Fifa investiga e pode punir atletas da Suíça por gestos políticos nas comemorações

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Após a repercussão das comemorações de Xhaka e Shaqiri nos gols suíços na partida diante da Sérvia, a Fifa se posicionou sobre o caso e resolveu abrir procedimentos disciplinares contra os atletas. Além disso, a federação também abriu processos disciplinares contra a federação sérvia (por atos da torcida) e o treinador da seleção Mladen Krstajic.

Com a investigação aberta, os jogadores podem pegar uma suspensão de dois jogos, de acordo com o artigo 54 do Código Disciplinar. Caso punidos, Xhaka e Shaqiri ficariam de fora da partida decisiva contra a Costa Rica, além de uma possível oitavas de final.

Agora, atletas e federação terão o direito de defesa para se pronunciar sobre o caso. Normalmente, esse procedimento leva 48 horas até uma decisão ser publicada.

Confira abaixo a nota da Fifa:

O Comitê Disciplinar da FIFA abriu procedimentos disciplinares contra os jogadores suíços Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri pela celebração do gol durante a partida Suíça x Sérvia. Em relação ao mesmo jogo, foram instaurados processos disciplinares contra a federação de futebol da Sérvia por perturbação da multidão e exibição de mensagens políticas e ofensivas por parte dos torcedores sérvios. Além disso, uma investigação preliminar foi aberta contra o técnico da seleção sérvia Mladen Krstajic por supostas declarações feitas após o jogo.

Tanto Shaqiri quanto Xhaka fizeram o símbolo da bandeira da Albânia, uma águia negra de duas cabeças, depois de marcarem na vitória sobre a Sérvia. Isso porque a maioria do povo kosovar é de origem albanesa. Xhaka nasceu na Basileia e é filho de pais kosovares, enquanto Shaqiri é mesmo do Kosovo, assim como o volante Behrami, e se naturalizou suíço para jogar pela seleção.

Além da decisão contra jogadores suíços e federação de futebol da Sérvia, a Fifa também se pronunciou sobre outros dois casos polêmicos da Copa do Mundo. Um envolvendo a torcida polonesa no jogo contra Senegal, na primeira rodada, e outro sobre a confusão na arquibancada do jogo da Argentina, na derrota para a Croácia. (Do Globo Esporte) 

Algumas coisas a dizer sobre Lukaku

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Do Trivela 

Com frequência, trazemos histórias contadas no Player’s Tribune, onde os jogadores abrem o coração com informações que geralmente não aparecem em entrevistas. Raras vezes fui tão tocado quanto neste relato de Romelu Lukaku. Pela franqueza, pela mistura de drama e humor, e pela história de vida em si. Ao ver a mãe misturar água no leite porque não havia dinheiro para o resto da semana, o pequeno Romelu, de seis anos, prometeu que seria jogador do Anderlecht e, no processo, precisou lidar com a pobreza, o preconceito de ser filho de congoleses e com a pressão de cumprir a promessa que havia feito ao avô materno, quatro dias antes de sua morte: de que faria de tudo para cuidar da mãe. Conseguiu e foi além. Está prestes a disputar sua segunda Copa do Mundo.

Tenho algumas coisas a dizer

Eu me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Ainda consigo visualizar minha mãe na geladeira e o olhar no rosto dela.

Eu tinha seis anos de idade e cheguei de casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.

Naquele dia, eu cheguei em casa e entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Ela estava balançando, sabe? Eu não entendi o que estava acontecendo. Ela me trouxe o almoço e estava sorrindo, como se tudo estivesse bem. Mas eu percebi na hora o que estava acontecendo.

Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados. Não apenas pobres, mas quebrados.

Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.

Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.

Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.

Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.

Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.

Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que precisava fazer e o que iriafazer.

Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.

As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.

Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.

Eu tinha seis anos.

Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”

Ele disse: “Dezesseis anos”

Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.

Aconteceria. Ponto final.

Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que eu já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.

Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Que ano você nasceu?”

E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?

Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse, e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? Da onde ela veio?”

