Com golaços, Brasil vence último teste antes da estreia na Copa

O técnico Tite escalou o time que considera ideal desde o início pela primeira vez na manhã deste domingo. No Estádio Ernst Happel, com um gol marcado por Neymar, a Seleção Brasileira ganhou da Áustria por 3 a 0 no último amistoso antes da Copa do Mundo.

Artilheiro da gestão Tite na Seleção, Gabriel Jesus marcou seu 10º gol em Viena e, no segundo tempo, Neymar e Philippe Coutinho aumentaram. Considerada pela comissão técnica parecida com a Costa Rica, rival na Copa do Mundo da Rússia, a Áustria não aliviou e marcou duro o time visitante.

Nesta segunda-feira, a Seleção Brasileira já faz seu primeiro treinamento em Sochi, base durante a Copa do Mundo da Rússia. Às 15 horas (de Brasília) do próximo domingo, pela primeira rodada do Grupo E, o time dirigido por Tite encara a Suíça, em Rostov.

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O Jogo – O Brasil manteve maior posse de bola desde o começo do amistoso e, com paciência, procurou a melhor alternativa para tentar furar a defesa austríaca. O time local jogou sério no último ensaio da Seleção antes da Copa do Mundo e chegou firme, principalmente em cima do atacante Neymar.

A Áustria assustou no momento em que Lainer recebeu de Schopf pela direita e cruzou para Arnautovic chutar por cima do gol. O Brasil respondeu com Philippe Coutinho, que limpou a marcação pelo meio e bateu para defesa na ponta dos dedos do goleiro Lindner.

A Seleção Brasileira inaugurou o marcador aos 34 minutos do primeiro tempo. Após chute frontal disparado por Marcelo, a bola desviou na defesa e sobrou na esquerda para Gabriel Jesus, em posição duvidosa, finalizar com categoria diante de Lindner.

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O time visitante marcou o segundo gol aos 17 minutos da etapa complementar. Willian recebeu pela direita e, com visão de jogo, acionou Neymar do lado oposto. O camisa 10 dominou sem ser incomodado, deixou Dragovic no chão e fuzilou o goleiro adversário.

Em desvantagem, a Áustria esmoreceu e sofreu o terceiro gol aos 23 minutos da etapa complementar. Em jogada pela esquerda, Roberto Firmino, que substituiu Gabriel Jesus, tabelou com Philippe Coutinho. O meia sobrou livre na cara de Linder e definiu com competência.

Tite aproveitou a etapa complementar para realizar alterações e dar ritmo a alguns reservas, entre eles Douglas Costa, que substituiu Neymar. A Seleção Brasileira teve chances para marcar o quarto gol, uma delas com Firmino, mas o placar seguiu inalterado. (Da Gazeta Esportiva)

FICHA TÉCNICA – ÁUSTRIA 0 x 3 BRASIL

Local: estádio Ernst Happel, em Viena, na Áustria
Data: 10 de junho de 2018, sábado
Horário: 11h (de Brasília)
Árbitro: Viktor Kassai (HUN)
Assistentes: Oszkar Lemon (HUN) e Zsolt Varga (HUN)
Cartões amarelos: Schopf, Prodl (AUT)
Gols: Gabriel Jesus, aos 34 minutos do 1º Tempo, Neymar, aos 17 minutos do 2º Tempo, e Phillipe Coutinho, aos 23 minutos do 2º Tempo

ÁUSTRIA: Lindner; Prodl, Dragovic, Hinteregger e Lainer; Baumgartlinger, Schlager (Burgastaller), Schopf (Hierlander), Grillitsch (Zulj) e Alaba; Arnautovic
Técnico: Franco Foda

BRASIL: Alisson; Danilo, Thiago Silva (Marquinhos), Miranda e Marcelo (Filipe Luis); Casemiro (Fernandinho); Paulinho, Philippe Coutinho (Taison), Willian e Neymar (Douglas Costa); Gabriel Jesus (Firmino)
Técnico: Tite

A mensagem de Lula aos brasileiros

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“Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública.

Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.

De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo.

Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais.

Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando.

Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação.

Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam.

Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo.

Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir com a consciência tranquila.

Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso me considero um preso político em meu país.

Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade.

Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.

É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República.

Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana.

Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente.

Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo.

Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016.

Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita. Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco.

Está chegando a hora da verdade.

Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar.

Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossosadversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.

Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.

A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.

Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social.

Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais.

Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção.

Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.

Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios.

Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica.

Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África, e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos.

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato.

Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura presidencial pelo Partido dos Trabalhadores.

Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores.

Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais.

Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história.

Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo.

Para alcançar este objetivo, temos de unir as forçasdemocráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.

Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo,posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança,para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro.

E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente

Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 8 de junho de 2018″.

Camisa comuna da Seleção cai no agrado da galera

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A CBF proibiu na justiça a comercialização “camisa comunista” da Seleção. A autora da ideia passou então a usar o brasão com “CBD”, antiga sigla da entidade.

E não é que a camisa vermelha é bem bonita? O fato é que a subversiva camisa faz sucesso e as vendas continuam à toda via Mercado Livre.

Loja virtual >

Última parada antes da Rússia

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POR GERSON NOGUEIRA

Mesmo com todas as mídias favoráveis, os anúncios quase messiânicos, é necessário reconhecer que a Seleção Brasileira não conseguiu cativar a massa. Qualquer passeio pelas ruas de Belém, cidade normalmente festiva quando o assunto é futebol, revela-se frustrante quanto à adesão do torcedor ao espírito pachequista que as emissoras de TV tentam impor.

Não se vê sinal das camisas amarelas do escrete, que antes de qualquer Copa do Mundo, costumam invadir as ruas. Talvez seja efeito da brutal decepção dos que misturaram futebol com política, apoiando Aécio Neves e sofrendo as consequências da desafortunada escolha.

Pode ser também reflexo da massacrante goleada alemã nas semifinais da Copa do Mundo de 2014. Para os jogadores, parte deles ganhando uma segunda oportunidade neste Mundial, o vexame parece que não causou maiores traumas. Todo mundo demonstra estar tranquilo, como se nada tivesse acontecido naquela tarde tenebrosa em Belo Horizonte.

São diversos fatores diversos que convergem para uma realidade desconcertante: o Brasil de 2018 não é o mesmo das outras Copas. As pessoas passam diante das vitrines e não se empolgam com os televisores de última geração. No passado, o cidadão comum trocava de aparelho de TV de quatro em quatro anos, justamente antes de começar a festa.

Hoje, na belíssima Viena, o Brasil de Tite encara o bom time austríaco, que bateu firme na Alemanha campeã mundial. Que os brazucas se acautelem para evitar um vexame no último amistoso antes da estreia na Copa.

Com Neymar confirmado, Tite terá, pela primeira vez em vários meses, aquele que é considerado o time ideal do Brasil. Sem Fernandinho, of course. Amistosos às vésperas da Copa são normalmente jogos que lembram dança entre irmãos. Obviamente, não há muito esforço em arriscar as canelas ou ir com tudo nas divididas.

Ainda assim, o jogo pode render boas lições ao aplicado Tite. É a hora de descobrir se Danilo dará mesmo conta do recado pela direita, embora a alternativa a ele seja das mais acabrunhantes – o carniceiro Fagner, que só vai à Copa por obra e graça da famigerada cota corintiana.

No amistoso contra a Croácia, o Brasil fez um primeiro tempo de time retranqueiro, com Casemiro, Paulinho e Fernandinho protegendo a defesa. A atuação foi horrorosa ao longo do primeiro tempo. A situação melhorou, da água para o vinho, com a entrada de Neymar no segundo tempo.

O jogo tem importância capital para as anotações da comissão técnica, mas desconfio que é mais importante ainda para o ânimo da torcida brasileira. Para animar a massa, Neymar & cia. precisam jogar com disposição, arrojo e fome de gols. Só os gols salvam, já dizia o poeta. Mais do que nunca, essa sentença se faz verdadeira.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, às 21h, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Gols da rodada, sorteios e interatividade com o telespectador.

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Papão sofre novo revés e perde gordura

Dado Cavalcanti foi cirúrgico. A derrota para o Goiás, na sexta-feira à noite, além de acrescentar uma boa dose de insatisfação entre os torcedores, fez o Papão perder a gordura acumulada nas primeiras rodadas da Série B.

