos de idade.

Malditas crianças, canalhas e vagabundas.

Guilherme Alves é o novo técnico do Papão

Guilherme Alves foi anunciado nesta manhã de sábado como novo treinador do Paissandu. O anúncio foi feito pela Assessoria de Comunicação do clube nas redes sociais. Segundo a nota, a Diretoria acertou na manhã deste sábado (14) a contratação de Guilherme Alves para comandar a equipe, substituindo a Dado Cavalcanti, demitido na quinta-feira. Além do treinador de 44 anos, o auxiliar-técnico Jorge Raulli também foi contratado. Ambos serão apresentados oficialmente à imprensa na manhã da próxima segunda-feira (16), na Curuzu.

Ex-atacante de clubes como São Paulo, Atlético-MG, Cruzeiro-MG, Corinthians-SP e Botafogo-RJ, Guilherme Alves tem currículo vitorioso no cenário nacional como jogador, com conquista de Copa Libertadores da América, Copa Conmbebol, além de premiações individuais de artilharia, inclusive do Brasileirão de 1999, quando marcou 28 gols na campanha do vice-campeonato do Galo e quase igualou a marca de Edmundo.

Guilherme tem mais de uma década de experiência como técnico, com passagens por Marília-SP, Atlético-MG, Vila Nova-GO, Portuguesa-SP, entre outros. Guilherme Alves fez estágios com alguns técnicos no Brasil, entre eles Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Adilson Batista, Paulo Silas, Vagner Mancini e Alexandre Gallo.

Terceiro lugar serve de alento à seleção mais superestimada da Copa

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A Bélgica encerrou sua campanha na Copa do Mundo de 2018 de forma honrosa neste sábado, em São Petersburgo. Enfrentando a Inglaterra pelo terceiro lugar da competição, os Red Devils foram cirúrgicos logo no início da partida, assim como já haviam sido contra o Brasil, nas quartas de final, e acabaram vencendo os adversários por 2 a 0, graças aos gols de Meunier, aos três minutos de jogo, e Hazard, já no final do segundo tempo.

Com o resultado, o time comandado pelo técnico Roberto Martínez entrou para a história do futebol belga. Nenhuma geração do país chegou tão longe quanto essa de 2018 em uma Copa do Mundo. Em 1986, a Bélgica também foi eliminada na semifinal, porém, na disputa pelo terceiro lugar acabou derrotada pela França.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

POR GERSON NOGUEIRA

A coluna abre espaço para a manifestação oportuna de um craque das letras, fino observador refinado da cena boleira, sobre a Copa do Mundo.

Com vocês, Edyr Augusto Proença:

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“Sabe, Gerson,

Depois de ler aquele texto escrito pelo Paulo César Caju, fiquei pensando em qual seria a escola brasileira de futebol, hoje. Não podemos citar quase nenhuma das nossas equipes. Algumas fazem algo interessante como Grêmio, o Corinthians de Tite, e sei lá quem mais. Mas eles atualizaram a forma de jogar a partir da revolução de Guardiola na Espanha. Compactação, jogo no campo do adversário, passes rápidos e curtos, você sabe. E como nossa seleção mostraria esse “futebol brasileiro” que o Caju pede? Todos os jogadores, com uma ou duas exceções jogam na Europa. Enfim. Claro que tenho assistido a todos os jogos. Também acho que Tite foi endeusado, acho que ele cometeu erros. Qual a razão para nossos técnicos levarem sempre jogadores que ‘confiam’, que já passaram por suas mãos, mesmo que sem qualidade suficiente? Tantos corintianos. E os rapazes da Ucrânia, sempre convocados, nunca escalados. Nem quero me meter por esse caminho que é nebuloso. E convocações por merecimento, digamos. Renato Augusto jogou bem em momentos importantes, durante as Eliminatórias. Depois, como todos os que vão para a China, sumiu. Paulinho, que já havia ido para a China, com a seleção foi parar no Barcelona, onde foi pro banco e agora, novamente despachado para a China. Qual a razão de convocar atletas que não estão no seu ápice? Houve outros erros, todos estão comentando. Quem perde, sabe que tudo o que disse será usado contra si. Mas, com tudo isso, tendo em vista o que tenho assistido, acho que tivemos contra a Bélgica, sobretudo, um mau dia. Não deu certo. Sim, Tite bancou Marcelo, o grande craque, sabendo de um espaço às suas costas. Estava sem Casemiro que costuma fazer cobertura no Real. Houve o primeiro gol. Aconteceram outros, iguais, cabeçada no primeiro pau, batendo ou não no braço, cabeça ou qualquer outra parte do defensor. Sim, os brasileiros gelaram, não sei como. Quase todos atuam como destaque em grandes clubes, acostumados a grandes momentos. Sim, o tal Lukaku conseguiu passar em contra-ataque para De Bruyne. Se fosse Neymar, não se contentaria com aquele chute seco e forte que foi gol. Tentaria passar espetacularmente pelos beques e goleiro antes de chutar, com desprezo, para o gol. A partir daí, os belgas fizeram um castelinho à frente da área, que orgulharia Joel Santana. Homens altos, pouca distância entre si, enfim, difícil. Aí vêm os erros. Vejo os croatas com Modric e Rakitic, cada um de um lado, armando, tendo mais atrás um ic qualquer que não lembro o nome. Nós não temos. Coutinho é atacante. Marcelo, ele e Neymar de um lado, fizeram grandes jogadas. A bola não entrou. Mas como voltar para combater, no caso de Coutinho, se tinha de penetrar no castelinho belga? O cara cansou. E então falam que William nem devia estar na seleção. Sim, é verdade que o Douglas entrou com toda a flama. Concordo. Mas a seleção, há muito, é capenga. Se do lado esquerdo temos Marcelo, Neymar e Coutinho, do outro lado, temos apenas William. Fagner não podia subir por conta da velocidade de Hazard, e Paulinho – bem, onde estava Paulinho? Algumas vezes William enveredou pelo meio à procura de uma jogada. Tentou poucas vezes a linha de fundo. Não tinha apoio. Sim, não estava inspirado, mas a seleção é capenga. O pior caso é do Gabriel de Jesus. Coitada, sua mãe e o patrocinador ficaram esperando ele fazer uma ligação e nada. O garoto não estava bem. Firmino, ao contrário, estava na decisão da Champions. Tite bancou Gabriel tipo ele vai deslanchar e eu vou rir da cara de vocês. Será? Foi um risco calculado escalar Marcelo ou foi surpreendido por Lukaku na ponta-direita?