Eu pensei: “Da onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos for a de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Eu fui pegar meu documento, na minha mala, e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.

Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.

Eu estava em uma missão.

Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.

Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.

Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.

E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Yeah, Rom, yeah, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”

Eu disse: “Sim, qual?”

Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?

Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.

Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”

Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.

Eu fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.

Eu disse para minha mãe que eu conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.

Eu errei por 11 dias.

24 de maio de 2009.

A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.

Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.

Então, fiz uma aposta com o treinador.

Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.

Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.

Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.

Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.

Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.

Ele disse: “Ok, fechado”.

Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.

Ele disse: “Ok, certo”.

Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.

Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro.

Que sirva de lição. Você não mexe com um garoto que está com fome.

Eu assinei contrato professional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então estava em casa relaxando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.

Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.

Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.

“Alô?”

“Alô, Rom. O que você está fazendo?”

“Saindo para jogar bola no parque”.

“Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo”.

“Por quê? O que eu fiz?”

“Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você”.

“Yo….o quê? Eu?!”

“Sim. Você. Venha. Agora”.

Eu literalmente corri para o quarto do meu pai. “YO! Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”.

“Huh? O quê? Pra onde?”

“ANDERLECHT, CARA”.

Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.

E eu disse: “Me dá a 10”.

Hahahahahaha sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.

E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30”.

Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.

Meu amigo: “Jogar onde?”

Ela disse: “Na final”.

Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.

“Bro?! Por que você está no jogo?!”

“Rom, o que está acontecendo? POR QUE VOCÊ ESTÁ NA TV?”

A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.

Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.

Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!

Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.

Mas, yo – pera lá. Eu tinha 17 anos! 18! 19!

Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.

Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.

Eu sou belga.

Somos todos belgas. É isso que faz este país legal, certo?

Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.

Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.

Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.

E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.

Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.

Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.

Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.

Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”

Ele: “Não seja tonto. Claro que vi”.

Isso é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu apenas realmente, realmente gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.

Não estou falando da Premier League.

Nem do Manchester United.

Nem da Champions League.

Nem da Copa do Mundo.

Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele…

“Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem…

…Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

Blatter diz que devia ter sido mais duro na Fifa, não fala de Teixeira e desconhece Nunes

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Os jornalistas Camila Mattoso, Diego Garcia, Sérgio Rangel e Juca Kfouri entrevistaram o cartola suíço Joseph Blatter na Folha de S.Paulo.

(…)

A imagem que a Fifa tem hoje é de uma entidade corrupta. Qual a sua responsabilidade?

Essa é a imagem que dão para a Fifa. Mas a Fifa não é corrupta, são pessoas que são corruptas. A Fifa não é corrupta. A Fifa é a mesma, que continua a viver e a organizar esse Mundial. Pessoas, sim. As pessoas agora estão na Justiça, para ver se serão ou não castigados.

(…)

Qual é o maior erro que o senhor cometeu na Fifa?

Erros ou faltas? Porque faltas têm punições. Naturalmente cometemos erros. Meu maior erro foi dirigir a Fifa com o principio da direção de confidência, sem transparência. Na minha opinião, isso não se pode fazer. Tinha que ter sido mais duro com as pessoas que dirigiam a entidade. Esse é meu caráter e não posso mudar. Depois do Mundial de 2014, eu deveria ter terminado [meu mandato]. Esse foi um erro grave. As pessoas que estavam ao meu lado, como a família, me disseram: stop, stop [pare]. Você tem uma idade em que todos os outros já estão aposentados. Vá embora. Havia um pequeno problema, porque ao final do ano, o senhor Platini, que era o sucessor normal, me disse para não ir. Outras pessoas também disseram que não havia outro presidente preparado ainda. Esse foi um erro, ou possivelmente uma falta.

O senhor acha que a CBF perdeu força política com o coronel Nunes na presidência?

Não me recordo desse senhor. Definitivamente não me recordo. Nunes?

É o presidente da CBF. Foi colocado pelo ex-presidente Del Nero.

