Imprensa argentina especula sobre queda de Sampaoli antes da próxima rodada

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O caos argentino parece piorar a cada hora. Depois da derrota por 3 a 0 para a Croácia, em Níjni Novgorod, o canal TodoNoticias, da Argentina, afirma que os jogadores da seleção não querem que o técnico Jorge Sampaoli comande o time na última rodada, contra a Nigéria, que derrotou a Islândia nesta sexta. A Associação de Futebol Argentino não confirma a saída.

Já o canal TyC vai além e afirma que, sim, Sampaoli teria aceitado a saída, e já especula que o ex-meia Jorge Burruchaga assumiria o time. Ele foi campeão do mundo pela Argentina ao lado de Maradona, em 1986, e ficou em segundo lugar na Copa de 1990, conquistada pela Alemanha.

Atualmente, “Burru” ocupa o cargo de coordenador de seleções da AFA. Críticas de Diego Maradona também tornaram ainda mais complicada a situação de Sampaoli, que virou unanimidade entre torcedores e imprensa como grande responsável pela má campanha da seleção até aqui.

A vitória da Nigéria ontem aumentou as possibilidades de classificação, pois agora a Argentina pode se classificar com uma vitória simples sobre os africanos, desde que a Islândia não vença a Croácia (que jogará com um time mesclado) na próxima rodada.

Bélgica goleia e confirma condição de aspirante ao título mundial

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Numa confirmação do status de favorita ao título, a Bélgica encaminhou a sua classificação às oitavas de final da Copa do Mundo na manhã deste sábado. Em dia inspirado de suas principais estrelas, o time não encontrou maiores dificuldades para golear a frágil Tunísia por 5 a 2, em duelo disputado na Arena Spartak, em Moscou.

Hazard (foto) liderou a equipe na goleada sobre a Tunísia. Lukaku marcou duas vezes e se igualou a Cristiano Ronaldo na ponta da artilharia da Copa. Hazard abriu o placar logo aos 5 minutos do 1º tempo, repetindo a dose aos 5′ do 2º tempo. Lukaku balançou as redes aos 15′ e aos 48′ do 1º tempo; Batshuayi marcou o quinto aos 44′ do 2º tempo. Bronn, aos 17′ do 1º tempo, e Khazri, aos 47′ do 2º, descontaram para a Tunísia.

Com os triunfos sobre panamenhos e tunisianos, os belgas marcam seis pontos e lideram o Grupo G. O time dirigido pelo espanhol Roberto Martínez garante a vaga de forma antecipada caso o Panamá não vença a Inglaterra neste domingo, em Moscou. Já os africanos, que haviam perdido para os britânicos na estreia, seguem sem pontuar e estão eliminados do torneio.

Pela terceira e última rodada da fase de grupos, a Bélgica terá o seu teste mais duro até agora na quinta-feira: o duelo com a Inglaterra, em Kaliningrado. No mesmo dia e horário, Tunísia e Panamá devem fazer suas despedidas da Copa, em Saransk.

Tite perde Douglas Costa para jogo contra a Sérvia

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A Seleção Brasileira voltou a treinar neste sábado após a suada vitória sobre a Costa Rica por 2 a 0, em São Petersburgo, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo. Apenas os reservas e aqueles que entraram no decorrer da partida participaram da atividade no gramado, enquanto os titulares fizeram um trabalho regenerativo. O técnico Tite recebeu uma notícia muito ruim: Douglas Costa, que entrou no segundo tempo da partida, não participou do treinamento deste sábado e está fora do jogo contra a Sérvia devido a uma lesão muscular na região posterior da coxa direita.

