Confiança sob suspeita

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POR GERSON NOGUEIRA

Quase todo mundo criticou escolhas de Tite na lista final para a Copa do Mundo, principalmente as convocações de Taison, Fagner e Fred, jogadores que estão abaixo do nível técnico da competição. Ao mesmo tempo, o técnico foi muito cobrado pelas ausências de Luan e Artur.

Na ocasião, Tite e seus muitos defensores argumentaram que Artur foi pouco testado e que Luan não se encaixava no desenho tático da Seleção Brasileira, como se sistemas tivessem que funcionar como aqueles brinquedos de montar, onde as peças são pré-fabricadas.

Sobre os três citados inicialmente sempre foi dito que são “homens de confiança” do técnico. Sempre tive sérias desconfianças em relação à confiança desmedida que treinadores devotam a alguns jogadores, por razões que a própria razão desconhece.

Por força das circunstâncias, o assunto vem à baila neste dia tão importante para o Brasil na Copa mais imprevisível dos últimos tempos. Esperava que Tite não precisasse lançar mão de seus homens de confiança.

Sempre entendi que Seleção é uma colcha de retalhos, reunindo atletas que preferencialmente devem ter características variadas. O encaixe vem do entrosamento e da repetição, dos treinos e orientações.

Luan foi o principal jogador da última temporada no Brasil. Não é possível que seja inferior a Taison, distanciado dos demais atletas porque a Ucrânia fica fora do eixo principal do futebol europeu.

A ausência de um atacante de perfil diferente dos que estão na Rússia (como o próprio Luan) ajuda a explicar o bloqueio criado pela filosofia de Tite quanto a alternativas de jogo para os titulares absolutos na Seleção.

Phillipe Coutinho se tornou um ocupante do lado direito, aproximando-se da área, mas poderia atuar como um meia-atacante que flutue por todos os lados do ataque. Jogou assim no Liverpool e no Barcelona.

O próprio Neymar é hoje refém desse posicionamento sacrossanto seguido à risca por Tite. Atua sempre na esquerda, mas, pelas habilidades que possui, caberia experimentá-lo pelo meio ou pela direita.

A linha de pensamento do treinador tornou-se uma camisa de força a partir das preferências por determinados jogadores, atropelando até o critério fundamental do condicionamento físico para um torneio de altíssima competitividade, desgastante e de tiro curto.

Fred, Renato Augusto, Douglas Costa e Danilo chegaram à Rússia sem as condições ideais. Por razões óbvias, não deveriam ter sido convocados na vã esperança de que pudessem se recuperar ao longo do torneio, quando a lógica diz justamente o contrário.

Para o jogo de hoje contra a Sérvia, Douglas é a baixa mais sentida. Foi o atacante que quebrou a resistência retranqueira da Costa Rica e deu vivacidade ao previsível ataque. Sem ele, Tite volta com Willian pela direita, embora tenha treinado um esquema mais conservador, com Fernandinho e Renato Augusto, também de sua confiança pessoal.

Aí é que mora o perigo.

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Dream Team da internet tem quatro brasileiros

Qual seria o time dos sonhos se a escolha tivesse como origem o campo minado e movediço da internet? A SEMrush, líder global em marketing digital, preparou uma escalação inédita. Para isso, foram analisados os nomes mais populares globalmente durante um ano. Destaques no campo e na web, Neymar (7,4 milhões), Cristiano Ronaldo (6,1 milhões) e Messi (1,8 milhões) foram os atacantes selecionados. Nas laterais, os brasileiros Marcelo (550 mil) e Danilo (165 mil).

Os europeus Isco (550 mil), Paul Pogba (550 mil) e Ashley Young (74 mil) entrariam no meio campo. Na zaga, Pepe (1,5 milhão) e Sergio Ramos (1 milhão). No gol, empatados, o costarriquenho Keylor Navas e o alemão Manuel Neuer, com 368 mil de menções.

E quem comandaria esse time? Ninguém menos que Tite, técnico do Brasil, com 1,3 milhão de buscas, seguido pelo francês Deschamps, com 1,1 milhão de menções. Achei esquisita a formação do time, até porque jamais um Dream Team poderia ter carniceiros como Pepe e Ramos na defesa.

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A palavra de um azulino que não se omite

A respeito do comentário de ontem sobre o atual cenário de Mad Max que domina o Remo, o grande benemérito Ronaldo Passarinho, um dos 27 históricos baluartes deste espaço, observa via e-mail que jamais aceitou “passivamente” os desmandos no clube.