Mas a bola não entrou. Perdemos chances. Eles perderam menos. Num dia melhor passaríamos. Se você lembra, Gerson, nossas seleções costumam melhorar durante a Copa, como se a primeira fase servisse para entrosamento. Não falo de Neymar? Acho que foi um dos momentos mais ridículos que o mundo já viu sua entrada em campo com aquele topete louro. Pô, ninguém avisa? Aí, irmão, estás ridículo, para com isso. Queria ser o rei do mundo e agora é ridicularizado. Mas diga-se, passou três meses parado, com fratura, pino colocado. Ninguém volta inteiro. Nos outros jogos, veio de cabelo normal e até passou a bola. Estava subindo de produção. Agora, fica mais uma temporada se enganando e ficando milionário no PSG e aquele campeonato francês, fraquinho. E a idade, ih, acho que passou a hora. Foi um dia ruim. A bola podia ter entrado, mesmo com aqueles gigantes, até Lukaku dando bicão pra longe. Depois, a Bélgica foi se queixar que a França ficou na retranca, Giroud dando bico dentro da área.

Não vi nas outras seleções tanta coisa melhor que a nossa. Acho que perdemos no meio campo. Em Paulinho e em empurrar Coutinho para dentro da área. A seleção belga tem dois beques ruins, que, nervosos, chutam para qualquer lado. Os laterais não são superiores aos nossos. E olha que era o carniceiro Fagner. Na frente, o trio Hazard, De Bruyne e Lukaku funcionou. Hazard, no mínimo é igual a Neymar. DeBruyne, no mínimo é igual a Coutinho. Quanto a Lukaku, bem, Gabriel nem existiu, mas é um rompedor com alguma categoria. Me chamou a atenção desses times todos mantendo um centroavante poste. Lembrei até do Henrique Dourado do Flamengo vendo o Giroud da França. O Kane é bom, mas não deu. O Mandzukic é bom e na hora do vamos ver funcionou. E o Brasil com o Gabrielzinho… Está bem, era a proposta de um jogo rápido, mas não rolou. A passagem de bola foi lenta. Até chegar à intermediária, todos os belgas já estavam lá. Foi um bate e volta sem parar. A bola podia ter entrado, mesmo assim. Paciência. Não foi dia.

A Croácia é melhor que o Brasil? Não. Modric e Rakitic realmente são ótimos. Para mim, Modric é o melhor da Copa. Mas, um por um, entre os outros jogadores, sou mais Brasil. A zaga da França é tão boa quanto a do Brasil. Kanté é tão bom quanto Casemiro. O Mbappe é muito bom, mas ainda precisa comer muita farinha. Pogba é excelente. Mais um meio de campo que nos supera em qualidade. O Brasil, com todos os seus erros, podia estar lá. Podia, sim. Jogando da maneira europeizada, como quase todos, mas podia. Acho que faltou dizer isso, sabe, Gerson.

Mandzukic jogou mal o jogo inteiro contra os ingleses, mas fez aquele gol. A bola entrou. Não há no Brasil um técnico melhor que Tite, no momento, mas volto ao Caju. Haveria uma maneira brasileira de jogar? Com todos os jogadores estando fora e a situação local tão ruim? A gente podia estar na decisão. É o que acho.”

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Belgas e ingleses no jogo menos charmoso da Copa

Por tradição, a disputa de terceiro lugar é quase que uma tortura para os envolvidos. São aqueles enjeitados no bale principal, que ficaram a um passo do Olimpo e acabaram deixando escapar a chance.

Quis o destino que os preliantes sejam duas seleções que tiveram brilho fugaz na Copa. Os belgas, um pouco mais. Os ingleses impressionaram contra times menos e sucumbiram ante os heroicos croatas.