O atacante, fundamental no primeiro triunfo brasileiro na Copa do Mundo, permaneceu na fisioterapia, assim como Danilo, que teve uma lesão constatada no quadril e acabou cedendo sua vaga na lateral-direita para Fagner.  Embora os titulares no duelo contra a Costa Rica não tenham participado do treino proposto para os demais jogadores do elenco, alguns nomes apareceram no gramado para se movimentar. Marcelo, Fagner, Willian e Gabriel Jesus disputaram partidas de ‘futmesa’. Já os volantes Casemiro e Paulinho correram em volta do campo. Alisson, Philippe Coutinho, Neymar, Miranda e Thiago Silva ficaram na academia.

Enquanto Ederson e Cássio trabalhavam sob o comando do preparador de goleiros Taffarel, os jogadores de linha fizeram um alongamento no gramado e, posteriormente, participaram de uma roda de bobinho, nada muito intenso. Tite esteve próximo durante todo o tempo observando o movimento de seus atletas, que já na parte final do treinamento ainda aproveitaram para aperfeiçoar a pontaria em lances que Matheus Bachi, um dos membros da comissão técnica, simulava ser uma espécie de adversário tentando atrapalhar os arremates.

Vale lembrar que Douglas Costa se apresentou à Seleção Brasileira em Teresópolis já lesionado. O jogador da Juventus tratou uma contratura no músculo posterior da coxa esquerda e só voltou a treinar com os demais companheiros na Inglaterra, após a vitória no amistoso contra a Croácia, em Liverpool. (Da Gazeta Esportiva) 

Com o Supremo, com tudo…

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Por Joaquim de Carvalho, no DCM

Há uma semana, em artigo neste site, escrevi que Lula estava mais próximo da liberdade. Não era resultado de torcida, mas de uma análise e de informações de bastidores. Na segunda turma do STF, a defesa de Lula tinha tudo para conseguir o efeito suspensivo da sentença condenatória da juiz Sergio Moro.

O resultado seria provavelmente 3 a 2, com votos de Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli a favor do efeito suspensivo, e de Édson Fachin e Celso de Mello contra.

Mas o resultado poderia até mudar se, no julgamento, a prisão de Lula fosse convertida para domiciliar pelo menos até que os recursos de Lula fossem votados no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal.

Nesse caso, o resultado poderia ser de 4 a 1. O único ministro que não se sensibiliza com nenhuma outra medida que não seja o encarceramento de Lula é Édson Fachin.

Mas, com o voto vencido de Fachin, tudo se encaminhava para um cenário menos hostil a Lula. Foi aí que Fachin decidiu pelo arquivamento do pedido da defesa de Lula, num movimento que revela uma ação orquestrada.

O TRF-4 vinha tocando em ritmo lento os dois recursos apresentados pela defesa de Lula e passou a agir com celeridade a partir da divulgação das notícias de que, sim, Lula poderia conseguir o efeito suspensivo.

Em abril, logo depois de publicado os acórdãos confirmando a condenação de Lula, depois da análise dos embargos de declaração, os advogados apresentaram os recursos à decisão, um para o STJ, chamado de recurso especial, e outro para o STF, o chamado recurso extraordinário.

A desembargadora Maria de Fátima Freitas Labarrère, vice-presidente do TRF-4, a quem coube decidir sobre os recursos, demorou 49 dias para encaminhar o pedido da defesa de Lula para o Ministério Público Federal se manifestar.

Na última terça-feira, dia 19, o MPF deu o seu parecer. Ao mesmo tempo, para evitar que qualquer decisão do TRF-4 pudesse prejudicar o julgamento do pedido de efeito suspensivo no STF, a defesa de Lula pediu uma audiência com a desembargadora.

A audiência foi, inicialmente, marcada para 29 de junho, três dias depois da data do julgamento pela Segunda Turma do STF. Mas, horas depois, o cartório mudou a data da audiência. O TRF-4 tinha pressa.

Os advogados teriam que despachar até o dia 22, ontem, e entregar o memorial, isto é, o resumo do caso, a última manifestação antes da decisão da desembargadora.E isso foi feito.