“Reagi através de ofícios durante três anos e meio, para todos os presidentes do período, e nada recebi de resposta. Na última sessão do Condel de que participei, quando o presidente do órgão era Manoel Ribeiro, falei e cobrei duramente. Reitero sempre que posso minha posição de inconformismo quanto ao desinteresse dos responsáveis pelo clube. Por isso, não aceito ser chamado de omisso. Sou, desde algum tempo, um proscrito no Remo”, escreve Ronaldo.

Embora a crítica não se referisse a ele, Ronaldo tem razão em marcar posição e reafirmar seu desagrado com o descalabro reinante. Tem crédito e é reconhecido por ter sido ao longo de décadas um bravo defensor da bandeira azulina em diversas áreas e níveis de atuação.

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Oito lutas de Punch Fight para sacudir as férias

Belém vai sediar, no próximo dia 7 de julho, uma noitada de MMA Punch Fight, com oito lutas, no Insano Marina Club (rua São Boaventura, entre Almirante Tamandaré e travessa Alenquer). A luta principal será entre Fabão Vasconcelos e Rogério “Cão de Briga”, valendo o cinturão da categoria até 93kg. A luta feminina do card terá Paula Bittencourt (Frankiko team) contra Ábina Santos (Minhoca team).

O evento terá também o concurso Musa Punch Fight e a apresentações de  DJ Márcio Lins, DJ Avarney (funk) e banda Tio Chico S/A.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 27) 

A frase do dia

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“Quando se para um jogo por causa de um cotovelo, ou é um cotovelo ou não é um cotovelo. Não há meios cotovelos. Regras dizem que cotovelo é vermelho. Merecemos respeito”.

Carlos Queiroz, técnico do Irã, após o polêmico lance de cartão amarelo dado a Cristiano Ronaldo por cotovelada em zagueiro iraniano

Aos trancos e barrancos, Argentina vence Nigéria e se classifica

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Sem ter conquistado nem uma vitória sequer até então (antes, empatou também por 1 a 1 com a Islândia e perdeu por 3 a 0 para a Croácia), a Argentina assumiu a segunda colocação da chave, com 4 pontos ganhos, na rodada derradeira. Os líderes croatas tiveram 100% de aproveitamento, com 9, enquanto os nigerianos somaram 3 e os islandeses, apenas 1.

Enquanto Nigéria e Islândia se despedem, Croácia e Argentina iniciarão preparação para as oitavas de final. Os croatas, que derrotaram os islandeses por 2 a 1 também nesta terça-feira, jogarão contra a Dinamarca às 15h (de Brasília) de domingo, em Níjni Novgorod. Um dia antes, às 11h (de Brasília), os argentinos farão duelo de campeões do mundo com a França.

Quando a bola rolou, o time de Jorge Sampaoli (o único vaiado no anúncio da escalação da Argentina) tentou fazer jus à confiança. Sem Aguero, que se desentendeu com o técnico no jogo passado, e com Higuaín, a seleção sul-americana apostou na movimentação ofensiva constante para acuar a Nigéria.

Aos poucos, como em um chute por cima da meta de Tagliafico, a estratégia da Argentina parecia que começaria a surtir efeito. Desde que o time não falhasse defensivamente, como fazia Mascherano, falhando feio nas saídas de bola. Por sorte, a Nigéria não conseguia tirar proveito dos vacilos do volante.

Aos 13 minutos, a Argentina trouxe calma a Mascherano e aos seus torcedores. Rojo fez um desarme e passou a bola para Banega, que lançou Messi com categoria. O astro do Barcelona dominou com perfeição, entrou na área e arrematou cruzado para anotar o centésimo gol da Copa do Mundo da Rússia.

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Antes mesmo de descer para o vestiário, o time da Nigéria se reuniu no gramado para tentar se reorganizar na segunda etapa da partida. O técnico alemão Gernot Rohr deu a sua colaboração dentro do vestiário, e a equipe africana retornou de lá com uma alteração no ataque. Ighalo substituiu Iheanacho.

O placar também mudou em pouco tempo. Aos três minutos, Mascherano agarrou Balogun dentro da área, e o árbitro turco Cuneyt Cakir assinalou o pênalti antes e após consultar o VAR. Moses se apresentou para a cobrança e, tranquilo, apenas rolou a bola para a meta defendida por Armani, o substituto de Caballero, sacado após falhar feio contra a Croácia.

