Atuação boa, resultado terrível

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POR GERSON NOGUEIRA

A estreia de Artur Oliveira no comando do Remo marcou a utilização de uma nova configuração tática a partir do meio-campo. E o time teve boa movimentação durante o primeiro tempo e só pecou na definição de jogadas na área. Encaixou boas tramas, criando seis grandes oportunidades de gol. Mas o desperdício cobraria no fim das contas um preço amargo.

Em cobrança de falta, aos 23 minutos, contando com saída atrasada do goleiro Vinícius, o Salgueiro foi extremamente certeiro na primeira tentativa de ataque, assinalando o gol que lhe garantiria a vitória. Emerson aproveitou o rebote para estufar o barbante.

Apesar de abalado pelo placar adverso, o Remo continuou fustigando e quase chegou ao empate ainda no primeiro tempo. Mimica, Eliandro, Dedeco, Rafael Bastos, Rodriguinho e Leandro Brasília se revezavam nas chances e nos erros de finalização.

Ficou bem evidente, em dois lances, envolvendo Rafael Bastos, Eliandro e Dedeco, que um dos motivos do fracasso do ataque foi a falta de confiança para arriscar o disparo final a gol.

Rafael hesitou na hora de finalizar dentro da área após toque perfeito de Eliandro. O próprio Eliandro recebeu passe de Rafael e desistiu da definição preferindo tocar para o centro da área. Dedeco, também acionado por um desvio de Eliandro, recebeu livre na marca do pênalti e resolveu dar um toque a mais permitindo a intervenção do goleiro Mondragon.

No fundo, ficou a sensação de que alguns ajustes podem tornar o formato vitorioso. A ideia de atacar com um centroavante e três meias bem adiantados funcionou contra uma defesa que se posicionava com cinco homens no interior da área.

As situações criadas na área, com incursões pelo meio da defesa, fazem crer que a estratégia é interessante. Artur, ao final da partida, pediu paciência a um torcedor que já vive nos estertores da tolerância, mas seu apelo faz sentido.

Ontem, contra um time fechadíssimo atrás, ele conseguiu fazer com que o Remo girasse a bola e tivesse pleno domínio das ações, mesmo sofrendo com a falta de hábito de jogar sem pontas abertos, como fazia desde o Campeonato Estadual.

A mudança de propósitos é bem radical. Na prática, o Remo de Artur deixa de insistir pelas extremas para priorizar as manobras centralizadas, que normalmente enfrentam marcação mais hostil.

Há outro ponto a ser considerado. Ficou visível a partir dos 15 minutos da etapa final a queda acentuada de rendimento físico dos jogadores mais acionados da equipe. Rodriguinho, Rafael e Dedeco deixaram de correr e de fazer a movimentação que confundia os marcadores.

Gabriel Lima entrou no lugar de Bruno Maia, passando a ocupar o lado esquerdo enquanto Elielton entrava na direita, restabelecendo o sistema anterior em pleno voo. Apesar dos esforços de Gabriel, principalmente, a mexida não deu mais certo.

Os cruzamentos se tornaram repetitivos, sem maior perigo para o exército de beques de prontidão na área salgueirense. Isac entrou no lugar de Rafael para reforçar o jogo aéreo, mas não fez nada de mais relevante, acabando até por atrapalhar Eliandro, que teve boa atuação no primeiro tempo.

Em situação aflitiva na classificação, sob risco de fechar a rodada na zona de rebaixamento, a pressão por resultados conspira contra Artur na tentativa de ajustar a equipe. Além disso, há a carência por um especialista na lateral esquerda, onde Bruno Maia improvisado se torna peça improdutiva.

De positivo ficou a impressão de que há remédio para os problemas do Remo. A dúvida é se haverá tempo suficiente para o tratamento. (Foto: Fábio Will/Ascom Remo)

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Golaço de Neymar salva o amistoso da Seleção

O jogo valeu pela confirmação de que Neymar está em ponto de bala para disputar a Copa. O período de recuperação da cirurgia a que ele se submeteu após lesão grave no pé deixou muitas dúvidas no ar. Havia principalmente o receio de que não voltasse com a confiança necessária para encarar uma competição de alto nível.

Contra a Croácia, ontem, em Liverpool, as desconfianças se dissiparam. Neymar entrou e mostrou a habilidade de sempre, carimbando sua participação com um golaço típico de futebol de salão. Dribles secos em vaivém e um tiro fulminante em direção às redes.

Preocupante mesmo foi o estilo preguiçosamente burocrático da Seleção ao longo do primeiro tempo. Parecia uma combinação dos times de Mano Menezes e Dunga, com pitadas de Parreira pelo meio.

O meio-campo repleto de volantes (Casemiro, Fernandinho, Paulinho) se excedeu em jogadinhas chochas e sem criatividade. Toques de lado, poucos avanços. De qualquer forma, a experiência é válida, pois Tite trabalha a ideia de ter uma opção conservadora na manga caso haja necessidade.

Aposta do técnico para uma saída qualificada, Fernandinho foi o Fernandinho de sempre, que acrescenta pouco à equipe. Os fãs extremados do volante juram que ele reaprendeu a jogar no City, após ser um dos responsáveis diretos pelo massacre alemão de 2014.