Três horas depois, a desembargadora tomou sua decisão e negou recurso extraordinário a Lula, o que, em princípio, tira do STF a discussão sobre a prisão do ex-presidente.

Normalmente, depois do memorial, o magistrado demora alguns dias para decidir. Mas, nesse caso, não. Havia pressa.

A rapidez não foi só dela. Minutos depois da decisão, o ministro Fachin decidiu arquivar o pedido de efeito suspensivo. É como se ele (ou um assessor) estivesse no computador, à espera do despacho aparecer na tela.

E como minutos separam uma decisão da outra, não é exagero imaginar que o texto que sepulta a chance de Lula ser absolvido já estivesse pronto.

A decisão de Fachin é ainda mais surpreendente porque o pedido de efeito suspensivo já consta da pauta da sessão da Segunda Turma marcada para terça-feira.

A defesa de Lula poderá recorrer disso tudo, mas o calendário torna a situação do ex-presidente dramática.

A prisão é dolorosa em qualquer circunstância e, sendo aparentemente injusta, cada dia trancado é um tempo a mais de sofrimento.

Não há como reparar dano desse tipo.

Terça-feira acontecerá a última sessão do STF antes do recesso do Judiciário, que só voltará a funcionar em agosto. Isso significa que, em princípio, Lula permanecerá preso até lá, a menos que haja alguma decisão liminar durante o plantão Judiciário.

Hoje a Lava Jato, da qual Fachin se tornou expoente, se converteu em um tribunal de cartas marcadas. Delegados, procuradores, juízes, desembargadores e ministros trabalham com alvos definidos, têm estratégia, atuam em conjunto e buscam resultados previamente definidos. É como uma orquestra, tudo em sintonia, sob aplauso dos grupos extremistas e apoio da velha imprensa, viciada em negócios.

Se os lavajateiros enxergam a possibilidade de êxito de seus adversários (Justiça no Brasil tem adversário, que desastre!), manobram para evitar o julgamento. Não querem perder nunca. É como um campeonato em que, se houver um adversário superior, em vez de treinar mais, reforçar a equipe, o time cancelasse a partida. A Lava Jato só joga com juiz e torcida a favor.

É uma vergonha e ameaça a convivência de todos num ambiente democrático, no que se chama de estado democrático de direito. Lula é a mais notória vítima desse embrião de Gestapo, mas não se engane: essa máquina que se move por interesses obscuros atropelou Lula porque ele está no caminho, mas vai além dele. O alvo é o Brasil como nação soberana.

Cartas marcadas, desde sempre. Projeto lavajateiro sempre foi tirar Lula das eleições.

O país da barbárie e da indiferença

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“Ele não viu que eu estava com roupa de escola, mãe?”.

Últimas palavras do menino Marcos Vinícius, fuzilado quando voltava da escola por soldados que ocupavam helicópteros das forças de ocupação militar no Rio de Janeiro.

“A ambulância demorou uma hora para chegar porque os policiais mandaram ela voltar da avenida Brasil. Aí veio uma ordem superior mandando ela entrar. Nesse momento, meu filho já estava estava roxo, pálido, gelado. O beicinho dele já estava inchado. (pausa…) Ele estava falecendo ali na minha frente. O meu filho ontem perdeu o baço, ele perdeu um rim, ele tomou ponto no estômago e os estilhaços acabaram com tudo dele. Eu não tenho o que doar do meu filho, entendeu, gente?” – palavras da mãe de Marcos Vinicius. Ela queria doar os órgãos do filho de 14 anos e não conseguiu.

(by Kédma Ferreira, no Face)

E há quem acredite que este país tem jeito.

De azul, Brasil vence a 1ª e Neymar aproveita para desabafar

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A primeira vitória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Rússia foi conquistada com muita dedicação dos jogadores, que apenas nos acréscimos conseguiram furar o forte sistema defensivo da Costa Rica e marcar os dois gols que deram a Tite mais tranquilidade após uma estreia ruim, com empate. Uma imagem logo em seguida ao apito final, entretanto, chamou atenção: a comoção de Neymar, que usou as redes sociais para se explicar e desabafar.