Aos 29 minutos, o tom dos nigerianos foi de reclamação. Rojo tocou a bola com o braço ao tentar afastar a bola dentro da área, e o árbitro não assinalou o pênalti mesmo depois de o lance ser checado pelo VAR. Ainda mais pressionado, Sampaoli gastou as suas últimas fichas com as entradas de Meza e Aguero nos lugares de Di María e Tagliafico.

Deu certo. Aos 40 minutos, Mercado foi à ponta direita e cruzou para Rojo emendar de primeira para a rede, transformando o Estádio Krestovsky em La Bombonera. A Nigéria ainda tentou reverter a eliminação com Iwoby e Simy nos postos de Omeruo e Musa, mas já era tarde. A Argentina de Messi estava viva na Copa do Mundo da Rússia. (Do Terra Esportes) 

Fachin “tabela” com Cármen e empurra recurso de Lula para agosto

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Edson Fachin segue em seu papel de “lebre esperta” e não demorou mais que algumas horas para “dar um jeito”  no agravo com que a defesa de Lula pedia que o ex-presidente fosse, como  estava previsto, julgado pela 2ª Turma do STF, onde teria mais chances de ser libertado provisoriamente ou, no mínimo, colocado em prisão domiciliar, o que permitiria, em parte, romper o isolamento a que está submetido em Curitiba.

Poderia recusar o agravo e sofrer recurso ou, como seria normal, submetê-lo à Turma. Fez, porém, uma “tabelinha” de conveniência com Cármem Lúcia e o enviou a plenário, pedindo antes o parecer da Procuradoria Geral da República, com 15 dias de prazo para que seja apresentado.

Como só há mais uma semana de funcionamento do STF antes do recesso de julho – sim, como os escolares, suas excelências têm férias de “meio de ano” – só a partir de agosto a Presidente do Supremo poderá, quando lhe convier, colocar o assunto em pauta.

Já teremos, então, o processo eleitoral aberto, as candidaturas em registro e os candidatos definidos formalmente.

Com Lula na cadeia.

Assim, procrastinando, como fazem há meses e “escolhendo” a composição dos julgadores, os “éticos” do STF vão fugindo de desfazer o absurdo jurídico que é executar antecipadamente uma pena no mínimo polêmica de alguém que não foge da Justiça – mesmo do arremedo de Justiça que se lhe oferece – e não oferece perigo algum – exceto o “perigo político” – à sociedade.

Lula pede para ser julgado de acordo com a lei vigente, mas os juízes covardes que o têm nas mãos preferem usar a manipulação do tempo judicial como “argumento”.

Afinal, como se sabe, a covardia é a marca dos canalhas. (Do Tijolaço)

A periferia invade a festa

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POR GERSON NOGUEIRA

A Copa sai da fase mais ou menos burocrática para ingressar na etapa das definições. A triagem dos 16 melhores está se desenhando. Portugal e Espanha escaparam raspando ontem, empatando com adversários modestos na geografia boleira, mas extremamente aplicados. O desempenho de Irã e Marrocos, dando um suor nos times de CR7 e Isco, escancara o equilíbrio reinante no torneio, como há muito tempo não se via.

Times medianos se arvoram a buscar o nível mais alto, o que torna a competição mais rica no aspecto técnico e vibrante pelo lado emocional. México, Bélgica, Nigéria, Islândia, Suíça, Colômbia, Sérvia, Japão, Irã, Senegal e Croácia integram esse pelotão intermediário que vem rompendo com algumas premissas antigas.

Já havia abordado esse fenômeno, mas, a partir dos jogos da fase de grupos, pode-se dizer que o respeito pelas seleções tradicionais está diminuindo, da mesma forma como cresce a qualidade geral dos confrontos.

Houve um tempo em que a primeira fase das Copas era dominada por resultados bizarros, times fraquíssimos expostos a surras contra as seleções mais poderosas. Na Rússia, somente Panamá e Arábia Saudita destoaram dos demais.

Aos poucos, isso está ficando para trás. Todos os países investem muito na preparação, no intercâmbio e na assimilação de conceitos modernizantes. Contribui fortemente para isso a chamada globalização de chuteiras.

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Quase todos os times são treinados por técnicos de larga experiência e são formados por atletas que atuam nas principais ligas europeias, ganhando confiança, rodagem e aprendendo a jogar melhor. Até os times africanos, normalmente indisciplinados no aspecto tático, passaram a jogar organizadamente.

Considero pouco provável que nesta edição o Terceiro Mundo da bola levante a taça de campeão, mas o avanço é evidente e irreversível. A periferia está invadindo a praia dos maiorais.