A julgar pelo que mostrou ontem, minhas suspeitas continuam de pé. Fernandinho nem podia estar no grupo, tal a mesmice com que atua, além de errar muito no bote, cercando sempre em sentido contrário à lógica dos movimentos. Reflexo da formação ruim. Apesar disso, será titular na Copa e certamente nos dará motivos para fortes emoções.

Com o gol aos 47 minutos, Firmino abriu frente na luta para ocupar o centro do ataque, até por ser mais ágil e dinâmico para acompanhar as flutuações de Neymar e William, que foi o melhor em campo.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 04)

A frase do dia

“Não era a estreia que eu queria, mas vi coisas boas na atuação. É um campeonato difícil, perdemos mais três pontos dentro de casa. O adversário veio jogar no nosso erro. Criamos muitas chances de gol, criou demais, mas não conseguiu marcar. Eu tenho que valorizar os jogadores porque eles lutaram. Agora é trabalhar”.

Artur Oliveira, técnico do Remo

Atuação fraca ameaça a titularidade de volante, mas Tite sai em defesa

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Titular nos dois últimos amistosos da Seleção Brasileira, improvisado na função de armador centralizado, o volante Fernandinho está com o seu lugar no time ameaçado. O jogador do Manchester City oferece maior proteção defensiva à equipe, que, por outro lado, perde muito em criatividade com ele. O problema ficou evidente no primeiro tempo da vitória por 2 a 0 sobre a Croácia, neste domingo, em Liverpool.

“O Fernandinho participou pouco nesse jogo, mas ele é articulador e tem bom passe”, defendeu Tite, apresentando um contraponto. “E o jogo da Alemanha, em que vencemos com o Fernandinho por dentro?”, citou.

A Alemanha atacou muito mais o Brasil do que a Croácia, dando espaços para Fernandinho colaborar com os contragolpes. Neste fim de semana, contra um adversário que não tinha interesse de propor o jogo, o volante não foi eficiente na função que era ocupada pelo meia Renato Augusto, hoje em baixa.

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No segundo tempo, com o atacante Neymar na vaga de Fernandinho, o Brasil melhorou consideravelmente. O time passou a contar com um trio formado pelo astro do Paris Saint-Germain e pelos armadores Willian e Philippe Coutinho, deslocado da ponta esquerda para a armação central. Poderá ser assim também na Copa do Mundo da Rússia.

“O Coutinho deu essa possibilidade. O Willian e o Neymar também estavam muito bem. Mas, por mais que eu também esteja ansioso, vamos dar tempo para o trabalho. Que essa passar a ser uma possibilidade mais real a cada vez que eles atuam bem, isso, sim”, admitiu Tite.

O amistoso contra a Croácia foi o penúltimo da Seleção Brasileira antes da estreia na Copa do Mundo da Rússia. No domingo que vem, em Viena, o time dirigido por Tite será testado diante da Áustria, que não estará no Mundial, mas derrotou a Alemanha por 2 a 1 no sábado. Já pelo grupo E da Copa, o Brasil enfrentará a Suíça (17/06), a Costa Rica (22/06) e a Sérvia (27/06). (Da Gazeta Esportiva)

O embrião do caos

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

As “jornadas de junho”, que a tantos iludiram, completam cinco anos este mês.

Não eram apenas 20 centavos, como dizia o mote original do movimento, logo substituído pelo “padrão Fifa” para tudo.

Os 20 centavos já foram acrescentados várias vezes nas passagens de ônibus e o “padrão Fifa”, nem é preciso dizer, virou sinônimo de lama.

Os blackblocs, tão misteriosamente aparecidos quanto logo desaparecidos, deixaram de usar as camisetas enroladas nas cabeças, à guisa de máscaras, e deram seu papel de destruição a rapazes elegantemente trajados de ternos e togas.

Todo o sentimento de autoestima, de afirmação coletiva e de esperança que o país desenvolvera, em pouco tempo, foi lançado fora e substituído pela velha e recorrente síndrome do vira-latas e pelo “todos são ladrões”, que desbordou rapidamente para o ódio, na política e mesmo nas relações pessoais.

O sonho do desenvolvimento, que vinha em marcha,  dissipou-se e deu lugar ao pesadelo de uma crise pavorosa para milhões de brasileiros sem emprego e renda e para os milhares que voltaram às calçadas, tiritando de frio neste junho, diante dos nossos olhos impotentes.

Chamaram de primavera o que eram os temporais que prenunciavam o fim do nosso verão nacional e estamos, agora, em pleno inverno político, econômico e social: sem líderes, sem progresso, sem o mínimo de harmonia que nos permita vermo-nos como um povo.

O último que o tentou passa frio e solidão em Curitiba.

Há um sentimento de cansaço, de esgotamento que aplastra nosso país, verdade que num mundo que parece caminhar para trás.

Precisam nos confundir, precisam tirar nossas referências, precisam nos manter contidos em tribos politicas ou “identitárias” para que não (re)descubramos que não é o que nos separa o que nos pode fazer avançar, mas o que nos une.

Desde o golpe, a direita e a mídia tiveram todo o poder, tiveram todos os meios para rasgar, deformar, amputar direitos e, até, para encarcerar os símbolos daqueles tempos.

O que conseguiu foi o desastre que presenciamos.

E do qual não sairemos se, entre nós, seguirmos batendo pé por vinte centavos e não aceitando quem não nos seja como um “padrão Fifa”.

A intransigência, a intolerância, a desagregação, tudo o que divide nos enfraquece.