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“Nem todos sabem o que passei pra chegar até aqui, falar até papagaio fala, agora fazer… poucos fazem!! O choro é de alegria, de superação, de garra e vontade de vencer. Na minha vida as coisas nunca foram fáceis, não seria agora né !!! O sonho continua, sonho não … OBJETIVO! Parabéns pela partida rapaziada, vocês são F*”, escreveu Neymar em sua conta no Instagram.

Assim que o árbitro holandês Bjron Kuipers decretou o fim do jogo, o camisa 10 caiu no gramado muito emocionado e aos prantos. Depois de uma lesão no pé que fez da sua presença na Rússia uma incógnita, a estreia ruim diante da Suíça rendeu novas críticas, corroboradas depois de sua atitude nesta sexta-feira, apesar do gol marcado.

Durante a semana, o craque correu riscos de não atuar no duelo diante da Costa Rica por conta de dores no tornozelo, que lhe tiraram de parte do treinamento da última terça-feira. Porém, o processo de recuperação foi intensivo, a fim de promover sua presença sem restrições. Agora, Neymar volta a campo na próxima quarta, quando a Seleção mede forças com a Sérvia, na Arena Spartak.

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primeira vitória da Seleção Brasileira teve contornos dramáticos. Escolhido pelo técnico Tite para atuar como capitão em São Petersburgo, o zagueiro Thiago Silva destacou a persistência da equipe para buscar o gol após o lance mais polêmico da partida.

Neymar recebeu na cara do goleiro Keylor Navas, mas, ao invés de finalizar, preferiu cavar pênalti de Giancarlo Gonzalez, marcado e anulado pelo árbitro Bjron Kuipers após observar o lance em vídeo. Persistente, o Brasil manteve a pressão até marcar com Philippe Coutinho e Neymar.

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“Em um momento do jogo, ficamos preocupados, porque, quando você martela, martela e o gol não sai, vem aquele sentimento: ‘pô, não é hoje’. Mas nunca deixamos de acreditar. Mesmo depois do pênalti, não deixamos de querer o jogo. Foi premiada a equipe que mais quis jogar futebol”, disse Thiago Silva, que evitou reclamar do lance em campo.

“Faltavam poucos minutos. Se fôssemos argumentar, levaria isso adiante e, de repente, não teríamos tempo para fazer o gol. A decisão foi tomada, ele não mudaria. Isso só agravaria ainda mais com cartão amarelo. Nessas horas, acho que devemos ter tranquilidade para saber falar, por mais que a cabeça esteja quente”, disse o capitão.

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Com o triunfo sobre a Costa Rica, a Seleção Brasileira chega aos quatro pontos ganhos no Grupo E da Copa do Mundo. Às 15 horas (de Brasília) de quarta-feira, no Estádio do Spartak, o time defendido por Thiago Silva encara a Sérvia na última rodada da primeira fase do Mundial.

“Vamos tentar seguir nessa linha, de jogar e buscar a vitória, mas sem ficar descoberto atrás. Tanto eu quanto o Miranda fizemos uma excelente partida nesse aspecto. Os dois laterais, também. O caminho é continuar acreditando, por mais que seja difícil”, declarou o zagueiro. (Da Gazeta Esportiva)

Fora da Copa, EUA tentam lançar suspeita sobre seleção russa

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Envolvida em um escândalo de doping e com um desempenho surpreendente na Copa do Mundo, a seleção russa preocupou o chefe da agência antidoping dos Estados Unidos, Travis Tygart. Hoje (22), o dirigente pediu a Fifa que os jogadores anfitriões testem para a utilização de substâncias proibidas.

“O time russo deve passar por testes agressivos para garantir a confiança do público na integridade da Copa do Mundo”, disse Tygart ao jornal britânico The Telegraph.