[muda de assunto e fala sobre a seleção]Se o Brasil continuar jogando como hoje, não vai ser campeão. O futebol é um jogo rápido e o Brasil para ir ao ataque pensa que está num treino. Brasil precisa jogar mais rapidamente.

O senhor falou sobre tudo, menos de Ricardo Teixeira.

Não, não. De tudo? Sim.

Por que não fala?

Por que eu deveria falar de Teixeira?

O senhor trabalhou com ele na Copa de 2014 e falou sobre tudo.

Mas não quero falar sobre pessoas que estão nas investigações, em diferentes Justiças. Não quero que falem de mim.

English Team dispara maior goleada da Copa e Krane assume artilharia

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A Inglaterra é mais uma seleção com vaga garantida nas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia. Pela segunda rodada do Grupo G, o time da Rainha não teve dificuldades para vencer a seleção do Panamá por 6 a 1 neste domingo, em Nizhny Novgorod. Os gols foram marcados por John Stones (duas vezes), Harry Kane (três vezes) e Jesse Lingard. Baloy fez o gol de honra. Krane assumiu a liderança da artilharia, com 5 gols, ultrapassando o português Cristiano Ronaldo e o belga Romelu Lukaku, que têm 4.

Kane está agora a um gol de igualar a marca do inglês Gary Lineker, artilheiro da Copa do Mundo de 1986, com seis gols. No total, Lineker tem dez, somando os quatro que fez no Mundial de 1990. Ele é o maior artilheiro da história da Inglaterra em Copas. Kane só tem 24 anos.

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Com o resultado, o English Team foi a seis pontos e assumiu a liderança do grupo. A Bélgica possui a mesma quantidade de pontos, saldo de gols e gols marcados, mas perde no quesito Fair Play, já que tomou um cartão amarelo a mais que os britânicos (três a dois, respectivamente). O Panamá, por sua vez, é o lanterna, zerado em termos de pontuação e já eliminado do Mundial.

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As duas equipes voltam a campo na próxima quinta-feira. Em Saransk, os ingleses lutam pela primeira posição da classificação em confronto direto contra os belgas, no confronto mais aguardado do grupo. Em Kaliningrado, os panamenhos se despedem da Rússia contra a também já eliminada Tunísia, em busca dos primeiros pontos na Copa. Ambas os jogos têm início marcado para as 15h (no horário de Brasília).

Sérvia, próxima adversária do Brasil, critica arbitragem e aponta complô da Fifa

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A próxima adversária do Brasil na Copa do Mundo, a Sérvia parece não ter digerido a sua derrota para a Suíça na última sexta-feira. Neste domingo, o presidente da federação do país, Slavisa Kokeza, deu declarações fortíssimas acusando a Fifa de realizar um complô contra os sérvios. A forte reclamação ocorre devido a um possível pênalti cometido em Mitrovic, já no segundo tempo.

“Vamos enviar um protesto à Fifa. Eu não acho que o problema está apenas no VAR (árbitro de vídeo), foi tudo direcionado pelas pessoas que escolhem os árbitros. Está claro para a Europa e para o resto do mundo que a Sérvia foi brutalmente roubada. Não espero que a Fifa tome alguma atitude em relação a esse roubo brutal, porque, repito, foi tudo direcionado”, declarou o dirigente a BBC.

Esta não foi a única declaração que demonstrou a irritação dos sérvios com a arbitragem. Logo após a partida, o treinador da equipe, Mladen Krstajic, declarou que gostaria de ver o juíz Felix Brych sendo julgado num tribunal de guerra. O presidente da federação não foi tão incisivo nas críticas, porém afirmou que o fato do árbitro ser alemão influenciou nas decisões tomadas na partida.

“Todos sabemos que mais da metade da população da Suíça é alemã. Membros da comissão técnica, jogadores, a população da Sérvia, todos estão muito desapontados pela injustiça causada por algumas pessoas da Fifa”, finalizou o mandatário.