Por ironia, na primeira fase, as seleções se enfrentaram numa espécie de pelada com grife. Classificadas, fizeram um jogo opaco, que valia apenas pelo primeiro lugar da chave. Têm a chance de fazer hoje o que não fizeram naquele dia.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 14)

Base da seleção croata joga nos principais clubes do mundo

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A presença da Croácia na decisão da Copa do Mundo de 2018 é considerada uma surpresa, no entanto, o nível técnico dos jogadores que o treinador Zlatko Dalic tem à disposição é digno de um time finalista de um Mundial. Luka Modric, Ivan Rakitic e Mario Mandzukic são apenas três dos atletas que defendem grandes clubes do futebol europeu e com a bagagem trazida dessas agremiações tentam levar o antigo território pertencente à Iugoslávia à glória máxima existente no futebol.

Camisa 10 do Real Madrid e cotado para vencer o prêmio de melhor jogador do mundo em 2018, caso a Croácia conquiste a Copa do Mundo, Luka Modric é o principal líder da equipe quadriculada. Neste Mundial, o jogador foi crucial em diversas partidas. Na vitória sobre a Argentina por 3 a 0, por exemplo, anotou um golaço de fora da área, gingando na frente de Otamendi e acertando em cheio no canto esquerdo, sem chances para Caballero.

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Mas a Croácia não se resume apenas a Modric. Além do camisa 10, o meio-campo da equipe também conta com outros nomes de peso. Ivan Rakitic, titular do Barcelona, Kovacic, outro atleta do Real Madrid, e Ivan Perisic, da Inter de Milão, ajudam a ditar o ritmo do time comandado por Zlatko Dalic. No ataque, Mario Mandzukic vem se mostrando tão decisivo quanto é na Juventus. Foi dos pés do grandalhão, inclusive, que saiu o gol da classificação à final, contra a Inglaterra, na prorrogação.

Até mesmo nas posições menos glamurosas a Croácia dispõe de grandes atletas. Vrsaljko, por exemplo, é lateral-direito do Atlético de Madrid. Dejan Lovren (foto acima), por sua vez, é zagueiro titular do Liverpool que chegou à final da última Liga dos Campeões. Aliás, justamente por conta do desempenho croata neste Mundial, os Reds cogitam contratar outro jogador da Vatreni: Domagoj Vida, atualmente no Besiktas, da Turquia.

Independentemente do resultado da decisão do próximo domingo, esta geração croata já pode ser considerada a melhor da história. Nunca antes a seleção do país havia chegado tão longe em uma Copa do Mundo. Antes da campanha na Rússia, o melhor resultado da Croácia em Mundiais havia sido um terceiro lugar em 1998, quando venceu a Holanda após ser eliminada na semifinal para a França. (Da Gazeta Esportiva)

Pelé e Garrincha fizeram falta

HISTÓRIA DA COPA DO MUNDO 1958

Por José Inácio Werneck

Odense, Dinamarca – Quem levou Leônidas da Silva a inventar a bicicleta?

Quem ensinou Garrincha a desmontar defesas adversárias?

Quem ensinou Pelé a jogar bola?

Eles aprenderam nas várzeas, nos terrenos baldios, nas infinitas peladas dos “fominhas”.

Para ficar em Garrincha: um dia, quando já tinha 20 anos, alguém o levou a um treino do Botafogo, onde ele prontamente deu um baile em Nílton Santos que, àquela altura, já era jogador da Seleção Brasileira. Nílton Santos, a “Enciclopédia do Fultebol”, foi  à diretoria e  disse: “contratem”.

Em sua estreia, contra o Bonsucesso, Garrincha marcou três gols na vitória de 6 a 3.

Hoje, as crianças não jogam em terrenos baldios, nem em várzeas. Não aprendem com naturalidade, contra outros melhores ou piores de sua idade, superando  seus próprios defeitos. Há sempre uma escolinha e um adulto que lhes diz: chutem assim ou assado, passem, não driblem.

Há uma mesmice mundial. Nos Estados Unidos me pediram durante algum tempo para treinar times de crianças, com seis, sete anos. Vi que era uma máquina: os meninos e as meninas chegam com sacos cheios de bola, os técnicos colocam os cones, dizem para correr entre os cones, chutar com o peito do pé (“the laces”), com o lado de dentro, com o lado de fora. Depois, “ensinam” o “Cruyff move” e outras jogadas.

Quando acaba, as crianças colocam as bolas nos sacos, vão para casa, não pegam em bola outra vez até o próximo treino.

Como o futebol de rua, de várzeas e  de terrenos baldios não existe mais e as seleções europeias estão incorporando representantes de outras etnias, imigrantes ou filhos de imigrantes, nossa capacidade de surpreender acabou.

A vantagem que tínhamos de ser diferentes acabou. Uma seleção belga hoje tem a mesma cara do Brasil.

Com Pelé e Garrincha, o Brasil nunca perdeu uma partida. Neymar joga bem, mas não faz o indispensável contraste e falta a ele o essencial elemento da humildade.