Grande parte da responsabilidade pelo novo tropeço é atribuída, justificadamente, ao próprio Dado. Critica-se principalmente a insistência com um esquema que já provou ser falho. Os três zagueiros não defendem bem e saem jogando de forma trôpega, dando chutões.

Foi o que ocorreu na partida em Goiânia, como já havia acontecido em outros jogos recentes. A saída defeituosa torna o time vulnerável e sem qualidade na conexão com o ataque. Diego Ivo cansou de errar ligações com o ataque. Edimar saía sem convicção para o combate direto e Douglas, lento em excesso, se atrapalhava em quase todas as situações.

Mesmo com o gol de Renato Augusto logo no começo do jogo, o Papão não teve tranquilidade para conter a movimentação do Goiás, que reagiu ainda no primeiro tempo (gols de Alex Silva e Lucão), virando a partida e ainda perdendo muitos gols ao longo dos 90 minutos.

Os buracos no meio-campo e o espaço concedido pela última linha do PSC fizeram com que o Goiás jogasse inteiramente à vontade. O resultado mais justo seria um novo 4 a 1, como na terça-feira em Criciúma.

Renato Cajá, responsável pela criação de jogadas no Goiás, teve total liberdade. O time da casa perdeu chances em sequência, mandou bola no travessão e mereceu a vitória.

Ao Papão resta aproveitar o tempo disponível até o próximo jogo (contra o CSA, no sábado que vem) para arrumar a casa. Ficou óbvio que o sistema 3-5-2 não está mais encaixando, até porque os adversários já conhecem as fragilidades do trio de zagueiros e dos laterais bicolores. Algo precisa ser feito antes que o prejuízo aumente.

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Quem sabe, sabe…

A coluna abre espaço, por sugestão de um querido amigo botafoguense, aos grandes pensadores e frasistas do futebol. Para começar a série, um nome acima de qualquer suspeita. Selecionei três frases imortais do ferino, saudoso e genial Johan Cruyff, regente da Laranja Mecânica de 1974 e um dos mais completos atacantes que o mundo já viu:

“Quando você joga uma partida, é estatisticamente comprovado que os jogadores ficam com a bola, em média, três minutos. O mais importante é o que você faz durante os outros 87 minutos em que não tem a bola. Isso que determina se você é bom jogador ou não.”

“Você joga futebol com a sua cabeça. Suas pernas estão lá apenas para ajudá-lo.”

“Os jogadores de hoje dia só sabem chutar com o peito do pé. Eu conseguia chutar com a parte de dentro, com o peito do pé, com o lado externo, com os dois pés. Em outras palavras, eu era seis vezes melhor que os jogadores de hoje em dia.”

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 10)

As feridas da vida e a vida em feridas

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Por Júlio Sosa, em A Postagem

Era de se esperar que o suicídio de Anthony Michael Bourdain, chef, escritor e apresentador de televisão norte-americano, despertasse a curiosidade de muitas pessoas, afinal, ele não era um estranho, como muitos dos que desistem da vida pelo mundo, todos os dias. Não seria surpresa, igualmente, que os “humanos” deixassem transparecer seu lado mesquinho.

Bourdain tinha uma sensibilidade humana diferenciada, não era, apenas, mais uma estrela, tão pouco era somente um grande chef. Ele era um humano e, talvez, essa tenha sido sua grande pena, a saber, ser um humano num mundo desumanizado.

Desumanizado a tal ponto que, mesmo diante da tragédia que leva ao fim de uma vida; fim esse gerado pela desistência, alguns além de não serem capazes da solidariedade, se sentem livres à crítica. Sempre que acontece de alguém conhecido desistir da vida, surgem comentários maldosos sobre a fraqueza da pessoa, entre outros ainda mais maldosos, a crueldade humana não tem limites é o que consigo pensar nestas horas. Essa crueldade pesa, ainda mais, em ombros mais humanos, como parecia ser o caso de Bourdain. Reproduzo, para que tentar confirmar o que digo o texto, “A Ferida”, de autoria dele no livro, “Em Busca do Prato Perfeito”,