Não por coincidência, hoje, a respeitada Argentina de Lionel Messi corre o seriíssimo risco de ser alijada da disputa por um selecionado africano naquele que é o embate mais esperado desta terça-feira.

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Critérios da FPF prejudicam a Desportiva

A Desportiva reclama que está sendo prejudicada no Campeonato Paraense Sub-17 pelos critérios da Federação Paraense de Futebol no direcionamento da tabela. Classificada para a semifinal, a equipe não poderá jogar em seu campo, pois o regulamento veta partidas em locais abertos.

O problema é que, ao invés de agendar o jogo para o Mangueirão ou o campo do Seju, a FPF optou pelo estádio do Souza, que está cedido temporariamente ao Remo. Com isso, de maneira surpreendente, o mando de campo acabou invertido.

Outra queixa é quanto à definição dos times por grupo. A dupla Re-Pa, sabidamente mais fortes, foi encaixada na chave da Desportiva. Apesar disso, contra todas as previsões, o time avançou na competição e alcançou as semifinais. Só não vai poder exercer mando de campo.

Coisas típicas da surreal gestão do futebol no Pará.

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Sócrates inspira recadinho de Cantona

Quando Eric Cantona rompe o silêncio outra vez é preciso estar atento. Atacante enfezado, barraqueiro até, o francês se mostra atualizado e com ideias bem claras acerca do mundo contemporâneo, dentro e fora dos gramados. Fã declarado de Sócrates, a quem já prestou inúmeras reverências, Cantona usou ontem uma foto icônica do Doutor em seus perfis na internet para alfinetar Neymar.

“Sem mais trapaças, sem lágrimas de crocodilo. Vamos amar o Brasil como nós costumávamos a amá-lo”, escreveu, revelando a impressão que os europeus têm hoje das atitudes do nosso principal jogador. É algo que faz pensar. Tomara que o ainda jovem Neymar cresça para o jogo e amadureça para a vida.

O que mais incomoda em relação ao camisa 10 é a exposição exagerada de aspectos de sua vida que nada têm a ver com o jogo em si. Esse furor midiático acaba perigosamente associado ao comportamento em campo, repleto de reclamações contra a arbitragem e simulações desnecessárias. Há quatro anos, as explosões de irritação eram perdoáveis, hoje são inaceitáveis.

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Uma nova chance para corrigir rumos

O Remo vive fase tão taciturna e sombria que a única notícia que deve ser considerada boa é a reabertura do debate sobre o estrago causado pela destruição do estádio Evandro Almeida há cinco temporadas.

Não há uma conta fechada sobre os sérios prejuízos causados ao time nos diversos campeonatos disputados, mas já se sabe que a falta de local para mandar seus jogos lesou o clube em mais de R$ 3,5 milhões.

Chama atenção o fato de que conselheiros e beneméritos tenham aceitado passivamente que a situação prejudique o Remo, ano após ano, sem tomar qualquer prática quanto à cobrança de uma indenização do ex-presidente causador da desgraça.

No mínimo, caberia proceder a uma apuração de responsabilidades para que se descubra a causa de tantos males, que convergem para a possibilidade iminente de novo rebaixamento.

O Remo só tem chance de sair do atoleiro quando, através das instâncias deliberativas, criar coragem para expor suas vísceras e cortar na própria carne, sem a preocupação de preservas caciques e cardeais. O clube é sempre mais importante do que os aventureiros de plantão.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 26)

Sérvios ficam revoltados com a multa multa aplicada a jogadores suíços

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A seleção da Suíça respira mais aliviada. Isso porque a equipe que faz parte do grupo do Brasil na Copa do Mundo não corre mais riscos de ver os seus principais jogadores suspensos e fora da última e decisiva rodada da fase de grupos, quando enfrentam a Costa Rica pela vaga nas oitavas de final.

A Fifa preferiu multar os jogadores, causando indignação entre os sérvios, que se sentiram insultados pelos gestos de conotação política dos atletas suíços durante e após o jogo.

Isso porque o capitão Lichtsteiner, e os atletas Xhaka e Shaqiri corriam riscos reais de suspensão por terem realizados gestos que fazem menção a bandeira da Albânia. A polêmica se dá por uma questão histórica. Boa parte da população de Kosovo, onde nasceu Shaqiri e os pais de Xhaka, são de origem albanesa.

O território kosovar fica no sul da Sérvia e se declarou independente em 2008, porém os sérvios não reconheceram essa separação. Hoje, Kosovo é um país reconhecido por 111 dos 193 países membros da ONU. O Brasil não o reconhece como independente.