Outro fato da partida que gerou bastante polêmica foi a comemoração dos gols suíços, quando Xhaka e Shaquiri reproduziram com a mão uma águia negra de duas cabeças, como uma referência a bandeira da Albânia, já que grande parte do povo kosovar é de origem albanesa. Kosovo é um país recém-separado da Sérvia, que não reconheceu a independência do local. Vale lembrar que os país de Xhaka e o próprio Shaquiri são de Kosovo.

“Merecem ser condenadas (as comemorações) por todo o mundo do futebol. Esperamos que a Fifa tome alguma atitude em relação aos jogadores que agiram contra as regras da Fifa e do fair play, assim como contra a federação nacional por qual eles jogam”, finalizou.

O sentido da brasilidade através do futebol e da Seleção: resistir é preciso

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Por Bruno Lima Rocha (*)

Pode parecer um tema repetitivo, ou redundante, por vezes quase uma tentativa desesperada de “salvar a significação” do mundo da bola para o pensamento crítico ou, porque não, um intento meio que desesperado de sair do lugar comum. Mas, em épocas de Copa do Mundo da FIFA (sim, a competição é organizada pela URGH, FIFA) percebo que há algo além de uma transmissão monopolizada – na TV, aberta – ou o duopólio das transmissões radiofônicas ou nos canais por assinatura.

O entorno de uma Copa implica uma gigantesca movimentação econômica, cotas astronômicas de patrocínio e a tentativa de adesão acrítica para a emissora líder sem concorrentes em rede aberta. Logo, podemos afirmar que os descaminhos do capitalismo ajudam a perder o impacto do jogo. Na Copa do México, 1986, por exemplo, a Globo, disputava audiência com a Bandeirantes (ainda com Luciano do Valle à frente), com o consórcio SBT-Record e a extinta TV Manchete. Ainda vivíamos o período do “papo de esquina” sem cair na mesmice da assepsia social – estúdios “clean” – com um pacote de mauricinhos (esteticamente falando) conversando com “seriedade” e, na rede aberta, o processo tétrico de “leiferização” das transmissões esportivas, onde a magia e a poética do mais abrasileirado de todos os esportes se encontra refém da disputa na base do “vale tudo pela audiência”.

Ou seja, a falta de concorrência aumenta o abuso de fórmulas consagradas, onde reduzir a aleatoriedade da mudança de telespectadores termina sendo o mais importante. E, ao mesmo tempo, conduzir o debate nas segundas telas – as “redes sociais” do embate contra quem trabalha na mídia “esportiva” – é a garantia da navegação multiplataforma, mantendo a audiência no sentido de seguimento e subordinação.

Por um lado, é fato, a crônica esportiva é tão constitutiva do jogo e do entorno como as instituições clubísticas, a cartolagem e a matriz africana da forma de se movimentar do futebol brasileiro. Por outro, a mesma assepsia dos estúdios de TV se verificam na “falta de amor à camisa”, onde uma carreira rápida e muito arriscada pode implicar a salvação financeira de uma família, ou a condenação à sobrevivência perene, considerando que o país deixou atrás o período da bonança do boom das commodities e do pacto de classes interno.

É importante notar que vários aspectos da crônica esportiva brasileira eram pontos de contato com a linguagem popular, na simbiose das óperas do povo em estádios lotados através de ingresso barato. Todos nós sabemos – e criticamos – a euforia da ditadura com o futebol e a criação de gigantescos estádios após a conquista do tri em 1970. Mas, é preciso reconhecer que os templos futebolísticos como Coliseus modernos continha todas as classes e, por algumas horas, mesmo com todos os conflitos inerentes a uma sociedade escravocrata e pós-colonial, o “povo” ganhava forma, com a nata se rendendo à massa, em todos os aspectos. Findo o “espetáculo”, a saída das partidas já demarcava pertencimentos, fazendo da ida ao jogo uma aventura e o retorno – em especial de partidas noturnas – uma loteria.