Já estava acostumado aos amputados, às vitimas do agente laranja, aos famintos, pobres, garotos de rua de seis anos de idade que você encontra às três da madrugada gritando “Feliz ano novo! Olá! Bye-Bye!” em inglês, e depois aponta para suas bocas e faz “bum bum?”. Estou ficando quase indiferente aos garotos famintos, sem pernas, sem braços, cobertos de cicatrizes, desesperançados, dormindo no chão, em triciclos, na beirada do rio. Mas não estava preparado para o homem sem camisa, com um corte de cabelo a la forma de pudim, que me detém na saída do mercado, estendendo a mão. No passado ele sofreu queimaduras e tornou-se uma figura humana quase irreconhecível, a pele transformada numa imensa cicatriz sob a coroa de cabelos pretos. Da cintura para cima (e sabe Deus até onde), a pele é uma cicatriz só; ele não tem lábios, nem nariz, nem sobrancelha. Suas orelhas são como betume, como se tivesse mergulhado e moldado num alto-forno, sendo retirado pouco antes de derreter por completo. Mexe seus dentes como uma abóbora de Halloween, mas não emite um único som através do que foi um dia, uma boca. Sinto um murro no estômago. Minha animação exuberante dos dias e horas anteriores desmorona. Fico paralisado, piscando e pensando na palavra napalm, que oprime cada batida do meu coração. De repente nada mais é divertido. Sinto vergonha. Como pude vir até esta cidade, até este país por razões tão fúteis, cheio de entusiasmo por algo tão… Sem sentido, como sabores, texturas, culinária? A famíla daquele homem deve ter sido pulverizada, ele mesmo transformado num boneco desgraçado, como um modelo de cera de madame Tussaud, a pele escorrendo como vela pingando. O que estou fazendo aqui? Escrevendo um livro de merda? Sobre comida? Fazendo um programinha leve e inútil de tevê, um showzinho de bosta? A ficha caiu de uma vez e fiquei me desprezando, odiando o que faço e o fato de estar ali. Imobilizado, piscando nervosamente e suando frio, sinto que todo mundo na rua está me observando, que irradio culpa e desconforto, que qualquer passante vai associar os ferimentos daquele homem a mim e ao meu país. Dou uma espiada nos outros turistas ocidentais que vagueiam por ali com suas bermudas da Banana Republic e suas camisas pólo da Land’s End, suas confortáveis sandálias Weejun e Bierkenstock, e sinto um desejo irracional de assassiná-los. Parecem malignos, comedores de carniça. O Zippo com a inscrição pesa no meu bolso, deixou de ser engraçado, virou uma coisa tão pouco divertida quanto à cabeça encolhida de um amigo morto. Tudo o que comer terá gosto de cinzas daqui pra frente. Fodam-se os livros. Foda-se a televisão. Nem mesmo consigo dar algum dinheiro ao coitado. Tenho as mãos trêmulas, estou inutilizado, tomado pela paranoia… Volto correndo ao quarto refrigerado do New World Hotel, me enrosco na cama ainda desfeita, fico olhando para o teto com os olhos cheios de lágrimas, incapaz de digerir ou entender o que presenciei e impotente para fazer qualquer coisa a respeito. Não saio nem como nada pelas 24 horas seguintes. A equipe de tevê acha que estou tendo um colapso nervoso. Saigon… .Ainda em Saigon. O que vim fazer no Vietnã? (Anthony Bourdain, “A Ferida” do livro “Em Busca do Prato Perfeito”, em que ele revela a dor de ser feliz e privilegiado em um mundo tão desigual e violento.)

Faço questão de colocar aqui esse texto, não só como uma homenagem a ele, mas para que nos sirva de alerta. “As feridas” dos outros, às vezes, elas são visíveis como essas que chocaram a Bourdain, outras tantas, são feridas silenciosas e escondidas como as feridas que o levaram a desistir da vida.

Eu que já pensei algumas vezes em desistir, e em uma delas realmente tentei cair fora da vida, sei o peso que se carrega, sei que às vezes a dor pesa muito, e a dor que se carrega sozinho e, geralmente, no silêncio, é ainda maior e mais sufocante. Não julguem ninguém que tenha desistido, pelo contrário, fiquem mais sensíveis aos sinais, sejam mais humanos. A depressão é algo sério!

E se você não conseguir ou desejar entender, pelo menos, cale a boca.