O pedido acontece após as vitórias contra a Arábia Saudita, por 5 a 0, na estréia da Copa e conta o Egito, no segundo jogo, por 3 a 1. A Fifa afirmou que não pode divulgar as informação sobre a quantidade de vezes que a seleção do país-sede passou pelo exame, mas garantiu que a Rússia foi uma das equipes mais testadas.

Parece coisa de gente invejosa – e é.

Vitória da Nigéria dá sobrevida à Argentina

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A Nigéria venceu a Islândia por 2 a 0, na tarde de hoje (22), em Volgogrado, assumiu a segunda posição no Grupo D da Copa do Mundo da Rússia, com 3 pontos, e deu sobrevida à Argentina, próximo adversário dos verdes.

O primeiro tento africano saiu aos 3 minutos do segundo tempo com um golaço do atacante Musa, após contra-ataque pelo flanco direito puxado por Moses. O atacante recebeu a bola na área, dominou com o pé direito e fuzilou a meta do goleiro Halldórsson.

O mesmo Musa definiu o placar, aos 29 da etapa final, depois de receber um lançamento, ganhar na velocidade do zagueiro Árnason, driblar o goleiro e tocar para o fundo da rede.

A equipe escandinava ainda teve chance de diminuir aos 37, com o armador Sigurdsson, que mandou a cobrança de pênalti na lua. A infração foi marcada com auxílio do árbitro de vídeo, que viu falta do lateral-direito Ebuehi sobre o avançado Finnbogason dentro da área.

O confronto direto da Nigéria – que se classifica se vencer – contra a Argentina será na próxima terça-feira (26), às 3h da tarde, em São Petersburgo. No mesmo dia e horário, em Rostov, a Islândia vai precisar ganhar da líder Croácia e torcer por um triunfo simples dos portenhos para não voltar mais cedo para casa.

A noite do maestro Modric

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POR GERSON NOGUEIRA

Quem reservou a tarde de ontem para ver Messi finalmente estrear na Copa terminou por assistir um show particular do tranquilo Modric, maestro da Croácia, espécie de dínamo com a bola nos pés, responsável por ditar ritmo e organização na meia-cancha. Sem espalhafato, transitou sem atropelos de uma intermediária a outra, botando seus companheiros de ataque em condições de tiro e ele próprio disparando um míssil indefensável no segundo gol croata.

Messi, ao contrário, voltou a parecer um cavaleiro tristonho na desregulada esquadra argentina. Não se viu brotar em nenhum momento aquela velha volúpia ofensiva, que se materializa nas arrancadas rumo ao gol inimigo. Tentou apenas duas vezes entrar na área croata. Como enfrentou resistência, sumiu da zona de definição e resolveu ir buscar jogo em sua própria intermediária.

Muito do visível desalento de Messi pode ter a ver com a balbúrdia tática da equipe, que não explora as investidas pelos lados e nem pelo centro do campo. Não há um organizador – embora Di Maria esteja no banco de reservas. Poucas vezes a Argentina esteve tão precariamente representada em Copas do Mundo. Mesmo na trôpega campanha na Copa da Alemanha, em 2006, com Maradona no comando, o time tinha lá seus lampejos.

A diferença de atitude entre os solistas das duas seleções ficou evidente no placar, todo construído no segundo tempo. Os primeiros 45 minutos foram de dar dor de dente em serrote, mas, a partir de um erro terrível de Caballero na reposição de bola, a partida ganhou em emoção, angústia e dramaticidade.

O vinagre azedou para a Argentina quando Modric, que já era senhor absoluto do meio-campo, apareceu junto à área, deu dois passos com a bola e disparou um chute forte, entre as mãos do goleiro e o poste esquerdo. 2 a 0. Uma pintura de gol e um dos lances mais bonitos da Copa.