Com a elitização do acesso aos estádios, e a receita vinculada aos direitos de transmissão, mais do que a renda da venda dos ingressos, o público passa a ser parte do que é vendido. Pasteurizaram demais, não a ponto de matar a paixão ou a espontaneidade, mas sim no exagero das formas de controle privatizado. Para quem julga exagero, reconheço que ninguém deve sentir falta do risco permanente de “tomar um banho de urina” em copos de cerveja preenchidos com o líquido humano ainda quente. Por outro lado, vender lanche nas “modernas arenas” como se fosse comida de setor internacional de aeroportos é uma violência contra a população.

Só reclamar não adianta, mas é preciso uma constatação realista para apontar saídas, ou mesmo as críticas necessárias. Enfim, a manipulação política grosseira, como a feita pela ditadura em 1970, ou o ufanismo irresponsável e anti-atlético, como a “invasão da concentração” do Brasil em 1950, são fenômenos execráveis. Baixarias assim creio que não se repetem mais, ao menos não de forma tão escancarada. A maior crítica resulta mesmo na forma mercadoria do acesso aos estádios e na insistente sobrevida da cartolagem sob muita suspeita e o esquemão FIFA-CBF. Estando a Confederação Brasileira em desgraça, a Federação Internacional segue monetizando ao máximo, mas sem tanta participação dos herdeiros políticos tanto de João Havelange como de José Maria Marín e do impagável Nabi Abi Chedid.

Para além da economia política do esporte mais entranhado na cultura do povo brasileiro, é necessário reconhecer o sentido de brasilidade gestado por meio século ou mais, consagrado em 1958, passado o trauma de 1950. Há muito ainda para se reivindicar. Destaco a estética brasileira e a identidade coletiva baseada no gesto da massa, na linguagem corporal afro-brasileira com ou sem a bola nos pés e a crônica futebolística como forma de indústria cultural tangível da maioria. Tudo isso é diariamente maculado por forças muito poderosas e piorou. A camisa da seleção brasileira, fruto de escolha popular após o Maracanaço, foi blasfemada pela nova-velha direita no transe político reacionário iniciado no terceiro turno de 2014, culminando no golpe coxinha de 2016. A blasfêmia da coxinhada e a síndrome do viralatismo merecem um texto exclusivo e o mesmo logo sai. Reconheço, está difícil falar só de bola e mais complicado ainda em ver poesia para além da nostalgia. Mas, resistir é preciso, e a alegria do povo no patrimônio imaterial da maioria de Palmares e Pindorama é inegociável.

(*) Pós-doutorando em economia política, doutor em ciência política e professor de relações internacionais e jornalismo. Mais importante do que isso, é brasileiro e botafoguense (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com para E-mail e Facebook / t.me/estrategiaeanalise para o canal no Telegram).

Ex-presidente da Fifa confirma: “Palmeiras é o 1º campeão mundial”

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O torcedor palmeirense tem mais um motivo para afirmar que seu time é, de fato, o primeiro campeão do mundial de clubes da história. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter afirmou que a conquista da Copa Rio de 1951 deve ser considerada como o primeiro título mundial de um clube.

“Disse hoje para todas as pessoas que me perguntam há três dias: o Palmeiras é o primeiro campeão mundial dos clubes. Eu posso dizer porque não sou mais presidente da Fifa. Para mim, é o Palmeiras”, disse o ex-mandatário, banido do futebol por acusações de corrupção.

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Blatter se encontra na Rússia, a convite do presidente Vladimir Putin, para acompanhar a Copa do Mundo. O suíço ainda era presidente da Fifa em 2014, quando Aldo Rebelo, ex-ministro do Esporte, anunciou ter recebido a confirmação do fato por parte da entidade máxima do futebol mundial.

No site oficial da Instituição, porém, não há qualquer menção ao Palmeiras pelo título de 1951, embora o Verdão já tenha sido parabenizado por ser o vencedor do “primeiro campeonato global” da história. No ano passado, a Fifa chegou a afirmar que os títulos mundiais interclubes seriam contabilizados somente a partir do ano 2000. Portanto, todas as conquistas do século passado não seriam consideradas.