Quando veio o terceiro, do bom Rakitic, até a Casa Rosada sabia que a vaca já tinha ido ao brejo. A jogada lembrou aqueles exercícios em campo reduzido, tal a facilidade dos croatas trocando passes na pequena área. Zonza, a Argentina tropeçava em passes curtos. Como de hábito, abriu a caixa de ferramentas. Otamendi só não foi expulso porque o árbitro aliviou.

Além dos festejos pela classificação croata e da tristeza de Messi, com a qual todos os amam futebol devem ser solidários, chamou atenção o jeito esfuziante do técnico Sampaoli, mais tatuado que frontman de banda heavy metal. Um troço ridículo, a provar que presepadas estilosas não encantam apenas jogadores de cabeça oca, como Neymar, mas técnicos também.

Esta é, provavelmente, a Copa derradeira de Lionel Messi. Adeptos do futebol bem jogado têm muito a lamentar por isso. Talvez seja o caso de se dizer, lá na frente, como a respeito de Zico e Sócrates, azar da Copa que não deu a glória de um título a La Pulga.

O jogo de ontem não foi o último tango, mas deixou a impressão de que o craque já não tem qualquer sintonia com a seleção de seu país. Deixou o gramado sozinho, expressão fechada e abatida. Messi é introvertido, não é do tipo que parte para cima de treinador, mas deve ter chegado à mesma conclusão de Vicente Mateus: técnicos não ganham, mas perdem jogo.

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Chance de apagar a má impressão

O Brasil volta a campo hoje, logo cedo (9h por aqui), para tentar reestrear no Mundial. Neymar, astro da seleção, tem presença confirmada, mas na lateral-direita Danilo, lesionado, dá lugar a Fagner. Daquelas paradas indigestas, de assustar qualquer um. Coisa que todo mundo rezava pra não acontecer, afinal o lateral corintiano é mais famoso por arrebentar pernas e joelhos adversários.

(Cá pra nós, é inconcebível que as milhares de escolinhas de futebol do país não consigam produzir um lateralzinho menos rastaquera.)

Como o adversário é a Costa Rica, já sem aquela sustança de 2014, as coisas podem se resolver sem grandes atropelos, apesar de Fagner ali pela direita. O drama maior é convencer Neymar a jogar bola sem pretender ser o centro das atenções.

Na estreia, todo mundo viu, ele queria acima de tudo mostrar ao mundo o novo penteado. Ficou prendendo bola, levando pancada e atraindo as câmeras. Não deu muito certo, nem pra ele e muito menos para o Brasil.

Tite, que saiu quase a salvo de críticas pela atuação de domingo, deve ter em mente que a partir de agora será muito mais responsabilizado. Afinal, se a equipe voltar a apresentar instabilidade, o técnico será cobrado por isso.

O resto da equipe deverá ser o mesmo do jogo de domingo, incluindo possivelmente Casemiro (já amarelado) na marcação. Sou tentado a achar que Coutinho será cada vez mais protagonista nesta Copa. Só acho.

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Xingamentos de S. Paulo inspiram cenas sexistas de Moscou

O noticiário abundante sobre cenas deploráveis de torcedores brasileiros assediando mulheres russas – e até menores – só surpreende quem não vai a estádios de futebol no Brasil. O que se viu em 2014, na Arena Itaquera, é tão ignóbil quanto as gravações com piadinhas sujas e cantorias sexistas feitas em Moscou.

Naquela tarde de abertura da Copa do Mundo, torcedores que ocupavam as cadeiras especiais puxaram um coro imundo contra a presidenta Dilma Rousseff . Palavrões do mais raso vocabulário foram gritados para afrontar e insultar a primeira mulher mandatária do país.

Uma vergonha inominável e gesto covarde pelo qual ninguém foi punido ou pelo menos investigado. A inspiração para as marchinhas obscenas cantadas na capital russa venha do cérebro atrofiado de figuras que estavam em Itaquera há quatro anos.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 22)